Geografia da Amizade

Geografia da Amizade

Amizade...Amor:
Uma gota suave que tomba
No cálice da vida
Para diminuir seu amargor...
Amizade é um rasto de Deus
Nas praias dos homens;
Um lampejo do eterno
Riscando as trevas do tempo.
Sem o calor humano do amigo
A vida seria um deserto.
Amigo é alguém sempre perto,
Alguém presente,
Mesmo, quando longe, geograficamente.
Amigo é uma Segunda eucaristia,
Um Deus-conosco, bem gente,
Não em fragmentos de pão,
Mas no mistério de dois corações
Permutando sintonia
Num dueto de gratidão.
Na geografia
da amizade,
Do amor,
Até hoje não descobri
Se o amigo é luz, estrela,
Ou perfume de flor.
Sei apenas, com precisão,
Que ele torna mais rica e mais bela
A vida se faz canção!

"Roque Schneider"


Quem sou eu

Salvador, Bahia, Brazil
Especialista em Turismo e Hospitalidade, Geógrafa, soteropolitana, professora.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Contexto Histórico e Geopolítico do Mundo Atual

1- Introdução: A geopolítica estuda as relações entre espaço geográfico e poder. O termo foi utilizado pela primeira vez por Rudolf Kjellen no início do século XX, quando se consolidou como campo de estudo, com base na disputa de poder e da hegemonia entre Estados, através das estratégias políticas e militares utilizadas para a segurança nacional, expansão das fronteiras e domínio de outros territórios. A geopolítica global surgiu com o mundo moderno, a formação dos Estados nacionais europeus, a expansão mercantilista e as conquistas territoriais marcadas pelas grandes navegações.

1.2. O SÉCULO XX
O século XX foi marcado por grandes contrastes. As guerras mundiais, a bomba atômica e as armas sofisticadas e modernas. Ao mesmo tempo o desenvolvimento médico-científico, com a descoberta da penicilina, do antibiótico as diversas vacinas acabou também contribuindo para a longevidade humana.
Nesse século o espaço geográfico sofreu grandes modificações com a formação de cidades gigantescas, construções de usinas, estradas, redes de comunicação dentre outras realizações, o que acabou causando grandes impactos ambientais.
Historicamente a Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918) está entre um dos principais fatos que marcaram o início do século XX. A Primeira Guerra Mundial relaciona-se diretamente às disputas imperialistas.
A Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945) teve proporções maiores que a primeira, além de influenciar na indústria armamentista.

1.3. O IMPERIALISMO E A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL.
Nas três últimas décadas do século XIX, as potências industriais (Grã-Bretanha, França, Bélgica, Holanda e EUA) dominaram o mundo.
A Grã-Bretanha e França dominaram a Ásia e parte do território africano. A Bélgica, Holanda e EUA, também estenderam seus domínios em diferentes partes do mundo, a Bélgica apossou-se da atual Indonésia, a Bélgica da atual República Democrática do Congo e os EUA a América e tomaram da Espanha as Filipinas, Porto Rico e Cuba. Esses domínios eram necessários para que essa potências pudessem desenvolver suas industrias, pois precisavam de matérias-primas.
Nessa época esses países aumentaram seus controles sobre as colônias já existentes  e conquistaram novas colônias também, daí essa fase acabou ficando conhecida como imperialismo ou neocolonialismo.
Esse neocolonialismo representou uma nova divisão econômica e politica no mundo, que resultou na partilha da Ásia e África entre as potências europeias.
O Continente africano por exemplo foi dividido como uma “colcha de retalhos”, o aprofundamento das rivalidades levou a formação de alianças militares o que acabou dividindo a Europa  em dois blocos: de um lado tínhamos a Tríplice Aliança, formada por Itália, Alemanha e a Áustria-Hungria e do outro lado estava a Tríplice Entente, formada pela Grã-Bretanha, França e Rússia.
Nesse período o sudeste da Europa era palco de grandes disputas e em 1914 o arquiduque austro-húngaro Francisco Ferdinando foi assassinado na capital da Bósnia por um estudante sérvio e isso acabou sendo visto como uma agressão sérvia ao império Austro-Húngaro o que serviu como estopim para o início da Primeira Guerra Mundial.
A Tríplice Aliança com apoio da Turquia e da Bulgária opuseram-se a Tríplice Entente, onde num primeiro momento a Itália declarou-se neutra, porém num segundo momento essa mesma Itália aliou-se ao Japão junto a Tríplice Entente e acabou lutando contra seus ex-aliados da Tríplice Aliança.
A Primeira Guerra Mundial transformou o espaço geográfico mundial e os países europeus devido a grandes destruições sofridas acabaram dependendo economicamente dos EUA.
Só por volta de 1917 os EUA que já era uma grande potência econômica declaram guerra a Alemanha e entram no conflito. Em julho de 1918 as tropas da França, Grã-Bretanha e EUA realizaram uma investida decisiva e meses depois a Alemanha se rende.

