Geografia da Amizade

Geografia da Amizade

Amizade...Amor:
Uma gota suave que tomba
No cálice da vida
Para diminuir seu amargor...
Amizade é um rasto de Deus
Nas praias dos homens;
Um lampejo do eterno
Riscando as trevas do tempo.
Sem o calor humano do amigo
A vida seria um deserto.
Amigo é alguém sempre perto,
Alguém presente,
Mesmo, quando longe, geograficamente.
Amigo é uma Segunda eucaristia,
Um Deus-conosco, bem gente,
Não em fragmentos de pão,
Mas no mistério de dois corações
Permutando sintonia
Num dueto de gratidão.
Na geografia
da amizade,
Do amor,
Até hoje não descobri
Se o amigo é luz, estrela,
Ou perfume de flor.
Sei apenas, com precisão,
Que ele torna mais rica e mais bela
A vida se faz canção!

"Roque Schneider"



Quem sou eu

Salvador, Bahia, Brazil
Especialista em Turismo e Hospitalidade, Geógrafa, soteropolitana, professora.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Geopolítica Atual: Um mundo em construção.

3.1- O Contexto da Nova Ordem Mundial
A partir dos anos 1990, com o fim da Guerra Fria, diversas circunstâncias políticas e econômicas determinaram novas orientações às questões internacionais e às relações entre os países: a queda do socialismo; o fim da União Soviética; o processo de democratização dos países da Europa Oriental; a reunificação da Alemanha; e os conflitos étnicos responsáveis por guerras civis.
Nesse contexto, os Estados Unidos ampliaram expressivamente sua hegemonia. No entanto, surgiram também outras potências econômicas, como Japão, União Europeia (liderada pela Alemanha) e China.
Apesar da supremacia norte-americana, circunstâncias econômicas ocasionadas pela grande crise mundial iniciada em 2007 e ações e intervenções políticas desastrosas de combate ao terrorismo não legitimaram a almejada liderança absoluta pretendida pelos Estados Unidos.

3.2- A ascensão japonesa e alemã
Durante a Guerra Fria, liderada pelos Estados Unidos e pela União Soviética, outros países direcionaram seus investimentos e desenvolvimento tecnológico principalmente às atividades econômicas. Conquistaram, assim, fatias expressivas no mercado internacional e obtiveram ganhos de produtividade superiores aos dos Estados Unidos. Os que tiveram maior crescimento, na segunda metade do século XX, foram justamente os dois grandes derrotados na Segunda Guerra Mundial: o Japão e a ex-Alemanha Ocidental.
No início da década de 1950, o Produto Nacional Bruto (PNB) dos Estados Unidos era superior ao do conjunto de países da Europa Ocidental e do Japão. Durante a Guerra Fria, a Alemanha e o Japão atingiram taxas de crescimento superiores às taxas da economia estadunidense. O Japão foi beneficiado pela ajuda econômica para a reconstrução do pós-guerra, denominado Plano Colombo, e pela Guerra da Coreia, que criou um mercado de abastecimento de produtos e serviços às bases norte-americanas: fornecimento de uniformes, alimentos, reparos de equipamentos e outros. A partir da década de 1970, adotou uma estratégia agressiva no cenário econômico mundial que consolidou sua hegemonia na região do Pacífico, especialmente no Sudeste Asiático, e abriu caminho para ampliar sua agenda comercial com os Estados Unidos. Acreditava-se que o Japão, em pouco tempo, seria capaz de superar o poder econômico dos EUA, no entanto, a partir do início da década de 1990, diminuiu substancialmente suas taxas de crescimento e foi superado pela economia chinesa em 2010, passando de segunda à terceira posição na economia mundial.
Com o fim da Guerra Fria, o país adotou uma nova postura internacional e engajou-se em operações de paz promovidas pelas Nações Unidas. Atualmente postula assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, apesar da oposição chinesa. Nesse novo contexto, ampliou seu orçamento para fins militares. Em 2011 possuía o sexto orçamento militar do mundo.
A Alemanha foi beneficiada pelo Plano Marshall e pelo sucesso do Mercado Comum Europeu, atual União Europeia. Em 1990, com a reunificação, o país reafirmou-se como a maior potência da Europa, restabeleceu e fortaleceu suas relações com os países que formavam o bloco socialista do Leste Europeu, por meio da expansão das empresas alemãs e da ampliação dos intercâmbios comerciais e financeiros. Apesar dos elevados custos da reunificação - cerca de um trilhão de dólares -, a economia alemã acabou beneficiada pela ampliação do mercado consumidor.
No final da década de 1990 a Alemanha se envolveu no conflito dos Bálcãs (lutas ocorridas na ex-Iugoslávia). Antecipou-se no reconhecimento da independência da Eslovênia e da Croácia e se envolveu pela primeira vez em um conflito armado desde a Segunda Guerra Mundial, ao colocar suas tropas sob o comanda da Otan, em combate contra a Sérvia. Em outra iniciativa militar externa, participou das tropas internacionais que atuaram no Afeganistão. Essas ações militares no cenário internacional, embora tímidas, estão associadas à intenção do país em tornar-se membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Em 2012, a Alemanha possuía o nono orçamento militar e o terceiro exportador de armas do planeta.
Apesar da retomada das ações militares da Alemanha e do Japão, e do peso desses países no conjunto da economia mundial, suas forças militares são reduzidas se comparadas às das potências militares, como Estados Unidos e Rússia, e também em relação a França, Inglaterra e China. Por não possuírem ou desenvolverem armas de destruição em massa, têm fraco poder de dissuasão.
Observe a tabela com os países que detêm os maiores arsenais nucleares.

PAÍS
TOTAL DE OGIVAS
EUA
8.000
RÚSSIA
10.000
REINO UNIDO
225
FRANÇA
300
CHINA
240
ÍNDIA
80 – 100
PAQUISTÃO
90 – 110
ISRAEL
80
CORREIA DO NORTE
DESCONHECIDO

3.3- China: novo protagonista no cenário mundial
Um dos acontecimentos mais importantes das últimas décadas foi o surgimento de mais uma potência na Ásia: a China. Esse país detém arsenal nuclear, é a terceira economia do mundo, faz parte do Conselho de Segurança da ONU e dispõe do segundo orçamento militar do planeta, com mais de 200 armas nucleares disponíveis. Abriga, ainda, o maior contingente populacional do globo - mais de 1,3 bilhão de habitantes -, o que lhe garante grande potencial de mercado e a formação da maior força armada do mundo - mais de 2,3 milhões de pessoas. Com esses superlativos e a presença cada vez mais marcante no cenário internacional, a China é vista como o país capaz de romper a supremacia norte-americana no século XXI.
No entanto, a China tem pendências em diversas questões internas para assegurar a manutenção de sua unidade territorial: movimentos pela independência nas regiões autônomas do Tibet, da Mongólia Interior e Xinjiang-Uigur. As pendências externas mais imediatas relacionam-se à disputa das Ilhas Spratly e à reincorporação de Taiwan. As Ilhas Spratly, um conjunto de mais de 100 formações de corais no mar da China Meridional, estão no meio da rota de grande circulação de navios mercantes e abrigam reservas de gás e petróleo. Elas são reivindicadas por seis países que ali mantêm bases militares: China, Vietnã, Filipinas, Brunei, Taiwan e Malásia. A pretensão da China de reincorporar Taiwan ao restante do país é outro ponto de grande tensão. Importante polo econômico asiático, Taiwan separou-se da China em 1949 e pretende seguir independente, no que conta com apoio dos Estados Unidos.

3.3.1- China e relações internacionais
Em 1996, a China patrocinou a formação da Organização de Cooperação de Xangai com o objetivo de reforçar a cooperação econômica entre os países-membros e combater o tráfico de drogas, o terrorismo e o separatismo. A organização delineia a possibilidade de formação de uma organização militar ampla de defesa e de segurança multinacional, capaz de contrabalançar a influência da Otan e dos Estados Unidos na Ásia Central. A Organização conta ainda com países observadores (sem direito a voto ou interferência nas decisões políticas) e parceiros de diálogo (países que compartilham valores semelhantes aos dos países-membros).
Nas últimas décadas, as relações internacionais da China com o resto do mundo ampliaram-se. Os chineses estreitaram os laços econômicos e políticos com diversos países, tanto com os que absorvem suas exportações como com aqueles de quem importam energia e matérias-primas. O país estreitou laços com o Irã, mantendo investimentos na área de exploração de gás natural. Faz, assim, percurso inverso ao dos Estados Unidos, que romperam relações diplomáticas com o Irã desde 1980, e ao da União Europeia, que defende na ONU a manutenção de sanções econômicas ao país.
A China é o maior importador de petróleo do Sudão e apoia abertamente o governo desse país, responsável pelo massacre de mais de 300 mil pessoas na região de Darfur e cujo presidente teve mandato de prisão expedido em 2009 pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). Outros países da África recebem atenção especial na agenda internacional chinesa, particularmente Angola.
Os países da África exportam petróleo, ferro, cobre e algodão e atraíram investimentos de várias empresas chinesas, principalmente a Petro China, hoje uma das maiores empresas petrolíferas do mundo. A China, além de ampliar suas exportações para o continente, tem realizado investimentos em meios de transporte, usinas de energia e sistemas de telecomunicações.

