Geografia da Amizade

Geografia da Amizade

Amizade...Amor:
Uma gota suave que tomba
No cálice da vida
Para diminuir seu amargor...
Amizade é um rasto de Deus
Nas praias dos homens;
Um lampejo do eterno
Riscando as trevas do tempo.
Sem o calor humano do amigo
A vida seria um deserto.
Amigo é alguém sempre perto,
Alguém presente,
Mesmo, quando longe, geograficamente.
Amigo é uma Segunda eucaristia,
Um Deus-conosco, bem gente,
Não em fragmentos de pão,
Mas no mistério de dois corações
Permutando sintonia
Num dueto de gratidão.
Na geografia
da amizade,
Do amor,
Até hoje não descobri
Se o amigo é luz, estrela,
Ou perfume de flor.
Sei apenas, com precisão,
Que ele torna mais rica e mais bela
A vida se faz canção!

"Roque Schneider"


Quem sou eu

Salvador, Bahia, Brazil
Especialista em Turismo e Hospitalidade, Geógrafa, soteropolitana, professora.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Geopolítica Atual: Um mundo em construção.

3.1- O Contexto da Nova Ordem Mundial
A partir dos anos 1990, com o fim da Guerra Fria, diversas circunstâncias políticas e econômicas determinaram novas orientações às questões internacionais e às relações entre os países: a queda do socialismo; o fim da União Soviética; o processo de democratização dos países da Europa Oriental; a reunificação da Alemanha; e os conflitos étnicos responsáveis por guerras civis.
Nesse contexto, os Estados Unidos ampliaram expressivamente sua hegemonia. No entanto, surgiram também outras potências econômicas, como Japão, União Europeia (liderada pela Alemanha) e China.
Apesar da supremacia norte-americana, circunstâncias econômicas ocasionadas pela grande crise mundial iniciada em 2007 e ações e intervenções políticas desastrosas de combate ao terrorismo não legitimaram a almejada liderança absoluta pretendida pelos Estados Unidos.

3.2- A ascensão japonesa e alemã
Durante a Guerra Fria, liderada pelos Estados Unidos e pela União Soviética, outros países direcionaram seus investimentos e desenvolvimento tecnológico principalmente às atividades econômicas. Conquistaram, assim, fatias expressivas no mercado internacional e obtiveram ganhos de produtividade superiores aos dos Estados Unidos. Os que tiveram maior crescimento, na segunda metade do século XX, foram justamente os dois grandes derrotados na Segunda Guerra Mundial: o Japão e a ex-Alemanha Ocidental.
No início da década de 1950, o Produto Nacional Bruto (PNB) dos Estados Unidos era superior ao do conjunto de países da Europa Ocidental e do Japão. Durante a Guerra Fria, a Alemanha e o Japão atingiram taxas de crescimento superiores às taxas da economia estadunidense. O Japão foi beneficiado pela ajuda econômica para a reconstrução do pós-guerra, denominado Plano Colombo, e pela Guerra da Coreia, que criou um mercado de abastecimento de produtos e serviços às bases norte-americanas: fornecimento de uniformes, alimentos, reparos de equipamentos e outros. A partir da década de 1970, adotou uma estratégia agressiva no cenário econômico mundial que consolidou sua hegemonia na região do Pacífico, especialmente no Sudeste Asiático, e abriu caminho para ampliar sua agenda comercial com os Estados Unidos. Acreditava-se que o Japão, em pouco tempo, seria capaz de superar o poder econômico dos EUA, no entanto, a partir do início da década de 1990, diminuiu substancialmente suas taxas de crescimento e foi superado pela economia chinesa em 2010, passando de segunda à terceira posição na economia mundial.
Com o fim da Guerra Fria, o país adotou uma nova postura internacional e engajou-se em operações de paz promovidas pelas Nações Unidas. Atualmente postula assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, apesar da oposição chinesa. Nesse novo contexto, ampliou seu orçamento para fins militares. Em 2011 possuía o sexto orçamento militar do mundo.
A Alemanha foi beneficiada pelo Plano Marshall e pelo sucesso do Mercado Comum Europeu, atual União Europeia. Em 1990, com a reunificação, o país reafirmou-se como a maior potência da Europa, restabeleceu e fortaleceu suas relações com os países que formavam o bloco socialista do Leste Europeu, por meio da expansão das empresas alemãs e da ampliação dos intercâmbios comerciais e financeiros. Apesar dos elevados custos da reunificação - cerca de um trilhão de dólares -, a economia alemã acabou beneficiada pela ampliação do mercado consumidor.
No final da década de 1990 a Alemanha se envolveu no conflito dos Bálcãs (lutas ocorridas na ex-Iugoslávia). Antecipou-se no reconhecimento da independência da Eslovênia e da Croácia e se envolveu pela primeira vez em um conflito armado desde a Segunda Guerra Mundial, ao colocar suas tropas sob o comanda da Otan, em combate contra a Sérvia. Em outra iniciativa militar externa, participou das tropas internacionais que atuaram no Afeganistão. Essas ações militares no cenário internacional, embora tímidas, estão associadas à intenção do país em tornar-se membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Em 2012, a Alemanha possuía o nono orçamento militar e o terceiro exportador de armas do planeta.
Apesar da retomada das ações militares da Alemanha e do Japão, e do peso desses países no conjunto da economia mundial, suas forças militares são reduzidas se comparadas às das potências militares, como Estados Unidos e Rússia, e também em relação a França, Inglaterra e China. Por não possuírem ou desenvolverem armas de destruição em massa, têm fraco poder de dissuasão.
Observe a tabela com os países que detêm os maiores arsenais nucleares.

