Geografia da Amizade

Geografia da Amizade

Amizade...Amor:
Uma gota suave que tomba
No cálice da vida
Para diminuir seu amargor...
Amizade é um rasto de Deus
Nas praias dos homens;
Um lampejo do eterno
Riscando as trevas do tempo.
Sem o calor humano do amigo
A vida seria um deserto.
Amigo é alguém sempre perto,
Alguém presente,
Mesmo, quando longe, geograficamente.
Amigo é uma Segunda eucaristia,
Um Deus-conosco, bem gente,
Não em fragmentos de pão,
Mas no mistério de dois corações
Permutando sintonia
Num dueto de gratidão.
Na geografia
da amizade,
Do amor,
Até hoje não descobri
Se o amigo é luz, estrela,
Ou perfume de flor.
Sei apenas, com precisão,
Que ele torna mais rica e mais bela
A vida se faz canção!

"Roque Schneider"


Quem sou eu

Salvador, Bahia, Brazil
Especialista em Turismo e Hospitalidade, Geógrafa, soteropolitana, professora.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Os Dois Lados do Terrorismo

3.1- Terrorismo
O terrorismo é o nome dado a protestos violentos realizados por grupos ou indivíduos que objetivam transformar ordens do governo, bem como o próprio governo, por meio do pânico, gerando decisões precipitadas e radicais.
Nos dias atuais o terrorismo é visto e praticado de forma diferente com que se manifestava antigamente, pois exige planejamento, objetivos em foco, recursos financeiros e a presença de guerreiros. Acredita-se que atos terroristas são financiados por pessoas bem sucedidas que simpatizam com o movimento, por pessoas ligadas ao governo que tentam secretamente destruir algo e ainda pessoas envolvidas com o tráfico de drogas. Os terroristas utilizam explosivos, gases nocivos, vírus, bactérias, materiais radioativos, armamentos atômicos e ainda sequestros e assassinatos.
São muitos os grupos terroristas espalhados pelo mundo, sendo os principais:
Al Qaeda: surgiu no Oriente Médio e trata-se de um grupo de fundamentalistas islâmicos que comandam parte dos atentados terroristas pelo mundo. Osama Bin Laden foi um dos membros que liderou o grupo por causas afegãs.
ETA (Pátria Basca e Liberdade): esse grupo clandestino luta pela independência territorial da França e da Espanha.
IRA (Exército Republicano Irlandês): grupo paramilitar católico que desde os anos 60, começou a atuar pela saída das forças britânicas do território da Irlanda, ou seja, a separação da Irlanda e do Reino Unido.
Hamas: Contrário aos judeus;
Jihad Islâmico: Organização religiosa contra palestinos,
Hezbollah: Islâmicos contra a intervenção ocidental em região islâmica.
O principal ato terrorista ou o mais focado foi o ocorrido em 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, contra as duas torres do World Trade Center e o Pentágono. Dois aviões sequestrados pela Al Qaeda (supostamente) se chocaram contra as torres gêmeas e posteriormente um se chocou contra o Pentágono para intimidar o governo norte-americano, que respondeu aos atentados atacando as montanhas do Afeganistão que abrigava Osama Bin Laden, líder da Al Qaeda.
O terrorismo se originou no século I d.C., mas foi no século XXI que as ações terroristas se acentuaram e o discurso antiterrorista virou assunto recorrente na mídia ocidental.
Os atos e ataques terroristas, segundo alguns estudiosos, tiveram início no século I d. C., quando um grupo de judeus radicais, chamados de sicários (Homens de punhal), atacava cidadãos judeus e não judeus que eram considerados a favor do domínio romano. Outros indícios que confirmam as origens remotas do terrorismo são os registros da existência de uma seita mulçumana no final do século XI d. C., que se dedicou a exterminar seus inimigos no Oriente Médio. Dessa seita teria surgido a origem da palavra assassino.
terrorismo moderno tem sua origem no século XIX no contexto europeu, quando grupos anarquistas viam no Estado seu principal inimigo. A principal ação terrorista naquele período visava à luta armada para constituição de uma sociedade sem Estado – para isso, os anarquistas tinham como principal alvo algum chefe de estado e não seus cidadãos.