3.4- A Rússia na nova ordem geopolítica
Com o colapso da URSS, as transformações na ordem mundial e, a partir da década de 1990, o fim da Guerra Fria, a Rússia passou a participar de uma nova agenda internacional tanto no campo político como militar. Atualmente, o país exige maior participação no contexto internacional e busca afirmar-se como potência.
Apesar de enfrentar uma etapa difícil de transição da economia centralmente planejada para uma economia de mercado – capitalista -, às voltas com crises econômico-financeiras, aumento da pobreza e da corrupção, concentração de renda e guerras separatistas, em finais da década de 1990 a Rússia passou a integrar o G-8. É a segunda potência nuclear do planeta, e em seu imenso território dispõe de grandes reservas minerais, inclusive petróleo. Além disso, mantém relações de cooperação com o Irã - país importante no contexto geopolítico do Oriente Médio - para a construção de reatores nucleares, acordos militares com a índia e, desde julho de 2001, quando assinou um acordo de amizade, busca estreitar relações políticas com a China.
Em maio de 2002, com a criação do Conselho Otan-Rússia, o país passou a participar das discussões ao lado dos países-membros da Otan em assuntos de interesse mútuo, como a definição de estratégias político-militares a serem aplicadas no controle da proliferação de armas nucleares e no combate ao terrorismo.
A Rússia também acertou com os Estados Unidos acordos para a redução de armas nucleares estratégicas. No entanto, mesmo com os cortes, ambos os países ainda dispõem de armamento nuclear capaz de destruir o planeta.
A criação do Conselho Otan-Rússia ocorreu após o aval russo à intervenção armada norte-americana no Afeganistão, em 2001. Essa intervenção foi considerada o primeiro embate dos Estados Unidos com base nos princípios que seriam consolidados posteriormente na Doutrina Bush (da qual trataremos à frente) e justificada pela necessidade de combater o terrorismo internacional. Em contrapartida, a Rússia não foi reprovada pela violenta repressão empreendida ao movimento separatista na Chechênia, uma república islâmica que faz parte da Federação Russa.
A Rússia, no entanto, se posicionou contra a intervenção militar no Iraque e contra os avanços da política intervencionista dos Estados Unidos.
Em 2008, tropas russas entraram em conflito com a Geórgia ao apoiar a luta pela independência da Ossétia do Sul e da AbKásia, repúblicas autônomas controladas pelo Estado georgiano. A Geórgia nos últimos anos se aproximou dos Estados Unidos e é candidata a integrar a Otan.
No mesmo ano, outra questão confrontou a Rússia e os Estados Unidos: a intenção de o governo norte-americano construir um sistema de defesa antimísseis na Polônia apoiado por um sistema de radares na República Tcheca. Apesar de os Estados Unidos sustentarem que o sistema estaria voltado ao bloqueio de uma suposta ameaça dos mísseis do Irã ao continente europeu, a Rússia via o projeto como uma ameaça à sua segurança e como uma forma de neutralizar seu poder de fogo. Depois de advertências russas e negociações com o governo de Barack Obama, os Estados Unidos proclamaram, em 2009, a desistência do escudo antimísseis e a reformulação dos planos de defesa para o país.

3.5- A supremacia norte-americana
Os Estados Unidos são responsáveis por cerca de 25% de toda a produção de bens e geração de serviços no mundo, ou seja, um quinto do PIB mundial (15,09 trilhões de dólares em 2011), índice superior à soma do PIB dos outros três países mais ricos do mundo (Japão, China e Alemanha).
Em 2012, 5 das 10 maiores empresas do mundo em valor de mercado eram norte-americanas. Com cerca de apenas 4,5% da população do planeta, os norte-americanos consomem 18,5% da energia gerada no mundo, considerando todas as fontes energéticas. Eles respondem também por cerca de 13% das importações mundiais.
Vários países, inclusive alguns desenvolvidos, dependem dos Estados Unidos, em termos de comércio exterior. O Japão, por exemplo, a terceira maior economia do mundo (PIB de aproximadamente 5,6 trilhões de dólares, em 2011), realiza cerca de 15% das suas exportações para o mercado norte-americano.
Os Estados Unidos exercem a supremacia econômica, apesar de contrabalançada por centros econômicos como a União Europeia, o Japão, os Brics e outros. A preponderância norte-americana é muito maior quando se considera também o aspecto político-militar. O país atingiu posição privilegiada em termos de capacidade bélica, graças ao desenvolvimento da tecnologia militar.
Destaca-se pelo uso de satélites artificiais e radares, poderosa frota de porta-aviões (cada qual com poderio superior ao da maior parte dos exércitos do planeta), submarinos nucleares e bem equipada força aérea, que inclui aviões não detectáveis por radar. O orçamento militar anual dos Estados Unidos é quase a metade dos gastos militares do mundo.
Essa supremacia é manifestada até mesmo nas decisões tomadas pela ONU (e pelos países que a integram), que com frequência age para atender aos interesses norte-americanos, e nas políticas estabelecidas pelos organismos internacionais, como o FMI e o Banco Mundial.
Apesar da supremacia dos Estados Unidos, não se pode considerar o desenvolvimento norte-americano - ou seja, o modo de vida de sua população e a maneira como atingiram tão amplo poder político internacional - um modelo a ser seguido. Os Estados Unidos gastam sozinhos aproximadamente 25% de tudo o que o mundo consome, boa parte sem envolver processos de reciclagem, reutilização ou reaproveitamento, o que gera grande quantidade de lixo e poluentes.
A história da política externa norte-americana tampouco é uma referência positiva. É marcada por invasões, guerras e deposição de governos em diversos países. Essa liderança geopolítica, que em diversos momentos dispensou a diplomacia, implica vultosos gastos em pesquisa, produção de armamentos e manutenção de forças militares.

3.5.1- A política externa norte-americana e a geopolítica mundial
Do ponto de vista geopolítico, a ordem mundial inaugurada após a Guerra Fria passou a ser comandada pelos interesses dos Estados Unidos, respaldados por sua incontestável supremacia militar. O país iniciou o século XXI como superpotência absoluta. A forma como a hegemonia foi implementada foi denominada  pax americana (é um termo latino referindo-se a hegemonia norte-americana no mundo. Também indica o período de relativa paz entre as potências ocidentais e outras grandes potências do fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, coincidindo com a atual dominação econômica e militar dos Estados Unidos da América, em estreita colaboração com a ONU.), em alusão a Pax Romana, adotada pelo  imperador de Roma, Otávio Augusto, de 29 a.C. a 180 d.C. A partir de então, a política externa norte americana foi marcada pelo unilateralismo. Os Estados Unidos tomaram medidas que, independentemente das posições e necessidades de outros países, visam atender a seus interesses e manter sua supremacia, como, por exemplo:
• recusaram-se a ratificar o Protocolo de Kyoto, por considerar que ele restringiria seu desenvolvimento econômico;
• retiraram-se da conferência mundial contra a discriminação e o racismo, realizada na África do Sul, em 2001;
• não assinaram os termos para a criação do Tribunal Penal Internacional;
• aumentaram o protecionismo comercial de alguns produtos agrícolas e industriais, prejudicando as exportações de vários países, inclusive do Brasil;
• lançaram uma ofensiva militar contra o Iraque, junto com o Reino Unido, sem a aprovação da ONU para derrubar o governo de Saddam Hussein.

3.5.2- Ocupações e intervenções no século XXI
Os Estados Unidos reagiram ao atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 invadindo o Afeganistão. Em outubro daquele ano, atacaram o país com o pretexto de eliminar terroristas lá instalados, principalmente Osama Bin Laden, líder do grupo islâmico Al Qaeda, acusado de ter planejado o ataque. Depois de derrubar o governo afegão, liderado por religiosos islâmicos radicais ligados ao Talibã, ocuparam o país.
No entanto, no caso da guerra contra o Iraque, em 2003, não havia nenhuma evidência de que o país constituísse uma ameaça aos Estados Unidos ou a qualquer outro país do Oriente Médio. As alegações de que o governo iraquiano estava ligado à Al Qaeda, financiava grupos terroristas e tinha em seu arsenal militar armas de destruição em massa foram reconhecidas, posteriormente, como falsas pelo próprio governo norte-americano.
As intervenções militares no Afeganistão e no Iraque foram alicerçadas por uma nova política, que justifica a ação dos Estados Unidos, independentemente da aprovação da ONU: a doutrina da guerra preventiva. Para muitos analistas, o ataque de 11 de setembro criou condições favoráveis e serviu de pretexto para que os Estados Unidos atuassem no mundo de acordo com seus próprios interesses econômicos, impondo sua presença e domínio a regiões estratégicas do planeta.
Além das ofensivas militares no Afeganistão e no Iraque, outras reações do governo dos Estados Unidos aos atentados terroristas provocaram mudanças internas e externas. Por exemplo:
• a definição do chamado "eixo do mal", composto por Coreia do Norte, Irã e Iraque, países que, na visão norte-americana, apoiavam o terrorismo internacional;
• o estabelecimento da Doutrina Bush;
• a aprovação de leis de restrição aos direitos civis, como a permissão para "grampear" telefones e prender estrangeiros suspeitos por tempo indeterminado.

