Geografia da Amizade

Geografia da Amizade

Amizade...Amor:
Uma gota suave que tomba
No cálice da vida
Para diminuir seu amargor...
Amizade é um rasto de Deus
Nas praias dos homens;
Um lampejo do eterno
Riscando as trevas do tempo.
Sem o calor humano do amigo
A vida seria um deserto.
Amigo é alguém sempre perto,
Alguém presente,
Mesmo, quando longe, geograficamente.
Amigo é uma Segunda eucaristia,
Um Deus-conosco, bem gente,
Não em fragmentos de pão,
Mas no mistério de dois corações
Permutando sintonia
Num dueto de gratidão.
Na geografia
da amizade,
Do amor,
Até hoje não descobri
Se o amigo é luz, estrela,
Ou perfume de flor.
Sei apenas, com precisão,
Que ele torna mais rica e mais bela
A vida se faz canção!

"Roque Schneider"



Quem sou eu

Salvador, Bahia, Brazil
Especialista em Turismo e Hospitalidade, Geógrafa, soteropolitana, professora.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Energia no mundo atual, Fontes alternativas e Energia no Brasil.

2. Introdução:
Neste conteúdo falaremos sobre a questão da energia elétrica no mundo atual, dentro deste tema os assuntos abordados serão consumo energético e seus desafios, energia e desenvolvimento, petróleo, gás natural, carvão mineral, energia nuclear e hidrelétrica.

2.1- Consumo de energia e seus desafios.
O grau de desenvolvimento econômico de um país tem relação direta com o consumo de energia. Até a primeira metade do século XX, existia muita energia disponível, o petróleo era uma fonte barata e não havia a consciência coletiva sobre os impactos ambientais decorrentes da sua utilização em grande escala.
A elevação do numero de automóveis em circulação, aspecto marcante das sociedades que se industrializam, também levou à queima de maior volume de combustíveis fosseis. Assim, nas ultimas décadas, a disponibilidade de energia no planeta alterou-se consideravelmente, e a questão ambiental passou a ser um tema relevante.
Os combustíveis fósseis representam cerca de 80% da matriz energética mundial. A substituição de fontes de energia não renováveis, como os combustíveis fósseis, por outras renováveis e que não emitam gases estufa é essencial ao combate dos efeitos degradantes e nocivos  do aquecimento global. A ampliação dos recursos energéticos é um dos principais desafios das sociedades contemporâneas

2.2- Como classificar as fontes de energia?
Inúmeras são as fontes de energia disponíveis no nosso planeta, sendo que essas fontes se dividem em dois tipos, as fontes de energia renováveis e as não renováveis.
As fontes de energia renováveis são aquelas em que a sua utilização e uso é renovável e pode-se manter e ser aproveitado ao longo do tempo sem possibilidade de esgotamento dessa mesma fonte, exemplos deste tipo de fonte é a energia eólica e solar.
Por outro lado as fontes de energias não renováveis têm recursos teoricamente limitados, sendo que esse limite depende dos recursos existentes no nosso planeta, como é o exemplo dos combustíveis fósseis.
Existem vários tipos de energias renováveis, e cada vez mais, com o constante desenvolvimento das tecnologias e inovações, se descobrem novas formas de produção de energia eléctrica utilizando como fonte os fenômenos e recursos naturais, como é exemplo da recente inovação na criação de um hidrogerador cujo princípio é semelhante ao de um aerogerador, diferindo no fato de o movimento das pás serem provocado pelas correntes marítimas.
Dos vários tipos de energias renováveis existentes iremos tratar apenas de alguns.
A principal fonte de energia existente hoje é o petróleo, mas além de não ser renovável, e ser um dos principais responsáveis pelo efeito estufa o petróleo ainda será motivo de muitas guerras e conflitos entre os países, principalmente aqueles países que dependem muito dessa fonte energética como os Estados Unidos.
Diversas nações do mundo inteiro estão investindo muito dinheiro em projetos que utilizam as fontes de energia alternativa como a energia solar, a energia eólica, a energia geotérmica, o biodiesel, a energia obtida através do hidrogênio, à energia das marés, o etanol e a biomassa.
Essas fontes de energia alternativas citadas são as mais abordadas em projeto para uma menor contribuição para o aquecimento da Terra e também para tentar alcançar cada vez mais uma independência com relação ao petróleo.

2.3- Petróleo
A formação do petróleo deve-se à alteração da matéria orgânica vegetal ou animal de origem oceânica retida no subsolo. Assim, encontra-se petróleo nos subsolos oceânicos ou em locais que estiverem cobertos por mares. O primeiro poço petrolífero foi perfurado em Titusville, no estado da Pensilvânia, em agosto de 1859. A partir dessa data, o petróleo passou a ser explorado e intensamente utilizado como fonte de energia e como matéria-prima na fabricação de uma infinidade de produtos.
Substância oleosa e inflamável, o petróleo é a principal fonte de energia na atualidade. O fato de ser um recurso esgotável, aliado ao seu grande valor econômico, fez com que esse combustível se tornasse um elemento causador de grandes mudanças geopolíticas e socioeconômicas em todo o mundo.
Acredita-se que o petróleo tenha se formado há milhões de anos em razão da decomposição dos seres que compõem o plâncton, decomposição esta causada pela pouca oxigenação e pela ação de bactérias. Assim, esses seres decompostos teriam se acumulado no fundo dos mares e lagos.
Composto principalmente por hidrocarbonetos alifáticos, alicíclicos e aromáticos, o petróleo é um óleo menos denso que a água, com coloração que pode variar desde o castanho-claro até o preto. Além de servir como base para a fabricação da gasolina, principal combustível para automóveis, vários outros produtos, como gás natural, GLP, nafta, querosene, lubrificantes, etc., são derivados do petróleo.
Por ser a principal fonte de energia do planeta, o petróleo já foi motivo de algumas guerras, como a Primeira Guerra do Golfo, a Guerra Irã-Iraque, a luta pela independência da Chechênia e a invasão estadunidense no Iraque, em 2003. Sem dúvida, a existência de petróleo é um sinônimo de riqueza e poder para um país. O combustível se tornou ainda mais valorizado após a criação da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que nasceu com o fim de controlar preços e volumes de produção e pressionar o mercado.
Atualmente, os dez maiores produtores de petróleo do mundo são: Rússia, Estados Unidos, Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Venezuela, México e Inglaterra.

2.3.1-Refino do Petróleo
Vivemos numa “civilização do petróleo”. A importância desse recurso natural vai além da geração de energia. É utilizado também na indústria química, como matéria-prima para a produção de plásticos, borrachas, solventes, cosméticos, medicamentos, detergentes, tintas, fibras sintéticas e fertilizantes. Em outros setores industriais são matéria-prima de componentes para automóveis, de aparelhos eletrodomésticos, calçados, tecidos sintéticos, entre muitos outros produtos.
O primeiro passo para a utilização do petróleo como matéria-prima consiste em aquecê-lo, a fim de isolar os elementos que o compõem. Esse procedimento é realizado nas refinarias e chama-se destilação fracionada. O aquecimento ocorre  em altas torres de aço, denominadas colunas de fracionamento, cujo interior é dividido horizontalmente. Na parte inferior da coluna, a temperatura é bastante elevada, diminuindo gradativamente até a parte superior. Aquecido, o petróleo evapora e seus diversos componentes são separados em frações depositadas em bandejas numa torre de fracionamento, dando origem a seus derivados. Em cada nível, obtém-se um subproduto ou derivado. Esse processo é denominado refino e é realizado nas refinarias.

2.3.2- Principais reservas e países produtores
As mais importantes reservas mundiais de petróleo estão concentradas em algumas poucas regiões: Oriente médio (60%), Golfo  do México, sul dos EUA, Sibéria na Rússia e golfo de bohai (China).
Arábia Saudita, Rússia, Estados Unidos, Irã, China, México e Canadá são os maiores produtores, responsáveis por cerca de 90% do petróleo produzido no mundo.
O grande volume de petróleo deslocado das áreas produtoras para as principais regiões industriais do globo é responsável por boa parte do comercio marítimo, mas o petróleo também e transportado por meio de oleodutos.
2.3.3- Geopolítica do Petróleo
Até 1960, sete grandes empresas petrolíferas controlavam grande parte da exploração e comercialização do petróleo, determinando aumento ou redução de preços. Eram chamadas de “as sete irmãs” em virtude dos acordos que faziam para a divisão do mercado mundial e das estratégias conjuntas que adotavam.
Os principais países exportadores, que pouco se beneficiavam com o controle das “sete irmãs”, resolveram mudar esse quadro. Em 1960, por meio de Acordo de Bagdá, criaram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), formada atualmente pro 12 países: Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Nigéria, Líbia, Argélia, Angola, Venezuela e Equador.

