Geografia da Amizade

Geografia da Amizade

Amizade...Amor:
Uma gota suave que tomba
No cálice da vida
Para diminuir seu amargor...
Amizade é um rasto de Deus
Nas praias dos homens;
Um lampejo do eterno
Riscando as trevas do tempo.
Sem o calor humano do amigo
A vida seria um deserto.
Amigo é alguém sempre perto,
Alguém presente,
Mesmo, quando longe, geograficamente.
Amigo é uma Segunda eucaristia,
Um Deus-conosco, bem gente,
Não em fragmentos de pão,
Mas no mistério de dois corações
Permutando sintonia
Num dueto de gratidão.
Na geografia
da amizade,
Do amor,
Até hoje não descobri
Se o amigo é luz, estrela,
Ou perfume de flor.
Sei apenas, com precisão,
Que ele torna mais rica e mais bela
A vida se faz canção!

"Roque Schneider"


Quem sou eu

Salvador, Bahia, Brazil
Especialista em Turismo e Hospitalidade, Geógrafa, soteropolitana, professora.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Uma Abordagem Crítica da Geodinâmica do Espaço Habitado.

1- Introdução: Qual a finalidade do estudo geográfico no contexto atual da sociedade?
ESTUDAR GEOGRAFIA é a forma de compreendermos o mundo em que vivemos. Por meio desse estudo, podemos entender melhor tanto o local em que moramos - seja uma cidade, seja uma área rural - quanto o nosso país, assim como os demais países da superfície terrestre. O campo de preocupação da geografia é o espaço da sociedade humana, onde os homens e as mulheres vivem e, ao mesmo tempo produzem modificações que o (re) constroem permanentemente. Indústria, cidades, agricultura, rios, solos; climas, populações: todos esses elementos - além de outros constituem o espaço geográfico, isto é, o meio ou a realidade material onde a humanidade vive e do qual ela própria é parte integrante.
Tudo nesse espaço depende do ser humano e da natureza. Esta última é a fonte primeira de todo o mundo real. A água, a madeira, o petróleo, o ferro, o cimento e todas as outras coisas que existem nada mais são que aspectos da natureza. Mas o ser humano reelabora esses elementos naturais ao fabricar os plásticos a partir do petróleo, ao represar rios e construir usinas hidrelétricas, ao aterrar pântanos e edificar cidades, ao inventar velozes aviões para encurtar as distâncias. Assim, o espaço geográfico não é apenas o local de moradia da sociedade humana. mas principalmente uma realidade que é a cada momento (re) construída pela atividade do ser humano.
As modificações que a sociedade humana produz em seu espaço são hoje mais intensas que no passado. Tudo o que nos rodeia se transforma rapidamente. Com a interligação entre todas as partes do globo, com o desenvolvimento dos transportes e das comunicações, passa a existir um mundo cada vez mais unitário. Pode-se dizer que, em nosso planeta, há uma única sociedade humana, embora seja, uma sociedade plena de desigualdades e diversidades. Os "mundos" ou sociedades isoladas, que viviam sem manter relações como restante da humanidade cedeu lugar ao espaço global da sociedade moderna.
Na atualidade, não existe nenhum país que não dependa dos demais, seja para o suprimento de parte das suas necessidades materiais, seja, pela internacionalização da tecnologia, da arte, dos valores, da cultura afinal. Uma guerra civil, forte geadas com perdas agrícolas, a construção de um novo tipo de computador, a descoberta de enormes jazidas petrolíferas, enfim, um acontecimento importante que ocorra numa parte qualquer da superfície terrestre provoca repercussões em todo o conjunto do globo. Muito do que acontece em áreas distantes acaba nos afetando de uma forma ou de outra, mesmo que não tenhamos consciência disso. Não vivemos mais em aldeias relativamente independentes, como nossos antepassados longínquos, mas num mundo interdependente e no qual as transformações se sucedem numa velocidade acelerada.
Para nos posicionarmos inteligentemente em relação a este mundo temos de conhecê-lo bem. Para nele vivemos de forma consciente e crítica, devemos estudar os seus fundamentos, desvendar os seus mecanismos. Ser cidadão pleno em nossa época significa antes de tudo estar integrado criticamente na sociedade participando ativamente de suas transformações. Para isso, devemos refletir sobre o nosso mundo, compreendendo-o do âmbito local até os âmbitos nacional e planetário. E A GEOGRAFIA É UM INSTRUMENTO INDISPENSÁVEL PARA EMPREENDERMOS ESSA REFLEXÃO, REFLEXÃO QUE DEVE SER A BASE DE NOSSA ATUAÇÃO NO MUNDO. (VESENTINI, J. Willian)

