Geografia da Amizade

Geografia da Amizade

Amizade...Amor:
Uma gota suave que tomba
No cálice da vida
Para diminuir seu amargor...
Amizade é um rasto de Deus
Nas praias dos homens;
Um lampejo do eterno
Riscando as trevas do tempo.
Sem o calor humano do amigo
A vida seria um deserto.
Amigo é alguém sempre perto,
Alguém presente,
Mesmo, quando longe, geograficamente.
Amigo é uma Segunda eucaristia,
Um Deus-conosco, bem gente,
Não em fragmentos de pão,
Mas no mistério de dois corações
Permutando sintonia
Num dueto de gratidão.
Na geografia
da amizade,
Do amor,
Até hoje não descobri
Se o amigo é luz, estrela,
Ou perfume de flor.
Sei apenas, com precisão,
Que ele torna mais rica e mais bela
A vida se faz canção!

"Roque Schneider"



Quem sou eu

Salvador, Bahia, Brazil
Especialista em Turismo e Hospitalidade, Geógrafa, soteropolitana, professora.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Infraestrutura e desenvolvimento: Transporte e telecomunicações

1- Introdução:
A compreensão entre infraestrutura e desenvolvimento é fundamental para a análise da dinâmica do espaço geográfico. Isso implica analisar as redes de transportes e de telecomunicações.
Nesse conteúdo veremos o desenvolvimento e a importância dos transportes no contexto da economia globalizada e avaliaremos os problemas enfrentados pelo Brasil nesse setor. Iremos ainda apresentar um panorama das telecomunicações no mundo.

1.1- Infraestrutura e desenvolvimento:
Num mundo em que informações, mercadorias, capitais e pessoas circulam de forma intensa e rápida, a compreensão da estrutura material que dá suporte a todos esses fluxos é fundamental para o entendimento da dinâmica no espaço geográfico.
A arquitetura das redes de transportes e de telecomunicações e a questão energética no mundo e no Brasil, relaciona-se com o desenvolvimento econômico e na implantação e ampliação da infraestrutura brasileira.

1.2- Transportes e Telecomunicações
A evolução dos transportes na era da Globalização permitiu uma maior integração internacional e o crescimento da dinâmica econômica mundial.
Considerando a evolução do sistema capitalista ao longo dos séculos e as transformações que permitiram a integração mundial, podemos dizer que, sob muitos aspectos, a evolução da Globalização é, pois, uma série contínua de evolução nos meios de transporte. Portanto, a questão dos transportes na era da Globalização envolve uma dinâmica de transformações cada vez mais aceleradas e produtoras de uma interdependência.
Aliados à evolução nos sistemas de comunicação, os meios de transporte permitiram a ocorrência daquilo que se assinalou como a compressão do tempo e do espaço, em que as distâncias do mundo “encurtaram”, ou seja, podem ser mais facilmente percorridas, reduzindo gastos e também tempo em deslocamentos e emissão de mensagens. Com isso, a globalização gerou o desencadeamento de uma rede de fluxos de informações e serviços que interliga vários pontos do globo entre si.
Essa questão da interdependência entre os sistemas de transporte e a globalização explica-se pelo fato de as práticas humanas modificarem-se a partir da transformação das técnicas. São as técnicas e os objetos técnicos que atuam no processo de constituição das práticas sociais e na transformação do espaço geográfico. Com a evolução do capitalismo, as técnicas reproduzidas nos meios de transporte foram ganhando novas formas, funções e tecnologias mais avançadas.
Inicialmente, nas últimas décadas do século XV até o início do século XVI, os meios de transporte eram limitadores do alcance das práticas comerciais até mesmo na comercialização de produtos perecíveis. O desenvolvimento da navegação marítima permitiu, além da expansão colonial europeia, uma maior amplitude em termos comerciais, passando a integrar diferentes regiões do planeta por diferentes rotas. A produção de matérias-primas e de produtos manufaturados e o consequente desenvolvimento das sociedades puderam, então, consolidar-se no período chamado de Capitalismo Comercial.
Posteriormente, com os avanços promovidos pela Primeira e Segunda Revoluções Industriais até o final do século XIX, os meios de transporte conheceram um novo salto com a invenção da máquina a vapor e o meio ferroviário, bem como o maior desenvolvimento da navegação. Esses instrumentos permitiram, então, a integração intra territorial em vários países e continentes, além de intensificar as trocas comerciais internacionais.
O século XX, por sua vez, foi o século do desenvolvimento rodoviário e também do transporte aéreo, sobretudo com a III Revolução Industrial, também conhecida como Revolução Técnico-Científica Informacional. Com isso, cargas, produtos e pessoas puderam ser mais facilmente deslocados, permitindo a integração com os pontos mais remotos, fator necessário e vital para a atual complexidade da globalização. Se antes uma mercadoria ou mensagem levava dias ou, a depender da distância, até meses para chegar, hoje em dia é possível comunicar-se ou se deslocar rapidamente mesmo entre os locais de distância mais extrema.
Portanto, podemos perceber que os transportes são de fundamental importância para o fluxo de informações da economia moderna, que se estende em uma lógica macro espacial. Se hoje temos os acordos internacionais, os blocos econômicos e o deslocamento de produtos e matérias-primas na Divisão Internacional do Trabalho, é porque foi possível conceber uma rede de transportes que se torna, a cada dia, mais dinâmica e mais vital para o funcionamento da economia.

1.3- Globalização e transportes
A evolução dos meios de transporte foi um dos eventos que possibilitaram ao ser humano ocupar todo o planeta, explorar os recursos da natureza no mais diferentes lugares, ampliar o comércio e impulsionar outras atividades econômicas.
O desenvolvimento da navegação marítima está diretamente relacionado com a consolidação do capitalismo comercial e a ampliação do horizonte geográfico europeu, a partir do final do século XV.
A Segunda Revolução Industrial, no final do século XIX, ocorreu ajustada a uma efetiva modernização dos meios de transporte, com o desenvolvimento da navegação e da ferrovia a vapor. O transporte rodoviário traçaria novas rotas no decorrer do século XX, possibilitando maior alcance da carga transportada. Aquele também seria o século do avião, que se transformou no principal meio de transporte transcontinental de passageiros e de cargas leves.
Na fase atual de globalização não foi diferente. O avanço dos transportes e das telecomunicações intensificou a circulação de mercadorias, serviços e capitais, atendeu à demanda das grandes empresas por mais agilidade nos processo que envolvem comunicação e negócios a longa distância e atingiu a sociedade mundial em todas as suas dimensões (econômica, social, cultural e política).

1.4- Redes de transportes
A infraestrutura de comunicação e de transporte num território organiza-se na forma de redes. As redes de transporte baseiam-se nos sistemas de deslocamento de mercadorias e passageiro, sendo formadas pelas vias de navegação marítima e fluvial, ferrovias, rodovias e aerovias, além da rede de dutos.

1.4.1- A importância dos transportes na economia moderna
O desenvolvimento dos meios de transporte visa a três fatores essenciais: a segurança, a velocidade e a capacidade de deslocamento de carga ou passageiros. A economia globalizada ampliou o volume dos deslocamentos, tanto em escala nacional como internacional. O desenvolvimento da tecnologia de transportes mudou a natureza do intercâmbio comercial nos últimos 60 anos e abriu possibilidades à comercialização de todos os tipos de mercadoria.
A globalização econômica estimula os fluxos internacionais de mercadorias, em razão da maior abertura comercial verificada em muitos países. No entanto, também nesse setor observam-se diferenças entre os países. As principais rotas comerciais mundiais concentram-se no hemisfério Norte, onde estão os países de maior dinamismo econômico e os principais portos e aeroportos, por onde entram e saem os grandes fluxos de mercadorias e passageiros.
No Brasil, a logística do circuito que liga as áreas de produção ao mercado interno e à exportação foi moldada a partir dos chamados corredores de exportação: eixos do território que articulam os meios de transporte e o sistema de armazenamento. Em geral, a infraestrutura de armazenamento é destinada a produtos cuja estocagem é feita em grandes volumes, como os agro minerais. O ponto de chegada desse sistema de escoamento são principalmente os terminais portuários espalhados pelo litoral brasileiro, de onde os fluxos de mercadorias são direcionados aos mercados interno ou externo.
O sistema logístico dos corredores de exportação está orientado para os portos das regiões Sul e Sudeste e ainda pouco articulado a outras áreas de importância econômica mais recentes e afastadas do Atlântico, como por exemplo, aquelas situadas nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil.

1.5- O sistema de transporte no Brasil
O setor de transporte do Brasil apresenta diversos problemas. Isso pode ser explicado pela grande extensão do território e pelas políticas governamentais adotadas no decorrer do século XX, que não levaram em consideração a necessidade de se diversificar as modalidades de transportes no país. No Brasil, seja por pressão de grupos econômicos (interesses das indústrias automobilísticas, petrolífera e da construção civil), seja pela visão imediatista dos governantes, privilegiou-se o transporte rodoviário. Sobretudo a partir de meados do século XX, o planejamento e os investimentos das verbas públicas ficaram centrados nessa modalidade, enquanto as ferrovias e hidrovias (incluída a navegação de cabotagem) foram relegadas a segundo plano.
O alto custo para transportar mercadorias, por rodovia, das regiões produtoras até os portos nacionais, é um dos fatores que diminuem a competitividade da produção nacional no mercado externo e, em muito casos, encarece o preço das mercadorias no mercado interno.