2.4- Gás Natural
Para ter como uma solução, com curto prazo é vantagem de o déficit energético evitar novos racionamentos, o governo proporcionou investir em termelétricas movidas a gás natural, para adiantar o programa proprietário de termeletricidade (PPT) que teve como início fevereiro de 2000. O programa controla a Petrobrás sobre boa parte das minas de gás bolivianos desde até a década de 1990.
Tendo como investimento do gasoduto deve ter uma análise a partir de interesses geopolíticos, relaciona-se à estratégia do governo em apertar relações com os países sul-americanos e fazem demarcação regional nessa parte do continente.
Sua utilização é como combustível para veículos (gás natural veicular – GNV). Sua vantagem é de ser menos poluente que a gasolina e sua desvantagem é o custo de sua instalação para equipamentos que não saem de fabricação.

2.4.1- Maiores produtores de Gás Natural
A Rússia é o país que detém a maior reserva nacional de gás natural do mundo. O país tem 47,578 trilhões de metros cúbicos do combustível em seu território. Isto equivale dizer que os russos possuem 25% do total de gás natural existente no mundo.
País
Gás natural - consumo (metros cúbicos)
Ano
Estados Unidos
689,900,027,904
2011
Rússia
607,200,009,216
2013
Canadá
160,479,996,928
2011
Irã
151,600,006,656
2011
China
149,999,992,832
2013
Catar
146,800,006,656
2011
Japão
112,599,998,464
2011
Noruega
101,407,889,676
2011
Arábia Saudita
99,229,999,104
2011
Fonte: Anuário estatístico 2013. Disponível em>www.anp.gov.br>Acesso em: Jul. 2015.

2.5- Carvão Mineral
É um combustível fóssil formado por raízes, troncos, folhas e galhos de árvores, que têm aproximadamente 250 milhões de anos, das regiões sedimentares. Há diferentes tipos de carvão, uns de melhor qualidade como fonte de energia (possuem maior porcentagem de carbono) e outros de poder calorífero inferior. A principal base para a industrialização do mundo foi o carvão mineral, pois os países pioneiros de industrialização, como o Reino Unido, a Alemanha, os Estados Unidos e a França, possuem boas reservas carboníferas.
Com o desenvolvimento da indústria automobilística no século XX, pouco a pouco o carvão foi cedendo lugar ao petróleo como grande fonte de energia mundial.
Em 1880, cerca de 97% da energia consumida no mundo era proveniente do carvão, mas, em 1970, somente 12% desse total provinham desse recurso natural. Após a crise do petróleo, em 1973, a elevação dos preços do óleo fez com que o carvão fosse novamente valorizado, ao menos em parte, e seu consumo voltou a subir um pouco, representando aproximadamente 23% da energia total consumida no mundo, em 2004.
Hoje o carvão mineral é bastante usado para produzir energia elétrica em usinas termelétricas e como matéria-prima para fabricar aço nas siderúrgicas. Os grandes produtores mundiais desse recurso são os Estados Unidos, China, Cazaquistão, Rússia, Polônia, Índia, Alemanha, Austrália e África do Sul. Calcula-se que essas reservas carboníferas são suficientes para gerar energia para cerca de 100 anos de consumo. Mas existem os pontos negativos desse recurso, a começar pela sua extração, que causa sérios impactos ambientais, a poluição causada por sua queima que colabora com o aquecimento global.

2.6- Energia Nuclear
A energia nuclear, também chamada atômica, é obtida a partir da fissão do núcleo do átomo de urânio enriquecido, liberando uma grande quantidade de energia. A energia nuclear mantém unidas as partículas do núcleo de um átomo. A divisão desse núcleo em duas partes provoca a liberação de grande quantidade de energia.
Os primeiros resultados da divisão do átomo de metais pesados, como o urânio e o plutônio, foram obtidos em 1938. A princípio, a energia liberada pela fissão nuclear foi utilizada para objetivos militares. Posteriormente, as pesquisas avançaram e foram desenvolvidas com o intuito de produzir energia elétrica. No entanto, armas nucleares continuam sendo produzidas através do enriquecimento de urânio.
Atualmente os Estados Unidos lideram a produção de energia nuclear, porém os países mais dependentes da energia nuclear são França, Suécia, Finlândia e Bélgica. Na França, cerca de 80% de sua eletricidade é oriunda de centrais atômicas.
No fim da década de 1960, o governo brasileiro começou a desenvolver o Programa Nuclear Brasileiro, destinado a implantar no país a produção de energia atômica. O país possui a central nuclear Almirante Álvaro Alberto, constituída por três unidades (Angra 1, Angra 2, e Angra 3). Está instalada no município de Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro. Atualmente, apenas Angra 2 está em funcionamento.
Essa fonte energética é responsável por muita polêmica e desconfiança: a falta de segurança, a destinação do lixo atômico, além da possibilidade de acontecerem acidentes nas usinas, geram a reprovação da utilização da energia nuclear por grande parte da população. Alguns acidentes em usinas nucleares já aconteceram, entre eles estão:

Three Miles Island – em 1979, na usina localizada na Pensilvânia (EUA), ocorreu a fusão do núcleo do reator e a liberação de elevados índices de radioatividade que atingiram regiões vizinhas.

Chernobyl – em 1986 ocorreram o incêndio e o vazamento de radiação na usina ucraniana, na extinta União Soviética, com milhares de feridos e mortos, podendo a contaminação radioativa ter causado 1 milhão de casos de câncer nos 20 anos seguintes.
A energia nuclear apresenta vários aspectos positivos, sendo de fundamental importância em países que não possuem recursos naturais para a obtenção de energia. Estudos mais aprofundados devem ser realizados sobre essa fonte energética, ainda existem vários pontos a serem aperfeiçoados, de forma que possam garantir segurança para a população.

2.6.1- Aspectos positivos da energia nuclear:
- As reservas de energia nuclear são muito maiores que as reservas de combustíveis fósseis;
- Comparada às usinas de combustíveis fósseis, a usina nuclear requer menores áreas;
- As usinas nucleares possibilitam maior independência energética para os países importadores de petróleo e gás;
- Não contribui para o efeito estufa.

2.6.2- Aspectos negativos:
- Os custos de construção e operação das usinas são muito altos;
- Possibilidade de construção de armas nucleares;
- Destinação do lixo atômico;
- Acidentes que resultam em liberação de material radioativo;
- O plutônio 239 leva 24.000 anos para ter sua radioatividade reduzida à metade, e cerca de 50.000 anos para tornar-se inócuo.

2.7- Energia Hidrelétrica
O uso da força das águas para gerar energia é bastante antigo e começou com a utilização das chamadas “noras”, ou rodas d’água do tipo horizontal, que através da ação direta de uma queda d’água produz energia mecânica e são usadas desde o século I a.C.. A partir do século XVIII, com o surgimento de tecnologias como o motor, o dínamo, a lâmpada e a turbina hidráulica, foram possíveis converter a energia mecânica em eletricidade.
Mas o acionamento do primeiro sistema de conversão de hidroenergia em energia elétrica do mundo ocorreria somente em 1897 quando entrou em funcionamento a hidrelétrica de “Niágara Falls” (EUA) idealizada por Nikola Tesla com o apoio da Westinghouse. De lá para cá o modelo é praticamente o mesmo, com mudanças apenas nas tecnologias que permitem maior eficiência e confiabilidade do sistema.
Cerca de 20% da energia elétrica gerada no mundo todo é proveniente de hidrelétricas. Em números aproximados, só no Brasil, a energia hidrelétrica é responsável por 75 milhões de KW. São 158 usinas em funcionamento, outras 9 usinas estão em construção e existem 26 outorgadas (com permissão para serem construídas).
Uma usina hidrelétrica, no Brasil, pode ser classificada de acordo com a sua potência de geração de energia em dois tipos principais: as PCH’s, ou pequenas centrais hidrelétricas que produzem de 1MW a 30 MW e possui um reservatório com área inferior a 3 km² (Resolução ANEEL N.º 394/98), e as GCH’s, ou grandes centrais hidroelétricas que produzem acima de 30 MW.
A segunda maior hidrelétrica do mundo é a usina de Itaipu, pertencente ao Brasil e ao Paraguai. Situada no rio Paraná, Itaipu tem uma capacidade de 14.000 MW, respondendo por 16% da demanda nacional e 75% da demanda paraguaia de energia elétrica. A maior do mundo é a Hidrelétrica de Três Gargantas, construída no rio Yangtsé, na China. Três Gargantas tem uma capacidade de produzir 22.500 MW.
Claro que os impactos ambientais destes dois grandes empreendimentos são tão colossais quanto eles próprios: Três Gargantas engoliu 13 cidades, 4500 aldeias e 162 sítios arqueológicos importantíssimos para a China. Sem contar os impactos sobre a flora, fauna, solo, alterações do microclima da região, ciclo hidrológico e as milhares de pessoas que tiveram de ser realocadas.
De fato as usinas hidrelétricas são uma fonte renovável de energia, mas isso não significa que sejam ambientalmente corretas e nem que são menos nocivas que outras fontes unanimemente nocivas. Uma tentativa de minimizar os impactos das hidrelétricas é a substituição dos grandes empreendimentos por PCH’s, porém esse é ainda um tema bastante controverso já que mesmo que em menor escala, as PCH’s também causam impactos.