PAÍS
TOTAL DE OGIVAS
EUA
8.000
RÚSSIA
10.000
REINO UNIDO
225
FRANÇA
300
CHINA
240
ÍNDIA
80 – 100
PAQUISTÃO
90 – 110
ISRAEL
80
CORREIA DO NORTE
DESCONHECIDO

3.3- China: novo protagonista no cenário mundial
Um dos acontecimentos mais importantes das últimas décadas foi o surgimento de mais uma potência na Ásia: a China. Esse país detém arsenal nuclear, é a terceira economia do mundo, faz parte do Conselho de Segurança da ONU e dispõe do segundo orçamento militar do planeta, com mais de 200 armas nucleares disponíveis. Abriga, ainda, o maior contingente populacional do globo - mais de 1,3 bilhão de habitantes -, o que lhe garante grande potencial de mercado e a formação da maior força armada do mundo - mais de 2,3 milhões de pessoas. Com esses superlativos e a presença cada vez mais marcante no cenário internacional, a China é vista como o país capaz de romper a supremacia norte-americana no século XXI.
No entanto, a China tem pendências em diversas questões internas para assegurar a manutenção de sua unidade territorial: movimentos pela independência nas regiões autônomas do Tibet, da Mongólia Interior e Xinjiang-Uigur. As pendências externas mais imediatas relacionam-se à disputa das Ilhas Spratly e à reincorporação de Taiwan. As Ilhas Spratly, um conjunto de mais de 100 formações de corais no mar da China Meridional, estão no meio da rota de grande circulação de navios mercantes e abrigam reservas de gás e petróleo. Elas são reivindicadas por seis países que ali mantêm bases militares: China, Vietnã, Filipinas, Brunei, Taiwan e Malásia. A pretensão da China de reincorporar Taiwan ao restante do país é outro ponto de grande tensão. Importante polo econômico asiático, Taiwan separou-se da China em 1949 e pretende seguir independente, no que conta com apoio dos Estados Unidos.

3.3.1- China e relações internacionais
Em 1996, a China patrocinou a formação da Organização de Cooperação de Xangai com o objetivo de reforçar a cooperação econômica entre os países-membros e combater o tráfico de drogas, o terrorismo e o separatismo. A organização delineia a possibilidade de formação de uma organização militar ampla de defesa e de segurança multinacional, capaz de contrabalançar a influência da Otan e dos Estados Unidos na Ásia Central. A Organização conta ainda com países observadores (sem direito a voto ou interferência nas decisões políticas) e parceiros de diálogo (países que compartilham valores semelhantes aos dos países-membros).
Nas últimas décadas, as relações internacionais da China com o resto do mundo ampliaram-se. Os chineses estreitaram os laços econômicos e políticos com diversos países, tanto com os que absorvem suas exportações como com aqueles de quem importam energia e matérias-primas. O país estreitou laços com o Irã, mantendo investimentos na área de exploração de gás natural. Faz, assim, percurso inverso ao dos Estados Unidos, que romperam relações diplomáticas com o Irã desde 1980, e ao da União Europeia, que defende na ONU a manutenção de sanções econômicas ao país.
A China é o maior importador de petróleo do Sudão e apoia abertamente o governo desse país, responsável pelo massacre de mais de 300 mil pessoas na região de Darfur e cujo presidente teve mandato de prisão expedido em 2009 pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). Outros países da África recebem atenção especial na agenda internacional chinesa, particularmente Angola.
Os países da África exportam petróleo, ferro, cobre e algodão e atraíram investimentos de várias empresas chinesas, principalmente a Petro China, hoje uma das maiores empresas petrolíferas do mundo. A China, além de ampliar suas exportações para o continente, tem realizado investimentos em meios de transporte, usinas de energia e sistemas de telecomunicações.