1.5.1- Transporte rodoviário
Para distâncias menores, as rodovias são meio de transporte mais adequado. Apesar do custo mais elevado e de comportar menor capacidade de carga, o transporte rodoviário apresenta a vantagem de realizar o deslocamento ponta a ponta: a mercadoria é retirada do local onde é produzida e pode ser levada até o ponto de venda. Dessa forma, o produto chega ao seu destino final sem a necessidade de várias operações de carga e descarga, inevitáveis nas outras modalidades de transporte.
Para distâncias maiores, porém, o transporte rodoviário não é o meio mais adequado, mas pode auxiliar os demais. Assim, uma mercadoria percorre longas distâncias de trem, por exemplo, e depois é levada de caminhão até o local exato de destino.
As rodovias no Brasil são a base do transporte de passageiros e por elas circulam cerca de 61% das cargas transportadas no país. A malha rodoviária
brasileira é uma das maiores do mundo: mais de 1 milhão e 580 mil quilômetros de estradas de rodagem, mas com apenas 214 mil quilômetros pavimentados. Além disso, 70% delas estão em más condições de tráfego.
As grandes rodovias, que interligam as várias regiões do país, foram construídas a partir da década de 1950 e tiveram papel fundamental no modelo econômico nacional e na integração das economias regionais nesse período.
Durante os governos militares (1964-1985), as rodovias passaram a ser a base da ocupação espacial do país, tanto do ponto de vista econômico como do ponto de vista geopolítico (Programa de Integração Nacional – PIN). Em 1970, teve início a construção da Transamazônica como estratégia de integração da Amazônia ao mercado nacional.

1.5.1.1- Concessão de rodovias
O processo de concessão de rodovias federais teve início com o Programa de Concessão de Rodovias Federais (Procofe), em 1995. A partir dele, a exploração comercial das rodovias estendeu-se às vias estaduais. As empresas concessionárias, em troca de serviços de manutenção e de melhorias, adquiriram o direito de exploração por meio da cobrança de pedágio, cessão de espaço para publicidade e para instalação de infovias (espécie de estrada eletrônica, formada por redes de cabos de fibra óptica pelas quais circulam informações na forma de texto, som ou imagem) que acompanham o traçado das vias.
Em 2015 as concessões à administração privada são feitas por um período de 30 anos e O Programa de Concessão de Rodovias Federais abrange 11.191,1 quilômetros de rodovias, desdobrado em concessões promovidas pelo Ministério dos Transportes, pelos governos estaduais, mediante delegações com base na Lei n.º 9.277/96, e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que administra atualmente 21 concessões de rodovias, totalizando 9.969,6 km, sendo cinco concessões contratadas pelo Ministério dos Transportes, entre 1994 e 1997, uma pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, em 1998, com posterior Convênio de Delegação das Rodovias denunciado e o contrato sub-rogado à União em 2000 , oito concessões referentes à segunda etapa - fases I (2008) e II (2009), uma concessão referente à terceira etapa – fase II (2013) e, por fim, seis concessões que são partes integrantes do Programa de Investimentos em Logística, pertencente à terceira etapa – fase III (2013 e 2014).

1.5.2- Transporte ferroviário
Comparando-se à rodovia, a ferrovia é o melhor meio de transporte para países de grande extensão territorial como o Brasil. Tem maior capacidade para transportar cargas e passageiros, consome menos energia que o caminhão em relação ao volume de carga transportado e pode ser eletrificada, não dependendo exclusivamente do petróleo como fonte de energia.
Embora o custo de instalação do sistema ferroviário seja elevado, sua manutenção é mais barata do que as das rodovias. Apesar das vantagens, a extensão da linha ferroviária brasileira, comparada à extensão da malha ferroviária de outros países é muito pequena. Levando-se em conta a extensão territorial desses países é fácil perceber que o fato de possuírem um território extenso traz a necessidade de investimentos em ferrovias, modalidade de transporte terrestre de longa distância, que oferece maior custo-benefício que as rodovias.

1.5.2.1- Evolução das ferrovias no Brasil
A ferrovia foi o principal meio de transporte de carga terrestre no Brasil até meados do século XX. Entre 1870 e 1920 as grandes ferrovias seriam construídas, principalmente no estado de São Paulo. Tinham a função principal de ligar as fazendas de café do interior do estado até a capital. Os trens carregavam o café até o porto e traziam ferramentas, imigrantes e alimentos para as fazendas. Atualmente a rede ferroviária brasileira é pouco extensa. O Brasil terminou a segunda década do século XXI com 30.051 quilômetros de vias férreas, sendo 28.614 quilômetros operados por empresas privadas. Somente a Vale S.A. detém a terça parte de toda a malha ferroviária brasileira. As ferrovias absorvem cerca de 20% da carga transportada no Brasil. Ainda que pouco representativo, o transporte ferroviário de passageiros para fins turísticos realiza-se em alguns pontos do território, como em Paranapiacaba (SP) e Tiradentes (MG). O maior volume de passageiros das ferrovias trafega em deslocamentos de curta distância, nos sistemas de transporte metropolitanos. Caso se dê continuidade aos projetos ferroviários em andamento no final da primeira década deste século, o Brasil poderá atingir 31.500 quilômetros em 2015 e 50.000 em 2050.

1.5.2.2- Trem-bala no Brasil
O principal projeto de transporte de passageiros dos últimos anos está previsto para entrar em funcionamento ainda nesta década. Trata-se do trem-bala brasileiro, ligação ferroviária entre os municípios de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. A região escolhida para ser estruturada a primeira malha do trem-bala brasileiro é uma das mais populosas do país, concentrando quase 40 milhões de habitantes. Além disso, a região detém praticamente a metade do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
A viagem entre Rio e São Paulo poderá ser realizada em cerca de 1 hora e 40 minutos. O trem poderá atingir a velocidade média de 285 quilômetros por hora, e fará também a ligação entre diversas estações intermediárias. De São Paulo ao Rio de Janeiro a extensão da linha será de 511 quilômetros, mais da metade percorrida por túneis, pontes e viadutos. O empreendimento está entre os mais caros projetos de infraestrutura programados. De acordo com o governo, sua participação irá se restringir apenas aos valores equivalentes a impostos e desapropriações, ficando o setor privado responsável pela maior parte dos investimentos.
No início de 2013, a tecnologia a ser utilizada no trem-bala ainda não estava definida. Segundo o governo, seriam privilegiados os projetos que apresentassem menor custo aos cofres públicos, tarifas mais baixas, além da preocupação com o meio ambiente.

1.5.2.3- Privatização das ferrovias
A privatização do setor ferroviário teve início em 1996. A RFFSA foi arrendada para grupos formados por empresas nacionais, muitas das quais já utilizavam as ferrovias para o transporte de seus produtos. O modelo de privatização baseava-se na concessão por um período de trinta anos, mediante o pagamento, pelas concessionárias, de um aluguel ao governo.
A transferência para o setor privado representou uma pequena melhoria nas ferrovias, limitada à recuperação de alguns trechos e à instalação de alguns equipamentos mais modernos, sem no entanto, promover a ampliação da malha. Ocorreu, também, aumento do volume transportado e diversificação das cargas, com a utilização de novos tipos de vagão. A partir de então, alimentos, bebidas, papel e automóveis passaram a ser transportados por trem no Brasil.

1.5.3-  Transporte marítimo e hidroviário
O território brasileiro conta com mais de 7 mil quilômetros de litoral e extensa rede hidrográfica. Apesar das condições naturais favoráveis e do baixo custo do transporte hidroviário e da navegação de cabotagem, no início do século XXI eles representavam apenas 13% da carga transportada no país.
A ampliação do sistema hidroviário exige elevados investimentos. Os canais fluviais do Brasil apresentam muitas cachoeiras e corredeiras, sendo vários trechos impróprios à navegação. Apenas o rio Amazonas e seus afluentes, a rede fluvial e lacustre do Rio Grande do Sul e os rios da bacia do Paraguai apresentam condições naturais favoráveis em grande extensão.
As duas principais hidrovias do Brasil em volume de carga transportada estão integradas à rede de transporte dos países do Mercosul: as hidrovias Paraná-Paraguai e Tietê-Paraná.
A hidrovia Araguaia-Tocantins, em fase de conclusão após trinta anos de obras interrompidas, escoará parte da produção agrícola do Centro-Oeste, enquanto a do rio Madeira já representa uma importante via de exportação da soja dessa região. A hidrovia do São Francisco transporta um volume pequeno de mercadorias, embora esse rio seja importante meio de integração entre as comunidades ribeirinhas.
A implantação das hidrovias depende, também, da avaliação dos problemas ambientais causados pela construção de portos, pelo alargamento, aprofundamento e retificação do curso de rios e pela construção de canais de ligação entre as redes hidrográficas.
Para a navegação marítima de cabotagem e para a exportação, há vários portos instalados no imenso litoral brasileiro. Eles, no entanto, apresentam diversos problemas como baixa utilização de contêineres; pequena profundidade das águas, que dificultam a atracagem de navios de grande porte; excesso de burocracia e demora na liberação das embarcações; e limitações para o armazenamento de cargas.
Os portos nacionais mais importantes em volume de carga transportada em contêineres são os de Santos, Itajaí, Rio Grande, Paranaguá e Rio de Janeiro.
O processo de privatização iniciado no país nos anos 1990 também atingiu os portos brasileiros, ele foi baseado no sistema de arrendamento de terminais para empresas privadas, onde estas usam parte da estrutura portuária pública existente, contudo ainda é ineficiente se comparado com outros portos do mundo.