2.8- Fontes Alternativas
A energia elétrica é fundamental para o desenvolvimento dos países e a qualidade de vida das pessoas. Quanto mais os países se desenvolvem, mais se torna necessário aumentar a produção de energia. Ao mesmo tempo, também é preciso preservar o meio ambiente, utilizando com consciência os recursos naturais.
Por isso, além de ampliar a capacidade de geração de energia elétrica melhorando o aproveitamento de fontes convencionais, também é necessário desenvolver tecnologias para a utilização de novas fontes energéticas - as chamadas fontes alternativas de energia. A energia alternativa é uma energia sustentável que deriva do meio ambiente natural. A energia alternativa é obtida através de fontes que são essencialmente inesgotáveis, ao contrário dos combustíveis fósseis, dos quais há uma provisão finita e que não pode ser reposta.
As fontes de energia alternativa São: energia solar, vento, água, biomassa, geotérmica, e energia termométrica além de muitas outras.

2.8.1- Energia Solar
Ainda pouco explorada no mundo, em função do custo elevado de implantação, é uma fonte limpa, ou seja, não gera poluição nem impactos ambientais. A radiação solar é captada e transformada para gerar calor ou eletricidade.
Através de um mecanismo que capta os raios solares fazendo com que as partículas se movam, assim gerando a energia solar.
A energia solar pode ser aproveitada em diferentes níveis em todo o mundo. Consoante à localização geográfica, quanto mais perto do equador, mais energia solar pode ser potencialmente captada.

2.8.1.1- Vantagens:
A energia solar não polui durante sua produção. A poluição decorrente da fabricação dos equipamentos necessários para a construção dos painéis solares é totalmente controlável utilizando as formas de controles existentes atualmente.
Os painéis solares são a cada dia mais potentes ao mesmo tempo em que seu custo vem decaindo. Isso torna cada vez mais a energia solar uma solução economicamente viável.
A energia solar é excelente em lugares remotos ou de difícil acesso, pois sua instalação em pequena escala não obriga a enormes investimentos em linhas de transmissão.
Em países tropicais, como o Brasil, a utilização da energia solar é viável em praticamente todo o território, e, em locais longe dos centros de produção energética, sua utilização ajuda a diminuir a demanda energética nestes e consequentemente a perda de energia que ocorreria na transmissão.

2.8.1.2- Desvantagens:
Um painel solar consome uma quantidade enorme de energia para ser fabricado. A energia para a fabricação de um painel solar pode ser maior do que a energia gerada por ele.
Os preços são muito elevados em relação aos outros meios de energia.
Existe variação nas quantidades produzidas de acordo com a situação atmosférica (chuvas, neve), além de que durante a noite não existe produção alguma, o que obriga a que existam meios de armazenamento da energia produzida durante o dia em locais onde os painéis solares não estejam ligados à rede de transmissão de energia.
Locais em latitudes médias e altas sofrem quedas bruscas de produção durante os meses de inverno devido à menor disponibilidade diária de energia solar. Locais com frequente cobertura de nuvens (Curitiba, Londres), tendem a ter variações diárias de produção de acordo com o grau de nebulosidade.
As formas de armazenamento da energia solar são pouco eficientes quando comparadas, por exemplo, aos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás), a energia hidroelétrica (água) e a biomassa (bagaço da cana ou bagaço da laranja).
A energia solar pode ser aproveitada para a produção de eletricidade e de calor. Coletores solares para o aquecimento de água são um dos exemplos mais bem-sucedidos da aplicação de energia solar em todo o mundo.
No caso do Brasil, que recebe uma incidência muito grande de raios solares, esse tipo de aproveitamento pode ter um papel muito importante, principalmente na substituição de chuveiros elétricos, que estão entre os aparelhos que mais consomem energia.
A instalação de painéis fotovoltaicos para absorver a energia solar é uma solução para levar eletricidade para residências, escolas e postos de saúde em regiões que ainda não possuem serviço regular de distribuição de energia elétrica.
Uma ação desse tipo é o projeto-piloto de Xapuri, que forneceu e instalou kits com painéis fotovoltaicos, quadros de distribuição, pontos de luz e lâmpadas para famílias e escolas de comunidades seringueiras da Reserva Agroextrativista Chico Mendes, em Xapuri, no Acre. O projeto é uma iniciativa da Eletrobras e da Eletrobras Distribuição Acre em parceria com o GIZ, órgão alemão de cooperação técnica, dentro do Programa Luz para Todos, do governo brasileiro.

2.8.2- Biocombustíveis
É o combustível de origem biológica não fóssil. Normalmente é produzido a partir de uma ou mais plantas. Todo material orgânico gera energia, mas o biocombustível é fabricado em escala comercial a partir de produtos agrícolas como a cana-de-açúcar, mamona, soja, canola, babaçu, mandioca, milho, beterraba. sendo o primeiro um dos principais, seu uso é bastante difundido no Brasil como combustível em veículos automotores, utilização iniciada na década de 70.

2.8.2.1- O álcool combustível
É um biocombustível produzido, geralmente, a partir da cana-de-açúcar, mandioca, milho ou beterraba.
Ele é utilizado desde o início da indústria automotiva, servindo de combustível para motores a explosão do tipo ciclo Otto. Porém, com a utilização de combustíveis fósseis, no começo do século XX, mais barato e abundante, o etanol tornou-se uma opção praticamente ignorada.
O álcool corresponde a um líquido transparente, com cheiro forte e sem cor, cuja característica principal é a capacidade de ser queimado, ou seja, é um líquido inflamável.
Na composição do álcool encontramos átomos dos seguintes elementos: hidrogênio, carbono e oxigênio. A queima do álcool dá origem aos produtos água, gás carbônico e muita energia.

Vantagens do etanol:
Chamamos octonagem o poder de resistência à compressão da mistura ar-vapor de combustível dentro do motor.
O poder calorífico do álcool combustível é de 6300 cal/g. Num motor de combustão interna, é o vapor de combustível que sofre combustão, por isso, um combustível é bom quanto maior for sua facilidade em passar para o estado gasoso.
O álcool foi uma solução brasileira como alternativa ao petróleo, é um combustível ecologicamente correto, o álcool não afeta a camada de ozônio e é obtido de fonte renovável.

2.8.2.2- Biogás
O biogás é um combustível gasoso com um conteúdo energético elevado semelhante ao gás natural, composto, principalmente, por hidrocarbonetos de cadeia curta e linear. Pode ser utilizado para geração de energia elétrica, térmica ou mecânica em uma propriedade rural, contribuindo para a redução dos custos de produção. No Brasil, os biodigestores rurais vêm sendo utilizados, principalmente, para saneamento rural, tendo como subprodutos o biogás e o biofertilizante.

2.8.2.2.1- Vantagens:

·    A substituição do GLP, um derivado de petróleo importado;
Comodidade e segurança para o consumidor, vantagens inerentes ao gás canalizado;
Não é necessária a sua purificação, removendo-se apenas os líquidos condensados ao longo-das vias de captação e distribuição;
Os equipamentos adaptados mostraram um desempenho razoável;
As donas-de-casa que utilizam o gás têm se mostrado satisfeitas com a mudança, pois, a chama é bastante limpa, não deixando resíduos de fuligem nas panelas.
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2.8.2.2.2.1- Desvantagens:
      A quantidade de energia gerada pelo biogás não é constante, variando ao longo do período de produção;
Em função da Diretiva Comunitária relativa a aterros, no futuro será minimizada a deposição de resíduos biodegradáveis em aterro, pelo que as instalações de recuperação de biogás de aterro terão um tempo limitado de existência;
Alto período de recuperação do investimento

2.8.2.1.1- Vantagens dos Biocombustíveis:
- Possibilita o fechamento do ciclo do carbono (CO2), contribuindo para a estabilização da concentração desse gás na atmosfera (isso contribui para frear o aquecimento global).
- No caso específico do Brasil, há grande área para cultivo de plantas que podem ser usadas para a produção de biocombustíveis.
- Geração de emprego e renda no campo
- O biodiesel substitui bem o óleo diesel sem necessidade de ajustes no motor
- Redução do lixo no planeta (pode ser usado para produção de biocombustível

2.8.2.2- Desvantagens dos Biocombustíveis:
- Consome grande quantidade de energia para a produção
- Aumento do consumo de água
- Redução da biodiversidade
- As culturas para produção de biocombustíveis consomem muitos fertilizantes nitrogenados, com liberação de óxidos de nitrogênio, que também são gases estufa.
- Devastação de áreas florestais  para plantio das culturas envolvidas na produção dos biocombustíveis
- Contaminação de lençóis freáticos por nitritos e nitratos, provenientes de fertilizantes. A ingestão desses produtos causa problemas respiratórios, devido à produção de meta-hemoglobina.

