Geografia da Amizade

Geografia da Amizade

Amizade...Amor:
Uma gota suave que tomba
No cálice da vida
Para diminuir seu amargor...
Amizade é um rasto de Deus
Nas praias dos homens;
Um lampejo do eterno
Riscando as trevas do tempo.
Sem o calor humano do amigo
A vida seria um deserto.
Amigo é alguém sempre perto,
Alguém presente,
Mesmo, quando longe, geograficamente.
Amigo é uma Segunda eucaristia,
Um Deus-conosco, bem gente,
Não em fragmentos de pão,
Mas no mistério de dois corações
Permutando sintonia
Num dueto de gratidão.
Na geografia
da amizade,
Do amor,
Até hoje não descobri
Se o amigo é luz, estrela,
Ou perfume de flor.
Sei apenas, com precisão,
Que ele torna mais rica e mais bela
A vida se faz canção!

"Roque Schneider"


Quem sou eu

Salvador, Bahia, Brazil
Especialista em Turismo e Hospitalidade, Geógrafa, soteropolitana, professora.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Um Passeio pelo Espaço e Pelas Correntes do Pensamento Geográfico.

2- AS CORRENTES DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO


  A ciência geográfica teve seu processo de sistematização lento e tardio na visão de alguns autores, vindo a constituir-se enquanto ciência, mais especificamente no século XIX, porém, desde a antiguidade os estudos geográficos já eram desenvolvidos, principalmente na Grécia Antiga. Grande parte do mundo ocidental conhecido era dominada pelos gregos, em especial o leste do Mediterrâneo. Sempre interessados em descobrir novos territórios de domínio e atuação comercial, era fundamental que conhecessem o ambiente físico e os fenômenos naturais. O céu claro do Mediterrâneo facilitava a vida dos navegantes gregos, sempre atentos às características dos ventos, importantes para sua navegação em termos de velocidade e segurança.

2.1. Grécia Antiga- berço dos estudos geográficos
  Sobre tais experiências, os gregos deixaram para as futuras gerações escritos que contavam a sua vivência geográfica. Estudos feitos acerca do rio Nilo, no Egito, detalhavam, entre outras coisas, seu período de cheia anual. No século IV a. C., os gregos observavam o planeta como um todo. Através de estudos filosóficos e observações astronômicas, Aristóteles foi o primeiro a receber crédito ao conceituar a Terra como uma esfera. Com o colapso do Império Romano, os grandes herdeiros da geografia grega foram os árabes. Muitos trabalhos foram traduzidos do grego para o árabe. Os geógrafos árabes foram grandes viajantes, que continuaram a produzir estudos importantes, ainda que descritivos.
  A Idade Moderna caracterizou-se por ser o período dos grandes descobrimentos, realizados especialmente pelos navegadores portugueses e espanhóis. Nessa época, os estudos da Geografia Regional (mais ligados à Etnografia) e Geografia Geral (voltados para a Astronomia e Cartografia) tornam-se mais intensos, em razão do rápido conhecimento do planeta por parte dos desbravadores europeus, que demandavam mais estudos sobre os lugares descobertos, além de instrumentos de navegação e localização mais precisos.
  Porém, é por meio das obras de Alexandre von Humboldt e Carl Ritter que a Geografia teria originado, enquanto ciência. São eles que fornecem os primeiros delineamentos claros do domínio dessa disciplina em sua acepção moderna, que elaboram as primeiras tentativas de lhe definir o objeto, que realizam as primeiras padronizações conceituais.    Alexander von Humboldt - considerado, junto com Carl Ritter, o Pai da Geografia.


3.0- As principais Correntes do Pensamento Geográfico.
3.1. GEOGRAFIA TRADICIONAL: A Geografia Tradicional, também conhecida como Geografia Clássica, surgiu no século XIX, inicialmente na França e na Alemanha, difundindo-se aos demais países, tendo como precursores Alexandre von Humboldt e Carl Ritter. Nesta corrente surgem as primeiras definições do que seria a Geografia e qual seria seu objeto de análise, já que no momento de sua sistematização não havia clareza quanto ao objeto de estudo.
 Humboldt, foi geógrafo, naturalista e explorador. Ele desenvolveu e especializou-se em diversas áreas: foi etnógrafo (descreve os usos e costumes dos povos.), antropólogo, físico, geógrafo, geólogo, mineralogista, botânico, vulcanólogo e humanista, tendo lançado as bases de ciências como a Geografia, Geologia, Climatologia e Oceanografia. Apesar de ter pesquisado diversas coisas em seus mínimos detalhes, sempre o fez com uma visão geral e imparcial. Sua principal obra é o Kosmos, uma condensação do conhecimento científico de sua época.
Carl Ritter nasceu na Prússia, foi um naturalista de grande importância para o posterior surgimento da Geografia Humana. Foi também o fundador da Sociedade Geográfica de Berlim e o primeiro professor de geografia regular e fixo em uma universidade, sendo que a cátedra de geografia da Universidade de Berlim foi instituída justamente para que ele a ocupasse. Seu grande objetivo era estabelecer as bases de um conhecimento geográfico científico, nos moldes das ciências naturais. É para ele, todos os estudos deveriam convergir direta ou indiretamente para o entendimento das relações homem/natureza.
  Os trabalhos de Ritter e Humboldt surgiram no período em que o conhecimento geográfico acumulado sobre o mundo já permitia obter um conhecimento mais fundamentado em viagens, cartografias e estudos mais precisos. Com Ritter e Humboldt a Geografia Moderna surgiu; porém, a construção desta só pôde ocorrer porque praticamente toda a superfície terrestre havia sido conhecida, estudada e mapeada.