Na tentativa de evitar ataques semelhantes, alguns países da Europa Ocidental também passaram a controlar com maior rigor o fluxo de imigrantes. Além disso, tornaram-se mais comuns ações que violam os direitos civis individuais, como o uso de câmeras, o rastreamento de mensagens eletrônicas, a escuta de ligações telefônicas etc.
O governo de Barack Obama, que assumiu o poder em 2009, anunciou o fim da Doutrina Bush e a adoção de medidas baseadas no princípio universal dos direitos humanos e legitimadas pelo direito internacional. Após duas décadas de unilateralismo - desde o final da Guerra Fria - os Estados Unidos terminaram a primeira década do século XXI com dois grandes desafios: solucionar uma crise econômica cuja dimensão só não era maior que a ocorrida em 1929 e resgatar parte do prestígio no cenário internacional, profundamente abalado, principalmente pela adoção de uma política avessa a
soluções diplomáticas.
Apesar de sinalizar mudanças em relação ao governo anterior, Barack Obama manteve algumas políticas na agenda internacional norte-americana. São exemplos a manutenção da guerra contra o terrorismo, a ampliação da presença militar no Afeganistão e a permanência de tropas no Iraque pelo menos até o final de 2011.
O combate ao terrorismo não é uma estratégia exclusiva dos Estados Unidos. Aprovada pelo Conselho de Segurança e pela Assembleia Geral da ONU, foi acatada pela maioria dos Estados e validada pelo governo Obama. O que se questiona são os instrumentos utilizados para a implementação dessa estratégia, e que servem como pretexto para atender a interesses econômicos e ações de ocupação territorial dos Estados Unidos.
Além disso, a prioridade na luta contra o terrorismo, internacionalmente validada, merece uma reflexão. Nesse tipo de combate não ocorre o enfrentamento direto, pois o terrorismo não é visível, não tem endereço e possui ramificações internacionais. Esse combate não mantém compromisso com as leis internacionais nem com qualquer convenção de guerra. Portanto, privilegiar esse tipo de combate e perseguir prováveis inimigos significa colocar o mundo em estado de guerra permanente. No primeiro ano de mandato, o governo Obama determinou o fechamento de prisões que os Estados Unidos mantêm em suas bases militares no exterior - entre elas a de Guantánamo, em Cuba - e proibiu o uso de tortura em interrogatórios, prática comprovada durante o governo Bush.
A nova política externa norte-americana aponta para o declínio do unilateralismo. Indica que o país irá reforçar seu poder de influência ideológica e cultural combinando soluções diplomáticas e ações militares, quando estas forem necessárias; e irá exercer pressão através de medidas de sanção e embargo econômicos.Continuará mantendo a sua hegemonia, embora não absoluta, que só será legítima com o apoio de outras potências.

A GUERRA FRIA

2.1- A Guerra Fria ou Terceira Guerra Mundial
A Segunda Guerra Mundial mal terminara quando a
humanidade mergulhou no que se pode encarar, razoavelmente, como uma Terceira Guerra Mundial, embora uma guerra muito peculiar. [...] Gerações inteiras se criaram à sombra de batalhas nucleares globais que, acreditava-se firmemente, podiam estourar a qualquer momento e devastar a humanidade. [...] À medida que o tempo passava, mais e mais coisas podiam dar errado, política e tecnologicamente, num confronto nuclear permanente baseado na suposição de que só o medo da "destruição mútua inevitável" (adequadamente expresso na sigla MAD, das iniciais da expressão em inglês — mutually assured destruction) impediria um lado ou outro de dar o sempre pronto sinal para o planejado suicídio da civilização. Não aconteceu, mas por cerca de quarenta anos pareceu uma possibilidade diária.
A peculiaridade da Guerra Fria era a de que, em termos objetivos, não existia perigo iminente de guerra mundial. Mais que isso: apesar da retórica apocalíptica de ambos os lados, mas sobretudo do lado americano, os governos das duas superpotências aceitaram a distribuição global de forças no fim da Segunda Guerra Mundial, que equivalia a um equilíbrio de poder desigual mas não contestado em sua essência. A URSS controlava uma parte do globo, ou sobre ela exercia predominante influência — a zona ocupada pelo Exército Vermelho e/ou outras Forças Armadas comunistas no término da guerra — e não tentava ampliá-la com o uso de força militar. Os EUA exerciam controle e predominância sobre o resto do mundo capitalista, além do hemisfério norte e oceanos, assumindo o que restava da velha hegemonia imperial das antigas potências coloniais. Em troca, não intervinha na zona aceita de hegemonia soviética. [...]
HOBSBAWN, Eric. Era dos extremos: o breve século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 224.

2.2- A Guerra Fria e a ordem mundial bipolar
A destruição da Europa durante a Segunda Guerra marcou o fim do poder que o continente acumulara nos séculos anteriores. A economia europeia estava desorganizada e mergulhada no esforço de sua reconstrução.
Incapazes de assegurar seu próprio destino, de articular um sistema de defesa e de restaurar sua economia sem ajuda externa, os governantes dos países europeus foram obrigados a enquadrar-se em uma nova ordem mundial, cuja liderança seria disputada pelas potências de fato vitoriosas na guerra: os Estados Unidos e a União Soviética. No início da década de 1940, a União Soviética já se destacava das demais economias do mundo em alguns setores produtivos - siderurgia e petroquímica - e em infraestrutura energética e de transporte, sendo superada apenas pelos Estados Unidos.
Após 1945, com a expansão do socialismo, a URSS passou a exercer influência direta em quase todos os continentes.
Os Estados Unidos, por sua vez, tornaram-se a principal liderança do mundo ocidental (capitalista). A guerra havia se convertido num bom negócio para os americanos, pois suas taxas médias de crescimento econômico, do final da década de 1930 ao início da de 1960, foram superiores às de qualquer outro país.
Após 1945, o mundo foi reordenado a partir desses dois blocos antagônicos. A geopolítica bipolar, marcada pela supremacia dos Estados Unidos (capitalismo) e da União Soviética (socialismo), definiu as relações internacionais e os principais conflitos mundiais.
Em 1947, o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, declarou no Congresso: "A política dos Estados Unidos será a de prestar apoio aos povos livres que resistem às tentativas de subjugamento por obra de minorias armadas ou de pressões do exterior". Estava lançada a Doutrina Truman, cujos princípios norteariam a rivalidade entre Estados Unidos e União Soviética. Denominada também Doutrina de Contenção, foi criada com o firme propósito de barrar a expansão socialista e inaugurou quatro décadas de disputa entre as duas superpotências. Era o início da Guerra Fria.
De modo geral, os acontecimentos político-militares, entre 1947 e 1989, em todos os países do globo, ocorreram no contexto da hegemonia das duas potências. As interferências dos Estados Unidos e da União Soviética praticamente ocorriam ao mesmo tempo, cada país apoiando um dos lados envolvidos.

2.3- A Organização das Nações Unidas (ONU)
A ONU foi criada em 1945 pela Conferência de São Francisco, com o objetivo de assegurar a paz mundial e promover a cooperação entre os países.
Apesar disso, desde sua criação, não se pôde impedir que ocorressem, no mundo, centenas de conflitos que levaram à morte mais de 20 milhões de pessoas.
Quase todos os países do planeta participam da ONU, que é formada por vários órgãos e por uma série de agências especializadas, como: Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Conta também com programas e organizações como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Entre os princípios da Carta das Nações Unidas está registrado que todos os Estados-membros são soberanos e iguais entre si. As resoluções tomadas pela Assembleia Geral, onde cada país tem direito a um voto, têm que ser aprovadas por pelo menos nove dos quinze países que formam o Conselho de Segurança (cinco membros permanentes e dez temporários). No entanto, apenas os cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China) têm poder de veto.
A estrutura da ONU é bastante questionada no mundo atual. Isso porque emergiram outras potências mundiais, como Japão e Alemanha, que não têm representação permanente no Conselho de
Segurança e emergiram também outras nações, como índia e Brasil, que são populosas e apresentam relativa influência entre os países subdesenvolvidos.
Outra crítica é que ela ainda representa a ordem mundial definida pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial. Além disso, os Estados Unidos têm sido acusados de conquistar votos para as questões de seu interesse, oferecendo ajuda financeira aos países mais pobres, e de não acatar as resoluções que afetam seus objetivos internacionais.
A aparente representatividade dos países na Assembleia Geral é também questionável quando se observa que o peso do voto de Tuvalu, com apenas 10 mil habitantes, é equivalente ao da índia, que tem mais de um bilhão de habitantes. Além disso, em diversos momentos, as resoluções da ONU não têm sido respeitadas, o que coloca em cheque sua capacidade de mediar e impedir os conflitos mundiais, objetivos para os quais foi criada.