2.8.3- Energia Eólica
Gerada a partir do vento. Grandes hélices são instaladas em áreas abertas, sendo que, os movimentos delas geram energia elétrica. È uma fonte limpa e inesgotável, porém, ainda pouco utilizada.
Na atualidade utiliza-se a energia eólica para mover aerogeradores - grandes turbinas colocadas em lugares com muito vento. Essas turbinas têm a forma de um cata-vento ou um moinho. Esse movimento, através de um gerador, produz energia elétrica. Precisam agrupar-se em parques eólicos, concentrações de aerogeradores, necessários para que a produção de energia se torne rentável, mas podem ser usados isoladamente, para alimentar localidades remotas e distantes da rede de transmissão.

2.8.3.1- Vantagens:
Reduz a elevada dependência energética do exterior, nomeadamente a dependência em combustíveis fósseis;
Poupança devido à menor aquisição de direitos de emissão de CO2 por cumprir o protocolo de Quioto e diretivas comunitárias e menores penalizações por não cumprir;
Possível contribuição de cota de GEE para outros sectores da atividade econômica;
É uma das fontes mais baratas de energia podendo competir em termos de rentabilidade com as fontes de energia tradicionais.

2.8.3.2- Desvantagens:
A intermitência, ou seja, nem sempre o vento sopra quando a eletricidade é necessária, tornando difícil a integração da sua produção no programa de exploração;
Pode ser ultrapassado com as pilhas de combustível (H2) ou com a técnica da bombagem hidroelétrica.
Provoca um impacto visual considerável, principalmente para os moradores em redor, a instalação dos parques eólicos gera uma grande modificação da paisagem;
Impacto sobre as aves do local: principalmente pelo choque destas nas pás, efeitos desconhecidos sobre a modificação de seus comportamentos habituais de migração;
Impacto sonoro: o som do vento bate nas pás produzindo um ruído constante (43dB (A)). As habitações mais próximas deverão estar, no mínimo a 200m de distância.

2.8.4- Energia Geotérmica
Caracteriza-se pelo calor proveniente da Terra, é a energia calorífera gerada a menos de 64 quilômetros da superfície terrestre, em uma camada de rochas, chamada magma, que chega a atingir até 6.000°C. Geo significa terra e térmica corresponde a calor, portanto, geotérmica é a energia calorífica oriunda da terra.
O magma resulta das tremendas pressões abaixo da superfície e do calor gerado pela decomposição de substâncias radioativas, como o urânio e o tório. Encontrando fissuras na crosta terrestre, o magma explode em erupções vulcânicas, ou os gases liberados com o seu resfriamento aquecem águas subterrâneas que afloram na forma de gêiseres ou minas de água quente.
A energia elétrica pode ser obtida através da perfuração do solo em locais onde há grande quantidade de vapor e água quente, estes devem ser drenados até a superfície terrestre por meio de tubulações específicas. Em seguida o vapor é transportado a uma central elétrica geotérmica, que irá girar as lâminas de uma turbina. Por fim, a energia obtida através da movimentação das lâminas (energia mecânica) é transformada em energia elétrica através do gerador.·.
2.8.4.1-Vantagens:
A emissão de gases poluentes (CO2 e SO2) é praticamente nula, não intensificando o efeito de estufa, diferentemente dos combustíveis de origem fóssil.

A área necessária para a instalação da usina é pequena.
Pode abastecer comunidades isoladas.

2.8.4.2- Desvantagens:
É uma energia muito cara e pouco rentável, pois necessita de altos investimentos estruturais e sua eficiência é baixa.
Pode ocasionar o esgotamento do campo geotérmico.
O calor perdido aumenta a temperatura do ambiente.
Ocorre a emissão de ácido sulfídrico (H2S), extremamente corrosivo e nocivo à saúde.


2.9- Estrutura Energética no Brasil
Em 2000, o PIB brasileiro aumentou 4,36%; já em 2001, quando aconteceu o racionamento de energia no país esse crescimento foi apenas de 1,51%.
Mesmo não tendo sido o único responsável, l, pois é preciso considera também outros fatores econômicos, o racionamento de energia sem duvida contribui para a diminuição no ritmo de crescimento econômico, o que demonstra a importância do setor energético para as atividades econômicas.
No que se refere às possibilidades de geração de energia, o Brasil apresenta grande vantagem em relação à maioria dos países, pois as condições naturais clima, relevo, hidrografia, solo, estrutura geológica e dimensão territorial brasileira permitem que o país disponha de varias opções energética, muita dela renováveis e menos poluentes que os combustíveis fósseis.
Apesar de variedades de opções energéticas, no Brasil, assim como em todo mundo, e grande a dependência de fontes de energia não renovava e atualmente poluidoras, especialmente no setor de transporte. Já para a geração de eletricidade, no país a um grande aproveitamento das forças das águas dos rios, o que é bastante favorável, pois essa finte de energia não polui a atmosfera e é renovável, apesar de provocarem impactos sócios ambientais.
O Brasil apresenta um grande potencial para desenvolver fontes energéticas alternativas, sobre tudo as que são agrupadas no termo genético de biomassa, além de energia solar e do vento (eólica). No entanto, o desenvolvimento de fontes alternativas para a produção de combustível e a geração de eletricidade ou de calor depende de investimento, programa de apoio ao uso dessas fontes energéticas e maior divulgação de possibilidade que eles apresentam alteração na matriz energética. A atual matriz energética brasileira, apoiada na hidroeletricidade e nos combustíveis fosseis , resulta das políticas nacionais de desenvolvimento adotadas no decorre do processo de industrialização no brasil. Ele teve como características principais o estímulo ao transporte s rodoviário, particularmente no transporte de cargas, e a construção de grandes usinas hidrelétricas, sobre tudo após o primeiro choque do petróleo, em 1973.
No ano 2001, o Brasil fazia retorno de intermeto e economia, mostrava crescimento, deu-se presente pela escassez de energia. A estiagem naquele ano fez com que o nível de água diminuísse dos reservatórios  e o que mais afetou  a produção de energia.
Destacando-se outros causadores podemos citar nos últimos anos 1990, como referência, se a economia  tivesse progredido, mas rápido. Isso porque o Brasil não teve investimento necessário, para aumentar a oferta de energia no país conforme a demanda.

Atividade: Interconexão pág. 172 questões 1 e 2

2.9.1- Hidrelétricas
A energia hidrelétrica é considerada como uma fonte de energia principal no Brasil, sua responsabilidade faz com que 80% de energia seja gerada. No nosso território se fazem presentes hidrelétricos, podemos citar como exemplo Itaipu e Tucuruí. Em que se faz presenças de novas como base para novas sustentações.
Na Amazônia podemos destacar, as hidrelétricas em operação e as planejadas. Embora a Eletronorte alegue que elas podem ser  vantagem para todo o Brasil, os meios de transmissão desta energia para  o Centro-Sul se torna caro, por caso das grandes distâncias.
As usinas construídas na região, para fornecer energia aos projetos mineradores, necessitam de 1/3 de energia elétrica é consumida por estas indústrias de alumínio que fazem parte na Amazônia.

2.9.2- Petróleo no Brasil
A exploração do petróleo no Brasil teve início com a criação do petróleo brasileiro S.A , em 1953 , durante  o governo de Getúlio Vargas, a empresa em regime monopólio, fazia um controle das pesquisas  relacionadas ao subsolo brasileiro.
Na década de 1970, foi descoberta pelo Brasil a maior jazida petrolífera, a bacia de campos, no Rio de Janeiro. O país teve a presença de autossuficiência em produção, com efeitos positivos na economia, tendo vantagem por reduzir gastos com importações e diminuir efeitos de crises no mercado do Petroleiro.

2.9.3-  Do Proálcool ao biocombustível
A utilização do álcool (etanol) considerado como um combustível automotivo no Brasil teve início no ano de 1975, na crise do petróleo. Tendo-se destaque a implantação nacional do governo (Proálcool) que tinha concebido a inserção fiscal, como empréstimo dívidas nos produtos do Brasil.
A primeira estava para junção do álcool à gasolina. O primeiro automóvel movido a álcool seria lançado em 1979. O pó-álcool teve vantagem à oferta de veículos e combustível com custo mais barato.

2.9.4- Carvão Mineral
A originalidade de quase todo carvão, é a partir da região Sul, onde estão as reservas. O estado do Rio Grande do Sul é considerado como maior produtor seguido de Santa Catarina. O que garante mais lucro na comercialização do carvão é a presença de carbono nele, na região catarinense.
O carvão mineral tem como desvantagem os teores de cinzas e enxofre, se passar por uma lavagem diminui seu efeito calórico.