2- Origem da Geografia
Considerada por alguns como uma das mais antigas disciplinas acadêmicas, a geografia surgiu na Antiga Grécia, sendo no começo chamada de história natural ou filosofia natural.
A tendência de separar ciências dos homens e da natureza, de certa forma atrapalhava as pretensões da geografia de se afirmar como um saber científico. A alternativa para garanti-la como o status científico, estava na síntese dos fenômenos naturais e humanos dados em uma determinada região (ou área, como alguns apontavam). Este impasse metodológico seria então resolvido a partir do momento em que a Geografia assumisse como seu objetivo o estudo de fenômenos diversos em uma determinada unidade espacial, que se configurava como ideal para se compreender a totalidade dos fenômenos, ou ainda, a pluralidade das coisas. Desta forma, a geografia garantia seu status de “ciência do singular”, e a perspectiva cronológica tornava-se o método ideal para tal finalidade, pois dava unidade à diversidade dos fenômenos estudados pela geografia. Assim, a esta ciência caberia o papel de localizar, definir, descrever e comparar lugares, abarcando fenômenos de origens distintas. Podemos perceber que a geografia tentou responder especialmente sobre onde estavam os fenômenos que lhes interessava. Feita esta primeira constatação, partia-se para o método da observação e descrição, e mais tarde para a comparação. O fundamento que ordenava esse pensamento foi chamado, num primeiro momento de corografia.
O termo corografia, que pode ser entendido como a descrição de regiões ou ainda escrita das regiões, foi amplamente utilizado entre os séculos XVII e XVIII, tendo em Varenius um dos principais responsáveis por sua divulgação. Ao usar este termo, Varenius pretendia reforçar, sobretudo, a característica de delimitar e descrever regiões individuais da Terra. Claramente não há também uma distinção entre o uso da palavra região ou área. O termo chòros, de origem grega, é usado por estes geógrafos como sinônimo de área, lugar, região, ou seja, uma unidade espacial qualquer. Assim, podemos notar que aquilo que interessava para eles era a descrição, o estudo, a análise de partes da superfície terrestre, que eles denominavam de diferentes formas.
O positivismo é uma linha teórica da sociologia, criada pelo francês Auguste Comte (1798-1857), que começou a atribuir fatores humanos nas explicações dos diversos assuntos, contrariando o primado da razão, da teologia e da metafísica. Para Comte, o método positivista consiste na observação dos fenômenos, subordinando a imaginação à observação.
Geografia é o estudo da superfície da Terra. Sua denominação procede dos vocábulos gregos geo ("Terra") e graphein ("escrever"). A superfície terrestre, que compreende a atmosfera, a litosfera, a hidrosfera e a biosfera, é o habitat, ou meio ambiente, em que podem viver os seres humanos.
A área habitável da superfície terrestre apresenta várias características, das quais uma das mais importantes é a complexa interação dos elementos físicos, biológicos e humanos, como relevo, clima, água, solo, vegetação, agricultura e urbanização. Outra característica é a grande variabilidade do ambiente de um lugar para outro, dos trópicos às frias regiões polares, de áridos desertos a úmidas florestas equatoriais, de vastas planícies a montanhas escarpadas, de superfícies geladas e desabitadas a metrópoles densamente povoadas. Outra característica ainda é a regularidade com que se registram determinados fenômenos, como os climáticos, o que permite generalizações sobre sua distribuição espacial. Os exemplos mais óbvios são as medidas de temperatura e precipitação, principais elementos climáticos para a agropecuária e outras atividades humanas. A geografia se preocupa particularmente com a localização espacial (especialmente a relação entre a sociedade e a terra, da mesma forma que a ecologia e afinidades), com a regionalização e com a distribuição das áreas. Pesquisa a respeito dos lugares onde as pessoas vivem, sobre a superfície da Terra e os fatores (ambientais, culturais, econômicos recursos naturais) que influem nessa distribuição. Tenta responder a questão e a possibilidade de reconhecer uma região sobre a qual vive uma população, meio de vida, cultura e relações que ocorrem entre os diferentes lugares.