Durante a segunda metade do século XIX, as ações terroristas tiveram uma ascensão, porém foi no século XX que houve uma expansão dos grupos que optaram pelo terrorismo como forma de luta. Como consequência dessa expansão, o raio de atuação terrorista aumentou, surgindo novos grupos, como os separatistas bascos na Espanha, os curdos na Turquia e Iraque, os mulçumanos na Caxemira e as organizações paramilitares racistas de extrema direita nos EUA. Um dos seguidores dessa última organização foi Timothy James McVeigh, terrorista que assassinou 168 pessoas em 1995, no conhecido atentado de Oklahoma.
Com o desenvolvimento da ciência e tecnologia no século XX, as ações terroristas passaram a ter um maior alcance e poder, através de conexões globais sofisticadas, uso de tecnologia bélica de alto poder destrutivo, redes de comunicação (internet) etc.
No início do século XXI, principalmente após os ataques terroristas aos EUA, no ano de 2001, estudiosos classificaram o terrorismo em quatro formas: o terrorismo revolucionário, que surgiu no século XX e seus praticantes ficaram conhecidos como guerrilheiros urbanos marxistas (maoístas, castristas, trotskistas e leninistas). O terrorismo nacionalista, que foi fundado por grupos que desejavam formar um novo Estado-nação dentro de um Estado já existente (separação territorial), como no caso do grupo terrorista separatista ETA, na Espanha (o povo Basco não se identifica como espanhol, mas ocupa o território espanhol e é submetido ao governo da Espanha).
E o terrorismo de organizações criminosas, que são atos de violência praticados por fins econômicos e religiosos, como nos casos da máfia italiana, do Cartel de Medellín, da Al Qaeda, etc.
No mundo contemporâneo, as ameaças terroristas são notícias recorrentes na imprensa, “para a maior visualização do terrorismo mundial, a mídia exerce um papel fundamental. Mas é evidente que também cria um sensacionalismo em torno dos terroristas [...] a mídia ajuda a justificar a legalidade e a necessidade de ações antiterroristas que, muitas vezes, levam adiante banhos de sangue e violações aos direitos humanos que atingem mais a população civil do que os próprios terroristas”.
É importante refletir sobre o terror como prática e o discurso sobre o terror. A separação dessas ações é fundamental para a compreensão da prática terrorista e para a análise dos discursos construídos sobre o terrorismo. Feito isso, será possível entender as questões políticas e ideológicas que estão por trás das práticas e discursos sobre o terror. Assim sendo, estaremos mais aptos a questionar, lutar e compreender por que tantas pessoas matam e morrem por determinadas causas, sejam elas políticas, religiosas, econômicas ou culturais.
É mais que necessário a sociedade compreender as ideologias que movem as práticas terroristas e os discursos construídos sobre essas práticas. A cada ano que passa, a humanidade se sente mais acuada e receosa, temerosa de ataques com armas de destruição em massa.
Outra forma de terrorismo é o Terrorismo Virtual.
3.1.1- Terrorismo Virtual: que é a expressão usada para descrever os ataques terroristas executados pela Internet, com o objetivo de causar o danos a sistemas ou equipamentos. Qualquer crime informático que ataque redes de computador pode ser classificado como ciberterrorismo, em que geralmente as ferramentas utilizadas são os vírus de computador. A facilidade com que os ataques são realizados e os danos que podem causar preocupam países pelo mundo todo.
CIBERTERRORISMO: Trata-se de um ataque localizado em que o objetivo é incutir medo e terror. Geralmente este tipo de ataque é dirigido a um governo ou uma população governada.
Características do Ciber crime Influência transnacional, o que aumenta a dificuldade na investigação e apuração de provas contra o acusado.
O tema que iremos abordar é o Terrorismo Virtual. Decidimos optar por este tema, pois trata-se de um tema atual e de um perigo iminente contra o qual devemos estar alertados.

TIPOS DE CRIMES

·                     Pornografia infantil : trata-se da utilização de redes de meios informáticos com o intuito de criar e divulgar conteúdos comprometedores e que exploram sexualmente crianças menores de idade.