2.9.5- Carvão vegetal e lenha
A obtenção do carvão mineral é a partir da queima de madeira, a uma temperatura maior que 400 Graus. A utilização dele é para combustível nas residências, usinas siderúrgicas e termelétricas.

2.9.5.1- Vantagens:
É uma fonte renovável
Não exige a utilização de outra energia na sua produção.

2.9.5.2- Desvantagens:
É uma das fontes poluentes da atmosfera.
Libera dióxido de Carbono e outros poluentes.




FONTE: Lucci, Elian Alabi. Território e sociedade no mundo globalizado: geografia: ensino médio, volume 2 / Elian Alabi Lucci, Anselmo Lázaro Branco, Cláudio Mendonça. – 2ª. ed. - São Paulo: Saraiva, 2013.

Infraestrutura e desenvolvimento: Transporte e telecomunicações

1- Introdução:
A compreensão entre infraestrutura e desenvolvimento é fundamental para a análise da dinâmica do espaço geográfico. Isso implica analisar as redes de transportes e de telecomunicações.
Nesse conteúdo veremos o desenvolvimento e a importância dos transportes no contexto da economia globalizada e avaliaremos os problemas enfrentados pelo Brasil nesse setor. Iremos ainda apresentar um panorama das telecomunicações no mundo.

1.1- Infraestrutura e desenvolvimento:
Num mundo em que informações, mercadorias, capitais e pessoas circulam de forma intensa e rápida, a compreensão da estrutura material que dá suporte a todos esses fluxos é fundamental para o entendimento da dinâmica no espaço geográfico.
A arquitetura das redes de transportes e de telecomunicações e a questão energética no mundo e no Brasil, relaciona-se com o desenvolvimento econômico e na implantação e ampliação da infraestrutura brasileira.

1.2- Transportes e Telecomunicações
A evolução dos transportes na era da Globalização permitiu uma maior integração internacional e o crescimento da dinâmica econômica mundial.
Considerando a evolução do sistema capitalista ao longo dos séculos e as transformações que permitiram a integração mundial, podemos dizer que, sob muitos aspectos, a evolução da Globalização é, pois, uma série contínua de evolução nos meios de transporte. Portanto, a questão dos transportes na era da Globalização envolve uma dinâmica de transformações cada vez mais aceleradas e produtoras de uma interdependência.
Aliados à evolução nos sistemas de comunicação, os meios de transporte permitiram a ocorrência daquilo que se assinalou como a compressão do tempo e do espaço, em que as distâncias do mundo “encurtaram”, ou seja, podem ser mais facilmente percorridas, reduzindo gastos e também tempo em deslocamentos e emissão de mensagens. Com isso, a globalização gerou o desencadeamento de uma rede de fluxos de informações e serviços que interliga vários pontos do globo entre si.
Essa questão da interdependência entre os sistemas de transporte e a globalização explica-se pelo fato de as práticas humanas modificarem-se a partir da transformação das técnicas. São as técnicas e os objetos técnicos que atuam no processo de constituição das práticas sociais e na transformação do espaço geográfico. Com a evolução do capitalismo, as técnicas reproduzidas nos meios de transporte foram ganhando novas formas, funções e tecnologias mais avançadas.
Inicialmente, nas últimas décadas do século XV até o início do século XVI, os meios de transporte eram limitadores do alcance das práticas comerciais até mesmo na comercialização de produtos perecíveis. O desenvolvimento da navegação marítima permitiu, além da expansão colonial europeia, uma maior amplitude em termos comerciais, passando a integrar diferentes regiões do planeta por diferentes rotas. A produção de matérias-primas e de produtos manufaturados e o consequente desenvolvimento das sociedades puderam, então, consolidar-se no período chamado de Capitalismo Comercial.
Posteriormente, com os avanços promovidos pela Primeira e Segunda Revoluções Industriais até o final do século XIX, os meios de transporte conheceram um novo salto com a invenção da máquina a vapor e o meio ferroviário, bem como o maior desenvolvimento da navegação. Esses instrumentos permitiram, então, a integração intra territorial em vários países e continentes, além de intensificar as trocas comerciais internacionais.
O século XX, por sua vez, foi o século do desenvolvimento rodoviário e também do transporte aéreo, sobretudo com a III Revolução Industrial, também conhecida como Revolução Técnico-Científica Informacional. Com isso, cargas, produtos e pessoas puderam ser mais facilmente deslocados, permitindo a integração com os pontos mais remotos, fator necessário e vital para a atual complexidade da globalização. Se antes uma mercadoria ou mensagem levava dias ou, a depender da distância, até meses para chegar, hoje em dia é possível comunicar-se ou se deslocar rapidamente mesmo entre os locais de distância mais extrema.
Portanto, podemos perceber que os transportes são de fundamental importância para o fluxo de informações da economia moderna, que se estende em uma lógica macro espacial. Se hoje temos os acordos internacionais, os blocos econômicos e o deslocamento de produtos e matérias-primas na Divisão Internacional do Trabalho, é porque foi possível conceber uma rede de transportes que se torna, a cada dia, mais dinâmica e mais vital para o funcionamento da economia.

1.3- Globalização e transportes
A evolução dos meios de transporte foi um dos eventos que possibilitaram ao ser humano ocupar todo o planeta, explorar os recursos da natureza no mais diferentes lugares, ampliar o comércio e impulsionar outras atividades econômicas.
O desenvolvimento da navegação marítima está diretamente relacionado com a consolidação do capitalismo comercial e a ampliação do horizonte geográfico europeu, a partir do final do século XV.
A Segunda Revolução Industrial, no final do século XIX, ocorreu ajustada a uma efetiva modernização dos meios de transporte, com o desenvolvimento da navegação e da ferrovia a vapor. O transporte rodoviário traçaria novas rotas no decorrer do século XX, possibilitando maior alcance da carga transportada. Aquele também seria o século do avião, que se transformou no principal meio de transporte transcontinental de passageiros e de cargas leves.
Na fase atual de globalização não foi diferente. O avanço dos transportes e das telecomunicações intensificou a circulação de mercadorias, serviços e capitais, atendeu à demanda das grandes empresas por mais agilidade nos processo que envolvem comunicação e negócios a longa distância e atingiu a sociedade mundial em todas as suas dimensões (econômica, social, cultural e política).

1.4- Redes de transportes
A infraestrutura de comunicação e de transporte num território organiza-se na forma de redes. As redes de transporte baseiam-se nos sistemas de deslocamento de mercadorias e passageiro, sendo formadas pelas vias de navegação marítima e fluvial, ferrovias, rodovias e aerovias, além da rede de dutos.

1.4.1- A importância dos transportes na economia moderna
O desenvolvimento dos meios de transporte visa a três fatores essenciais: a segurança, a velocidade e a capacidade de deslocamento de carga ou passageiros. A economia globalizada ampliou o volume dos deslocamentos, tanto em escala nacional como internacional. O desenvolvimento da tecnologia de transportes mudou a natureza do intercâmbio comercial nos últimos 60 anos e abriu possibilidades à comercialização de todos os tipos de mercadoria.
A globalização econômica estimula os fluxos internacionais de mercadorias, em razão da maior abertura comercial verificada em muitos países. No entanto, também nesse setor observam-se diferenças entre os países. As principais rotas comerciais mundiais concentram-se no hemisfério Norte, onde estão os países de maior dinamismo econômico e os principais portos e aeroportos, por onde entram e saem os grandes fluxos de mercadorias e passageiros.
No Brasil, a logística do circuito que liga as áreas de produção ao mercado interno e à exportação foi moldada a partir dos chamados corredores de exportação: eixos do território que articulam os meios de transporte e o sistema de armazenamento. Em geral, a infraestrutura de armazenamento é destinada a produtos cuja estocagem é feita em grandes volumes, como os agro minerais. O ponto de chegada desse sistema de escoamento são principalmente os terminais portuários espalhados pelo litoral brasileiro, de onde os fluxos de mercadorias são direcionados aos mercados interno ou externo.
O sistema logístico dos corredores de exportação está orientado para os portos das regiões Sul e Sudeste e ainda pouco articulado a outras áreas de importância econômica mais recentes e afastadas do Atlântico, como por exemplo, aquelas situadas nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil.

1.5- O sistema de transporte no Brasil
O setor de transporte do Brasil apresenta diversos problemas. Isso pode ser explicado pela grande extensão do território e pelas políticas governamentais adotadas no decorrer do século XX, que não levaram em consideração a necessidade de se diversificar as modalidades de transportes no país. No Brasil, seja por pressão de grupos econômicos (interesses das indústrias automobilísticas, petrolífera e da construção civil), seja pela visão imediatista dos governantes, privilegiou-se o transporte rodoviário. Sobretudo a partir de meados do século XX, o planejamento e os investimentos das verbas públicas ficaram centrados nessa modalidade, enquanto as ferrovias e hidrovias (incluída a navegação de cabotagem) foram relegadas a segundo plano.
O alto custo para transportar mercadorias, por rodovia, das regiões produtoras até os portos nacionais, é um dos fatores que diminuem a competitividade da produção nacional no mercado externo e, em muito casos, encarece o preço das mercadorias no mercado interno.