2.4- Os Estados Unidos e a articulação da economia mundial
Em 1944, na Conferência de Bretton Woods, nos Estados Unidos, os governos dos países capitalistas definiram uma nova ordem econômica, que estimulava a retomada do desenvolvimento capitalista e a maior integração da economia mundial. Para tanto, foram criados o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Gatt).
Inicialmente, o Banco Mundial tinha o objetivo de captar fundos para a reconstrução europeia após o término da guerra. Posteriormente, transformou-se numa instituição que fornecia recursos necessários à criação de infraestrutura nos países subdesenvolvidos.
O FMI foi criado para estimular o comércio internacional, promover ajuda econômica e fornecer assessoria técnica aos países membros que apresentassem problemas financeiros. A partir de sua atuação, foram estabelecidas as regras básicas das relações financeiras internacionais. A partir de sua criação, os países associados converteram o valor de suas moedas ao dólar ou ao ouro, ocorrendo, por causa disso, uma valorização da moeda norte americana frente às demais. O dólar passou a ser a moeda de referência no comércio mundial e aceito em todas as transações.
O Gatt foi a terceira instituição criada com o objetivo de intensificar e regulamentar o comércio mundial. Em 1º de janeiro de 1995, foi substituído pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Essas três instituições são interdependentes: os países que não respeitam as regras estabelecidas pela OMC, por exemplo, não têm acesso aos recursos financeiros do FMI e do Banco Mundial. Da mesma forma, o Banco Mundial só libera recursos para países que orientam sua economia de acordo com as metas estabelecidas ou aprovadas pelo FMI.

2.4.1- O Plano Marshall
Em 1947, os Estados Unidos lançaram o Plano Marshall, que visava consolidar o capitalismo na Europa Ocidental e reconquistar o espaço perdido para os soviéticos na Europa Oriental. O plano consistia numa ajuda econômica de grandes proporções a todos os países europeus atingidos diretamente pela guerra.
A ajuda se destinava, inclusive, aos países que já haviam adotado a orientação socialista e estavam sob influência soviética. Entretanto, devido a pressões da União Soviética, os países do Leste Europeu, exceto a Iugoslávia, recusaram qualquer auxílio dos Estados Unidos.
O Plano Marshall foi estendido também aos países derrotados, como Alemanha (Ocidental) e Itália. O Japão foi beneficiado por um plano similar (Plano Colombo). A recuperação econômica e a regularização do comércio mundial eram essenciais à continuidade do próprio sistema e à contenção do socialismo. Além disso, asseguravam para os Estados Unidos um mercado internacional capaz de absorver sua elevada produção e sua disponibilidade de capital, sem os quais o país poderia mergulhar numa depressão semelhante à de 1929, devido à superprodução de bens e ao excedente de capitais.
O final da Segunda Guerra significou a vitória da democracia sobre o nazi fascismo.  A reestruturação dos países foi acompanhada pelo fortalecimento dos ideais democráticos e o revigoramento do sindicalismo, que acarretou maiores ganhos salariais e melhor distribuição de renda nos países desenvolvidos.
A indústria de bens de consumo duráveis diversificou-se e expandiu o seu mercado. Os lares europeus, e até mesmo de alguns países subdesenvolvidos, foram invadidos por uma avalanche de produtos que passaram a ser consumidos em grande quantidade, sobretudo aparelhos domésticos e automóveis.

2.5- As Alianças Militares
O final da Segunda Guerra sinalizava o prenuncio de um novo conflito, cujas proporções seriam imprevisíveis. Já em 1945, os Estados Unidos mostraram ao mundo o seu poder de dissuasão militar ao forçar a rendição do Japão por meio das bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki. Em 1949, a União Soviética fez o seu primeiro teste nuclear, demonstrando que estava em igualdade de condições no caso de um conflito militar.
Ainda em 1949, sob a liderança dos Estados Unidos, foi criada a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), um sistema de defesa multinacional que reuniu as forças militares dos Estados Unidos, do Canadá e de vários países da Europa.
Em 1955, os países socialistas, sob a liderança soviética, formaram o Pacto de Varsóvia, com a mesma finalidade: a defesa militar comum de seus associados. Em 1991, após o fim da União Soviética, o Pacto de Varsóvia foi extinto.
Atualmente, a Otan é constituída por 28 países. A aproximação da Otan da fronteira da Rússia limita as possibilidades de ações geopolíticas futuras desse país no continente europeu. Desde 2002 a Rússia participa do Conselho da Otan, mas não é considerada membro e não tem direito a voto.
Para muitos analistas, a Otan é hoje um organismo
ultrapassado. Criada no contexto da Guerra Fria, nasceu para fazer face à União Soviética e ao bloco comunista, mas perdeu sua razão de existência. No entanto, tem sido um organismo militar de apoio à
máquina de guerra norte-americana, que tem comandado suas ações nos conflitos que surgiram a partir da década de 1990, com o fim da URSS.

2.6- A Geopolítica da Guerra Fria
A geopolítica bipolar, marcada pela supremacia dos Estados Unidos e da União Soviética, definiu o destino de quase todos os países nas décadas seguintes ao final da Segunda Guerra.
Aproveitando-se de conflitos regionais, as duas superpotências procuravam demarcar ou ampliar suas áreas de influência, que adquiriram dimensão mundial. A Guerra Fria esteve, assim, por trás de quase todos os conflitos ocorridos entre 1947 e 1989.
Cinco anos após o término da Segunda Guerra, em 1950, Estados Unidos e URSS já se defrontavam indiretamente na Guerra da Coreia, que terminou com a divisão do país em Coreia do Norte (socialista) e Coreia do Sul (capitalista). Em 1959, a Revolução Cubana enfrentou a oposição dos vizinhos norte-americanos, o que levou Cuba, nos anos seguintes, ao alinhamento com a União Soviética e à integração ao bloco socialista.
A União Soviética também viveu sérios conflitos em seus domínios, como as tentativas de insurreição na Hungria, em 1956, e na Tchecoslováquia, em 1968, ambas sufocadas pelo exército soviético.
O ano de 1964 marcou a intervenção direta dos Estados Unidos no Vietnã, num conflito contra o colonialismo francês que se arrastava desde o final da Segunda Guerra. Os Estados Unidos, com sua política de contenção do comunismo, sempre apoiaram as tropas francesas. No entanto, a participação direta dos norte-americanos no conflito revelou-se desastrosa. Além das perdas humanas (cerca de 50 mil mortos e 800 mil feridos e mutilados), que mobilizaram negativamente a opinião pública norte-americana, a guerra teve um
custo financeiro astronômico. Em 1973, os Estados Unidos retiraram-se da guerra, derrotados e desmoralizados. Seus modernos recursos militares não conseguiram vencer as dificuldades impostas pela densa floresta tropical e pelas táticas de guerrilha dos vietcongues.
Os Estados Unidos e a União Soviética já haviam iniciado, em 1955, após a morte do ditador russo Josef Stalin, uma política de coexistência pacífica, a détente. No entanto, não cessaram a pesquisa e a produção de armas e mantiveram sua política externa de apoio e estímulo a conflitos em diversas regiões do mundo.

2.7- A questão alemã
Na Conferência de Potsdam, em 1945, após a derrota da Alemanha na Segunda Guerra, estabeleceram-se a divisão do território alemão, seu desarmamento e as novas divisões de fronteiras com a Áustria, Tchecoslováquia, Polônia e URSS.
O país foi dividido em quatro zonas de ocupação. A parte ocidental foi ocupada por tropas inglesas, francesas e americanas. A parte oriental, formada por cinco estados, transformou-se em zona de ocupação soviética. A Alemanha foi obrigada ainda a ceder à Polônia mais de 100 mil km2 de seu território a leste dos rios Oder e Neisse, e à URSS, a região de Kõnigsberg, atual Kaliningrado.
Berlim, situada no interior da zona de ocupação soviética, também foi dividida em quatro zonas. Berlim Oriental foi ocupada pela URSS, e Berlim Ocidental, por França, Inglaterra e Estados Unidos.
Em 1949, os estados do lado ocidental promoveram uma reforma monetária que criou uma nova moeda, o marco alemão, desvinculada da moeda dos demais estados orientais. Formaram, ainda, uma Assembleia Constituinte, que instituiu uma nova Constituição,
e um Estado alemão independente: a República Federal da Alemanha (RFA). Cinco meses depois, em oposição à criação da RFA, a URSS autorizou a formação de um estado socialista alemão, que originou a República Democrática Alemã (RDA).
As relações entre os dois novos Estados alemães foram de franca oposição. O primeiro-ministro eleito da RFA, Konrad Adenauer, promulgou a Hallstein--Doktrin, que estabelecia o rompimento das relações diplomáticas com os países que reconhecessem a RDA como país soberano. Esta, por sua vez, pressionava a URSS para que autorizasse o bloqueio de suas vias terrestres, utilizadas pela RFA para o abastecimento do lado ocidental da cidade de Berlim. O governo da RDA mantinha a esperança de que toda a cidade caísse sob o seu controle.
Berlim transformou-se numa questão delicada. Desde a formação das duas Alemanhas, mais de 3 milhões de pessoas evadiram-se do lado oriental para o ocidental, principalmente jovens e profissionais qualificados. Somente no primeiro semestre de 1961, a RDA perdeu mais de 200 mil habitantes para a RFA. Além disso, formou-se na cidade um mercado negro, com a venda de alimentos para os ocidentais a preço subsidiado pelo governo socialista oriental.
Em agosto de 1961, a URSS autorizou o governo de Walter Ulbricht a construir um muro, isolando totalmente a parte ocidental da cidade
do resto do território da Alemanha Oriental. O Muro de Berlim transformou-se no principal símbolo da Guerra Fria.