1.5.4- Transporte aéreo
O transporte aéreo teve um crescimento expressivo nas últimas décadas, tanto nos voos domésticos como nos internacionais. No entanto, o transporte  de carga por aviões não tem acompanhado o padrão de crescimento do transporte de passageiros, porém a estrutura dos aeroportos brasileiros ainda precisam de muitos investimentos para atender o número de pousos e decolagens, onde mais uma vez o modelo de privatizações para a exploração privada deverá ser o caminho adotado pelo governo para a ampliação dos aeroportos.

1.5.5- Transporte urbano
O transporte coletivo urbano insuficiente para toda a população – fruto de estratégias de planejamento urbano de governos que não visavam ao interesse coletivo – acaba por estimular a utilização do transporte individual, elevando substancialmente o número de veículos que transitam diariamente nas grandes cidades. Isso causa enormes congestionamentos, que levam as pessoas a desperdiçar muito tempo para se deslocar da residência ao trabalho e vice-versa. Os que não têm condução própria sujeitam-se à demora e à superlotação dos coletivos urbanos.
Além de apresentarem elevado custo (com combustível, manutenção e aquisição de veículos em quantidade), os ônibus, juntamente com os automóveis e os caminhões, provocam problemas de congestionamento nas grandes cidades brasileiras e agravam a poluição atmosférica nos centros urbanos.

1.6- As Telecomunicações no mundo atual
  O avanço do setor de telecomunicações foi muito rápido nas últimas décadas. Hoje esse ramo de negócios é um dos mais lucrativos e disputados em muitos países, inclusive no Brasil. As comunicações por satélite, a transmissão por meio de cabo de fibra óptica e a tecnologia digital geraram empresas gigantescas que controlam os principais meios de informação.
O primeiro satélite artificial - o Sputnik, lançado pela União Soviética em 1957 - impulsionou a corrida espacial da Guerra Fria. Já nos anos 1960, os satélites artificiais passariam a ter aplicação comercial. Em 1962, entrou em órbita o Telstar 1, o primeiro capaz de transmitir sinais de televisão e de telefonia entre a Europa e os Estados Unidos.
A partir daí, as inovações no campo das telecomunicações por satélite não pararam. Em 1983, o telefone celular começou a ser comercializado nos Estados Unidos, época em que a fibra óptica já havia sido considerada um substituto favorável do fio de cobre. Na mesma década, o computador pessoal (PC) começou a entrar nas residências de diversos países do mundo e, a partir de 1990, a internet teve expansão sem precedentes, e os PCs foram ligados à maior e mais complexa rede de comunicações já existente, paralelamente às transmissões de dados por satélite (para televisão, telefonia, internet móvel e outros).
As novas tecnologias de comunicação dependem da instalação de satélites, centrais telefônicas e de transmissão de imagens de TV, provedores de internet etc. Se você observar, verá que antenas de telefonia móvel e lan houses são elementos da paisagem urbana em quase todas as regiões de países como o Brasil.
Os condutores de todos os tipos, como cabos submarinos e subterrâneos de fibra óptica por onde circulam as informações - as infovias -, também fazem parte da infraestrutura, pois são meios físicos através dos quais a informação trafega de um ponto a outro. Os satélites sozinhos não poderiam dar conta do volume de dados que hoje circulam, on line, em todo o mundo. No entanto, essas estruturas materiais, que tornam possíveis os fluxos de informação e comunicação, estão espalhadas de forma heterogênea pelo mundo: altamente concentradas nos países desenvolvidos e mais dispersas no mundo subdesenvolvido.
As novas tecnologias de telecomunicação aceleraram o fluxo de informação e comunicação entre os mais diversos pontos do planeta. A divisão da produção entre os diversos países foi facilitada e o controle mais ágil e eficiente das operações das corporações multinacionais se  consolidou. Também a difusão da informação científica e jornalística em tempo real efetivou-se cada vez mais.
Atualmente, a internet conecta também as novas gerações de aparelhos celulares - que começam a desempenhar funções dos PCs -, ao passo que a TV interativa já incorporou o computador em quase todas as suas funções.
Enquanto uma parte da população do planeta tem fácil acesso a esses meios de comunicação, quase 25% da população do mundo em 2011 nunca havia feito uma ligação telefônica.
A maior e menor capacidade das redes de telecomunicações vai determinar que o acesso aos serviços seja mais ou menos facilitado para a população dos diversos países. A ausência de infraestrutura adequada nos países subdesenvolvidos e o controle de tecnologia desenvolvida pelas grandes corporações - que monopolizam a produção de equipamentos (hardware) e programas (softwares), além de cobrar direitos (royalties) - acabam determinando os elevados preços dos serviços de telecomunicações nas regiões menos desenvolvidas do planeta. Além disso, a renda da maioria dos habitantes desses países limita o acesso aos novos meios de comunicação e informação, pois os equipamentos e serviços são relativamente caros.
Em relação ao acesso a computadores e à internet, os habitantes dos países periféricos vivem uma dupla situação de exclusão digital, pois além da questão econômica, muitas vezes falta a instrução necessária para a manutenção dos equipamentos e uso dos programas.
Assim, a exclusão do mundo da informática distancia ainda mais as classes sociais e transforma-se em mais uma barreira para os excluídos no mercado de trabalho, que cada vez mais exige domínio das tecnologias da informação.
Apesar da rápida expansão do número de computadores incorporados aos domicílios brasileiros nos últimos anos, ela ainda está aquém da disponibilidade encontrada em países desenvolvidos (ou centrais).

1.6.1- O PODER DA INDÚSTRIA CULTURAL
Os acordos entre as indústrias de telecomunicações e as empresas ligadas aos meios de comunicação de massa e entretenimento (jornais, revistas, televisão, rádio, cinema, DVD, videogame etc.) tornaram-se um fenômeno comum nas últimas décadas, sobretudo nos países centrais.
No início do século XXI, o fenômeno se expandiu para as regiões periféricas. Tais acordos formaram verdadeiros trustes da chamada indústria cultural, por meio de fusões entre empresas e de incorporações. Essas grandes corporações empresariais, muitas vezes, desenvolvem os equipamentos que disponibilizam os conteúdos (como textos, sons e imagens) também produzidos por elas. Assim, garantem a venda dos equipamentos ao mesmo tempo que controlam a divulgação da informação. No Brasil, mais recentemente, isso acontece no setor da telefonia móvel, mas já ocorria, parcialmente, no da televisão.

1.6.2- Fusão da Oi com a Brasil Telecom
Nos Estados Unidos, nos países europeus e no Japão, estão localizadas as sedes da maioria das empresas de comunicações. No entanto, a liderança norte-americana no setor é indiscutível. Os Estados Unidos foram o primeiro país do mundo a criar uma indústria cultural. Transformaram-na em instrumento fundamental para a difusão do seu estilo de vida (American way of life) e dos valores, idealizados como meta a ser conquistada por outras sociedades.
Veiculadas em todo o mundo, principalmente no cinema e na televisão, além de em jogos eletrônicos e na internet, entre outros, o estilo e os valores estadunidenses ampliam o mercado e a influência que o país tenta resguardar. Os produtos da indústria de entretenimento dos Estados Unidos são, na atualidade, um dos seus principais produtos de exportação: calcula-se que as corporações norte-americanas de entretenimento produzam cerca de 70% das imagens (vídeos, fotos, filmes etc.) difundidas pelo mundo.

1.7- AS TELECOMUNICAÇÕES NO BRASIL
O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a utilizar o telefone. Já em 1877, dom Pedro II instalou a primeira linha, que ligava o Palácio Imperial à sede da Guarda Nacional. A partir daí, porém, o desenvolvimento foi lento.
As telecomunicações no país expressaram um primeiro avanço principalmente a partir de meados da década de 1960. Nessa época, o Brasil tinha apenas 1.326.000 telefones, as ligações interurbanas podiam levar mais de um dia para serem realizadas e muitas ligações locais ainda tinham  que ser completadas com o auxílio da telefonista. As comunicações com o restante do mundo eram feitas, em sua maioria, pelo sistema de telégrafo. A partir de 1965, foi criada a Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel), estatal responsável pela reestruturação e modernização do sistema de telecomunicações no território brasileiro.

1.7.1- Primeiro telefone instalado no Brasil
Outro momento importante para esse processo foi a criação da Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebras), em 1972, responsável pela administração e operação do sistema de telefonia no país. A Telebras incorporou as concessionárias particulares existente e transformou o serviço de telefonia numa atribuição do Estado.  Transformou-se numa empresa holding controladora das operadoras distribuídas em cada uma das unidades da federação. O serviço telefônico passou a ser monopólio do Estado.