3.4- A Rússia na nova ordem geopolítica
Com o colapso da URSS, as transformações na ordem mundial e, a partir da década de 1990, o fim da Guerra Fria, a Rússia passou a participar de uma nova agenda internacional tanto no campo político como militar. Atualmente, o país exige maior participação no contexto internacional e busca afirmar-se como potência.
Apesar de enfrentar uma etapa difícil de transição da economia centralmente planejada para uma economia de mercado – capitalista -, às voltas com crises econômico-financeiras, aumento da pobreza e
da corrupção, concentração de renda e guerras separatistas, em finais da década de 1990 a Rússia passou a integrar o G-8. É a segunda potência nuclear do planeta, e em seu imenso território dispõe de grandes reservas minerais, inclusive petróleo. Além disso, mantém relações de cooperação com o Irã - país importante no contexto geopolítico do Oriente Médio - para a construção de reatores nucleares, acordos militares com a índia e, desde julho de 2001, quando assinou um acordo de amizade, busca estreitar relações políticas com a China.
Em maio de 2002, com a criação do Conselho Otan-Rússia, o país passou a participar das discussões ao lado dos países-membros da Otan em assuntos de interesse mútuo, como a definição de estratégias político-militares a serem aplicadas no controle da proliferação de armas nucleares e no combate ao terrorismo.
A Rússia também acertou com os Estados Unidos acordos para a redução de armas nucleares estratégicas. No entanto, mesmo com os cortes, ambos os países ainda dispõem de armamento nuclear capaz de destruir o planeta.
A criação do Conselho Otan-Rússia ocorreu após o aval russo à intervenção armada norte-americana no Afeganistão, em 2001. Essa intervenção foi considerada o primeiro embate dos Estados Unidos com base nos princípios que seriam consolidados posteriormente na Doutrina Bush (da qual trataremos à frente) e justificada pela necessidade de combater o terrorismo internacional. Em contrapartida, a Rússia não foi reprovada pela violenta repressão empreendida ao movimento separatista na Chechênia, uma república islâmica que faz parte da Federação Russa.
A Rússia, no entanto, se posicionou contra a intervenção militar no Iraque e contra os avanços da política intervencionista dos Estados Unidos.
Em 2008, tropas russas entraram em conflito com a Geórgia ao apoiar a luta pela independência da Ossétia do Sul e da AbKásia, repúblicas autônomas controladas pelo Estado georgiano. A Geórgia nos últimos anos se aproximou dos Estados Unidos e é candidata a integrar a Otan.
No mesmo ano, outra questão confrontou a Rússia e os Estados Unidos: a intenção de o governo norte-americano construir um sistema de defesa antimísseis na Polônia apoiado por um sistema de radares na República Tcheca. Apesar de os Estados Unidos sustentarem que o sistema estaria voltado ao bloqueio de uma suposta ameaça dos mísseis do Irã ao continente europeu, a Rússia via o projeto como uma ameaça à sua segurança e como uma forma de neutralizar seu poder de fogo. Depois de advertências russas e negociações com o governo de Barack Obama, os Estados Unidos proclamaram, em 2009, a desistência do escudo antimísseis e a reformulação dos planos de defesa para o país.