2.8- A crise dos mísseis
Em 1962, a tensão entre Estados Unidos e União Soviética chegou a um ponto crítico, quando o país socialista decidiu instalar em Cuba uma base de mísseis nucleares apontados para o território norte-americano. O objetivo era conter qualquer possibilidade de invasão a Cuba, como a ocorrida em 1961, quando refugiados cubanos, apoiados pelos Estados Unidos, tentaram invadir a Baía dos Porcos.
O presidente Kennedy ordenou, então, o imediato bloqueio naval da ilha, pela marinha e pela aviação norte-americana, e deu início a uma dura etapa de negociação com o então secretário-geral do Partido Comunista da URSS, Nikita Krushev.
O momento foi de grande tensão, com a possibilidade real de uma guerra nuclear. A retirada dos mísseis soviéticos de Cuba envolveu pressões com manobras militares das duas grandes potências e esforços diplomáticos. Krushev acabou recuando diante do compromisso assumido pelos Estados Unidos de não invadir o território cubano e de retirar os mísseis instalados na Turquia dirigidos para o território soviético.

2.9- A descolonização e o movimento dos não alinhados
O final da Segunda Guerra Mundial desencadeou a luta pela descolonização dos países africanos e asiáticos. A resistência dos povos colonizados contra a opressão dos colonizadores era antiga, mas ganhou força nesse período.
Além disso, Estados Unidos e União Soviética apoiaram os movimentos de libertação em relação às potências europeias, com o objetivo de ampliar suas esferas de influência.
Com a independência política, surgiram disputas internas pelo controle do poder em diversos países africanos e asiáticos, que se transformaram em guerras civis. Contribuíram, ainda, para agravar a situação econômica e social, ao mesmo tempo em que criaram novas relações de dependência com os Estados Unidos e a União Soviética.
A estratégia fundamental da índia foi a "desobediência civil", que incentivava a população a não respeitar as leis injustas e prejudiciais impostas pelo colonizador; a boicotar a compra do tecido inglês e retomar a tradição de tecer suas próprias vestimentas; e a não pagar abusivos aumentos de impostos determinados pelo império britânico.
Em 1947, depois de resistir de todas as formas ao movimento pacifista liderado por Mahatma Gandhi e reprimir violentamente todas as manifestações pela libertação nacional, a Inglaterra não teve alternativa senão ceder à independência do país.
O pan-africanismo foi expressivo na luta pela descolonização da África. As propostas do movimento tinham como princípio a unidade dos africanos contra o domínio imperialista europeu e a defesa do continente como terra de todos os negros.
Os ideais do pan-africanismo ganharam força após a Segunda Guerra Mundial. Em 1958, foi organizada em Gana a Primeira Conferência dos Povos da África, reunindo diversos líderes africanos empenhados na luta pela libertação e independência. Os principais expoentes do pan-africanismo foram Jomo Queniata, do Quênia, e Kwame Nkrumah, de Gana.
No mundo árabe, surgiu o pan-arabismo. Formulado pelo presidente egípcio Gamai Abdel Nasser, responsável pela nacionalização do Canal de Suez, propunha a união das nações muçulmanas do norte da África e do Oriente Médio. O objetivo era conter a influência ocidental no milenar mundo árabe e na cultura islâmica.
No entanto, no mundo pós-Segunda Guerra, dominado pelas superpotências, a maior parte dos países pan-arabistas foi impelida a alinhar-se a um dos dois modelos políticos e socioeconômicos (capitalismo ou socialismo) e, por consequência, aos Estados Unidos ou à União Soviética.
Houve tentativas de não alinhamento. Uma delas foi o movimento dos não alinhados formado em 1955 na Conferência de Bandung, Indonésia. Reunindo líderes de cerca de 30 países africanos e asiáticos, a conferência exigiu participação mais ativa nas decisões internacionais, uma política de neutralidade em relação à bipolaridade estabelecida pela Guerra Fria e a luta pela libertação nacional contra o colonialismo.
A partir da Conferência de Bandung, popularizou-se o termo Terceiro Mundo, para referir-se aos países independentes das orientações das duas superpotências. Mais tarde, o termo foi aplicado indiscriminadamente ao conjunto dos países subdesenvolvidos. Apesar da proeminência de vários líderes, o bloco dos países "não alinhados" não conseguiu romper a divisão estabelecida por Estados Unidos e União Soviética.

2.9.1- Fim da Ordem Bipolar
De 1945 a 1970, o mundo viveu um ciclo de prosperidade. Tanto a economia capitalista como a socialista tiveram um crescimento econômico surpreendente, ressalvados os diferentes níveis de desenvolvimento entre os países de cada grupo. A partir da década de 1970, os dois modelos econômicos começaram a apresentar sintomas de crise.
No mundo capitalista, a crise teve origem nos crescentes déficits orçamentários e da balança comercial dos Estados Unidos. Esses déficits levaram o governo norte--americano a desvalorizar o dólar em relação ao ouro, em 1971, e a decretar a livre conversibilidade da moeda (ou seja, a flutuação do valor do dólar determinada pelo mercado), em 1973. Era o fim da paridade dólar/ouro estabelecida na Conferência de Bretton Woods.

Déficit orçamentário: situação em que os gastos do governo superam o valor arrecadado.

Balança comercial: relação entre as exportações e as importações de mercadorias realizadas por um país, medida em dólares. 0 déficit na balança comercial ocorre quando o valor das importações supera o valor das exportações, quando ocorre o contrário, a balança comercial registra superávit.
Com a situação deficitária, o dólar se desvalorizou em relação a outras moedas fortes – marco alemão, libra esterlina(Grã-Bretanha) e iene(Japão)-, aumentando a competitividade dos produtos norte-americanos no comércio externo e diminuindo a competitividade dos produtos tradicionalmente importados pelos Estados Unidos. A crise se alastrou por todos os países capitalistas, em razão da força da economia norte-americana no mundo. A recessão espalhou-se e abalou principalmente as economias menos desenvolvidas, que dependiam dos investimentos estrangeiros e das exportações de produtos agrícolas e matérias-primas para os países desenvolvidos. O quadro foi agravado pelo forte aumento do preço do petróleo, em 1973, fato que ficou conhecido como Primeiro Choque do Petróleo.
No mundo socialista, a crise era resultante do esgotamento do próprio modelo econômico. O industrialismo soviético, apoiado nas indústrias de base, de armas e aeroespacial, não acompanhou o
mesmo ritmo de desenvolvimento tecnológico de outros setores -sobretudo os de bens de consumo. A falta de criatividade e agilidade para modificar esse modelo comprometeu o funcionamento de praticamente todo o sistema. Além disso, a União Soviética, assim como os Estados Unidos, gastava quantias enormes em armamentos e na construção de foguetes, naves e satélites espaciais (corrida armamentista e corrida aeroespacial).
No caso dos Estados Unidos, a tecnologia militar acabou sendo adaptada à geração de produtos para a economia civil. Mais de 3 mil novos produtos de consumo, lançados pelos Estados Unidos na segunda metade do século XX, foram criados a partir de tecnologia desenvolvida, inicialmente, para produtos ligados à indústria de guerra ou aeroespacial. Já a União Soviética não conseguiu aproveitar dessa mesma maneira a tecnologia militar.