·                     Fraudes através do computador: são diferentes de roubo pois a vítima dá o dinheiro ou outros bens de livre e espontânea vontade, no entanto tal não aconteceria se soubesse que estaria a ser vítima de fraude, pois o criminoso apresenta ofertas que parecem ser honestas e garantidas.

·                      Perseguição online: tratam-se de ameaças feitas de forma implícita ou explícita cujo objetivo é intimidar e amedrontar. Este tipo de perseguição pode ser feita via e-mail, telefone, tele móvel, mensagens de texto, sites, vídeos, entre outros.

·                      “Lavagem” de dinheiro: trata-se de um tipo de crime bastante comum. Neste tipo de crime, os criminosos transferem dinheiro de forma ilegal com o objetivo de ocultar a sua fonte e o seu destino.

·                      Ciberativismo: corresponde à manipulação ou roubo feitos por organizações que defendem certas causas.

·                      Roubo: trata-se da utilização de dispositivos para desviar fundos ilegalmente, roubar dados de outros indivíduos, empresas ou instituições com o objetivo de realizar roubo de identidade, espionagem, fraude, plágio e pirataria.

·                     Violação do correio electrónico: tratam-se de crimes de natureza privada do correio eletrônico e das mensagens que circulam de forma privada. Qualquer ato de divulgação externa pode constituir violação da vida privada.

·                     Crimes ligados à violação da confidencialidade e dados pessoais: Estas ações podem ser manifestadas como: seguir a vítima nos seus trajetos, aparecer repentinamente em locais frequentados por esta, fazer telefonemas inconvenientes e até mesmo invadir a residência da vítima. Pode incluir também ameaças, roubo de identidade, aquisição de informações para uso prejudicial, entre outras.

·                     Cyberbullying:  Consiste num tipo de violência contra outrem praticada através da internet ou de outras tecnologias que possam estar relacionadas. O cyberbullying é praticado no meio virtual, utilizando este para intimidar uma pessoa, difamando, insultando ou atacando covardemente, no sentido de prejudicar o outro. Atualmente, como se tem tornado mais comum na sociedade, têm surgido diversas legislações e campanhas de sensibilização com o intuito de combater esta prática.

3.1.1- Guerrilha, Revolução e Terrorismo

A guerrilha geralmente é formada por pessoas que têm uma ideologia em comum contra as ações políticas do Estado. Os guerrilheiros lutam contra o Estado buscando destituir o poder estabelecido com o objetivo de iniciar uma nova era política. Geralmente as guerrilhas seguem uma ideologia socialista contrária à ideologia capitalista.

Mesmo tendo objetivos políticos contra o Estado assim como as organizações terroristas, as guerrilhas se comportam de maneira diferente, sendo na maioria dos casos organizadas com um número maior de membros armados que se comportam como uma unidade militar, com uniformes e identificação, enfrentam forças militares do Estado, pela conquista e manutenção dos territórios ocupados, exercendo uma certa soberania geográfica. E também, diferente do terrorismo, a guerrilha tem o apoio popular, principalmente dos pobres e dos militantes socialistas, agindo assim em prol do povo e de uma melhor situação política e econômica para a população.