1.5.1- Transporte rodoviário
Para distâncias menores, as rodovias são meio de transporte mais adequado. Apesar do custo mais elevado e de comportar menor capacidade de carga, o transporte rodoviário apresenta a vantagem de realizar o deslocamento ponta a ponta: a mercadoria é retirada do local onde é produzida e pode ser levada até o ponto de venda. Dessa forma, o produto chega ao seu destino final sem a necessidade de várias operações de carga e descarga, inevitáveis nas outras modalidades de transporte.
Para distâncias maiores, porém, o transporte rodoviário não é o meio mais adequado, mas pode auxiliar os demais. Assim, uma mercadoria percorre longas distâncias de trem, por exemplo, e depois é levada de caminhão até o local exato de destino.
As rodovias no Brasil são a base do transporte de passageiros e por elas circulam cerca de 61% das cargas transportadas no país. A malha rodoviária
brasileira é uma das maiores do mundo: mais de 1 milhão e 580 mil quilômetros de estradas de rodagem, mas com apenas 214 mil quilômetros pavimentados. Além disso, 70% delas estão em más condições de tráfego.
As grandes rodovias, que interligam as várias regiões do país, foram construídas a partir da década de 1950 e tiveram papel fundamental no modelo econômico nacional e na integração das economias regionais nesse período.
Durante os governos militares (1964-1985), as rodovias passaram a ser a base da ocupação espacial do país, tanto do ponto de vista econômico como do ponto de vista geopolítico (Programa de Integração Nacional – PIN). Em 1970, teve início a construção da Transamazônica como estratégia de integração da Amazônia ao mercado nacional.

1.5.1.1- Concessão de rodovias
O processo de concessão de rodovias federais teve início com o Programa de Concessão de Rodovias Federais (Procofe), em 1995. A partir dele, a exploração comercial das rodovias estendeu-se às vias estaduais. As empresas concessionárias, em troca de serviços de manutenção e de melhorias, adquiriram o direito de exploração por meio da cobrança de pedágio, cessão de espaço para publicidade e para instalação de infovias (espécie de estrada eletrônica, formada por redes de cabos de fibra óptica pelas quais circulam informações na forma de texto, som ou imagem) que acompanham o traçado das vias.
Em 2015 as concessões à administração privada são feitas por um período de 30 anos e O Programa de Concessão de Rodovias Federais abrange 11.191,1 quilômetros de rodovias, desdobrado em concessões promovidas pelo Ministério dos Transportes, pelos governos estaduais, mediante delegações com base na Lei n.º 9.277/96, e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que administra atualmente 21 concessões de rodovias, totalizando 9.969,6 km, sendo cinco concessões contratadas pelo Ministério dos Transportes, entre 1994 e 1997, uma pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, em 1998, com posterior Convênio de Delegação das Rodovias denunciado e o contrato sub-rogado à União em 2000 , oito concessões referentes à segunda etapa - fases I (2008) e II (2009), uma concessão referente à terceira etapa – fase II (2013) e, por fim, seis concessões que são partes integrantes do Programa de Investimentos em Logística, pertencente à terceira etapa – fase III (2013 e 2014).

1.5.2- Transporte ferroviário
Comparando-se à rodovia, a ferrovia é o melhor meio de transporte para países de grande extensão territorial como o Brasil. Tem maior capacidade para transportar cargas e passageiros, consome menos energia que o caminhão em relação ao volume de carga transportado e pode ser eletrificada, não dependendo exclusivamente do petróleo como fonte de energia.
Embora o custo de instalação do sistema ferroviário seja elevado, sua manutenção é mais barata do que as das rodovias. Apesar das vantagens, a extensão da linha ferroviária brasileira, comparada à extensão da malha ferroviária de outros países é muito pequena. Levando-se em conta a extensão territorial desses países é fácil perceber que o fato de possuírem um território extenso traz a necessidade de investimentos em ferrovias, modalidade de transporte terrestre de longa distância, que oferece maior custo-benefício que as rodovias.

1.5.2.1- Evolução das ferrovias no Brasil
A ferrovia foi o principal meio de transporte de carga terrestre no Brasil até meados do século XX. Entre 1870 e 1920 as grandes ferrovias seriam construídas, principalmente no estado de São Paulo. Tinham a função principal de ligar as fazendas de café do interior do estado até a capital. Os trens carregavam o café até o porto e traziam ferramentas, imigrantes e alimentos para as fazendas. Atualmente a rede ferroviária brasileira é pouco extensa. O Brasil terminou a segunda década do século XXI com 30.051 quilômetros de vias férreas, sendo 28.614 quilômetros operados por empresas privadas. Somente a Vale S.A. detém a terça parte de toda a malha ferroviária brasileira. As ferrovias absorvem cerca de 20% da carga transportada no Brasil. Ainda que pouco representativo, o transporte ferroviário de passageiros para fins turísticos realiza-se em alguns pontos do território, como em Paranapiacaba (SP) e Tiradentes (MG). O maior volume de passageiros das ferrovias trafega em deslocamentos de curta distância, nos sistemas de transporte metropolitanos. Caso se dê continuidade aos projetos ferroviários em andamento no final da primeira década deste século, o Brasil poderá atingir 31.500 quilômetros em 2015 e 50.000 em 2050.

1.5.2.2- Trem-bala no Brasil
O principal projeto de transporte de passageiros dos últimos anos está previsto para entrar em funcionamento ainda nesta década. Trata-se do trem-bala brasileiro, ligação ferroviária entre os municípios de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. A região escolhida para ser estruturada a primeira malha do trem-bala brasileiro é uma das mais populosas do país, concentrando quase 40 milhões de habitantes. Além disso, a região detém praticamente a metade do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
A viagem entre Rio e São Paulo poderá ser realizada em cerca de 1 hora e 40 minutos. O trem poderá atingir a velocidade média de 285 quilômetros por hora, e fará também a ligação entre diversas estações intermediárias. De São Paulo ao Rio de Janeiro a extensão da linha será de 511 quilômetros, mais da metade percorrida por túneis, pontes e viadutos. O empreendimento está entre os mais caros projetos de infraestrutura programados. De acordo com o governo, sua participação irá se restringir apenas aos valores equivalentes a impostos e desapropriações, ficando o setor privado responsável pela maior parte dos investimentos.
No início de 2013, a tecnologia a ser utilizada no trem-bala ainda não estava definida. Segundo o governo, seriam privilegiados os projetos que apresentassem menor custo aos cofres públicos, tarifas mais baixas, além da preocupação com o meio ambiente.

1.5.2.3- Privatização das ferrovias
A privatização do setor ferroviário teve início em 1996. A RFFSA foi arrendada para grupos formados por empresas nacionais, muitas das quais já utilizavam as ferrovias para o transporte de seus produtos. O modelo de privatização baseava-se na concessão por um período de trinta anos, mediante o pagamento, pelas concessionárias, de um aluguel ao governo.
A transferência para o setor privado representou uma pequena melhoria nas ferrovias, limitada à recuperação de alguns trechos e à instalação de alguns equipamentos mais modernos, sem no entanto, promover a ampliação da malha. Ocorreu, também, aumento do volume transportado e diversificação das cargas, com a utilização de novos tipos de vagão. A partir de então, alimentos, bebidas, papel e automóveis passaram a ser transportados por trem no Brasil.

1.5.3-  Transporte marítimo e hidroviário
O território brasileiro conta com mais de 7 mil quilômetros de litoral e extensa rede hidrográfica. Apesar das condições naturais favoráveis e do baixo custo do transporte hidroviário e da navegação de cabotagem, no início do século XXI eles representavam apenas 13% da carga transportada no país.
A ampliação do sistema hidroviário exige elevados investimentos. Os canais fluviais do Brasil apresentam muitas cachoeiras e corredeiras, sendo vários trechos impróprios à navegação. Apenas o rio Amazonas e seus afluentes, a rede fluvial e lacustre do Rio Grande do Sul e os rios da bacia do Paraguai apresentam condições naturais favoráveis em grande extensão.
As duas principais hidrovias do Brasil em volume de carga transportada estão integradas à rede de transporte dos países do Mercosul: as hidrovias Paraná-Paraguai e Tietê-Paraná.
A hidrovia Araguaia-Tocantins, em fase de conclusão após trinta anos de obras interrompidas, escoará parte da produção agrícola do Centro-Oeste, enquanto a do rio Madeira já representa uma importante via de exportação da soja dessa região. A hidrovia do São Francisco transporta um volume pequeno de mercadorias, embora esse rio seja importante meio de integração entre as comunidades ribeirinhas.
A implantação das hidrovias depende, também, da avaliação dos problemas ambientais causados pela construção de portos, pelo alargamento, aprofundamento e retificação do curso de rios e pela construção de canais de ligação entre as redes hidrográficas.
Para a navegação marítima de cabotagem e para a exportação, há vários portos instalados no imenso litoral brasileiro. Eles, no entanto, apresentam diversos problemas como baixa utilização de contêineres; pequena profundidade das águas, que dificultam a atracagem de navios de grande porte; excesso de burocracia e demora na liberação das embarcações; e limitações para o armazenamento de cargas.
Os portos nacionais mais importantes em volume de carga transportada em contêineres são os de Santos, Itajaí, Rio Grande, Paranaguá e Rio de Janeiro.
O processo de privatização iniciado no país nos anos 1990 também atingiu os portos brasileiros, ele foi baseado no sistema de arrendamento de terminais para empresas privadas, onde estas usam parte da estrutura portuária pública existente, contudo ainda é ineficiente se comparado com outros portos do mundo.