2.9.2- O Colapso do Socialismo
A URSS vivia um paradoxo: lançou o primeiro satélite artificial (Sputnik, em 1957), fabricou satélites espiões e mísseis de alta precisão, mas não conseguiu desenvolver uma indústria automobilística com tecnologia própria, não fabricou um bom televisor e nem mesmo uma simples enceradeira que funcionasse perfeitamente.
O modelo de economia estatal e planificada apresentava limitações em sua própria concepção. O socialismo, ao transferir todos os meios de produção para a gerência do Estado, não estimulou o desenvolvimento técnico dos setores que considerava secundários, como os bens de consumo. O Estado definia o que seria produzido pelas empresas, determinava as quantidades e estabelecia os preços.
Obrigadas a cumprir as metas de produção e de produtividade traçadas pelos planejadores estatais, as empresas compravam de um único fornecedor as mercadorias ou matérias-primas, independentemente de sua qualidade. Na agricultura, por exemplo, tratores e máquinas agrícolas comumente saíam das fábricas com problemas, tendo de ser consertados pelos próprios agricultores.
No final da década de 1970, a estagnação econômica atingiu praticamente todos os países socialistas. As indústrias estavam com grande capacidade ociosa, faltavam matérias-primas e alimentos e havia dificuldade para importar produtos básicos para o abastecimento da população e o funcionamento da economia. O custo da Guerra Fria se tornara insustentável para a economia soviética e constituía um entrave ao crescimento da produção de bens de consumo, insuficiente para atender a população.
Embora a crise econômica tenha se manifestado já na década de 1970, o Leste Europeu e a União Soviética mantiveram uma situação artificial de preços baixos dentro de suas fronteiras, sem promover qualquer alteração no modelo econômico, ineficiente e improdutivo. Na década de 1980, sua população vivia uma situação inusitada: dispunha de dinheiro, mas não tinha como gastá-lo.
A partir de 1985, o governo de Mikhail Gorbatchev promoveu uma grande alteração na estrutura política e socioeconômica da União Soviética. Implantou a Perestroika (reestruturação ou reconstrução), uma reformulação da economia que tinha como objetivo o aprimoramento de todo o sistema de produção e de propriedade, além da introdução de mecanismos de mercado.
Para vencer a resistência da cúpula do Partido Comunista, as reformas dependiam de um amplo apoio popular que as legitimasse. Para tanto, foi implantada a Glasnost (transparência), conjunto de reformas políticas que concederam liberdade de expressão e de informação, contida até então pelo regime socialista e pela ditadura czarista que o antecedeu.
A política de austeridade e de redução dos gastos públicos levou Gorbatchev a promover, junto ao governo dos Estados Unidos, uma série de acordos de desarmamento, para diminuir os gastos com a corrida armamentista. Os efeitos das transformações na União Soviética, no final da década de 1980, atingiram os países do Leste Europeu, provocando a queda dos governos socialistas, a democratização das instituições e o estabelecimento de eleições livres e diretas. O desmoronamento da economia socialista teve efeitos profundos no espaço geográfico da Europa. Em 1989, a Hungria retirou a cerca de arame farpado que havia em sua fronteira
com a Áustria. Os húngaros deram os passos iniciais, no Leste Europeu, em direção à privatização e à economia de mercado.
Na Alemanha Oriental, a evasão de cidadãos para a Alemanha Ocidental, via Tchecoslováquia e Hungria, levou o governo provisório a liberar as viagens para o exterior e a permitir, em 9 de novembro de 1989, o livre trânsito através do Muro de Berlim. A população encarregou-se de fazer o resto. Em poucos dias, quase nada restava do Muro, principal símbolo da Guerra Fria. A queda do Muro abriu caminho para a reunificação da Alemanha em 3 de outubro de 1990.


2.9.3- Problemas de transição nos países socialistas
Não é fácil mudar de um sistema econômico em que a propriedade pertence ao Estado, e a produção não depende do mercado, para um sistema em que o mercado determina o que é produzido, e a produção é realizada pela iniciativa particular.
Quem seriam os proprietários das empresas estatais privatizadas, se teoricamente não existiam pessoas com capital suficiente para comprá-las? Durante a transição, nos países socialistas muitas empresas foram vendidas para empresas estrangeiras; outras foram fechadas, pois não tinham condições de competir no mercado capitalista, ou simplesmente transferidas para grupos privilegiados que tinham influência no processo de privatização. Profissionais de grande competência migraram para outros países ou se sujeitaram a fazer qualquer tipo de trabalho disponível.
Na época do socialismo, existia pleno emprego e amparo social e todos tinham acesso ao sistema público de saúde. A transição para o capitalismo foi marcada pelo enfrentamento de problemas econômicos e sociais graves. Na Rússia, muitos ex-burocratas da antiga URSS passaram a atuar em atividades criminosas, constituindo a máfia russa. No Leste Europeu, segundo a ONU, no início do século
XXI, cerca de 1/3 da população vivia abaixo da linha de pobreza.
Apesar das dificuldades, na maioria dos países houve a conquista de liberdades fundamentais, eleições livres e maior autonomia da imprensa. Alguns países do Leste Europeu, até a crise econômica de 2007/2008, conquistaram relativa estabilidade econômica e avanços democráticos com a integração à União Europeia. Muitas empresas deslocaram sua produção para essa região da Europa, em função dos custos mais baixos e da mão de obra qualificada excedente.

2.9.4- O fim da Guerra Fria e as novas fronteiras europeias
Com o fim da Guerra Fria, a população da União Soviética passou a apoiar os políticos que prometiam um caminho mais rápido para a transição. Em 1990, o ultrarreformista Boris Yeltsin foi eleito presidente da Rússia. Após um ano de governo, declarou total
autonomia da Rússia em relação à União Soviética, sendo seguido pelas demais repúblicas soviéticas.
O ano de 1991 marcou o fim da União Soviética. As 15 repúblicas socialistas que a constituíam conquistaram a independência. Doze delas associaram-se a uma entidade supranacional mais ampla, a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), cujo limite de atuação e de integração entre os países nunca ficou bem definido. Letônia, Estônia e Lituânia não aderiram à CEI, que atualmente é formada apenas por dez países: o Turcomenistão deixou de ser membro permanente em 2005 e a Geórgia retirou-se definitivamente da CEI em decorrência do conflito aberto com a Rússia sobre a questão da Ossétia do Sul e da Abcásia.
A Tchecoslováquia foi desmembrada em dois países: a República Tcheca e a Eslováquia. Em relação às duas Alemanhas, menos de um ano depois da queda do Muro de Berlim, elas foram unificadas, causando profundas alterações na geopolítica europeia. A Alemanha, já fortalecida economicamente, passou a ser o país europeu com maior influência na porção oriental do continente.
A Iugoslávia foi esfacelada. Formada por várias nacionalidades e culturas distintas, os conflitos separatistas na década de 1990 dividiram-na em seis países independentes: Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina, Macedônia, Sérvia e Montenegro.
A derrocada do socialismo significou o colapso de todo o sistema de relações internacionais surgido após a Segunda Guerra Mundial. O fim do socialismo na União Soviética e nos países do Leste Europeu abriu as portas para uma reordenação geopolítica no mundo.

O MUNDO ENTRE GUERRAS

1- Introdução: A geopolítica estuda as relações entre espaço geográfico e poder. O termo foi utilizado pela primeira vez por Rudolf Kjellen no início do século XX, quando se consolidou como campo de estudo, com base na disputa de poder e da hegemonia entre Estados, através das estratégias políticas e militares utilizadas para a segurança nacional, expansão das fronteiras e domínio de outros territórios. A geopolítica global surgiu com o mundo moderno, a formação dos Estados nacionais europeus, a expansão mercantilista e as conquistas territoriais marcadas pelas grandes navegações.

1.2. O SÉCULO XX
O século XX foi marcado por grandes contrastes. As guerras mundiais, a bomba atômica e as armas sofisticadas e modernas. Ao mesmo tempo o desenvolvimento médico-científico, com a descoberta da penicilina, do antibiótico as diversas vacinas acabou também contribuindo para a longevidade humana.
Nesse século o espaço geográfico sofreu grandes modificações com a formação de cidades gigantescas, construções de usinas, estradas, redes de comunicação dentre outras realizações, o que acabou causando grandes impactos ambientais.
Historicamente a Primeira Guerra Mundial (1914 a 1918) está entre um dos principais fatos que marcaram o início do século XX. A Primeira Guerra Mundial relaciona-se diretamente às disputas imperialistas.
A Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945) teve proporções maiores que a primeira, além de influenciar na indústria armamentista.