Quando uma guerrilha age de forma contrária aos seus objetivos e se encaixa na classificação de terrorismo passa a ser uma ação isolada sem o apoio popular. Não quero afirmar aqui que uma guerrilha não pode agir como se fosse uma facção terrorista, essa possibilidade existe e já aconteceu, porém, não é essência da guerrilha recorrer a atos terroristas, estas são ocorrências isoladas em momentos isolados na linha da história das guerrilhas.
Portanto, percebe-se que a guerrilha é uma organização que funciona como uma organização militar, apoiada pelo povo, que enfrenta a força militar do Estado enquanto que, diferentemente, o terrorismo: ...é, simplesmente a denominação contemporânea e a configuração moderna da guerra deliberadamente travada contra civis, com o propósito de lhes demolir a disposição de apoiar líderes ou políticas que os agentes dessa violência consideram inaceitáveis.
Exércitos profissionais e guerrilhas também podem cometer atos terroristas como já citado, porém, a diferenças mostram que não há relação quanto à essência entre uma organização terrorista e uma organização guerrilheira.
Após o término da segunda guerra mundial em 1945, quando se inicia a Guerra Fria entre EUA e URSS, começaram a surgir vários grupos aos quais foram atribuídos status de grupos terroristas. Eram revolucionários, grupos separatistas que buscavam a liberdade, a autodeterminação dos povos, direito defendido pela carta da ONU, eram contra o colonialismo e usavam assim táticas violentas para expulsar os invasores de suas terras e conquistar a liberdade.
Quando pensamos em movimentos revolucionários logo vem à mente imagens de pessoas nas ruas exigindo seus direitos e mudanças políticas, econômicas e sociais, tumultos e muitas vezes conflitos entre policiais e membros da revolução. As guerrilhas são também, movimentos revolucionários que agem contra a política estatal mas que não saem ás ruas exibindo suas metralhadoras, elas têm uma região especifica de localização e geralmente é no meio de florestas ou em lugares desertos distantes das forças do Estado. Movimentos como a OLP8, FQL9- Front de Libération du Québec foram considerados terroristas por lutar pela liberdade. Yasser Arafat num discurso para a ONU em 1974 falou que: a diferença entre revolucionário e terrorista está no motivo pelo qual cada um deles luta. Isso porque quem quer que assuma posição por uma causa justa e batalhe pela liberdade e pela libertação de sua terra jugo de invasores, assentadores e colonizadores não pode de modo algum ser chamado de terrorista. (whittaker, p.23,2005)
O discurso de Arafat está relacionado ao conflito entre Árabes e Judeus na região da Palestina, conflito que já dura a mais de meio século. Yasser Arafat está certo quando diz que quem assume uma causa justa e batalhe pela liberdade não pode ser considerado um terrorista, mas a definição do que é justo ou não, não nos cabe discutir aqui. A questão é que uma ação revolucionária não vem a ser uma ação terrorista quando não se usa a força e nem a violência para atacar pessoas do governo ou a própria população civil que mantêm sua lealdade ao Estado.
Portanto, quando a OLP ataca Israel e mata civis judeus está cometendo um ato terrorista e não uma ação de movimento revolucionário, tirando assim as características daqueles que lutam pela liberdade contra assentadores de suas terras, seu país.

·                Terrorista e Criminoso Comum

Além das diferenças traçadas entre guerrilha, revolução e terrorismo, guerra e terrorismo serão tratadas aqui, as diferenças existentes entre terroristas e criminosos comuns. Mesmo que se leve em consideração que o terrorismo seja uma ação criminosa e que o terrorista que comete tal ato é um criminoso, existe uma discrepância entre o criminoso terrorista e o criminoso comum que rouba um banco por exemplo. Há diferenças relacionadas quanto aos objetivos e maneiras de agir que diferenciam os terroristas dos criminosos comuns.
O terrorista como já citado tem um fim político, religioso e social, voltando suas ações contra o Estado, sua população civil com o objetivo de intimidar e coagir um governo a adotar suas vontades, enquanto que um criminoso comum age seguindo objetivos essencialmente pessoais, por satisfação própria, sem interesse político ou religioso, simplesmente por desejo material. Nas palavras de David J. Whittaker. ao se distinguir os terroristas dos outros tipos de criminosos e das outras formas de crime, passamos a apreciar o terrorismo como: inescapavelmente político em objetivos e motivos; violento ou, igualmente importante, ameaça violenta; concebido para causar repercussões psicológicas que transcendem a vítima ou o alvo; conduzido por uma organização com cadeia de comando ou estrutura celular conspiradora identificáveis (cujos membros não usam uniforme ou distintivos de identificação); e perpetrado por um grupo sub nacional ou entidade não estatal.
Então, de acordo com a definição de Whittaker os motivos do terrorista é puramente político intimidando, por força psicológica, ameaçando de maneira violenta, um Estado e uma sociedade. Além dos objetivos e motivos existem as diferenças em relação ao cenário. Um criminoso comum age de acordo com os problemas sociais dentro de um âmbito doméstico, o terrorista além de agir em âmbito doméstico também age no cenário político internacional atuando como criminoso internacional.
Mesmo que hajam diferenças entre terrorismo e as guerras de guerrilha, revolução, guerra e criminoso comum e, que todas elas possam ser explicadas ainda há a necessidade de se entender uma definição e conceituação global do que vem a ser o terrorismo. Estas diferenças e definições apenas facilitam o entendimento e trabalhos relacionados ao terrorismo pela busca de soluções para este problema que assola o Sistema e a Ordem internacionais de Estados.