1.7.2- TELEFONIA E PRIVATIZAÇÕES
A criação da Telebras deu impulso ao desenvolvimento da telefonia, mas não conseguiu acompanhar o desenvolvimento do setor nem ampliar a sua infraestrutura diante das novas demandas do comércio internacional. A globalização gerou a necessidade de maior integração da economia nacional e da ampliação dos contatos entre empresas de diversos países do mundo. Há pouco mais de duas décadas, era difícil de possuir uma linha de telefone, pagava-se muito caro por uma instalação, as ligações interurbanas e internacionais eram muito caras, além de ser frequente o congestionamento das conexões.
Em 1997, o Brasil e mais 68 países de todo o mundo assinaram um acordo multilateral - o Acordo Mundial de Telecomunicações (AMT) - durante a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), firmando o compromisso de liberalização do mercado mundial de telecomunicações. Por esse acordo foram eliminadas as barreiras referentes à exploração da telefonia por empresas particulares nacionais ou estrangeiras, a partir do início de 1998. Nesse mesmo ano, o sistema Telebras começou a ser privatizado.
O governo procurava mostrar as grandes vantagens da privatização dos serviços telefônicos no Brasil. Alegava que a concorrência entre as operadoras reduziria taxas e preços das ligações em todo o país e melhoraria a qualidade dos serviços, uma vez que a entrada de empresas estrangeiras traria tecnologias mais avançadas ao setor.
A rede telefônica brasileira atualmente está controlada por um número reduzido de grandes operadoras. A disputa dessas gigantes do setor de telefonia ocorre apenas no caso de ligações interurbanas e internacionais e no setor de telefonia celular. A área de atuação dessas empresas para os serviços de telefonia fixa local é regionalizada e, por essa razão, estão praticamente livres de concorrência. Isso comprometeu as melhorias prometidas.

1.7.3- Operadoras de telefonia fixa no Brasil
O modelo adotado para a exploração da rede telefônica privilegiou as empresas e a população de maior poder aquisitivo. Ligar para os Estados Unidos, países da Europa e o Japão, por exemplo, ficou mais barato. O acesso ao telefone, tanto de telefonia fixa como móvel, ficou mais fácil, mas a ligação local e as taxas mensais cobradas pelas novas operadoras tornaram-se muito elevadas.

1.7.3.1-AGÊNCIAS REGULADORAS
As agências reguladoras foram criadas a partir do final de 1996, no contexto do processo de privatizações no Brasil. Elas foram inspiradas no modelo e experiência norte-americana. Entre as três principais agências criadas estão a Agência Nacional de Telecomunicações (Aneel) e a Agência Nacional de Petróleo (ANP). Apesar de pertencerem ao Estado brasileiro, essas agências têm autonomia financeira e administrativa.
Essas agências devem racionalizar e apoiar a melhoria e a modernização dos serviços e controlar possíveis abusos e irregularidades das empresas de cada setor, tais como aumento exagerado de preços, problemas no fornecimento dos serviços etc. A Anatel, por exemplo, tem poder de decisão sobre a concessão de exploração dos serviços de operadoras, aplicação de multas e acompanhamento da expansão do setor. Foi criada com a finalidade de promover o desenvolvimento das telecomunicações e criar condições para a ampliação de uma estrutura moderna e eficiente, capaz de oferecer à sociedade serviços adequados, com preços justos, em todo o território nacional.

1.7.4- TELEFONIA MÓVEL
A inauguração da telefonia móvel celular no Brasil ocorreu em 1990, com a utilização da banda (espectro de frequência captado pelo aparelho celular) A. Em 1997, com a inauguração da banda B, ocorreu significativa expansão da telefonia celular para grande parte do território nacional. A partir de 2003, a Anatel abriu novas bandas de frequência para aparelhos digitais de segunda geração.
Atualmente, tecnologias de     quarta geração (4G) de telefonia móvel permitem a transmissão com maior velocidade de download de músicas e vídeos e a incorporação ao celular de serviços como internet e TV. Os aparelhos 4G têm assegurado a ampliação do mercado desse tipo de telefonia. A cada dia aparelhos cada vez mais modernos entram no mercado.
A evolução da telefonia celular no Brasil foi surpreendente. Nos dias atuais, os números de terminais supera de longe os da telefonia fixa. Da mesma forma que na telefonia fixa, poucas operadoras detêm o controle da maior parte do mercado dos celulares. O custo do serviço é ainda elevado.
Para a expansão da telefonia celular, as autoridades também argumentaram que a concessão dos serviços a empresas privadas aboliria o monopólio estatal e estabeleceria maior competitividade entre as empresas, o que asseguraria melhor qualidade de serviços e menores preços. No entanto, em setembro de 2010, apenas quatro grandes operadoras controlavam 99,64% do mercado nacional.

1.7.5-INTERNET
A internet passou a funcionar no Brasil em 1988. Inicialmente era restrita a instituições de pesquisa, universidades e órgãos governamentais e militares. Em 1995, passou a ser um serviço oferecido a toda pessoa que possuísse um computador pessoal (PC), uma linha telefônica e conexão com um provedor de acesso.
O acesso à internet em domicílios chegou a 85,6 milhões de brasileiros, o equivalente a 49,4% da população, segundo indica pesquisa divulgada pelo IBGE. Os dados são referentes a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2013. A pesquisa considerou o acesso de pessoas acima de 10 anos de idade que utilizaram a internet pelo menos uma vez em um período de 90 dias anteriores à realização das entrevistas.
Esta foi a primeira vez que a pesquisa do IBGE contabilizou o acesso à internet por outros aparelhos que não fosse computadores e notebooks. Em 2011, ano do último levantamento, registrou-se que 46,5% da população se conectava à rede pelos tradicionais microcomputadores; enquanto o levantamento divulgado hoje aponta uma queda para 45,3%. A pesquisa mostra ainda que 4,1% das pessoas se conectaram à internet apenas por meio de outros dispositivos, como celular, tablet ou a televisão.
Segundo a pesquisa, dos 31,2 milhões das residências com acesso à internet, 97,7% estão conectados por banda larga e apenas 2,3% por telefonia discada. Considerou-se neste estudo que a conexão banda larga é aquela realizada por meios não discados, através da linha de telefônica, TV por assinatura, rádio, fibra ótica e pela rede de telefonia celular.
No país, 77,1% dos domicílios têm conexão por banda larga fixa, enquanto 43,5% têm acesso à banda larga móvel. O Distrito Federal tem a maior porcentagem de conexão fixa, com 86%, enquanto o Amapá a maior conexão móvel domiciliar, com 91%.
A pesquisa mostra um número equilibrado de acesso entre homens (49,3%) e mulheres (49,5%) no país em 2013. Mas a região norte tem um maior acesso por parte de mulheres (40,5) em comparação com os homens (38,6%), enquanto a região sudeste apresenta os maiores índices do país, com 57% dos homens e 56,4% das mulheres.
Em relação a faixa etária, os jovens entre 15 a 17 anos têm maior percentual de acesso à internet, com 75,7%. Os idosos com mais de 60 anos têm o menor percentual de acesso, com apenas 12,6%. Os dados mostram que a utilização da internet no país cresce de acordo com a escolaridade, variando de 5,4% para pessoas sem instrução, até 89,8% para quem tem mais de 15 anos de estudo.
Os dados apontam que 32,4% dos usuários da internet, o equivalente a 27,8 milhões de brasileiros, são estudantes. Destes, 28 milhões estavam na rede pública de ensino ao participarem da pesquisa, enquanto 8,7 milhões estudavam na rede privada em 2013.
Esse dado representava mais da metade da população conectada em toda a América do Sul, colocando o Brasil em 5° lugar no mundo, em número absoluto de usuários de internet.





FONTE: Lucci, Elian Alabi. Território e sociedade no mundo globalizado: geografia: ensino médio, volume 2 / Elian Alabi Lucci, Anselmo Lázaro Branco, Cláudio Mendonça. – 2ª. ed. - São Paulo: Saraiva, 2013.

Relevos e Solos

O Relevo e o Solo – Formação e Classificação 

2.0- A Formação do Relevo 
Apesar de nem sempre percebemos diretamente, o relevo terrestre é bastante dinâmico e está sempre se transformando. Algumas dessas transformações podem ser mais facilmente visualizadas, como as erosões; outras já são mais longas e demoram milhares de anos para acontecer, como a formação de montanhas. Essas transformações acontecem graças aos agentes de transformação do relevo, que são elementos responsáveis pelas alterações e construções das formas que observamos na superfície terrestre. Assim, para melhor compreender esses agentes, eles foram divididos em agentes internos ou endógenos e agentes externos ou exógenos. 

2.1- Agentes Internos e Externos
Os agentes internos ou endógenos de transformação do relevo são aqueles que surgem ou agem de dentro da Terra, ou seja, abaixo da superfície. São os terremotos, os vulcanismos e o tectonismo. Os agentes externos ou exógenos, por outro lado, são aqueles que agem acima do relevo, ou seja, sobre a superfície. São as ações dos ventos, das águas, do intemperismo e dos seres vivos.