3- Principais Geógrafos

3.1- Bernhardus Varenius: Uma importante figura da retomada dos estudos de geografia, cuja Geographia generalis (1650; Geografia geral) foi várias vezes revisada e permaneceu como principal obra de referência durante um século ou mais. Também era de Flandres o cartógrafo mais importante do século XVI, Gerardus Mercator (Gerard de Cremer), que criou um novo sistema de projeções, aprimorando os que usavam longitudes e latitudes.

3.2- James Cook: James Cook fixou novos padrões de precisão e técnica em navegação. Realizou viagens com fins científicos e, na segunda delas, a mais famosa, de 1772 a 1775, circunavegou o globo. Na França surgiu a primeira pesquisa topográfica detalhada de um grande país, levada a cabo entre os séculos XVII e XVIII por quatro gerações de astrônomos e pesquisadores da família Cassini. Em seu trabalho se baseou o Atlas nacional da França, publicado em 1791.

3.3- Alexander Von Humboldt: Como muitos que o antecederam, se propôs conhecer outras partes do mundo, mas acabou se distinguindo pela cuidadosa preparação que antecedia suas viagens, pelo alcance e precisão de suas observações. São de especial interesse seus estudos sobre os Andes (feitos durante uma viagem às Américas Central e do Sul, entre 1799 e 1804), em que pela primeira vez se fez uma descrição sistemática e inter-relacionada da altitude, temperatura, vegetação e agricultura em montanhas situadas em regiões de baixa latitude. Surgimento da geografia moderna. Humboldt lançou as bases da geografia moderna, com ênfase na observação direta e nas medições acuradas como base para leis gerais.

3.4- Immanuel Kant: Definiu satisfatoriamente o lugar da geografia entre as diferentes disciplinas: afirmou que a geografia lida com os fenômenos associados no espaço da mesma forma que a história lida com os fatos que ocorrem durante uma mesma época. Foi Kant que primeiro utilizou o termo "Geografia Física" e que relacionou a Geografia ao espaço e a Historia ao tempo. Tanto Kant quanto Humboldt lecionou geografia física e foram contemporâneos de Carl Ritter, que ocupou a primeira cadeira de geografia criada numa universidade moderna.
3.5- Ferdinand Paul Wilhelm, Barão de Richthofen, escreveu um monumental estudo de cinco volumes sobre a geografia chinesa e influenciou o desenvolvimento da metodologia geográfica na Alemanha e em outros países.

3.6- Friedrich Ratzel: Escreveu trabalhos pioneiros em geografia humana e política. Criador da antropogeografia, o geógrafo e etnógrafo alemão é autor do ensaio tido como ponto de partida da geopolítica, no qual introduziu o conceito de espaço vital. Posteriormente, essa noção foi distorcida pelo nazismo para justificar suas pretensões expansionistas. Apesar de admirar as concepções evolucionistas de Darwin e Haeckel, Ratzel criticou-as pelo mecanicismo. Expôs, em suas obras Anthropogeographie (1882-1891; Antropogeografia) e Politische Geographie (1897; Geografia política), os princípios de seu pensamento. Na primeira, desenvolveu a tese de uma relação causal entre as características do meio-ambiente natural e as realizações humanas. Na segunda, estabeleceu uma analogia biológica entre os mecanismos de contração e expansão dos países, ou seja, a tendência dos povos a limitarem ou ampliarem fronteiras segundo as necessidades de espaço vital (Lebensraum). Esse conceito, na interpretação do cientista político sueco Rudolf Kiellén, foi usado como justificativa para o expansionismo nazista do III Reich.