3.2- Fundamentalismo Islâmico
Entende-se por fundamentalismo islâmico uma interpretação particular e literal da sharia (a lei do Corão), aplicada a fins políticos. Em oposição às ideias leigas, modernas e ocidentais, essa interpretação afirma que, a fim de formar um Estado islâmico puro, os valores da tradição e religião islâmica devem desempenhar um papel central na vida econômica, social e política. Vários movimentos fundamentalistas iniciados na década de 70 procuraram e ainda procuram lutar para obter e manter o controle do Estado nos países com maioria da população de religião muçulmana e ali aplicar seus princípios. Em alguns casos, essa luta resultou em revoltas populares, como no Irã em 1979 e na Argélia, Tunísia, Egito, Afeganistão, Daguestão e Turquia nos anos 90.

3.3- A questão Afegã e Talibã
3.3.1- Afeganistão
Devastado pela guerra contra a União Soviética, que ocupou a região entre 1979 e 1989, o Afeganistão assistiu à ascensão da milícia Taleban ('estudante', em persa), grupo fundamentalista financiado pelo Paquistão que, em 1996, assumiu o controle de 70% do país, porcentagem que logo subiu para 90%. Orientados pelo rigor da sharia, os talebans acreditam ser possível estabelecer 'o paraíso de Alá na Terra', impondo severas restrições ao dia a dia e punições à população, em particular às mulheres. Por seu apoio ao terrorista saudita Osama bin Laden, o regime Taleban foi derrubado pelos Estados Unidos em 2001.

3.3.2-Talibã
O Talibã é um grupo político que atua no Afeganistão e no Paquistão. A milícia tem origem nas tribos que vivem na fronteira entre esses dois países e se formou em 1994, após a ocupação soviética do Afeganistão (que durou de 1979 a 1989) e durante o governo dos também rebeldes mujahedins. Apesar de islâmico, esse governo era considerado muito liberal, deixando descontentes os muçulmanos mais extremistas. Assim, a milícia Talibã invadiu a capital Cabul e tomou o poder, governando o país de 1996 até a invasão americana, em 2001. Apesar de ter sido destituído do governo formal, o grupo continuou sendo influente. "Hoje, o objetivo do Talibã no Afeganistão é recuperar seu território e expulsar os invasores dos Estados Unidos e da OTAN". Para tentar desestabilizar o inimigo, o grupo utiliza táticas de guerrilha e ataques de homem-bomba. Uma hipótese é que o dinheiro para financiar as ações venha de tributos cobrados dos plantadores de ópio. Mas a característica principal do grupo é ter uma interpretação muito rígida dos textos islâmicos, incluindo proibição à cultura ocidental e a obrigação ao uso da burka pelas mulheres.
Um dos maiores erros que o ocidente comete em relação ao Talibã é confundi-lo com os terroristas da Al Qaeda. "O Talibã é provincial, age apenas na sua região e não tem nada a ver com os ataques a países do ocidente". Outra diferença entre as milícias é que a Al Qaeda é composta por árabes, enquanto o Talibã congrega indivíduos das tribos afegãs, a maioria deles da etnia pashtun. Porém, apesar das ideologias distintas, os dois grupos são aliados e se ajudam nas questões de logística, armas e dinheiro. Além disso, quando expulso de vários países, Osama Bin Laden, um dos fundadores da Al Qaeda, foi acolhido pelo Talibã no Afeganistão.

3.4- Terrorismo de Estado: Casos Exemplares
terrorismo de Estado é praticado pelos Estados nacionais e seus atos integram duas ações. A primeira seria o terrorismo praticado contra a sua própria população. Foram exemplos dessa forma de terrorismo: os Estados totalitários Fascistas e Nazistas, a ditadura militar brasileira e a ditadura de Pinochet no Chile. A segunda forma se constituiu como a luta contra a população estrangeira (xenofobismo).