2.2- As ações dos agentes internos 
Também conhecidos como agentes endógenos, eles são os responsáveis pela formação de certas formas de relevo como: a formação de serras, cadeias de montanhas, morros entre outros. Geralmente as ações desses agentes acontecem através de movimentos internos que são chamados de orogênese e epirogênese. 

2.3- As ações dos agentes externos 
Também conhecidos como exógenos, esses agentes geralmente não agem na formação do relevo e sim em sua modelagem. É através deles que ocorrem os processos erosivos, que também são conhecidos como desgaste, e o transporte de sedimentos, que também são conhecidos como deposição. O principal desses agentes é a água, pois atua através das chuvas, dos rios, dos mares e oceanos e também do derretimento do gelo. As águas das chuvas agem no processo de erosão e também são responsáveis por “lavar” os solos, em um processo que é conhecido como lixiviação. Os rios provocam rupturas no relevo e também ajudam no transporte de sedimentos e na modelagem das rochas e formações geológicas. As águas dos mares, através das ondas fortes transformam as rochas em sedimentos, transportam e formam as areias, além de modelar as superfícies litorâneas. O vento também é um agente externo, ele atua na modelagem e no transporte de sedimentos. As erosões que são provocadas pela ação do vento são chamadas de erosões eólicas. Os seres vivos também agem na transformação do relevo. Algumas espécies fazem buracos na terra e em formações rochosa em busca de alimento ou de abrigo. Os vegetais, com suas raízes, também transformam o relevo e as vezes até ajudam a preservá-lo. Mas entre todos os seres, o homem é o que mais muda o relevo, tanto direta quanto indiretamente. 

2.4- Formas de Relevo 
A superfície terrestre é composta por diferentes formas de relevo: montanhas, planícies, planaltos e depressões. O relevo corresponde às variações que se apresentam sobre a camada superficial da Terra. Assim, podemos notar que o relevo terrestre apresenta diferentes fisionomias, isto é, áreas com diferentes características: algumas mais altas, outras mais baixas, algumas mais acidentadas, outras mais planas, entre outras feições. Para melhor analisar e compreender a forma com que essas dinâmicas se revelam, foi elaborada uma classificação do relevo terrestre com base em suas características principais, dividindo-o em quatro diferentes formas de relevo: as montanhas, os planaltos, as planícies e as depressões. 

2.4.1- Montanhas
As montanhas são formas de relevo que se caracterizam pela elevada altitude em comparação com as demais altitudes da superfície terrestre. Quando tidas em conjunto, elas formam cadeias chamadas de cordilheiras, a exemplo da Cordilheira dos Andes, na América do Sul, e da Cordilheira do Himalaia, na Ásia. Existem quatro tipos de montanhas: as vulcânicas, que se formam a partir de vulcões; as de erosão, que surgem a partir da erosão do relevo ao seu redor, levando milhões de anos para serem formadas; as falhadas, originadas a partir de falhamento na crosta, que geram uma ruptura entre dois blocos terrestres, ficando soerguidos um sobre o outro; e as dobradas, que se originam a partir dos dobramentos terrestres causados pelo tectonismo. De todos esses tipos, o último é o mais comum.

2.4.2- Planaltos
Os planaltos – também chamados de platôs – são definidos como áreas mais ou menos planas que apresentam médias altitudes, delimitações bem nítidas, geralmente compostas por escarpas, e são cercadas por regiões mais baixas. Neles, predomina o processo de erosão, que fornece sedimentos para outras áreas. Existem três principais tipos de planaltos: os cristalinos, formados por rochas cristalinas (ígneas intrusivas e metamórficas) e compostos por restos de montanhas que se erodiram com o tempo; os basálticos, formados por rochas ígneas extrusivas (ou vulcânicas) originadas de antigas e extintas atividades vulcânicas; e os sedimentares, formados por rochas sedimentares que antes eram baixas e que sofreram o soerguimento pelos movimentos internos da crosta terrestre.

2.4.3- Planícies
São áreas planas e com baixas altitudes, normalmente muito próximas ao nível do mar. Encontram-se, em sua maioria, próximas a planaltos, formando alguns vales fluviais ou constituindo áreas litorâneas. Caracterizam-se pelo predomínio do processo de acumulação e sedimentação, uma vez que recebem a maior parte dos sedimentos provenientes do desgaste dos demais tipos de relevo.

2.4.4- Depressão
São áreas rebaixadas que apresentam as menores altitudes da superfície terrestre. Quando uma localidade é mais baixa que o seu entorno, falamos em depressão relativa, e quando ela se encontra abaixo do nível do mar, temos a depressão absoluta. O mar morto, no Oriente Médio, é a maior depressão absoluta do mundo, ou seja, é a área continental que apresenta as menores altitudes, com cerca de 396 metros abaixo do nível do mar.

2.5- Relevo do Brasil 
O relevo do Brasil como o de toda a Terra, é resultante da atuação de agentes internos e externos, os processos que modelam as formas do nosso território, são de modo geral, recentes, as alternâncias entre climas mais úmidos e mais secos no decorrer do terciário e do quaternário influenciou definitivamente no processos erosivos na modelagem do nosso relevo. O território brasileiro pode ser dividido em grandes unidades e classificado a partir de diversos critérios. Uma das primeiras classificações do relevo brasileiro, identificou oito unidades e foi elaborada na década de 1940 pelo geógrafo Aroldo de Azevedo. No ano de 1960, essa classificação tradicional foi substituída pela tipologia do geógrafo Aziz Ab´Sáber, que acrescentou duas novas unidades de relevo e a mais atual refere-se aos estudos do geógrafo e pesquisador Jurandyr Ross em 1995 que alterou a classificação para 28 unidades de relevo, que podem ser divididas em planaltos, planícies e depressões. 

2.5.1- Características do relevo brasileiro 
O relevo do Brasil tem formação muito antiga e resulta principalmente de atividades internas do planeta Terra e de vários ciclos climáticos. A erosão, por exemplo, foi provocada pela mudança constante de climas úmido, quente, semiárido e árido. Outros fenômenos da natureza (ventos e chuvas) também contribuíram no processo de erosão. 

2.5.2- O relevo brasileiro apresenta-se em: O território brasileiro apresenta diferentes formas de relevo. Existem várias classificações do relevo nacional, no entanto, a mais aceita divide o relevo do Brasil em planalto, planície e depressão. 

Planalto: são terrenos elevados, com altitudes acima de 300 metros. Esse tipo de relevo pode ser encontrado em diferentes partes do país, sendo caracterizado pela formação de chapadas e de extensas superfícies planas. Um exemplo dessa forma de relevo é o Planalto Central no Brasil, que inclui os estados do Centro-Oeste, além de Minas Gerais e Tocantins. O ponto mais elevado do Brasil é o Pico da Neblina, com 2.993,78 metros acima do nível do mar.

Planície: é uma forma de relevo recente, sendo caracterizado por superfícies extremamente planas, com altitudes entre 0 e 100 metros. Essas áreas, em razão da baixa altitude, estão sujeitas a inundações. O Pantanal é a maior planície inundável do mundo Essas formações são encontradas nas regiões litorâneas ou próximas de rios e lagos, como, por exemplo, nas margens do Rio Amazonas. O Pantanal, localizado nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de Bolívia e Paraguai, é a maior planície inundável do planeta. 

Depressão: caracteriza-se por terrenos relativamente inclinados cuja altitude varia de 100 a 500 metros. A erosão é o principal fenômeno responsável pela formação desse tipo de relevo. Um exemplo de depressão no Brasil é a borda leste da bacia hidrográfica do Paraná.

 2.5.3- Pontos Culminantes do Brasil

Pico da Neblina                     Serra Imeri (Amazonas)                        Altitude (m) 2.993,78
Pico 31 de Março                  Serra Imeri (Amazonas)                        Altitude(m)  2.972,70 
Pico da Bandeira                   Serra Caparaó (ES e MG)                     Altitude (m) 2.889,80
Pico Pedra da Mina        Serra Mantiqueira, (entre  SP e MG)           Altitude (m) 2.798,40 
Pico das Agulhas Negras     SerraItatiaia ( MG e RJ)                        Altitude (m)  2.791,50 

                                                           Fonte: Anuário Estatístico do Brasil - IBGE (2011)

2.5.4- Classificação do relevo brasileiro 
2.5.4.1- Por Aroldo de Azevedo – Leva em conta o nível altimétrico, classificando o relevo em 08 unidades, sendo 04 planícies e 04 planaltos.
Os planaltos que são: - Planalto das Guianas e - Planalto Brasileiro, subdividido em: - Planalto Atlântico, - Planalto Central, - Planalto Meridional. As planícies que são: Planície Amazônica, Planície do Pantanal, Planície Costeira, Planície do Pampa ou Gaúcha.
Obs.: A classificação de Aroldo de Azevedo, é a mais tradicional. Feita em 1949, está um pouco desatualizada, mesmo assim continua em uso, por três fatores: 
1º devido a preocupação com um tratamento coerente às unidades do relevo, dando mais valor a terminologia geomorfológica; 
2º devido a identificação de áreas individualizadas; e em 
3º devido a simplicidade e originalidade.