1.4. O TRATADO DE VERSALHES
Vários acordos de paz foram assinados pelos países derrotados na Primeira Guerra Mundial, o que acabou provocando grandes modificações no mapa político da Europa.
A Alemanha rendida ao final do conflito, foi quem mais sofreu as punições do Tratado de Paz de Versalhes, pois a mesma teve que pagar indenizações de Guerra, foram confiscados seus bens nacionais ou privados existentes no exterior, tiveram que renunciar a todas suas colônias, além da perda da sétima parte do seu território para outras nações europeias e a limitação das suas forças armadas.

1.5. A LIGA DAS NAÇÕES X ONU
Após a Primeira Guerra Mundial foi criada a Liga das Nações, cujo princípio era assegurar a Paz internacional, onde posteriormente esse organismo após a Segunda Guerra Mundial acabou se transformando no que hoje conhecemos como a ONU (Organização das Nações Unidas).

1.6. O SOCIALISMO A AS TRANSFORMAÇÕES DO ESPAÇO GEOGRÁFICO
Ainda durante a Primeira Guerra Mundial, por volta de 1917 ocorreu na Rússia a Revolução Socialista, onde foi implantado uma concepção econômica com repercussões radicais na forma de organização do espaço geográfico, houve modificações no regime de propriedade, nas formas de produção e comercialização de mercadorias e novas relações de poder foram definidas.
No final de 1922 foi formada a URSS (União das Repúblicas  Socialistas Soviéticas), no território do império Russo.
Entre 1917 e 1921 um grupo político denominado de BOLCHEVIQUES, liderado por Lenin, adotou uma politica econômica baseada na propriedade estatal socialista (industrias, bancos, minas e grande comércio) e a propriedade privada (fazendas e pequenos estabelecimentos comerciais e industriais), o que ficou conhecido como NEP (Nova Politica Econômica) , que durou de 1921 a 1928.
NEP é a sigla para Nova Política Econômica e foi a política econômica seguida na União Soviética após o fim do comunismo na guerra de 1921 e com a ascensão ao poder de Stalin, em 1928. A NEP era baseada nas pequenas explorações agrícolas, industriais e comerciais à iniciativa privada, para fazer com que União Soviética saísse da crise em que se encontrava.
A Nova Política Econômica recuperou alguns traços de capitalismo para incentivar a nascente economia soviética. A NEP, segundo Lenin, consistia num recuo tático, caracterizado pelo restabelecimento da livre iniciativa e da pequena propriedade privada, admitindo o apoio de financiamentos estrangeiros. Lenin disse "Um passo atrás para dar dois à frente".
A partir de 1928, efetivou-se a planificação da economia, com o sistema de produção e a organização do espaço geográfico definidos pelo Estado. A Comissão do Plano Geral do Estado (Gosplan) promoveu a total estatização dos meios de produção, implantando cooperativas agrícolas e fazendas estatais. O Estado determinava as metas a serem alcançadas e o tipo de produção de cada estabelecimento, distribuía e comercializava os produtos e investia em grandes obras de infraestrutura.
A planificação da produção industrial privilegiou a indústria de base, favorecida pela vasta extensão territorial e a abundância de recursos minerais da URSS. O objetivo era eliminar, ou diminuir ao máximo, a importação de equipamentos e matérias-primas industriais.
No final da década de 1930, quando a indústria de base soviética atingiu um elevado nível de produção, o governo da URSS privilegiou os investimentos em pesquisa e produção de armamentos. Isso se deu por dois motivos: a deflagração da Segunda Guerra Mundial, em 1939, e a política expansionista soviética, visando ampliar sua influência político-econômica sobre outros países. Essa política de investimentos foi mantida mesmo após o término da Segunda Guerra Mundial, em virtude de outros desdobramentos do conflito.