1.5.4- Transporte aéreo
O transporte aéreo teve um crescimento expressivo nas últimas décadas, tanto nos voos domésticos como nos internacionais. No entanto, o transporte  de carga por aviões não tem acompanhado o padrão de crescimento do transporte de passageiros, porém a estrutura dos aeroportos brasileiros ainda precisam de muitos investimentos para atender o número de pousos e decolagens, onde mais uma vez o modelo de privatizações para a exploração privada deverá ser o caminho adotado pelo governo para a ampliação dos aeroportos.

1.5.5- Transporte urbano
O transporte coletivo urbano insuficiente para toda a população – fruto de estratégias de planejamento urbano de governos que não visavam ao interesse coletivo – acaba por estimular a utilização do transporte individual, elevando substancialmente o número de veículos que transitam diariamente nas grandes cidades. Isso causa enormes congestionamentos, que levam as pessoas a desperdiçar muito tempo para se deslocar da residência ao trabalho e vice-versa. Os que não têm condução própria sujeitam-se à demora e à superlotação dos coletivos urbanos.
Além de apresentarem elevado custo (com combustível, manutenção e aquisição de veículos em quantidade), os ônibus, juntamente com os automóveis e os caminhões, provocam problemas de congestionamento nas grandes cidades brasileiras e agravam a poluição atmosférica nos centros urbanos.

1.6- As Telecomunicações no mundo atual
  O avanço do setor de telecomunicações foi muito rápido nas últimas décadas. Hoje esse ramo de negócios é um dos mais lucrativos e disputados em muitos países, inclusive no Brasil. As comunicações por satélite, a transmissão por meio de cabo de fibra óptica e a tecnologia digital geraram empresas gigantescas que controlam os principais meios de informação.
O primeiro satélite artificial - o Sputnik, lançado pela União Soviética em 1957 - impulsionou a corrida espacial da Guerra Fria. Já nos anos 1960, os satélites artificiais passariam a ter aplicação comercial. Em 1962, entrou em órbita o Telstar 1, o primeiro capaz de transmitir sinais de televisão e de telefonia entre a Europa e os Estados Unidos.
A partir daí, as inovações no campo das telecomunicações por satélite não pararam. Em 1983, o telefone celular começou a ser comercializado nos Estados Unidos, época em que a fibra óptica já havia sido considerada um substituto favorável do fio de cobre. Na mesma década, o computador pessoal (PC) começou a entrar nas residências de diversos países do mundo e, a partir de 1990, a internet teve expansão sem precedentes, e os PCs foram ligados à maior e mais complexa rede de comunicações já existente, paralelamente às transmissões de dados por satélite (para televisão, telefonia, internet móvel e outros).
As novas tecnologias de comunicação dependem da instalação de satélites, centrais telefônicas e de transmissão de imagens de TV, provedores de internet etc. Se você observar, verá que antenas de telefonia móvel e lan houses são elementos da paisagem urbana em quase todas as regiões de países como o Brasil.
Os condutores de todos os tipos, como cabos submarinos e subterrâneos de fibra óptica por onde circulam as informações - as infovias -, também fazem parte da infraestrutura, pois são meios físicos através dos quais a informação trafega de um ponto a outro. Os satélites sozinhos não poderiam dar conta do volume de dados que hoje circulam, on line, em todo o mundo. No entanto, essas estruturas materiais, que tornam possíveis os fluxos de informação e comunicação, estão espalhadas de forma heterogênea pelo mundo: altamente concentradas nos países desenvolvidos e mais dispersas no mundo subdesenvolvido.
As novas tecnologias de telecomunicação aceleraram o fluxo de informação e comunicação entre os mais diversos pontos do planeta. A divisão da produção entre os diversos países foi facilitada e o controle mais ágil e eficiente das operações das corporações multinacionais se  consolidou. Também a difusão da informação científica e jornalística em tempo real efetivou-se cada vez mais.
Atualmente, a internet conecta também as novas gerações de aparelhos celulares - que começam a desempenhar funções dos PCs -, ao passo que a TV interativa já incorporou o computador em quase todas as suas funções.
Enquanto uma parte da população do planeta tem fácil acesso a esses meios de comunicação, quase 25% da população do mundo em 2011 nunca havia feito uma ligação telefônica.
A maior e menor capacidade das redes de telecomunicações vai determinar que o acesso aos serviços seja mais ou menos facilitado para a população dos diversos países. A ausência de infraestrutura adequada nos países subdesenvolvidos e o controle de tecnologia desenvolvida pelas grandes corporações - que monopolizam a produção de equipamentos (hardware) e programas (softwares), além de cobrar direitos (royalties) - acabam determinando os elevados preços dos serviços de telecomunicações nas regiões menos desenvolvidas do planeta. Além disso, a renda da maioria dos habitantes desses países limita o acesso aos novos meios de comunicação e informação, pois os equipamentos e serviços são relativamente caros.
Em relação ao acesso a computadores e à internet, os habitantes dos países periféricos vivem uma dupla situação de exclusão digital, pois além da questão econômica, muitas vezes falta a instrução necessária para a manutenção dos equipamentos e uso dos programas.
Assim, a exclusão do mundo da informática distancia ainda mais as classes sociais e transforma-se em mais uma barreira para os excluídos no mercado de trabalho, que cada vez mais exige domínio das tecnologias da informação.
Apesar da rápida expansão do número de computadores incorporados aos domicílios brasileiros nos últimos anos, ela ainda está aquém da disponibilidade encontrada em países desenvolvidos (ou centrais).

1.6.1- O PODER DA INDÚSTRIA CULTURAL
Os acordos entre as indústrias de telecomunicações e as empresas ligadas aos meios de comunicação de massa e entretenimento (jornais, revistas, televisão, rádio, cinema, DVD, videogame etc.) tornaram-se um fenômeno comum nas últimas décadas, sobretudo nos países centrais.
No início do século XXI, o fenômeno se expandiu para as regiões periféricas. Tais acordos formaram verdadeiros trustes da chamada indústria cultural, por meio de fusões entre empresas e de incorporações. Essas grandes corporações empresariais, muitas vezes, desenvolvem os equipamentos que disponibilizam os conteúdos (como textos, sons e imagens) também produzidos por elas. Assim, garantem a venda dos equipamentos ao mesmo tempo que controlam a divulgação da informação. No Brasil, mais recentemente, isso acontece no setor da telefonia móvel, mas já ocorria, parcialmente, no da televisão.

1.6.2- Fusão da Oi com a Brasil Telecom
Nos Estados Unidos, nos países europeus e no Japão, estão localizadas as sedes da maioria das empresas de comunicações. No entanto, a liderança norte-americana no setor é indiscutível. Os Estados Unidos foram o primeiro país do mundo a criar uma indústria cultural. Transformaram-na em instrumento fundamental para a difusão do seu estilo de vida (American way of life) e dos valores, idealizados como meta a ser conquistada por outras sociedades.
Veiculadas em todo o mundo, principalmente no cinema e na televisão, além de em jogos eletrônicos e na internet, entre outros, o estilo e os valores estadunidenses ampliam o mercado e a influência que o país tenta resguardar. Os produtos da indústria de entretenimento dos Estados Unidos são, na atualidade, um dos seus principais produtos de exportação: calcula-se que as corporações norte-americanas de entretenimento produzam cerca de 70% das imagens (vídeos, fotos, filmes etc.) difundidas pelo mundo.