3.5- A supremacia norte-americana
Os Estados Unidos são responsáveis por cerca de 25% de toda a produção de bens e geração de serviços no mundo, ou seja, um quinto do PIB mundial (15,09 trilhões de dólares em 2011), índice superior à soma do PIB dos outros três países mais ricos do mundo (Japão, China e Alemanha).
Em 2012, 5 das 10 maiores empresas do mundo em valor de mercado eram norte-americanas. Com cerca de apenas 4,5% da população do planeta, os norte-americanos consomem 18,5% da energia gerada no mundo, considerando todas as fontes energéticas. Eles respondem também por cerca de 13% das importações mundiais.
Vários países, inclusive alguns desenvolvidos, dependem dos Estados Unidos, em termos de comércio exterior. O Japão, por exemplo, a terceira maior economia do mundo (PIB de aproximadamente 5,6 trilhões de dólares, em 2011), realiza cerca de 15% das suas exportações para o mercado norte-americano.
 Os Estados Unidos exercem a supremacia econômica, apesar de contrabalançada por centros econômicos como a União Europeia, o Japão, os Brics e outros. A preponderância norte-americana é muito maior quando se considera também o aspecto político-militar. O país atingiu posição privilegiada em termos de capacidade bélica, graças ao desenvolvimento da tecnologia militar.
Destaca-se pelo uso de satélites artificiais e radares, poderosa frota de porta-aviões (cada qual com poderio superior ao da maior parte dos exércitos do planeta), submarinos nucleares e bem equipada força aérea, que inclui aviões não detectáveis por radar. O orçamento militar anual dos Estados Unidos é quase a metade dos gastos militares do mundo.
Essa supremacia é manifestada até mesmo nas decisões tomadas pela ONU (e pelos países que a integram), que com frequência age para atender aos interesses norte-americanos, e nas políticas estabelecidas pelos organismos internacionais, como o FMI e o Banco Mundial.
Apesar da supremacia dos Estados Unidos, não se pode considerar o desenvolvimento norte-americano - ou seja, o modo de vida de sua população e a maneira como atingiram tão amplo poder político internacional - um modelo a ser seguido. Os Estados Unidos gastam sozinhos aproximadamente 25% de tudo o que o mundo consome, boa parte sem envolver processos de reciclagem, reutilização ou reaproveitamento, o que gera grande quantidade de lixo e poluentes.
A história da política externa norte-americana tampouco é uma referência positiva. É marcada por invasões, guerras e deposição de governos em diversos países. Essa liderança geopolítica, que em diversos momentos dispensou a diplomacia, implica vultosos gastos em pesquisa, produção de armamentos e manutenção de forças militares.

3.5.1- A política externa norte-americana e a geopolítica mundial
Do ponto de vista geopolítico, a ordem mundial inaugurada após a Guerra Fria passou a ser comandada pelos interesses dos Estados Unidos, respaldados por sua incontestável supremacia militar. O país iniciou o século XXI como superpotência absoluta. A forma como a hegemonia foi implementada foi denominada  pax americana (é um termo latino referindo-se a hegemonia norte-americana no mundo. Também indica o período de relativa paz entre as potências ocidentais e outras grandes potências do fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, coincidindo com a atual dominação econômica e militar dos Estados Unidos da América, em estreita colaboração com a ONU.), em alusão a Pax Romana, adotada pelo  imperador de Roma, Otávio Augusto, de 29 a.C. a 180 d.C. A partir de então, a política externa norte americana foi marcada pelo unilateralismo. Os Estados Unidos tomaram medidas que, independentemente das posições e necessidades de outros países, visam atender a seus interesses e manter sua supremacia, como, por exemplo:
• recusaram-se a ratificar o Protocolo de Kyoto, por considerar que ele restringiria seu desenvolvimento econômico;
• retiraram-se da conferência mundial contra a discriminação e o racismo, realizada na África do Sul, em 2001;
• não assinaram os termos para a criação do Tribunal Penal Internacional;
• aumentaram o protecionismo comercial de alguns produtos agrícolas e industriais, prejudicando as exportações de vários países, inclusive do Brasil;
• lançaram uma ofensiva militar contra o Iraque, junto com o Reino Unido, sem a aprovação da ONU para derrubar o governo de Saddam Hussein.