3.4.1- A União Soviética Comunista
Na União Soviética, entre 1929 e 1932, sob a liderança de Stálin, mais de 13 milhões de camponeses foram mortos por resistirem à coletividade forçada das terras agrícolas.
Em Moscou entre 1936 a 1938, centena de militares e lideranças do Partido Comunista foram perseguidos e condenados à morte.

O Terrorismo de Estado na URSS
"A Rússia é uma Esfinge. Na alegria e na dor, e esvaindo-se em sangue negro / Ela olha, olha, olha para ti, com ódio e com amor.”        Alexander Block - Os Citas, 1918.
Após a tomada do poder por Lenine e pelo Partido Social Democrata Bolchevique, e após o fim da sangrenta guerra civil 1919-21, é instaurado um regime repressivo, sendo criados campos de trabalho e de reeducação destinados aos grandes opositores do socialismo ideológico. Após a morte de Lenine e a subida ao poder por Stálin em 1922, houve uma ainda maior burocratização e centralização do aparelho governamental do Estado. Stálin eliminou os seus grandes rivais políticos com purgas periódicas e inesperadas; as polícias soviéticas instauraram o medo nas grandes cidades e nas repúblicas mais distantes do poder. Com o início da Guerra Fria em 1948, Stálin procurou ainda mais fortalecer o seu poder na Europa de Leste e na própria URSS, com uma forte propaganda ideológica e um culto exacerbado da personalidade.
Em 1928, iniciou-se um programa de industrialização intensiva e de coletivização da agricultura soviética, impondo uma grande reorganização social e provocando a fome e o genocídio na Ucrânia (Holodomor), em 1932-1933. Esta fome foi imposta ao povo ucraniano pelo regime soviético e causou um mínimo de 4,5 milhões de mortes na Ucrânia, além de 3 milhões de vítimas noutras regiões da URSS. Nos anos 30, Stálin consolidou a sua posição através de uma política de modernização da indústria. Como arquiteto do sistema político soviético, criou uma poderosa estrutura militar e de policiamento. Mandou prender e deportar os seus opositores. Desconfiando que as reformas económicas que implantara, produziam o descontentamento entre a população, Stálinj dedicou-se a consolidar o seu poder pessoal. Tratou de expulsar toda a oposição política. Se alguém lhe parecesse indesejável neste ponto de vista, encarregava-se de desacreditá-lo perante a opinião pública. Em 1934, Sergei Kirov, principal líder do Partido Comunista em Leningrado – e tido como sucessor de Stálinh - foi assassinado. Stálin usou este fato como pretexto para uma série de repressões que passaram para a história como o “Grande Expurgo” (praticado contra membros do Partido Comunista). Entre os alvos mais destacados desta ação, estava o Exército Vermelho, em que parte de seus oficiais, acima da patente de major, foi presa, inclusive treze dos quinze generais de exército. Entre estes, Mikhail Tukhachevsky foi uma de suas mais famosas vítimas, sofrendo a acusação de ser agente do serviço secreto alemão e sendo executado. O principal instrumento de perseguição foi a NKVD (Comissariado do povo para assuntos internos).
Antes, durante e depois da II Grande Guerra, Stálin conduziu uma série de deportações em grande escala que acabaram por alterar o mapa étnico da URSS. Estima-se que entre 1941 e 1949, cerca de 3,3 milhões de pessoas foram deportadas para a Sibéria ou para repúblicas asiáticas. Separatismo, resistência/oposição ao governo soviético, e colaboração com a invasão alemã, eram alguns dos motivos oficiais para as deportações. Durante o governo de Stalin, grupos étnicos como os ucranianos, polacos, alemães, checos, lituanos, arménios, búlgaros, finlandeses, judeus, entre outros, foram parcialmente ou completamente deportados. As ameaças de conflitos armados e constrangimentos realizados a fim de impor as ideologias determinadas do Estado ao seu povo, como também a outros povos, com o forte uso da violência, e consequentes repressões, assim como o financiamento de guerras entre facções em territórios alheios, são grandes exemplos ilustrativos do terrorismo de Estado praticado pela extinta URSS - um período marcado por genocídios, torturas, massacres e grandes expurgas e deportações, com o objetivo de manter “tudo e todos” sob o controlo/domínio do Estado.