3.7- Paul Vidal de La Blache: Foi um dos principais responsáveis pelo surgimento da geografia moderna na França. Deve-se a ele a definição do campo da geografia regional, com ênfase no estudo de áreas pequenas e relativamente homogêneas. Foi o primeiro professor de geografia da Sorbonne e planejou uma obra monumental, que cobria a geografia regional em todo o mundo, mas não viveu o bastante para concluí-la. Géographie universelle (1927-1948) foi completada por seu aluno Lucien Gallois e é uma das mais bem-sucedidas publicações sobre o tema.

4- Desmistificando os paradigmas da Geografia
“A geografia é um saber, um saber difícil porque integrador do vertical e do horizontal, do natural e do social, do aleatório e do voluntário, do atual e do histórico e sobre a única interface da qual dispõe a humanidade” .

5- Divisão da Geografia (Para efeito didático)
Costuma-se dividir a Geografia, pelo menos para efeito didático, em dois grandes ramos, a Geografia Geral e a Geografia Regional. Muitos admitem que esta divisão é o resultado apenas da escala adotada, de vez que o geral se refere a grandes áreas - os continentes ou países de grande extensão - e o regional a pequenas áreas - as regiões. A Geografia Geral costuma ser dividida em dois grandes ramos, a Física e a Humana. A primeira estuda e analisa a ação dos fatores físicos e a segunda analisa e interpreta a ação dos fatores humanos.

5.1- Divisão da Geografia
A geografia pode ser dividida em dois ramos fundamentais:
A Geografia geral, que estuda os elementos humanos e físicos da Terra de maneira individual e a Geografia Regional, que estuda as regiões da Terra com o objetivo de entender ou definir suas particularidades.
No campo de estudo da Geografia Geral inclui-se a Geografia Física e a Geografia Humana.

5.1.1- A Geografia Física estuda as características naturais existentes na superfície terrestre. Suas principais categorias são:
Geomorfologia – estuda as formas da superfície da Terra.
Hidrografia – estuda as águas do Planeta.
Climatologia – estuda os climas.
Glaciologia – estuda as geleiras.
Biogeografia – estuda a distribuição dos seres vivos no espaço.
Geografia astronômica – estuda a superfície dos planetas.

5.1.2- A Geografia Humana estuda e descreve a interação entre a sociedade e o espaço. Suas principais categorias são:
Geografia econômica – estuda as atividades econômicas.
Geografia Social – estuda os fatos sociais e sua manifestação espacial.
Demografia – estuda a dinâmica populacional humana.
Geografia Política – estuda a interação política e territorial.
Geografia Cultural – estuda a distribuição das manifestações culturais.

5.2- Áreas Suportes da Geografia:
Cartografia
Geologia
Pedologia
Oceanografia
Meteorologia
Antropologia
Sociologia
Filosofia
Estatística

6- A Ciência Geográfica e seus princípios
Durante muito tempo dominou a ideia de que a Geografia era uma ciência que visava apenas dar aos estudantes um pouco de cultura geral, sem interesses pragmáticos. Quando se começou a utilizar o conhecimento geográfico de forma sistemática no planejamento e a se falar em geografia aplicada, houve cientistas que reagiram, achando que esta não era a função da Geografia. Esta ideia, porém, é falsa, de vez que a Geografia vem sendo utilizada, desde os primeiros tempos, com fins pragmáticos. Assim, ela foi utilizada pelos países europeus em sua expansão colonial, quando procuravam conhecer as várias regiões que desejavam conquistar para avaliar a rentabilidade das mesmas. E esta função, entregue no início do desenvolvimento da expansão capitalista (Séculos XVI, XVII e XVIII) a cronistas isolados (leia as obras dos cronistas do período colonial a respeito do Brasil e de suas possibilidades econômicas), foi transferida, no Século XIX, para as sociedades de geografia que financiavam e promoviam expedições de exploradores às regiões pouco conhecidas. Hoje ela é controlada pelo Estado, através dos serviços de informação. A Geografia tem sido utilizada ainda para organizar a exploração do espaço e contribuir para obras de transformação do meio natural, tornando-o mais acessível à exploração agrícola ou mineral, bem como para orientar os problemas estratégicos e as formas de conduzir a guerra. Vários problemas espaciais, como o de fronteiras políticas, de delimitação de áreas de influência econômica dos centros polarizadores ou de distribuição pelo espaço geográfico, de povos e nações, têm sido objeto de estudo e de participação de geógrafos. Mais modernamente, eles têm dado a sua colaboração também nos estudos e planejamentos dos órgãos estatais e das grandes empresas transnacionais. As Forças Armadas dos mais diversos países têm sempre um serviço geográfico, com preocupações ligadas, sobretudo à Cartografia, a informações, à geopolítica é à geoestratégia.