2.5.4.2- Por Ab’Saber – Leva em conta o processo geomorfológico. Planícies são áreas em que predomina a sedimentação e planaltos são áreas em que predomina a erosão. A classificação de Aziz Ab’Sáber, da década de 60, adota o conceito de processo erosivo para classificar as macro unidades: planaltos são superfícies em que predomina o desgaste erosivo, enquanto planícies são aquelas em que predominam os processos de acumulação dos sedimentos.
Segundo esse estudo o relevo brasileiro tem sua formação antiga e resulta principalmente da ação das forças internas da terra e da sucessão de ciclos climáticos. A alternância de climas quentes e úmidos com áridos ou semiáridos favoreceu o processo de erosão e explicam a formação do atual modelado do relevo brasileiro. Nessa perspectiva, Aziz Ab´Saber observou a evolução do clima (Paleoclimas), para realizar a classificação do relevo brasileiro, isto é, as dramáticas alterações ocorridas ao longo do tempo geológico no território brasileiro. Portanto, a análise do relevo atual envolveu também o estudo dos chamados Paleoclimas, ou seja, os fatores climáticos passados, que contribuem para explicar o modelado do presente.Com base no estudo dos processos fisiológicos que envolveram as rochas que compõem as estrutura geológica de brasileira Aziz Ab’Saber classificou o relevo brasileiro em dois tipos de macro unidades geomorfológicas: Planaltos e Planície. Além de aumenta de 8 unidades para 10 unidades de relevo, sendo 3 Planícies e 7 Planaltos.
2.5.4.3- Por Jurandyr Ross – Leva em conta o processo geomorfológico. Uma das classificações mais atuais é do ano de 1995, de autoria do geógrafo e pesquisador Jurandyr Ross, do Departamento de Geografia da USP (Universidade de São Paulo). Seu estudo fundamenta-se no grande projeto Radambrasil, um levantamento feito entre os anos de 1970 e 1985. O Radambrasil tirou diversas fotos da superfície do território brasileiro, através de um sofisticado radar acoplado em um avião. Jurandyr Ross estabelece 28 unidades de relevo, que podem ser divididas em planaltos, planícies e depressões.

2.6- Perfis de Relevo
 Os perfis de relevo, ou topográficos, são gráficos que mostram cortes verticais da crosta terrestre e as variações de altitude.
2.7- O Solo 
O solo é a camada superficial da crosta terrestre, sendo formado basicamente por aglomerados minerais e matéria orgânica oriunda da decomposição de animais e plantas. Esse elemento natural é de fundamental importância para a vida de várias espécies. O solo serve de fonte de nutrientes para as plantas, e a sua composição interfere diretamente na produção agrícola. Entre os fatores que contribuem para a caracterização do solo estão o clima, a incidência solar, a rocha que originou o solo, matéria orgânica, cobertura vegetal, etc. 
2.7.1- Classificação dos Solos:
O solo pode ser classificado em arenoso, argiloso, humoso e calcário. Solo arenoso: possui grande quantidade de areia. Esse tipo de solo é muito permeável, pois a água infiltra facilmente pelos espaços formados entre os grãos de areia. Normalmente ele é pobre em nutrientes.
Solo argiloso: é formado por grãos pequenos e compactos, sendo impermeável e apresentando grande quantidade de nutrientes, característica essencial para a prática da atividade agrícola. 
Solo humoso: chamado em alguns lugares de terra preta, esse tipo de solo é bastante fértil, pois contém grande concentração de material orgânico em decomposição. O solo humoso é muito adequado para a realização da atividade agrícola. 
Solo calcário: com pouco nutriente e grande quantidade de partículas rochosas em sua composição, o solo calcário é inadequado para o cultivo de plantas. Ele é típico de regiões desérticas. Portanto, as características do solo influenciam diretamente na prática da agricultura e no desenvolvimento socioeconômico de um determinado lugar. Porém, é importante destacar que técnicas agrícolas têm adaptado alguns solos para o cultivo, através da introdução de nutrientes. Outro aspecto que deve ser pontuado é a poluição do solo, que é causada principalmente pelo lixo despejado em lugares inadequados e pelos agrotóxicos utilizados nas plantações.

2.7.2- Tipos de solos 
Arenoso: Muito poroso e permeável, portanto, pouco fértil. 
Argiloso: É fértil e retém água, mas dependendo do nível de evaporação pode apresentar facilmente desertificação. 
Terra preta ou massapé: Muito fértil e rica em húmus. 
Terra roxa: Muito férteis, apresenta basalto e muitos minerais. 
Salmourão: Composto por fragmentação de rochas. 
Aluviais: Compostos por sedimentação. Húmus – Resultante da decomposição de matéria orgânica, ótimo fertilizante. 

2.7.3- Horizontes do Solo

2.7.4- Classificação dos Solos 
Os solos são recursos naturais que se formaram depois de milhões de anos em constituição, resultantes da decomposição das rochas por ações do intemperismo. Podem ser classificados conforme a origem e conforme a influência da vegetação e do relevo. 

2.7.4.1- Classificação quanto à origem: Quanto à origem, os solos são classificados em eluviais e aluviais. 
2.7.4.1.1- Eluviais: quando os solos se formam por rochas encontradas no mesmo local da formação, ou seja, quando a rocha que se decompôs e se alterou para a formação do solo se encontra no mesmo local do solo; 
2.7.4.1.2- Aluviais: quando os solos foram formados por rochas localizadas em outros lugares e que graças à ação das águas e dos ventos os sedimentos foram transportados para outro local. 

2.7.4.2- Classificação quanto à influência externa 
Quanto à influência externa, existe outra forma de classificação dos solos, também chamada de classificação zonal, que divide os solos em zonais, intrazonais e azonais: 
2.7.4.2.1- Zonais: os solos zonais são caracterizados por serem maduros, bem delineados e profundos. São subdivididos em latossolos, podzóis, solos de pradaria e desérticos. 
a) Latossolos: São solos pouco férteis, presentes geralmente em climas quentes e úmidos, com profundidades superiores a 2 m; 
b) Podzóis: São solos férteis, graças à acumulação de minérios, húmus e matéria orgânica, são próprios de climas frios e temperados; 
c) Solos de pradarias: São ricos em cálcio e matérias orgânicas, por isso, são extremamente férteis. Estão presentes em regiões subúmidas de clima temperados; 
d) Desérticos: Solos caracterizados por serem pouco profundos e pouco férteis. Próprio de regiões desérticas. 
2.7.4.2.2- Intrazonais: são solos bem desenvolvidos, além de serem bastante influenciados pelo local e pelos fatores externos. Dividem-se em solos salinos e solos hidromórficos. 
a) Solos Salinos: também chamados de halomórficos, caracterizam-se pelo alto índice de sais solúveis, próprios de regiões áridas e próximas ao mar. Possui uma baixa fertilidade; 
b) Solos hidromórficos: por serem localizados próximos a rios e lagos, apresentam grande umidade. Sua fertilidade depende do índice de umidade, quanto mais úmidos, menos férteis.
2.7.4.2.3- Azonais: solos pouco desenvolvidos e muito rasos. Dividem-se em solos aluviais e litossolos. 
a) Solos aluviais: presentes em áreas de formação recente em planícies úmidas. Quando os seus sedimentos são transportados, formam um solo de coloração amarela, denominado loess.
b) Litossolos: presentes em locais com declives acentuados, costumam estar posicionados diretamente sobre a rocha formadora. São solos inférteis.

2.8- Técnicas para melhorar o solo
O mau uso dos solos pode ocasionar sérios danos ambientais e econômicos, transformando terras férteis em áreas improdutivas e agredindo seriamente o meio natural. Por esse motivo, existem diversas técnicas de cultivo e conservação dos solos, visando ao seu melhor aproveitando e à sua máxima preservação. 
2.8.1- Adubação verde ou orgânica: para uma maior e melhor preservação dos solos durante o cultivo, recomenda-se alternar as safras com leguminosas (plantas que dão vagens, como o feijão, lentilha e ervilha). Esse tipo de vegetação possui a característica de se associar com micro-organismos presentes na terra, capazes de transformar o nitrogênio do ar em compostos hidrogenados que enriquecem o solo. 
2.8.2- Afolhamento: essa técnica é utilizada para recuperar gradativamente os solos, poupando-os sem interromper totalmente a produção. Nela, divide-se a área agricultável em três partes, sendo duas cultivadas e outra reservada em “descanso” (geralmente por um período de dois anos) para recuperar naturalmente os nutrientes perdidos em colheitas anteriores. 
2.8.3- Rotação de culturas: em oposição ao sistema de monocultura (em que apenas uma espécie é cultivada até o total esgotamento do solo), elaborou-se o sistema de rotação de culturas, que consiste em alternar a produção: hoje, planta-se soja; amanhã, trigo; e depois milho, por exemplo. As vantagens dessa técnica são variadas: controle de pragas (através da variabilidade das espécies), reposição de nutrientes no solo, entre outros. No entanto, é necessário sempre fazer um estudo específico para se escolher as espécies mais adequadas a cada tipo de solo e que possam ser rentáveis comercialmente. 
2.8.4- Plantio direto: essa técnica objetiva a realização do plantio diretamente sobre os restos da colheita anterior, sem a necessidade de realizar uma nova aragem da terra, evitando a exposição do solo aos fatores climáticos e o seu desgaste. Além disso, se ganha no combate à erosão e aumenta-se a produtividade. 
2.8.5- Calagem: muito utilizada na região do Cerrado brasileiro, essa técnica visa à correção da acidez do solo através do uso do calcário. Além disso, esse procedimento também fornece nutriente como cálcio e magnésio para as plantas. Apesar de ser uma técnica moderna e eficiente de cultivo e preservação dos solos, ela acabou tendo o efeito contrário no Centro-Oeste do país, pois permitiu o avanço da fronteira agrícola no Brasil e a consequente devastação do bioma Cerrado, o que trouxe prejuízos tanto para os solos quanto para o meio ambiente. 
2.8.6- Curvas de nível: na Cartografia, essa expressão significa algumas linhas imaginárias traçadas para representar os desníveis de altitude do solo. Na agricultura, o procedimento é realizar o plantio acompanhando essas linhas imaginárias, favorecendo o cultivo em áreas de relativa declividade sem ocasionar a formação de erosões.