3.4.2- A Alemanha sob o nazismo
A palavra nazismo vem de Nazi, que é a abreviação de Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, que de socialista não tinha nada. Seu líder chamava-se Adolf Hitler e o partido adotou como símbolo a “suástica”, uma cruz encontrada em diversas tribos.
Hitler nasceu em 20 de abril de 1889. Em 1923, Hitler, indignado com as péssimas condições que os alemães enfrentavam, oriundas da derrota na guerra, tentou um golpe de Estado em uma cervejaria, na Alemanha. Sem sucesso, foi preso. Na prisão, escreveu um livro que se tornaria a cartilha para o nazismo: “Mein Kampf” (Minha luta). Nesse livro, Hitler defendia a hegemonia da raça ariana, alegando que a Alemanha só se reergueria quando os povos se unissem “num só povo, num só império, num só líder”. Outras etnias, como judeus e negros, deveriam ser executadas. Hitler não gostava de judeus, pois afirmava que a Primeira Guerra só fora desastrosa por conta da traição dos judeus marxistas. Além do ódio contra outras etnias, Hitler também defendia o extermínio de testemunhas de Jeová e homossexuais. E comunistas, é claro. Para executar suas ordens, foram criadas as Seções de Assalto (S.A), as Seções de Segurança (S.S.) e a Gestapo (polícia secreta).
Os alemães viam em Hitler uma salvação para a crise que o país enfrentava. Rapidamente o partido cresceu. Agricultores, jovens, soldados, em todas as classes, tornaram-se adeptos do novo partido. Com a crescente do partido, o presidente alemão Hindenburg, amedrontado, ofereceu o cargo de chanceler a Hitler, que instaurou uma política de repreensão contra seus opositores: os líderes comunistas foram presos em campos de concentração e, posteriormente, executados. Em agosto de 1934, o presidente Hindenburg morreu e Hitler assumiu o cargo máximo, sem abrir mão do seu cargo antigo. Criou o Terceiro Reich (império) e se proclamou Führer (líder, em alemão). Sua primeira medida como ditador foi a execução de milhares de judeus, comunistas, homossexuais, negros e outros nos campos de concentração. Esse episódio ficou conhecido como “Holocausto”.
O Holocausto foi uma prática de perseguição política, étnica, religiosa e sexual estabelecida durante os anos de governo nazista de Adolf Hitler. Segundo a ideologia nazista, a Alemanha deveria superar todos os entraves que impediam a formação de uma nação composta por seres superiores.
Holocausto foi uma ação sistemática de extermínio dos judeus, em todas as regiões da Europa dominadas pelos alemães, nos campos de concentração, empreendida pelo regime nazista de Adolf Hitler, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A palavra holocausto é de origem grega holos (todo) e kaustro (queimado).

3.4.3- As ditaduras latino-americanas
Na América latina, as ditaduras se instalaram em diversos países entre as décadas de 1960 e 1980 foram responsáveis por milhares de casos de pessoas sequestradas, presas, torturadas, mortas e3 desaparecidas sob a responsabilidade do Estado.

3.4.3.1- Operação Condor
A Operação Condor foi uma ação conjunta de repressão a opositores das ditaduras instaladas nos seis países do Cone Sul: Brasil, a Argentina, o Chile, a Bolívia, o Paraguai e Uruguai. A função principal era neutralizar e reprimir os grupos que se opunham aos regimes militares montados na América Latina, como os Tupamanos no Uruguai, os Montoneros na Argentina, o MIR no Chile, etc. Montada em meados dos anos 1970, a Operação durou até o período de redemocratização da região, na década seguinte. A operação, liderada por militares da América Latina, foi batizada com o nome do condor, ave típica dos Andes e símbolo da astúcia na caça às suas presas.