3.2. DETERMINISMO GEOGRÁFICO:  Teoria formulada no século XIX pelo geógrafo alemão Friedrich Ratzel que fala das influências que as condições naturais exerceriam sobre o ser humano, sustentando a tese de que o meio natural determinaria o homem. Nesse sentido, os homens procurariam organizar o espaço para garantir a manutenção da vida.
  O maior sinal da perca de uma sociedade seria a perda do território. As afirmações de Ratzel estavam fortemente ligadas ao momento histórico que vivia, durante a unificação da Alemanha. O expansionismo do Império Alemão, arquitetado pelo primeiro-ministro da Prússia Otto von Bismarck (1815-1898), foi legitimado pelas duas principais correntes do pensamento ratzeliano, o determinismo geográfico e o  espaço vital (espaço necessário à sobrevivência de uma dada comunidade). A primeira explicaria a superioridade de algumas raças - nesse caso, a alemã -, que naturalmente se desenvolveriam mais do que outras, e a segunda justificaria a conquista de novos territórios para suprir a maior demanda de recursos para seu desenvolvimento, ou seja, o expansionismo.
  Os discípulos do determinismo foram além das proposições ratzeliana, chegando a afirmar que o homem seria um produto do meio. Defendiam que um meio natural mais hostil proporcionaria um maior nível de desenvolvimento ao exigir um alto grau de organização social para suportar todas as contrariedades impostas pelo meio. Um exemplo disso seria o inverno, que justificaria o desenvolvimento das sociedades europeias, que não tiveram grandes dificuldades em subjugar os povos tropicais, mais indolentes e atrasados. Essa ideia justificou o expansionismo neocolonial na África e na Ásia entre o fim do século XIX e o início do século XX. Pensamentos que, mais tarde, foram aproveitadas pelos cientistas e políticos da Alemanha Nazista. Essa corrente geográfica surgiu aos fins do século XIX, no início do sistema econômico capitalista, monopolista e imperialista. O determinismo geográfico parte do princípio que o meio exerce total influência no modo de ocupação do homem, a tal ponto que a sua própria identidade seja condicionada pelo meio natural.

3.3. POSSIBILISMO GEOGRÁFICO: Teve origem na França, com Paul Vidal de la Blache. Enquadrado no pensamento político dominante, num momento em que a França tornou-se uma grande soberania, ele realizou estudos regionais procurando provar que a natureza exercia influências sobre o homem, mas que o homem tinha possibilidades de modificar e de melhorar o meio, dando origem ao Possibilismo. A natureza passou a ser considerada fornecedora de possibilidades e o homem o principal agente geográfico. A escola possibilista afirma que o homem, como ser racional, é um elemento ativo e, portanto, tem condições de modificar o meio natural e adaptá-lo segundo suas necessidades. Para essa concepção geográfica, a natureza exerce influência sobre o homem, porém este através da técnica e da inteligência modifica a mesma, transformando-a para garantir sua sobrevivência.
3.4. GEOGRAFIA REGIONAL OU MÉTODO REGIONAL: O método regional consiste no terceiro paradigma da geografia, opondo-se ao determinismo ambiental e ao Possibilismo. Esta escola ganha força apenas a partir dos anos 40 nos Estados Unidos. Principal autor desta corrente de pensamento, o geógrafo norte-americano Richard Hartshorne, defendia que a superfície terrestre era muito heterogênea e com isso evidenciava-se a necessidade de se produzir uma geografia regional. Hartshorne não utilizava o termo região: para ele os espaços eram divididos em classes de área, nas quais os elementos mais homogêneos determinariam cada classe, e assim, as descontinuidades destes trariam as divisões das áreas. Este pensamento geográfico ficou conhecido como método regional.  O método regional é mais um dos paradigmas geográficos no processo evolutivo da ciência geográfica. Seu campo de estudo é estabelecido através de diferenciações entre áreas que não são vistas das relações entre o homem e o meio, mas, sobretudo, a integração de fenômenos heterogêneos em uma determinada área do globo terrestre.