1.6.1- Socialismo
Socialismo Propostas socialistas, discutidas na Europa desde o século XVII, ganharam impulso a partir do século XIX com as ideias desenvolvidas por Friedrich Engels e Karl Marx, precursores do "socialismo científico" em oposição ao "socialismo utópico". Embora muitas vezes usados como sinônimos, há distinção entre socialismo e comunismo. O socialismo consistiria numa fase de transição entre a sociedade capitalista e a comunista. Nessa etapa, todos os princípios da sociedade capitalista deveriam ser abolidos, e o Estado seria controlado pelo proletariado. A existência do Estado seria justificada pela necessidade de destruir as marcas deixadas pelo capitalismo e defender os trabalhadores daqueles que tivessem interesse na voltado sistema capitalista. O comunismo seria a fase final e ideal, em que o ser humano realizaria suas potencialidades nos planos individual e social. Na sociedade comunista, o Estado deixaria de existir. Marx afirmava que o Estado e suas instituições eram um instrumento de dominação de uma classe social sobre as outras, que não teria lugar num sistema comunista. No entanto, no "socialismo real", como ficou conhecido o sistema implantado na extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e em outros países, o Estado tornou-se extremamente forte, e o proletariado não assumiu o poder.

1.7- A Grande Crise do Capitalismo
Na segunda metade do século XIX, o sistema capitalista ampliou a produção numa proporção muitas vezes maior que a capacidade de consumo dos países industrializados. A busca de novos mercados e fontes de matéria-prima tornou-se indispensável à sustentação dessa nova etapa produtiva. Ingleses, alemães, franceses, belgas, norte--americanos e japoneses impuseram sua força industrial, submetendo vários países do mundo a um controle imperial nunca antes conhecido. Os investimentos nessa nova etapa de produção industrial e a extensão do mercado internacional que se pretendia atingir não podiam mais ser realizados por um único empresário. Foram criadas então as sociedades anônimas e consolidaram-se os mercados decapitais, nos quais todos podiam investir numa empresa por meio da compra de ações. Com a venda de ações, as empresas ampliaram sua capacidade financeira e, consequentemente, tornaram-se mais fortes, competitivas e elevaram a sua capacidade de produção.

1.7.1- A crise de 1929
No início do século XX, a Bolsa de Valores de Nova York era o principal centro internacional de investimentos. O volume de negócios ali realizados diariamente sugeria que nada mais poderia deter o ritmo desenfreado do desenvolvimento capitalista. Mas o capital investido na produção não foi acompanhado pelo crescimento do mercado de consumo. O descompasso entre superprodução e consumidores com capacidade para -absorvê-la ocasionou a grande crise de 1929. As fábricas, não tendo como vender grande parte de suas mercadorias, reduziram drasticamente suas atividades; a produção agrícola, também excessiva, não encontrava compradores; o comércio inviabilizou-se. Nesse contexto, houve um processo de falência generalizada, e muitos trabalhadores perderam seus empregos, retraindo ainda mais o mercado de consumo. Aqueles que viviam exclusivamente dos investimentos no mercado de capitais, particularmente da compra e venda de ações, viram o valor de seus títulos despencar, transformando-se em papéis sem valor. A crise iniciada em Nova York afetou rapidamente o mundo todo. Os países produtores de matérias-primas e alimentos, que dependiam economicamente das exportações para os países industrializados, não encontravam compradores para seus produtos e entraram em colapso. O Brasil, que nesse período ancorava sua economia na produção e exportação quase exclusivamente do café, foi profundamente abalado pelos efeitos mundiais da crise.