1.3. O IMPERIALISMO E A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL.
Nas três últimas décadas do século XIX, as potências industriais (Grã-Bretanha, França, Bélgica, Holanda e EUA) dominaram o mundo.
A Grã-Bretanha e França dominaram a Ásia e parte do território africano. A Bélgica, Holanda e EUA, também estenderam seus domínios em diferentes partes do mundo, a Bélgica apossou-se da atual Indonésia, a Bélgica da atual República Democrática do Congo e os EUA a América e tomaram da Espanha as Filipinas, Porto Rico e Cuba. Esses domínios eram necessários para que essa potências pudessem desenvolver suas industrias, pois precisavam de matérias-primas.
Nessa época esses países aumentaram seus controles sobre as colônias já existentes  e conquistaram novas colônias também, daí essa fase acabou ficando conhecida como imperialismo ou neocolonialismo.
Esse neocolonialismo representou uma nova divisão econômica e politica no mundo, que resultou na partilha da Ásia e África entre as potências europeias.
O Continente africano por exemplo foi dividido como uma “colcha de retalhos”, o aprofundamento das rivalidades levou a formação de alianças militares o que acabou dividindo a Europa  em dois blocos: de um lado tínhamos a Tríplice Aliança, formada por Itália, Alemanha e a Áustria-Hungria e do outro lado estava a Tríplice Entente, formada pela Grã-Bretanha, França e Rússia.
Nesse período o sudeste da Europa era palco de grandes disputas e em 1914 o arquiduque austro-húngaro Francisco Ferdinando foi assassinado na capital da Bósnia por um estudante sérvio e isso acabou sendo visto como uma agressão sérvia ao império Austro-Húngaro o que serviu como estopim para o início da Primeira Guerra Mundial.
A Tríplice Aliança com apoio da Turquia e da Bulgária opuseram-se a Tríplice Entente, onde num primeiro momento a Itália declarou-se neutra, porém num segundo momento essa mesma Itália aliou-se ao Japão junto a Tríplice Entente e acabou lutando contra seus ex-aliados da Tríplice Aliança.
A Primeira Guerra Mundial transformou o espaço geográfico mundial e os países europeus devido a grandes destruições sofridas acabaram dependendo economicamente dos EUA.
Só por volta de 1917 os EUA que já era uma grande potência econômica declaram guerra a Alemanha e entram no conflito. Em julho de 1918 as tropas da França, Grã-Bretanha e EUA realizaram uma investida decisiva e meses depois a Alemanha se rende.

1.4. O TRATADO DE VERSALHES
Vários acordos de paz foram assinados pelos países derrotados na Primeira Guerra Mundial, o que acabou provocando grandes modificações no mapa político da Europa.
A Alemanha rendida ao final do conflito, foi quem mais sofreu as punições do Tratado de Paz de Versalhes, pois a mesma teve que pagar indenizações de Guerra, foram confiscados seus bens nacionais ou privados existentes no exterior, tiveram que renunciar a todas suas colônias, além da perda da sétima parte do seu território para outras nações europeias e a limitação das suas forças armadas.

1.5. A LIGA DAS NAÇÕES X ONU
Após a Primeira Guerra Mundial foi criada a Liga das Nações, cujo princípio era assegurar a Paz internacional, onde posteriormente esse organismo após a Segunda Guerra Mundial acabou se transformando no que hoje conhecemos como a ONU (Organização das Nações Unidas).

1.6. O SOCIALISMO A AS TRANSFORMAÇÕES DO ESPAÇO GEOGRÁFICO
Ainda durante a Primeira Guerra Mundial, por volta de 1917 ocorreu na Rússia a Revolução Socialista, onde foi implantado uma concepção econômica com repercussões radicais na forma de organização do espaço geográfico, houve modificações no regime de propriedade, nas formas de produção e comercialização de mercadorias e novas relações de poder foram definidas.
No final de 1922 foi formada a URSS (União das Repúblicas  Socialistas Soviéticas), no território do império Russo.
Entre 1917 e 1921 um grupo político denominado de BOLCHEVIQUES, liderado por Lenin, adotou uma politica econômica baseada na propriedade estatal socialista (industrias, bancos, minas e grande comércio) e a propriedade privada (fazendas e pequenos estabelecimentos comerciais e industriais), o que ficou conhecido como NEP (Nova Politica Econômica) , que durou de 1921 a 1928.
NEP é a sigla para Nova Política Econômica e foi a política econômica seguida na União Soviética após o fim do comunismo na guerra de 1921 e com a ascensão ao poder de Stalin, em 1928. A NEP era baseada nas pequenas explorações agrícolas, industriais e comerciais à iniciativa privada, para fazer com que União Soviética saísse da crise em que se encontrava.
A Nova Política Econômica recuperou alguns traços de capitalismo para incentivar a nascente economia soviética. A NEP, segundo Lenin, consistia num recuo tático, caracterizado pelo restabelecimento da livre iniciativa e da pequena propriedade privada, admitindo o apoio de financiamentos estrangeiros. Lenin disse "Um passo atrás para dar dois à frente".
A partir de 1928, efetivou-se a planificação da economia, com o sistema de produção e a organização do espaço geográfico definidos pelo Estado. A Comissão do Plano Geral do Estado (Gosplan) promoveu a total estatização dos meios de produção, implantando cooperativas agrícolas e fazendas estatais. O Estado determinava as metas a serem alcançadas e o tipo de produção de cada estabelecimento, distribuía e comercializava os produtos e investia em grandes obras de infraestrutura.
A planificação da produção industrial privilegiou a indústria de base, favorecida pela vasta extensão territorial e a abundância de recursos minerais da URSS. O objetivo era eliminar, ou diminuir ao máximo, a importação de equipamentos e matérias-primas industriais.
No final da década de 1930, quando a indústria de base soviética atingiu um elevado nível de produção, o governo da URSS privilegiou os investimentos em pesquisa e produção de armamentos. Isso se deu por dois motivos: a deflagração da Segunda Guerra Mundial, em 1939, e a política expansionista soviética, visando ampliar sua influência político-econômica sobre outros países. Essa política de investimentos foi mantida mesmo após o término da Segunda Guerra Mundial, em virtude de outros desdobramentos do conflito.

1.6.1- Socialismo
Socialismo Propostas socialistas, discutidas na Europa desde o século XVII, ganharam impulso a partir do século XIX com as ideias desenvolvidas por Friedrich Engels e Karl Marx, precursores do "socialismo científico" em oposição ao "socialismo utópico". Embora muitas vezes usados como sinônimos, há distinção entre socialismo e comunismo. O socialismo consistiria numa fase de transição entre a sociedade capitalista e a comunista. Nessa etapa, todos os princípios da sociedade capitalista deveriam ser abolidos, e o Estado seria controlado pelo proletariado. A existência do Estado seria justificada pela necessidade de destruir as marcas deixadas pelo capitalismo e defender os trabalhadores daqueles que tivessem interesse na voltado sistema capitalista. O comunismo seria a fase final e ideal, em que o ser humano realizaria suas potencialidades nos planos individual e social. Na sociedade comunista, o Estado deixaria de existir. Marx afirmava que o Estado e suas instituições eram um instrumento de dominação de uma classe social sobre as outras, que não teria lugar num sistema comunista. No entanto, no "socialismo real", como ficou conhecido o sistema implantado na extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e em outros países, o Estado tornou-se extremamente forte, e o proletariado não assumiu o poder.

1.7- A Grande Crise do Capitalismo
Na segunda metade do século XIX, o sistema capitalista ampliou a produção numa proporção muitas vezes maior que a capacidade de consumo dos países industrializados. A busca de novos mercados e fontes de matéria-prima tornou-se indispensável à sustentação dessa nova etapa produtiva. Ingleses, alemães, franceses, belgas, norte--americanos e japoneses impuseram sua força industrial, submetendo vários países do mundo a um controle imperial nunca antes conhecido. Os investimentos nessa nova etapa de produção industrial e a extensão do mercado internacional que se pretendia atingir não podiam mais ser realizados por um único empresário. Foram criadas então as sociedades anônimas e consolidaram-se os mercados decapitais, nos quais todos podiam investir numa empresa por meio da compra de ações. Com a venda de ações, as empresas ampliaram sua capacidade financeira e, consequentemente, tornaram-se mais fortes, competitivas e elevaram a sua capacidade de produção.

1.7.1- A crise de 1929
No início do século XX, a Bolsa de Valores de Nova York era o principal centro internacional de investimentos. O volume de negócios ali realizados diariamente sugeria que nada mais poderia deter o ritmo desenfreado do desenvolvimento capitalista. Mas o capital investido na produção não foi acompanhado pelo crescimento do mercado de consumo. O descompasso entre superprodução e consumidores com capacidade para -absorvê-la ocasionou a grande crise de 1929. As fábricas, não tendo como vender grande parte de suas mercadorias, reduziram drasticamente suas atividades; a produção agrícola, também excessiva, não encontrava compradores; o comércio inviabilizou-se. Nesse contexto, houve um processo de falência generalizada, e muitos trabalhadores perderam seus empregos, retraindo ainda mais o mercado de consumo. Aqueles que viviam exclusivamente dos investimentos no mercado de capitais, particularmente da compra e venda de ações, viram o valor de seus títulos despencar, transformando-se em papéis sem valor. A crise iniciada em Nova York afetou rapidamente o mundo todo. Os países produtores de matérias-primas e alimentos, que dependiam economicamente das exportações para os países industrializados, não encontravam compradores para seus produtos e entraram em colapso. O Brasil, que nesse período ancorava sua economia na produção e exportação quase exclusivamente do café, foi profundamente abalado pelos efeitos mundiais da crise.