3.5.2- Ocupações e intervenções no século XXI
Os Estados Unidos reagiram ao atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 invadindo o Afeganistão. Em outubro daquele ano, atacaram o país com o pretexto de eliminar terroristas lá instalados, principalmente Osama Bin Laden, líder do grupo islâmico Al Qaeda, acusado de ter planejado o ataque. Depois de derrubar o governo afegão, liderado por religiosos islâmicos radicais ligados ao Talibã, ocuparam o país.
No entanto, no caso da guerra contra o Iraque, em 2003, não havia nenhuma evidência de que o país constituísse uma ameaça aos Estados Unidos ou a qualquer outro país do Oriente Médio. As alegações de que o governo iraquiano estava ligado à Al Qaeda, financiava grupos terroristas e tinha em seu arsenal militar armas de destruição em massa foram reconhecidas, posteriormente, como falsas pelo próprio governo norte-americano.
As intervenções militares no Afeganistão e no Iraque foram alicerçadas por uma nova política, que justifica a ação dos Estados Unidos, independentemente da aprovação da ONU: a doutrina da guerra preventiva. Para muitos analistas, o ataque de 11 de setembro criou condições favoráveis e serviu de pretexto para que os Estados Unidos atuassem no mundo de acordo com seus próprios interesses econômicos, impondo sua presença e domínio a regiões estratégicas do planeta.
Além das ofensivas militares no Afeganistão e no Iraque, outras reações do governo dos Estados Unidos aos atentados terroristas provocaram mudanças internas e externas. Por exemplo:
• a definição do chamado "eixo do mal", composto por Coreia do Norte, Irã e Iraque, países que, na visão norte-americana, apoiavam o terrorismo internacional;
• o estabelecimento da Doutrina Bush;
• a aprovação de leis de restrição aos direitos civis, como a permissão para "grampear" telefones e prender estrangeiros suspeitos por tempo indeterminado.
Na tentativa de evitar ataques semelhantes, alguns países da Europa Ocidental também passaram a controlar com maior rigor o fluxo de imigrantes. Além disso, tornaram-se mais comuns ações que violam os direitos civis individuais, como o uso de câmeras, o rastreamento de mensagens eletrônicas, a escuta de ligações telefônicas etc.
O governo de Barack Obama, que assumiu o poder em 2009, anunciou o fim da Doutrina Bush e a adoção de medidas baseadas no princípio universal dos direitos humanos e legitimadas pelo direito internacional. Após duas décadas de unilateralismo - desde o final da Guerra Fria - os Estados Unidos terminaram a primeira década do século XXI com dois grandes desafios: solucionar uma crise econômica cuja dimensão só não era maior que a ocorrida em 1929 e resgatar parte do prestígio no cenário internacional, profundamente abalado, principalmente pela adoção de uma política avessa a soluções diplomáticas.
Apesar de sinalizar mudanças em relação ao governo anterior, Barack Obama manteve algumas políticas na agenda internacional norte-americana. São exemplos a manutenção da guerra contra o terrorismo, a ampliação da presença militar no Afeganistão e a permanência de tropas no Iraque pelo menos até o final de 2011.

O combate ao terrorismo não é uma estratégia exclusiva dos Estados Unidos. Aprovada pelo Conselho de Segurança e pela Assembleia Geral da ONU, foi acatada pela maioria dos Estados e validada pelo governo Obama. O que se questiona são os instrumentos utilizados para a implementação dessa estratégia, e que servem como pretexto para atender a interesses econômicos e ações de ocupação territorial dos Estados Unidos.
Além disso, a prioridade na luta contra o terrorismo, internacionalmente validada, merece uma reflexão. Nesse tipo de combate não ocorre o enfrentamento direto, pois o terrorismo não é visível, não tem endereço e possui ramificações internacionais. Esse combate não mantém compromisso com as leis internacionais nem com qualquer convenção de guerra. Portanto, privilegiar esse tipo de combate e perseguir prováveis inimigos significa colocar o mundo em estado de guerra permanente. No primeiro ano de mandato, o governo Obama determinou o fechamento de prisões que os Estados Unidos mantêm em suas bases militares no exterior - entre elas a de Guantánamo, em Cuba - e proibiu o uso de tortura em interrogatórios, prática comprovada durante o governo Bush.
A nova política externa norte-americana aponta para o declínio do unilateralismo. Indica que o país irá reforçar seu poder de influência ideológica e cultural combinando soluções diplomáticas e ações militares, quando estas forem necessárias; e irá exercer pressão através de medidas de sanção e embargo econômicos.
Continuará mantendo a sua hegemonia, embora não absoluta, que só será legítima com o apoio de outras potências.

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