1.7.2- O New Deal
O período subsequente à crise de 1929, conhecido como a Grande Depressão, obrigou os países a se reorganizarem economicamente. Como a superprodução havia sido a principal razão da crise, os países industrializados tomaram duas medidas básicas para resolver o problema:
• participação mais efetiva do Estado no planejamento das atividades econômicas, tendo em vista, entre outros objetivos, a adequação entre a quantidade de mercadorias produzidas e a demanda do mercado;
• aprimoramento da distribuição da renda, dando melhores condições financeiras aos trabalhadores, com o objetivo de ampliar o mercado de consumo. Partindo dessas iniciativas básicas, os Estados Unidos conseguiram contornar os efeitos da crise com mais eficiência e rapidez. Com a criação de um amplo programa de obras públicas, o governo do presidente Franklin Roosevelt (1933-1945) conseguiu aos poucos amenizar o desemprego e manter a economia relativamente aquecida. O New Deal (Novo Acordo), como ficou conhecido o programa de recuperação econômica implantado por Roosevelt, era inspirado nas teorias do economista John Maynard Keynes (1883-1946). Para Keynes, o Estado não poderia se limitar a regular as questões de ordem socioeconômica e política, mas deveria ser também um planejador, que daria as diretrizes, fixaria as metas e estimularia determinados setores da economia. Keynes não acreditava na autorregulação do mercado, pois a crise de 1929 tinha mostrado sua impossibilidade. O New Deal respeitava a iniciativa privada e as leis de mercado, mas acreditava que alguns setores da economia deveriam contar com a intervenção do Estado, principalmente os relacionados a infraestrutura. As ideias de Keynes atravessaram o Atlântico e foram implementadas também em vários países da Europa, que já haviam retomado o desenvolvimento no final da década de 1930. Entretanto, em 1939,eclodiu a Segunda Guerra Mundial, demolindo todas as bases econômicas reconstruídas no continente europeu.

1.8- A Segunda Guerra Mundial

As condições objetivas para a deflagração de um novo conflito já existiam desde o final da Primeira Guerra Mundial. Os acordos pós-guerra e importantes acontecimentos no período entre guerras criaram instabilidade permanente no continente europeu: a consolidação da Revolução Socialista na Rússia e a formação da URSS; a paz "forçada" obtida pelo Tratado de Versalhes, que minou a economia alemã, fragmentou seu território e disseminou forte sentimento nacionalista; e a crise de 1929. Em 1933, na Alemanha, Adolf Hitler conquistou o cargo de chanceler. Em pouco tempo, suprimiu os partidos de esquerda e os sindicatos, instaurou uma férrea censura aos meios de comunicação e rompeu com as cláusulas impostas pelo Tratado de Versalhes. Dessa forma, Hitler contestou a ordem mundial definida após a Primeira Guerra e formou, com a Itália e o Japão, uma nova aliança militar: o Eixo. De acordo com a concepção geopolítica de Hitler, a Alemanha necessitava de espaço vital para a promoção de seu desenvolvimento econômico. Com isso, justificava a retomada dos territórios perdidos após a Primeira Guerra e a expansão, sem limites, da área de influência alemã. Para alcançar seus objetivos, Hitler formou um exército forte e numeroso e investiu maciçamente na indústria de armamentos. Em 1938, a Alemanha ocupou a Áustria e, em 1939, a Tchecoslováquia. Quando, em setembro de 1939, a Polônia foi invadida pelo exército alemão, a França e a Grã-Bretanha (que formaram uma força militar oposta ao Eixo, a dos Aliados) declararam guerra à Alemanha.
A invasão da Polônia pela Alemanha foi precedida de um acordo de não agressão com a Rússia, o Pacto Germano Soviético. Hitler temia iniciar a guerra em duas frentes e, por meio desse acordo, conseguiu neutralizar o potencial inimigo da frente oriental. O tratado autorizou também a ocupação de parte das terras polonesas pelos soviéticos, além da Finlândia e de outros países do Leste Europeu. As ações empreendidas pela máquina de guerra alemã foram fulminantes. Em menos de um ano, a Alemanha já havia ocupado Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Dinamarca, Noruega e a maior parte da França.
As forças do Eixo tiveram significativo avanço nos dois primeiros anos de guerra. A Itália invadiu a Albânia e a Somália, e o Japão invadiu a Malásia, Cingapura, as Filipinas e outras regiões dominadas pelo império colonial dos Aliados. A guerra também se estendeu à China e ao norte da África, ganhando uma dimensão geográfica nunca vista em conflitos anteriores. No final de 1941, os Estados Unidos e a União Soviética entraram na guerra ao lado das tropas aliadas .A participação desses dois países no conflito mostrou-se decisiva para a derrota dos países do Eixo, que, nos últimos anos de guerra, tiveram de recuar e abandonar boa parte dos territórios invadidos no início do conflito .Em 1943, a Itália assinou um acordo de paz com as tropas aliadas. Em maio de 1945, quando o exército soviético invadiu Berlim, a Alemanha se rendeu incondicionalmente. Apesar de o Japão ainda resistir, sua rendição seria inevitável, pois a marinha japonesa já tinha sido praticamente destruída. Em agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram duas bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, numa demonstração indiscutível de seu poderio militar. Esse fato assinalou o fim da Segunda Guerra Mundial. Terminada a guerra, a Europa e vários países de outros continentes estavam economicamente arrasados, com cidades destruídas e a produção industrial e agrícola totalmente desorganizada. As duas guerras mundiais colocaram fim à hegemonia europeia. No período posterior à Segunda Guerra, uma nova ordem mundial começou a ser estruturada sob a liderança de duas grandes potências militares que emergiam: os Estados Unidos e a União Soviética. A nova divisão política da Europa foi a primeira expressão dessa nova ordem mundial. Os países europeus acabaram dominados pela influência das duas potências emergentes: na porção oeste, prevaleceram os Estados Unidos, com o sistema econômico capitalista; na porção leste, predominou a União Soviética, com o socialismo.