Além da implantação de técnicas agrícolas, o agricultor também precisa ter muito cuidado ao aplicá-las. É necessária sempre a realização de estudos específicos, além de um bom apoio técnico. É preciso, também, a adaptação dos maquinários ao tipo de solo a ser cultivado para evitar danos maiores à topografia local. Uma recomendação usualmente manifesta por especialistas é a incorporação de seres vivos ao solo, como minhocas, lavas e outros tipos de insetos, pois eles contribuem para o seu enriquecimento orgânico.

FONTE: Lucci, Elian Alabi. Território e sociedade no mundo globalizado: geografia: ensino médio, volume 1 / Elian Alabi Lucci, Anselmo Lázaro Branco, Cláudio Mendonça. – 2ª. ed. - São Paulo: Saraiva, 2013.

Eras Geológicas ,A Estrutura Geológica da Superfície Terrestre e A Estrutura Geológica do Brasil.

1- Introdução:
A Terra surgiu a aproximadamente 4,5 bilhões de anos, resultando da agregação de poeira cósmica e do bombeamento de material rochoso atraído pela força gravitacional, trata-se da tese mais atual sobre a formação do universo, conhecida como Teoria da Agregação. Ao observarmos as paisagens, percebemos que são constituídas por uma diversidade de elementos naturais e humanizados. Um dos aspectos que podemos notar numa paisagem são as diferentes formas da superfície terrestre, ou seja, o relevo. Sabemos que o processo formador do relevo são variados e que estes ocorrem ao longo de milhões de anos, logo iremos identificar, compreender e analisar e reconhecer as características geológicas, as formas da superfície terrestre e como a sociedade se relaciona com isso.
1.1- Eras Geológicas
O nosso planeta passou por diversas transformações, em termos geológicos e biológicos, essas transformações são estudadas a partir da disposição das camadas rochosas e dos fósseis nela encontrada. Essas camadas representam registros dos acontecimentos passados e permitem compreender a evolução do nosso planeta. Enquanto a vida se transformou e se desenvolveu, a crosta terrestre também se modificou. O primeiro grande bloco continental formado foi a PANGEIA, envolvido por um único e extenso oceano, o PANTALASSA. A PANGEIA se dividiu em LAURÁSIA e GONDWANA, que posteriormente também se fragmentou e deu origem aos atuais continentes (América, Europa, Ásia, África e Oceania.)
A Geologia é a ciência responsável pelo estudo da origem, formação e transformações da Terra, a partir disso a geologia divide a história da Terra em ERAS GEOLÓGICAS, que correspondem a grandes intervalos de tempo divididos em períodos, que são subdivididos em épocas e idades. Essas subdivisões marcam as alterações ocorridas na evolução do planeta.
Essa divisão segmenta a história de nosso planeta em quatro fases: Pré-Cambriana, Paleozoica, Mesozoica e Cenozoica. Cada uma dessas fases é dividida em vários períodos, que, por sua vez, são divididos em épocas, formando, assim, a escala geológica do tempo. A alternância das eras geológicas foi estabelecida através de alterações significativas na crosta terrestre, sendo, portanto, classificadas em cinco eras geológicas distintas: Arqueozoica, Proterozoica, Paleozoica, Mesozoica e Cenozoica.
As Eras Geológicas estão dispostas em uma tabela onde as eras mais recentes encontram-se na parte superior e as eras mais antigas na sua parte inferior.
Estrutura Geológica do Tempo. Para entendê-la, é preciso ler de baixo para cima
Dessa forma, as Eras se subdividem em:
Pré-cambriana → com apenas um período: Pré-cambriano;
Paleozoica → com 6 períodos: Cambriano, Ordoviciano, Siluriano, Devoniano, Carbonífero e Permiano; Mesozoica → com 3 períodos: Triássico, Jurássico e o Cretáceo;
Cenozoica → com 2 períodos: Terciário (épocas – Paleoceno, Eoceno, Oligoceno, Mioceno e Plioceno) e
Quaternário (época – Pleistoceno e Recente).
Arqueozoica
A era geológica Arqueozoica é caracterizada pela formação da crosta terrestre, em que surgiram os escudos cristalinos e as rochas magmáticas, nos quais encontramos as mais antigas formações de relevo. Esse período teve início a, aproximadamente, 4,5 bilhões de anos atrás.
Proterozoica
Estima-se que essa era geológica teve início a cerca de 2,5 bilhões de anos atrás e findou-se há 550 milhões de anos. Durante esse período ocorreu intensa atividade vulcânica, fato que promoveu o deslocamento do magma do interior da Terra para a superfície, originando os grandes depósitos de minerais metálicos, como, por exemplo, ferro, manganês, ouro, etc. Na era geológica do Proterozoico ocorreu grande acúmulo de oxigênio na atmosfera. Também ficou caracterizada pelo surgimento das primeiras formas de vida unicelulares avançadas.
Paleozoica
A era Paleozoica prevaleceu de 550 a 250 milhões de anos atrás. Nesse período a superfície terrestre passou por grandes transformações, entre eles estão o surgimento de conjuntos montanhosos como os Alpes Escandinavos (Europa). Essa era geológica também se caracterizam pela ocorrência de rochas sedimentares e metamórficas, formação de grandes florestas, glaciações, surgimento dos primeiros insetos e répteis.
Mesozoica
A era Mesozoica iniciou-se a cerca de 250 milhões de anos atrás, ela ficou marcada pelo intenso vulcanismo e consequente derrame de lavas em várias partes do globo. Também ficou caracterizada pelo processo de sedimentação dos fundos marinhos, que originou grande parte das jazidas petrolíferas hoje conhecidas. Outras características dessa era geológica são: divisão do grande continente da Pangeia, surgimento de grandes répteis, como, por exemplo, o dinossauro, surgimento de animais mamíferos, desenvolvimento de flores nas plantas.
Cenozoica
Essa era geológica está dividida em dois períodos: Terciário (aproximadamente 60 milhões de anos atrás) e Quaternário (1 milhão de anos atrás).
- Terciário: Caracterizado pelo intenso movimento da crosta terrestre, fato que originou os dobramentos modernos, com as mais altas cadeias montanhosas da Terra, como os Andes (América do Sul), os Alpes (Europa) e o Himalaia (Ásia). Nessa era geológica surgiram aves, várias espécies de mamíferos, além de primatas.
- Quaternário: Era geológica que teve início há cerca de 1 milhão de anos e perdura até os dias atuais. As principais ocorrências nesse período foram: grandes glaciações; atual formação dos continentes e oceanos; surgimento do homem.
Portanto, a história da Terra divide-se em várias etapas, que correspondem às principais fases de seu desenvolvimento. Na passagem da Era Pré-Cambriana para a Paleozoica ocorreu uma súbita expansão e diversificação dos animais.
O marco divisor entre a Paleozoica e a Mesozoica representa a extinção de muitos grupos de animais e vegetais, e a formação do supercontinente Pangeia. E a transição da Mesozoica para a Cenozoica caracteriza-se pelo desaparecimento de grandes répteis e de vários animais marinhos.
Se observarmos bem a sequência de acontecimentos e a duração de cada uma das eras geológicas, poderemos concluir que a era Pré-Cambriana foi a maior de todas, com quatro bilhões de anos de duração, sobrando “apenas” cerca de 561 milhões de anos para as demais eras. É possível notar também o quanto o surgimento da espécie humana é recente e que nós jamais convivemos com dinossauros ao longo da história, mesmo os primatas que deram origem à raça humana.
Em virtude da grande diferença de tempo entre os acontecimentos da Terra e os acontecimentos da humanidade, realiza-se a distinção entre tempo geológico (milhões e bilhões de anos) e tempo histórico (centenas e milhares de anos).
A elaboração das eras geológicas seguiu o critério da datação química dos fósseis e rochas antigas encontradas, um resultado de muitos anos de estudos e pesquisas.
1.2- ESTRUTURAS GEOLÓGICAS DA TERRA