7- Princípios
Desde a segunda metade do século passado até os primeiros anos do Século XX, consolidou-se a ideia de que o método geográfico e baseava nos cinco princípios enunciados por eminentes mestres alemães, como Alexandre Humboldt, Karl Ritter, Frederico Ratzel - os fundadores da geografia científica - e pelo não menos ilustre geógrafo Jean Brunhes. Assim, em um trabalho de pesquisa geográfica devia o estudioso aplicar, sucessivamente, os seguintes princípios:

7.1- Princípio da Extensão: enunciado por Frederico Ratzel, segundo o qual o geógrafo, ao estudar um dos fatores geográficos ou uma área, deveria, inicialmente, procurar localiza-la e estabelecer os seus limites, usando os mapas disponíveis e o conhecimento direto da área;

7.2- Princípio da Analogia ou da Geografia Geral: enunciado por Karl Ritter, segundo o qual, delimitado e observado uma área em estudo, deveria ser a mesma comparada com o que se observa em outras áreas, estabelecendo as semelhanças e as diferenças existentes;

7.3- Princípio da Causalidade: enunciado por Alexandre Humboldt, segundo o qual, observado os
fatos, se deverão procurar as causas que o determinaram, estabelecendo relações de causa e efeito;

7.4- Princípio da Conexidade ou Interação: enunciado por Jean Brunhes, onde ele chamava a atenção para o fato de que os fatores físicos e humanos, ao elaborarem as paisagens, não agiram separados e independentemente, havendo uma interpenetração na ação dos vários fatores físicos entre si, e ainda dos dois grandes grupos de fatores. Na elaboração das paisagens, nenhum dos fatores físicos ou humanos age isoladamente; a ação é sempre feita de forma integrada com outros fatores;

7.5- Princípio da Atividade: também enunciado por Jean Brunhes, no qual o mestre francês assinala o caráter dinâmico do fato geográfico, de vez que o espaço está em perpétua reorganização, em constante transformação, graças à ação ininterrupta dos vários fatores.

8- Termos que permitem uma concepção de mundo que engloba as transformações e a dinâmica da sociedade

8.1- Primeira Natureza: A primeira natureza é a natureza que não passou pela transformação do homem. Atualmente já não temos mais a primeira natureza, na verdade não há lugar algum no mundo, hoje, que não tenha passado pelas transformações das mãos do homem.

8.2- Segunda Natureza: A segunda natureza é essa natureza que conhecemos hoje, é a natureza que se transformou com as mãos do homem.