1.9- A ordem mundial pós-Segunda Guerra
Terminada a Segunda Guerra Mundial, os dois grandes vitoriosos, Estados Unidos e União Soviética, acirraram a disputa pela hegemonia mundial, originando importantes acontecimentos e fortes tensões mundiais em quase toda a segunda metade do século XX. A aliança de guerra da URSS com os Estados Unidos e as demais potências europeias só havia sido conquistada em razão da luta contra um inimigo comum: a Alemanha nazista de Adolf Hitler. Ao final do conflito, os dois países voltaram cada um para o seu lado. A vitória da União Soviética lhe custou sacrifícios incalculáveis e as maiores perdas humanas entre todos os países envolvidos no conflito'. Para compensar, tentou tirar vantagem da vitória. Os soviéticos conquistaram vasta extensão territorial de países situados no leste da Europa, como Estônia, Letônia, Lituânia, leste da Polônia, parte da Finlândia e da Romênia. Além disso, dominaram quase todos os países da região, determinando os seus governantes, implantando o sistema econômico socialista e transformando esses países em satélites.
O exército soviético, após ter conquistado Berlim e imposto uma derrota definitiva à Alemanha, saqueou o território inimigo. Retirou máquinas, equipamentos industriais e agrícolas, trilhos de ferrovias e aparelhos de escritório, instalando-os em seu território e recompondo, assim, parte da infraestrutura perdida.
Após a rendição do Japão, em agosto de 1945, que significou o fim do conflito mundial, os Estados Unidos suspenderam toda a ajuda financeira dada durante a guerra à União Soviética2, impedindo o plano de reconstrução do país. Pouco tempo depois, suspenderam as exportações de máquinas, ferramentas e outros materiais estratégicos para a recuperação da economia soviética.
Os Estados Unidos, que já vinham apresentando crescimento econômico acelerado desde a segunda metade do século XIX, transformaram-se na maior potência industrial e agrícola do planeta, detentora dos maiores recursos financeiros e de grande parte das reservas de ouro (em 1948, 72% de todo o ouro existente no mundo estavam nos cofres americanos).
Após a Segunda Guerra Mundial, o American way of life voltou à tona, estimulado pelo grande boom de consumo de produtos, como automóvel, rádio, televisor, enceradeira, máquina de lavar, aspirador de pó, batedeira elétrica e liquidificador. A compra a crédito era estimulada para satisfazer o consumismo instigado pelas novas "maravilhas" do mundo das mercadorias. Criadas pelas indústrias e financiadas pelas instituições financeiras, essas mercadorias eram agora acessíveis à classe média norte-americana. A sociedade de consumo passou a ser uma meta em si mesma e a simbolizar e se confundir com valores como bem-estar, prosperidade, liberdade e qualidade de vida. Nesse contexto, os Estados Unidos precisavam ampliar o comércio mundial de suas mercadorias para escoar os excedentes. Para isso, era necessário fortalecer o capitalismo mundial. Dependiam, portanto, da reconstrução da estrutura produtiva e da infraestrutura dos países europeus afetados pela guerra para impedir que os ideais socialistas e a influência da URSS avançassem sobre o restante da Europa.

Ao final da Segunda Guerra, representantes do Reino Unido (Churchill), EUA (Roosevelt)e URSS (Stalin) estabeleceram um novo mapa geopolítico da Europa. As decisões tomadas na ocasião, como a partilha de território entre vencedores do conflito, tiveram efeitos diretos e duradouros sobre povos de diversas nações. Na foto, os governantes citados durante a Conferência de Yalta, 1945.

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