3.5. NOVA GEOGRAFIA (GEOGRAFIA PRAGMÁTICA, GEOGRAFIA TEORÉTICA OU QUANTITATIVA):
 Na década de 60 surge simultaneamente na Inglaterra e na Suécia a Nova geografia também chamada de teorética, pragmática ou quantitativa. Este paradigma incorpora métodos matemáticos e estatísticos na busca pela compreensão do espaço, utilizando-os como ferramenta para o planejamento dos estados capitalistas, em virtude das novas dinâmicas geopolíticas e geoeconômicas inauguradas no pós-guerra.
  Foi usada como forte instrumento de poder estatal, pois manipulava dados através de resultados estatísticos. Predominou na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, principalmente na década de 1960 a meados de 1970. A partir da década de 1960, a Geografia Pragmática começou a sofrer duras críticas. Uma das principais críticas é o fato de não considerar as peculiaridades dos fenômenos, pois o método matemático explica o que acontece em determinados momentos, mas não explica os intervalos entre eles, além de apresentar dados considerando o "todo" de forma homogênea, desconsiderando as particularidades.

3.6. GEOGRAFIA CRÍTICA OU GEOGRAFIA MARXISTA: Surgida nos anos 70 e 80 em virtude das novas circunstâncias que passam a caracterizar o capitalismo, a geografia critica é calcada no materialismo histórico e na dialética marxista. Este paradigma passa a questionar as desigualdades econômicas em todas as escalas (mundial, regional e entre indivíduos), compreendendo-as como um produto da expansão do capitalismo. A relação sociedade natureza é repensada à luz do Marxismo. Surgem as discussões a cerca da degradação do meio ambiente. Seus principais autores são o francês Yves Lacoste e o brasileiro Milton Santos.
  A Geografia Crítica estabelece o rompimento da neutralidade no estudo da geografia e propõe engajamento e criticidade junto a toda a conjuntura  social, econômica e política do mundo. Estabelece também uma leitura crítica frente aos problemas e interesses que envolvem as relações de poder e pró-atividade frente às causas sociais, defendendo a diminuição das disparidades socioeconômicas e diferenças regionais. Defendia ainda a mudança do ensino da geografia nas escolas, ao estabelecer uma educação que estimulasse a inteligência e o espírito crítico.  O pensamento crítico na geografia significou, principalmente, uma aproximação com os movimentos sociais, principalmente na busca da ampliação dos direitos civis e sociais, como o acesso a educação de boa qualidade, a moradia, pelo acesso à terra, o combate à pobreza, entre outras temáticas.  A Geografia crítica surge como último paradigma. Os diversos debates e encontros ligados a essa temática foram mais destacados a partir da década de 70 e 80, com o chamado "movimento de renovação da Geografia". A diminuição das desigualdades sociais - um dos pontos defendidos pela corrente da Geografia Crítica.

3.7. GEOGRAFIA HUMANÍSTICA OU CULTURAL: Têm como base os trabalhos realizados por Yi-Fu Tuan, Anne Buttimer, Edward Relph e Mercer e Powell.   A Geografia Humanística ou Cultural procura valorizar a experiência do indivíduo ou do grupo, visando compreender o comportamento e as maneiras de sentir das pessoas em relação aos seus lugares, ou seja, a cultura dos grupos sociais.
  Para cada indivíduo, para cada grupo humano, existe uma visão do mundo, que se expressa através de suas atitudes e valores para com o ambiente. É o contexto pelo qual a pessoa valoriza e organiza o seu espaço e o seu mundo, e nele se relaciona. A valorização da cultura é o principal foco da Geografia Humanística.   O lugar é aquele em que o indivíduo se encontra ambientado no qual está integrado, o espaço envolve um complexo de ideias. A integração espacial faz-se mais pela dimensão afetiva que pela métrica. Estar junto, estar próximo, significa o relacionamento afetivo com outra pessoa ou com outro lugar. Lugares e pessoas fisicamente distantes podem estar afetivamente próximos. O espaço e o lugar ganham importância cada vez maior na corrente da Geografia Humanística.

3.8. GEOGRAFIA AMBIENTAL: Ramo da geografia que descreve os aspectos espaciais da interação entre o homem e o mundo natural. Requer o entendimento dos aspectos tradicionais da geografia física e humana, assim como os modos que as sociedades conceitualizam o ambiente. Como a relação do homem com o ambiente tem mudado em consequência da globalização e da mudança tecnológica, uma nova aproximação é necessária para entender esta relação dinâmica e mutável. A defesa do meio ambiente é o principal tema da Geografia Ambiental.

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