1.7.2- O New Deal
O período subsequente à crise de 1929, conhecido como a Grande Depressão, obrigou os países a se reorganizarem economicamente. Como a superprodução havia sido a principal razão da crise, os países industrializados tomaram duas medidas básicas para resolver o problema:
• participação mais efetiva do Estado no planejamento das atividades econômicas, tendo em vista, entre outros objetivos, a adequação entre a quantidade de mercadorias produzidas e a demanda do mercado;
• aprimoramento da distribuição da renda, dando melhores condições financeiras aos trabalhadores, com o objetivo de ampliar o mercado de consumo. Partindo dessas iniciativas básicas, os Estados Unidos conseguiram contornar os efeitos da crise com mais eficiência e rapidez. Com a criação de um amplo programa de obras públicas, o governo do presidente Franklin Roosevelt (1933-1945) conseguiu aos poucos amenizar o desemprego e manter a economia relativamente aquecida. O New Deal (Novo Acordo), como ficou conhecido o programa de recuperação econômica implantado por Roosevelt, era inspirado nas teorias do economista John Maynard Keynes (1883-1946). Para Keynes, o Estado não poderia se limitar a regular as questões de ordem socioeconômica e política, mas deveria ser também um planejador, que daria as diretrizes, fixaria as metas e estimularia determinados setores da economia. Keynes não acreditava na autorregulação do mercado, pois a crise de 1929 tinha mostrado sua impossibilidade. O New Deal respeitava a iniciativa privada e as leis de mercado, mas acreditava que alguns setores da economia deveriam contar com a intervenção do Estado, principalmente os relacionados a infraestrutura. As ideias de Keynes atravessaram o Atlântico e foram implementadas também em vários países da Europa, que já haviam retomado o desenvolvimento no final da década de 1930. Entretanto, em 1939,eclodiu a Segunda Guerra Mundial, demolindo todas as bases econômicas reconstruídas no continente europeu.

1.8- A Segunda Guerra Mundial
As condições objetivas para a deflagração de um novo conflito já existiam desde o final da Primeira Guerra Mundial. Os acordos pós-guerra e importantes acontecimentos no período entre guerras criaram instabilidade permanente no continente europeu: a consolidação da Revolução Socialista na Rússia e a formação da URSS; a paz "forçada" obtida pelo Tratado de Versalhes, que minou a economia alemã, fragmentou seu território e disseminou forte sentimento nacionalista; e a crise de 1929. Em 1933, na Alemanha, Adolf Hitler conquistou o cargo de chanceler. Em pouco tempo, suprimiu os partidos de esquerda e os sindicatos, instaurou uma férrea censura aos meios de comunicação e rompeu com as cláusulas impostas pelo Tratado de Versalhes. Dessa forma, Hitler contestou a ordem mundial definida após a Primeira Guerra e formou, com a Itália e o Japão, uma nova aliança militar: o Eixo. De acordo com a concepção geopolítica de Hitler, a Alemanha necessitava de espaço vital para a promoção de seu desenvolvimento econômico. Com isso, justificava a retomada dos territórios perdidos após a Primeira Guerra e a expansão, sem limites, da área de influência alemã. Para alcançar seus objetivos, Hitler formou um exército forte e numeroso e investiu maciçamente na indústria de armamentos. Em 1938, a Alemanha ocupou a Áustria e, em 1939, a Tchecoslováquia. Quando, em setembro de 1939, a Polônia foi invadida pelo exército alemão, a França e a Grã-Bretanha (que formaram uma força militar oposta ao Eixo, a dos Aliados) declararam guerra à Alemanha. 
A invasão da Polônia pela Alemanha foi precedida de um acordo de não agressão com a Rússia, o Pacto Germano Soviético. Hitler temia iniciar a guerra em duas frentes e, por meio desse acordo, conseguiu neutralizar o potencial inimigo da frente oriental. O tratado autorizou também a ocupação de parte das terras polonesas pelos soviéticos, além da Finlândia e de outros países do Leste Europeu. As ações empreendidas pela máquina de guerra alemã foram fulminantes. Em menos de um ano, a Alemanha já havia ocupado Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Dinamarca, Noruega e a maior parte da França.
As forças do Eixo tiveram significativo avanço nos dois primeiros anos de guerra. A Itália invadiu a Albânia e a Somália, e o Japão invadiu a Malásia, Cingapura, as Filipinas e outras regiões dominadas pelo império colonial dos Aliados. A guerra também se estendeu à China e ao norte da África, ganhando uma dimensão geográfica nunca vista em conflitos anteriores. No final de 1941, os Estados Unidos e a União Soviética entraram na guerra ao lado das tropas aliadas .A participação desses dois países no conflito mostrou-se decisiva para a derrota dos países do Eixo, que, nos últimos anos de guerra, tiveram de recuar e abandonar boa parte dos territórios invadidos no início do conflito .Em 1943, a Itália assinou um acordo de paz com as tropas aliadas. Em maio de 1945, quando o exército soviético invadiu Berlim, a Alemanha se rendeu incondicionalmente. Apesar de o Japão ainda resistir, sua rendição seria inevitável, pois a marinha japonesa já tinha sido praticamente destruída. Em agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram duas bombas atômicas sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, numa demonstração indiscutível de seu poderio militar. Esse fato assinalou o fim da Segunda Guerra Mundial. Terminada a guerra, a Europa e vários países de outros continentes estavam economicamente arrasados, com cidades destruídas e a produção industrial e agrícola totalmente desorganizada. As duas guerras mundiais colocaram fim à hegemonia europeia. No período posterior à Segunda Guerra, uma nova ordem mundial começou a ser estruturada sob a liderança de duas grandes potências militares que emergiam: os Estados Unidos e a União Soviética. A nova divisão política da Europa foi a primeira expressão dessa nova ordem mundial. Os países europeus acabaram dominados pela influência das duas potências emergentes: na porção oeste, prevaleceram os Estados Unidos, com o sistema econômico capitalista; na porção leste, predominou a União Soviética, com o socialismo.

1.9- A ordem mundial pós-Segunda Guerra
Terminada a Segunda Guerra Mundial, os dois grandes vitoriosos, Estados Unidos e União Soviética, acirraram a disputa pela hegemonia mundial, originando importantes acontecimentos e fortes tensões mundiais em quase toda a segunda metade do século XX. A aliança de guerra da URSS com os Estados Unidos e as demais potências europeias só havia sido conquistada em razão da luta contra um inimigo comum: a Alemanha nazista de Adolf Hitler. Ao final do conflito, os dois países voltaram cada um para o seu lado. A vitória da União Soviética lhe custou sacrifícios incalculáveis e as maiores perdas humanas entre todos os países envolvidos no conflito'. Para compensar, tentou tirar vantagem da vitória. Os soviéticos conquistaram vasta extensão territorial de países situados no leste da Europa, como Estônia, Letônia, Lituânia, leste da Polônia, parte da Finlândia e da Romênia. Além disso, dominaram quase todos os países da região, determinando os seus governantes, implantando o sistema econômico socialista e transformando esses países em satélites.
O exército soviético, após ter conquistado Berlim e imposto uma derrota definitiva à Alemanha, saqueou o território inimigo. Retirou máquinas, equipamentos industriais e agrícolas, trilhos de ferrovias e aparelhos de escritório, instalando-os em seu território e recompondo, assim, parte da infraestrutura perdida.
Após a rendição do Japão, em agosto de 1945, que significou o fim do conflito mundial, os Estados Unidos suspenderam toda a ajuda financeira dada durante a guerra à União Soviética2, impedindo o plano de reconstrução do país. Pouco tempo depois, suspenderam as exportações de máquinas, ferramentas e outros materiais estratégicos para a recuperação da economia soviética.
Os Estados Unidos, que já vinham apresentando crescimento econômico acelerado desde a segunda metade do século XIX, transformaram-se na maior potência industrial e agrícola do planeta, detentora dos maiores recursos financeiros e de grande parte das reservas de ouro (em 1948, 72% de todo o ouro existente no mundo estavam nos cofres americanos).
Após a Segunda Guerra Mundial, o American way of life voltou à tona, estimulado pelo grande boom de consumo de produtos, como automóvel, rádio, televisor, enceradeira, máquina de lavar, aspirador de pó, batedeira elétrica e liquidificador. A compra a crédito era estimulada para satisfazer o consumismo instigado pelas novas "maravilhas" do mundo das mercadorias. Criadas pelas indústrias e financiadas pelas instituições financeiras, essas mercadorias eram agora acessíveis à classe média norte-americana. A sociedade de consumo passou a ser uma meta em si mesma e a simbolizar e se confundir com valores como bem-estar, prosperidade, liberdade e qualidade de vida. Nesse contexto, os Estados Unidos precisavam ampliar o comércio mundial de suas mercadorias para escoar os excedentes. Para isso, era necessário fortalecer o capitalismo mundial. Dependiam, portanto, da reconstrução da estrutura produtiva e da infraestrutura dos países europeus afetados pela guerra para impedir que os ideais socialistas e a influência da URSS avançassem sobre o restante da Europa.
Ao final da Segunda Guerra, representantes do Reino Unido (Churchill), EUA (Roosevelt)e URSS (Stalin) estabeleceram um novo mapa geopolítico da Europa. As decisões tomadas na ocasião, como a partilha de território entre vencedores do conflito, tiveram efeitos diretos e duradouros sobre povos de diversas nações. Na foto, os governantes citados durante a Conferência de Yalta, 1945.