A litosfera – camada rochosa do planeta Terra – apresenta inúmeras dinâmicas e variações. A sua composição estrutural, contudo, é classificada em três diferentes tipos de estruturas geológicas que se dividem em todo o mundo: os crátons (ou escudos antigos), as bacias sedimentares e os dobramentos modernos (ou cadeias orogênicas). Os crátons, também conhecidos como escudos cristalinos ou maciços antigos (na verdade, esses nomes representam um de seus subtipos), são formações geológicas consideradas antigas, formadas nas primeiras eras geológicas do planeta, durante a sua formação. São compostos por rochas ígneas, ou magmáticas, e metamórficas, apresentando uma elevada quantidade de grandezas minerais (como o ouro, o ferro, o alumínio e muitos outros). São áreas geologicamente estáveis, ou seja, com poucos terremotos e vulcanismos, costumando dar origens a regiões de planaltos. As bacias sedimentares são composições rochosas formadas a partir de extensas e inúmeras camadas de rochas sedimentares, que surgiram a partir da deposição de sedimentos ao longo das eras. São as mais extensas das estruturas geológicas, recobrindo cerca de 70% do relevo terrestre. São importantes por apresentarem, dependendo das condições locais, uma grande quantidade de fósseis e até petróleo. Por fim, os dobramentos modernos, também chamados de cadeias orogênicas (orogenia é o conjunto de processos que levam à formação ou rejuvenescimento de montanhas ou cadeias de montanhas produzido principalmente pelo diastrofismo (dobramentos, falhas ou a combinação dos dois), são formações geológicas consideradas recentes, cujo início ocorreu na era Cenozoica, no período Terciário (há cerca de 250 milhões de anos). São resultantes das ações do tectonismo, geralmente do choque ou conflito entre duas placas tectônicas. Essas formações são originárias das grandes cadeias de montanhas da Terra, como a Cordilheiras dos Andes (América do Sul) e a Cordilheira do Himalaia (Ásia), onde se encontra a montanha mais elevada do planeta, o Everest.
A elaboração das eras geológicas seguiu o critério da datação química dos fósseis e rochas antigas encontradas, um resultado de muitos anos de estudos e pesquisas.
1.2- ESTRUTURAS GEOLÓGICAS DA TERRA
A litosfera – camada rochosa do planeta Terra – apresenta inúmeras dinâmicas e variações. A sua composição estrutural, contudo, é classificada em três diferentes tipos de estruturas geológicas que se dividem em todo o mundo: os crátons (ou escudos antigos), as bacias sedimentares e os dobramentos modernos (ou cadeias orogênicas). Os crátons, também conhecidos como escudos cristalinos ou maciços antigos (na verdade, esses nomes representam um de seus subtipos), são formações geológicas consideradas antigas, formadas nas primeiras eras geológicas do planeta, durante a sua formação. São compostos por rochas ígneas, ou magmáticas, e metamórficas, apresentando uma elevada quantidade de grandezas minerais (como o ouro, o ferro, o alumínio e muitos outros). São áreas geologicamente estáveis, ou seja, com poucos terremotos e vulcanismos, costumando dar origens a regiões de planaltos. As bacias sedimentares são composições rochosas formadas a partir de extensas e inúmeras camadas de rochas sedimentares, que surgiram a partir da deposição de sedimentos ao longo das eras. São as mais extensas das estruturas geológicas, recobrindo cerca de 70% do relevo terrestre. São importantes por apresentarem, dependendo das condições locais, uma grande quantidade de fósseis e até petróleo. Por fim, os dobramentos modernos, também chamados de cadeias orogênicas (orogenia é o conjunto de processos que levam à formação ou rejuvenescimento de montanhas ou cadeias de montanhas produzido principalmente pelo diastrofismo (dobramentos, falhas ou a combinação dos dois), são formações geológicas consideradas recentes, cujo início ocorreu na era Cenozoica, no período Terciário (há cerca de 250 milhões de anos). São resultantes das ações do tectonismo, geralmente do choque ou conflito entre duas placas tectônicas. Essas formações são originárias das grandes cadeias de montanhas da Terra, como a Cordilheiras dos Andes (América do Sul) e a Cordilheira do Himalaia (Ásia), onde se encontra a montanha mais elevada do planeta, o Everest.
1.3- Estrutura Geológica Brasileira
O território brasileiro fica sobre a placa tectônica sul-americana e tem estrutura rochosa antiga e estável, livre de tremores intensos. Embora apresente estrutura geológica diversificada, não conta com dobramentos modernos em suas terras.
A superfície brasileira é constituída basicamente por três estruturas geológicas: escudos cristalinos, bacias sedimentares e terrenos vulcânicos.
• Escudos cristalinos: são áreas cuja superfície se constituiu no Pré-Cambriano, essa estrutura geológica abrange aproximadamente 34% do território brasileiro. Nas regiões que se formaram no éon Arqueano (o qual ocupa cerca de 34% do país) existem diversos tipos de rochas, com destaque para o granito. Em terrenos formados no éon Proterozoico são encontradas rochas metamórficas, onde se formam minerais como ferro e manganês. Os maciços antigos (ou escudos cristalinos) são os terrenos mais antigos da crosta terrestre, sendo constituídos por rochas magmáticas e metamórficas. Nos maciços apareceram as jazidas minerais metálicos (ferro, ouro, manganês, prata, cobre, alumínio e estanho). No Brasil, representam 34% da superfície territorial.
• Bacias sedimentares: estrutura geológica de formação mais recente, que abrange pelo menos 58% do país. Em regiões onde o terreno se formou na era Paleozoica existem jazidas carboníferas. Em terrenos formados na era Mesozoica existem jazidas petrolíferas. Em áreas da era Cenozoica ocorre um intenso processo de sedimentação que corresponde às planícies. As bacias sedimentares resultam do acúmulo de sedimentos provenientes do desgaste das rochas, de organismos vegetais, animais ou de camadas de lava vulcânica solidificada. Podem conter grande quantidade de material fossilizado em suas camadas. Nessas estruturas se formam importantes recursos minerais energéticos como o petróleo, o gás natural e o carvão mineral. A estrutura geológica brasileira é constituída predominantemente por bacias sedimentares, que recobrem 58% do território.
• Terrenos vulcânicos: esse tipo de estrutura ocupa somente 8% do território nacional, isso acontece por ser uma formação mais rara. Tais terrenos foram submetidos a derrames vulcânicos, as lavas deram origem a rochas, como o basalto e o diabásio, o primeiro é responsável pela formação dos solos mais férteis do Brasil, a “terra roxa”.
1.4- Processos Geológicos
Denomina-se processo geológico o conjunto de ações que promovem modificações da crosta terrestre, seja em sua forma, estrutura ou composição. Os processos geológicos que ocorrem dentro do planeta (endógenos) e sobre o planeta (exógenos) podem ser reunidos num ciclo de processos que agem continuamente sobre o material rochoso.
São processos geológicos endógenos: vulcanismo, tectonismo( orogênese, epirogênese), etc.
Tectonismo ou diastrofismo é um termo geral relativo a todos os movimentos da crosta terrestre com origem em processos tectônicos. Incluem-se a formação de bacias oceânicas, continentes, planaltos e cordilheiras. As subdivisões principais são duas:
Orogênese ou orogenia: são movimentos HORIZONTAIS, que pode ser entendida como o conjunto de processos que levam à formação ou rejuvenescimento de montanhas ou cadeias de montanhas produzido principalmente pelo diastrofismo (dobramentos, falhas ou a combinação dos dois), ou seja, pela deformação compressiva da litosfera continental;
Epirogênese ou epirogenia: são os movimentos VERTICAIS da crosta terrestre cujo sentido é ascendente ou descendente, atingindo vastas áreas continentais, porém de forma lenta, inclusive ocasionando regressões e transgressões marinhas.

Vulcanismo: é um fenômeno geológico que ocorre do interior da Terra para a superfície, quando há o extravasamento do magma em forma de lava, além de gases e fumaça. O termo vulcanismo é utilizado para designar uma série de fenômenos e elementos vulcânicos. A ciência que tem como objetivo estudar o fenômeno e também o comportamento dos vulcões é a vulcanologia, sendo que o profissional que a executa é chamado de vulcanólogo.
O processo de vulcanismo é resultado das características de pressão e temperatura contidas no subsolo. Além disso, os vulcões se estabelecem, em geral, em regiões que limitam placas tectônicas, salvo o vulcanismo ligado ao ponto quente, neste caso esse processo pode ocorrer no interior de uma placa.


Processos geológicos exógenos ou dinâmica externa: São processos impulsionados pela energia proveniente do exterior da Terra, consistindo basicamente da energia solar que atua direta ou indiretamente sobre a superfície da Terra. São processos geológicos exógenos, o intemperismo e a ação de águas superficiais e subterrâneas, do vento, do gelo e dos organismos. Os processos de desagregação e decomposição de rochas por ação da água, vento, gelo e organismos constituem o intemperismo.



FONTE: Lucci, Elian Alabi. Território e sociedade no mundo globalizado: geografia: ensino médio, volume 1 / Elian Alabi Lucci, Anselmo Lázaro Branco, Cláudio Mendonça. – 2ª. ed. - São Paulo: Saraiva, 2013.