8.3- Espaço Geográfico: O Espaço geográfico é o palco das realizações humanas, no entanto, abriga todas as partes do planeta possíveis de serem analisadas, catalogadas e classificadas pelas inúmeras especialidades da ciência geográfica. Que se refere a muitos espaços, como por exemplo, todo o espaço físico, ruas, casas, etc. O espaço geográfico foi criado para calcular longitudes e latitudes da terra. Em geral, o espaço geográfico é o espaço ocupado e organizado pelas sociedades humanas. Ele é poligênico - sendo que para seu entendimento é necessário o estudo de todo o processo histórico de sua formação. Espaço geográfico é o espaço concreto ou físico inserido na interface "litosfera-hidrosfera-atmosfera". É o espaço de todos os seres vivos, não só o espaço do homem. O espaço geográfico foi formado a 4,5 bilhões de anos quando a Terra foi formada. De lá para cá houve mudanças profundas na sua estrutura, composição química e na paisagem geográfica. Oceanos apareceram, oxigênio ficou abundante, devido o papel das algas e plantas superiores. Quando o homem surgiu na Terra ele já estava formado. Com o tempo a humanidade começou a modifica-lo através da tecnologia.

8.4- Paisagem: A paisagem é considerada, pela maioria das correntes do pensamento geográfico, um conceito-chave da Geografia. O termo paisagem é polissêmico, ou seja, pode ser utilizado de diferentes maneiras e por várias ciências. Essa categoria geográfica consiste em tudo aquilo que é perceptível através de nossos sentidos (visão, olfato, tato e audição), no entanto, a análise da paisagem é mais eficaz através da visão. Nesse sentido, a Geografia moderna, que priorizava os estudos dos lugares e das regiões, utilizou-se da fisionomia dos lugares para atingir êxito em suas abordagens geográficas, observando as transformações no espaço geográfico em decorrência das atividades humanas na natureza. A paisagem é formada por diferentes elementos que podem ser de domínio natural, humano, social, cultural ou econômico e que se articulam uns com os outros. A paisagem está em constante processo de modificação, sendo adaptada conforme as atividades humanas. Para Oliver Dolfuss, geógrafo francês, as paisagens são fruto da ação humana no espaço e as classifica em três grandes famílias, em função das modalidades da intervenção humana:
- Paisagem natural: não foi submetida à ação do homem.
- Paisagem modificada: é fruto da ação das coletividades de caçadores e de coletores que, mesmo não exercendo atividades pastoris ou agrícolas, em seus constantes deslocamentos, pode modificar a paisagem de modo irreversível, através do fogo, derrubadas de árvores etc.
- Paisagens organizadas: são aquelas que representam o resultado de uma ação consciente, combinada e contínua sobre o meio natural, como, por exemplo, as cidades, praças etc.
A paisagem é um dos objetos de análise da Geografia, sendo constituída através das relações do homem com o espaço natural. Sua observação é muito importante, pois retrata as relações sociais estabelecidas em um determinado local, onde cada observador seleciona as imagens que achar mais relevante, portanto, diferentes pessoas enxergam diferentes paisagens.

8.5- Lugar: Lugar é uma parte do espaço geográfico onde vivemos e interagimos com uma paisagem. Mas o conceito de lugar recebe várias definições na geografia, a depender da tendência de pensamento geográfico considerada. A geografia humanista foi a primeira vertente da geografia a fazer uso da palavra lugar como um conceito científico. De fato, esse foi um dos conceitos fundamentais para os propósitos dessa corrente, interessada em pesquisar as relações subjetivas do homem com o espaço e o ambiente. Os geógrafos humanistas destacam a importância de estudar o cotidiano como forma de compreender os valores e atitudes que as pessoas comuns elaboram a respeito do espaço e do ambiente em que vivem. O conceito de lugar é apropriado para esse tipo de pesquisa por dizer respeito aos espaços vivenciados pelas pessoas em suas atividades cotidianas de trabalho, lazer, estudo, convivência familiar, etc. Por esse motivo, a geografia existe. Ele tem, portanto, o mesmo conteúdo que os fenomenologistas atribuem ao conceito de mundo, isto é, o conjunto das vivências individuais e subjetivas dos sujeitos; “aquilo que em primeiro lugar aparece à consciência”.