1.7- AS TELECOMUNICAÇÕES NO BRASIL
O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a utilizar o telefone. Já em 1877, dom Pedro II instalou a primeira linha, que ligava o Palácio Imperial à sede da Guarda Nacional. A partir daí, porém, o desenvolvimento foi lento.
As telecomunicações no país expressaram um primeiro avanço principalmente a partir de meados da década de 1960. Nessa época, o Brasil tinha apenas 1.326.000 telefones, as ligações interurbanas podiam levar mais de um dia para serem realizadas e muitas ligações locais ainda tinham  que ser completadas com o auxílio da telefonista. As comunicações com o restante do mundo eram feitas, em sua maioria, pelo sistema de telégrafo. A partir de 1965, foi criada a Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel), estatal responsável pela reestruturação e modernização do sistema de telecomunicações no território brasileiro.

1.7.1- Primeiro telefone instalado no Brasil
Outro momento importante para esse processo foi a criação da Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebras), em 1972, responsável pela administração e operação do sistema de telefonia no país. A Telebras incorporou as concessionárias particulares existente e transformou o serviço de telefonia numa atribuição do Estado.  Transformou-se numa empresa holding controladora das operadoras distribuídas em cada uma das unidades da federação. O serviço telefônico passou a ser monopólio do Estado.

1.7.2- TELEFONIA E PRIVATIZAÇÕES
A criação da Telebras deu impulso ao desenvolvimento da telefonia, mas não conseguiu acompanhar o desenvolvimento do setor nem ampliar a sua infraestrutura diante das novas demandas do comércio internacional. A globalização gerou a necessidade de maior integração da economia nacional e da ampliação dos contatos entre empresas de diversos países do mundo. Há pouco mais de duas décadas, era difícil de possuir uma linha de telefone, pagava-se muito caro por uma instalação, as ligações interurbanas e internacionais eram muito caras, além de ser frequente o congestionamento das conexões.
Em 1997, o Brasil e mais 68 países de todo o mundo assinaram um acordo multilateral - o Acordo Mundial de Telecomunicações (AMT) - durante a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), firmando o compromisso de liberalização do mercado mundial de telecomunicações. Por esse acordo foram eliminadas as barreiras referentes à exploração da telefonia por empresas particulares nacionais ou estrangeiras, a partir do início de 1998. Nesse mesmo ano, o sistema Telebras começou a ser privatizado.
O governo procurava mostrar as grandes vantagens da privatização dos serviços telefônicos no Brasil. Alegava que a concorrência entre as operadoras reduziria taxas e preços das ligações em todo o país e melhoraria a qualidade dos serviços, uma vez que a entrada de empresas estrangeiras traria tecnologias mais avançadas ao setor.
A rede telefônica brasileira atualmente está controlada por um número reduzido de grandes operadoras. A disputa dessas gigantes do setor de telefonia ocorre apenas no caso de ligações interurbanas e internacionais e no setor de telefonia celular. A área de atuação dessas empresas para os serviços de telefonia fixa local é regionalizada e, por essa razão, estão praticamente livres de concorrência. Isso comprometeu as melhorias prometidas.

1.7.3- Operadoras de telefonia fixa no Brasil
O modelo adotado para a exploração da rede telefônica privilegiou as empresas e a população de maior poder aquisitivo. Ligar para os Estados Unidos, países da Europa e o Japão, por exemplo, ficou mais barato. O acesso ao telefone, tanto de telefonia fixa como móvel, ficou mais fácil, mas a ligação local e as taxas mensais cobradas pelas novas operadoras tornaram-se muito elevadas.

1.7.3.1-AGÊNCIAS REGULADORAS
As agências reguladoras foram criadas a partir do final de 1996, no contexto do processo de privatizações no Brasil. Elas foram inspiradas no modelo e experiência norte-americana. Entre as três principais agências criadas estão a Agência Nacional de Telecomunicações (Aneel) e a Agência Nacional de Petróleo (ANP). Apesar de pertencerem ao Estado brasileiro, essas agências têm autonomia financeira e administrativa.
Essas agências devem racionalizar e apoiar a melhoria e a modernização dos serviços e controlar possíveis abusos e irregularidades das empresas de cada setor, tais como aumento exagerado de preços, problemas no fornecimento dos serviços etc. A Anatel, por exemplo, tem poder de decisão sobre a concessão de exploração dos serviços de operadoras, aplicação de multas e acompanhamento da expansão do setor. Foi criada com a finalidade de promover o desenvolvimento das telecomunicações e criar condições para a ampliação de uma estrutura moderna e eficiente, capaz de oferecer à sociedade serviços adequados, com preços justos, em todo o território nacional.

1.7.4- TELEFONIA MÓVEL
A inauguração da telefonia móvel celular no Brasil ocorreu em 1990, com a utilização da banda (espectro de frequência captado pelo aparelho celular) A. Em 1997, com a inauguração da banda B, ocorreu significativa expansão da telefonia celular para grande parte do território nacional. A partir de 2003, a Anatel abriu novas bandas de frequência para aparelhos digitais de segunda geração.
Atualmente, tecnologias de     quarta geração (4G) de telefonia móvel permitem a transmissão com maior velocidade de download de músicas e vídeos e a incorporação ao celular de serviços como internet e TV. Os aparelhos 4G têm assegurado a ampliação do mercado desse tipo de telefonia. A cada dia aparelhos cada vez mais modernos entram no mercado.
A evolução da telefonia celular no Brasil foi surpreendente. Nos dias atuais, os números de terminais supera de longe os da telefonia fixa. Da mesma forma que na telefonia fixa, poucas operadoras detêm o controle da maior parte do mercado dos celulares. O custo do serviço é ainda elevado.
Para a expansão da telefonia celular, as autoridades também argumentaram que a concessão dos serviços a empresas privadas aboliria o monopólio estatal e estabeleceria maior competitividade entre as empresas, o que asseguraria melhor qualidade de serviços e menores preços. No entanto, em setembro de 2010, apenas quatro grandes operadoras controlavam 99,64% do mercado nacional.

1.7.5-INTERNET
A internet passou a funcionar no Brasil em 1988. Inicialmente era restrita a instituições de pesquisa, universidades e órgãos governamentais e militares. Em 1995, passou a ser um serviço oferecido a toda pessoa que possuísse um computador pessoal (PC), uma linha telefônica e conexão com um provedor de acesso.
O acesso à internet em domicílios chegou a 85,6 milhões de brasileiros, o equivalente a 49,4% da população, segundo indica pesquisa divulgada pelo IBGE. Os dados são referentes a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2013. A pesquisa considerou o acesso de pessoas acima de 10 anos de idade que utilizaram a internet pelo menos uma vez em um período de 90 dias anteriores à realização das entrevistas.
Esta foi a primeira vez que a pesquisa do IBGE contabilizou o acesso à internet por outros aparelhos que não fosse computadores e notebooks. Em 2011, ano do último levantamento, registrou-se que 46,5% da população se conectava à rede pelos tradicionais microcomputadores; enquanto o levantamento divulgado hoje aponta uma queda para 45,3%. A pesquisa mostra ainda que 4,1% das pessoas se conectaram à internet apenas por meio de outros dispositivos, como celular, tablet ou a televisão.
Segundo a pesquisa, dos 31,2 milhões das residências com acesso à internet, 97,7% estão conectados por banda larga e apenas 2,3% por telefonia discada. Considerou-se neste estudo que a conexão banda larga é aquela realizada por meios não discados, através da linha de telefônica, TV por assinatura, rádio, fibra ótica e pela rede de telefonia celular.
No país, 77,1% dos domicílios têm conexão por banda larga fixa, enquanto 43,5% têm acesso à banda larga móvel. O Distrito Federal tem a maior porcentagem de conexão fixa, com 86%, enquanto o Amapá a maior conexão móvel domiciliar, com 91%.
A pesquisa mostra um número equilibrado de acesso entre homens (49,3%) e mulheres (49,5%) no país em 2013. Mas a região norte tem um maior acesso por parte de mulheres (40,5) em comparação com os homens (38,6%), enquanto a região sudeste apresenta os maiores índices do país, com 57% dos homens e 56,4% das mulheres.
Em relação a faixa etária, os jovens entre 15 a 17 anos têm maior percentual de acesso à internet, com 75,7%. Os idosos com mais de 60 anos têm o menor percentual de acesso, com apenas 12,6%. Os dados mostram que a utilização da internet no país cresce de acordo com a escolaridade, variando de 5,4% para pessoas sem instrução, até 89,8% para quem tem mais de 15 anos de estudo.
Os dados apontam que 32,4% dos usuários da internet, o equivalente a 27,8 milhões de brasileiros, são estudantes. Destes, 28 milhões estavam na rede pública de ensino ao participarem da pesquisa, enquanto 8,7 milhões estudavam na rede privada em 2013.
Esse dado representava mais da metade da população conectada em toda a América do Sul, colocando o Brasil em 5° lugar no mundo, em número absoluto de usuários de internet.





FONTE: Lucci, Elian Alabi. Território e sociedade no mundo globalizado: geografia: ensino médio, volume 2 / Elian Alabi Lucci, Anselmo Lázaro Branco, Cláudio Mendonça. – 2ª. ed. - São Paulo: Saraiva, 2013.