3.4.5- O Camboja de Pol Pot
O território do Camboja, situado na fértil bacia do Rio Mekong, no sudeste asiático, é coberto por florestas tropicais e cortado por três grandes cadeias de montanhas. Diversos conflitos causaram a morte de milhões de cambojanos nas últimas décadas.
O mais sangrento deles ocorreu durante o domínio da facção de esquerda Khmer Vermelho, liderada por Pol Pot, na década de 1970.
A 17 de Abril de 1975, as forças do Khmer Rouge (Khmer Vermelho) entram na capital, Phnom Penh, quase sem resistência, marcando o fim da administração Lon Nol. O novo governo fará milhares de prisioneiros e deslocará, à força, a população urbana para fazendas coletivas no campo, praticamente eliminando a indústria e cultura nacional.
As consequências foram trágicas, levando à morte centenas de milhares de pessoas, fosse por doenças e fome, fosse em campos de extermínio.
Imediatamente após o domínio do governo pelo Khmer, foi iniciada a evacuação da população da capital, em direção ao campo. Eram cerca de 2,5 milhões de pessoas, incluindo-se 1,5 milhões de refugiados de guerra.
Nestes procedimentos não havia exceções e até os hospitais eram esvaziados e os pacientes deportados para o interior, enquanto teatros eram evacuados e transformados em chiqueiros para a criação de porcos.
O governo comunista do Khmer Vermelho alegava como causa destas providências a necessidade de alimentar a população urbana, do que era impedido pelos bombardeios das forças norte-americanas, que tornava qualquer meio de transporte inviável.
Qualquer indivíduo que houvesse trabalhado, de alguma forma, vinculado ao governo deposto, teria morte certa, caso fosse identificado. O Khmer não executava apenas o "vinculado", mas todos os seus familiares, para eliminar qualquer possibilidade de uma futura vingança contra o regime.
Entre 1977 e 1978, a violência atingiu o seu auge, quando os assassinatos passaram a ser comuns entre os próprios elementos do Khmer Vermelho, em intermináveis purgações em todos os níveis.
Durante todo este período em que o país passa a ser conhecido como "Camboja Democrático" (Janeiro de 1976/79), o regime de Pol Pot exerceu o poder de vida e morte sobre toda a população, sem a menor contestação. Devido à necessidade de poupar munição, as armas de fogo poucas vezes eram utilizadas. As pessoas eram mortas por qualquer motivo: por não trabalharem com o desejado afinco, por reclamarem das condições de vida, por guardarem algum bem ou comida para utilização própria, por usarem alguma joia, por terem relações sexuais não autorizadas, por chorarem a morte de algum amigo ou familiar e até por demonstrarem algum sentimento religioso. Os doentes eram, na maioria das vezes, eliminados. Esta matança ocorria, sempre, sem qualquer tipo de julgamento e prolongou-se, ininterruptamente, até a invasão do país pelas tropas do Vietnam, em 1979.

3.5- O apartheid na África do Sul
Apartheid (significa "vidas separadas" em africano) era um regime segregacionista que negava aos negros da África do Sul os direitos sociais, econômicos e políticos.
Embora a segregação existisse na África do Sul desde o século 17, quando a região foi colonizada por ingleses e holandeses, o termo passou a ser usado legalmente em 1948.
No regime do apartheid o governo era controlado pelos brancos de origem europeia (holandeses e ingleses), que criavam leis e governavam apenas para os interesses dos brancos. Aos negros eram impostas várias leis, regras e sistemas de controles sociais.
Entre as principais leis do apartheid, podemos citar:
- Proibição de casamentos entre brancos e negros - 1949.
- Obrigação de declaração de registro de cor para todos sul-africanos (branco, negro ou mestiço) - 1950.
- Proibição de circulação de negros em determinadas áreas das cidades - 1950
- Determinação e criação dos bantustões (bairros só para negros) - 1951
- Proibição de negros no uso de determinadas instalações públicas (bebedouros, banheiros públicos) - 1953
- Criação de um sistema diferenciado de educação para as crianças dos bantustões - 1953

Fim do Apartheid

Este sistema vigorou até o ano de 1990, quando o presidente sul-africano tomou várias medidas e colocou fim ao apartheid.  Entre estas medidas estava a libertação de Nelson Mandela, preso desde 1964 por lutar com o regime de segregação. Em 1994, Mandela assumiu a presidência da África do Sul, tornando-se o primeiro presidente negro do país.

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