8.6- Território: O território é considerado pela maioria das correntes do pensamento geográfico, um conceito-chave da Geografia. Contudo, sua análise não é exclusiva da Geografia, sendo, portanto, abordado por outras ciências, o que o torna um termo polissêmico. Na análise do território, os aspectos geológicos, geomorfológicos, hidrográficos e recursos naturais, por exemplo, ficam em segundo plano, visto que sua abordagem privilegia as relações de poder estabelecidas no espaço. A concepção mais comum de território (na ciência geográfica) é a de uma divisão administrativa. Através de relações de poder, são criadas fronteiras entre países, regiões, estados, municípios, bairros e até mesmo áreas de influência de um determinado grupo. Para Friedrich Ratzel, o território representa uma porção do espaço terrestre identificada pela posse, sendo uma área de domínio de uma comunidade ou Estado. Nesse sentido, o conceito de território abrange mais que o Estado-Nação. Qualquer espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder se caracteriza como território. O território não se restringe somente às fronteiras entre diferentes países, sendo caracterizado pela ideia de posse, domínio e poder, correspondendo ao espaço geográfico socializado, apropriado para os seus habitantes, independentemente da extensão territorial.

8.7- Tempo histórico e Tempo geológico: Considera-se tempo geológico aquele transcorrido através de fenômenos naturais desde a formação da Terra até os dias de hoje, o tempo histórico se inicia com o surgimento dos primeiros ancestrais do ser humano e é muito curto em comparação com o tempo geológico.
O tempo geológico tem início com a formação da Terra, há cerca de 4,5 bilhões de anos. Durante esse tempo muitas mudanças ocorreram no nosso planeta, continentes se formaram, surgiram e desapareceram oceanos, o clima se modificou, surgiram e desapareceram várias espécies de animais, etc. As mudanças no decorrer do tempo geológico normalmente não são perceptíveis para algumas gerações de seres humanos, sabemos delas através de evidências científicas. Dentro desse tempo, também temos ocorrências relativamente recentes como o surgimento das grandes montanhas (Andes, Himalaia, Alpes, etc.) e a extinção dos dinossauros. Outros eventos são antigos, como a formação das primeiras rochas e o surgimento dos oceanos.
O tempo histórico se inicia por volta de dois milhões de anos quando apareceram os primeiros ancestrais do ser humano. É o tempo no qual os seres humanos, podemos dizer assim, deixou  marcas. Ele é muito recente se comparado ao tempo geológico, o ser humano não assistiu grandes alterações no planeta Terra, do ponto de vista geológico. Pois quando ele surgiu à configuração geológica do planeta era praticamente a mesma.

8.8- Estado: refere-se ao conjunto de instituições que regulam e de apoio que têm soberania ao longo de um território definido e população. É um país politicamente organizado, sendo composto pelo território, governo e povo.

8.9- Nação: denota um povo que acredita-se que a partilha ou considerados aduaneira comum, origens e história. No entanto, os adjetivos nacional e internacional também se referem a questões relacionadas ao que é estritamente Estado, como na capital nacional, o direito internacional.

8.10- Povo: Do ponto de vista do Direito Constitucional moderno (a partir do século XVIII), o povo é o conjunto dos cidadãos de um país, ou seja, as pessoas que estão vinculadas a um determinado regime jurídico, a um estado. Um povo está normalmente associado a uma nação e pode ser constituído por diferentes etnias. Na linguagem vulgar, a palavra povo pode referir-se à população de uma cidade ou região, a uma comunidade ou a uma família; também é utilizada para designar uma povoação, geralmente pequena.

8.11- Pátria: é o país ou estado em que a pessoa nasceu (terra natal) e que faz parte como cidadão.

8.12- Soberania: Relaciona-se à autoridade suprema, geralmente no âmbito do país. É o direito exclusivo de uma autoridade suprema sobre um grupo de pessoas — geralmente uma nação.

8.13- Fronteiras: é o limite entre duas partes distintas, por exemplo, dois países, dois estados, dois municípios. As fronteiras representam muito mais do que uma mera divisão e unificação dos pontos diversos. Elas determinam também a área territorial precisa de um Estado, a sua base física.
As fronteiras podem ser naturais a, geométricas ou arbitrárias; sendo delimitações territoriais e políticas que, através da proteção que garante aos seus estados, representa a autonomia e a soberania desses perante os outros.

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