Geografia da Amizade

Geografia da Amizade

Amizade...Amor:
Uma gota suave que tomba
No cálice da vida
Para diminuir seu amargor...
Amizade é um rasto de Deus
Nas praias dos homens;
Um lampejo do eterno
Riscando as trevas do tempo.
Sem o calor humano do amigo
A vida seria um deserto.
Amigo é alguém sempre perto,
Alguém presente,
Mesmo, quando longe, geograficamente.
Amigo é uma Segunda eucaristia,
Um Deus-conosco, bem gente,
Não em fragmentos de pão,
Mas no mistério de dois corações
Permutando sintonia
Num dueto de gratidão.
Na geografia
da amizade,
Do amor,
Até hoje não descobri
Se o amigo é luz, estrela,
Ou perfume de flor.
Sei apenas, com precisão,
Que ele torna mais rica e mais bela
A vida se faz canção!

"Roque Schneider"



Quem sou eu

Salvador, Bahia, Brazil
Especialista em Turismo e Hospitalidade, Geógrafa, soteropolitana, professora.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Entenda os fatos que levaram ao genocídio em Ruanda


Em um período de cem dias entre abril e junho de 1994, cerca de 800 mil pessoas foram mortas em Ruanda, no que ficou conhecido como o maior genocídio africano dos tempos modernos.

Mesmo para um país conhecido por sua história turbulenta, a escala e a rapidez do genocídio chocaram o mundo. A maioria dos mortos era da etnia tutsi, e a maioria dos autores das mortes, da etnia hutu. O estopim do massacre foi a morte do presidente do país, Juvenal Habyarimana, um hutu, quando seu avião foi derrubado ao sobrevoar o aeroporto da capital, Kigali, no dia 6 de abril de 1994.

Um juiz francês culpou o atual presidente de Ruanda, Paul Kagame, que na época era líder de um grupo rebelde tutsi, e alguns de seus parceiros pelo ataque ao avião. Kagame nega veementemente responsabilidade pela morte do ex-presidente e diz que o acidente foi provocado por extremistas hutus, de forma a criar um pretexto para colocar em ação planos de exterminar a comunidade tutsi.

Quem quer que seja o responsável, o ataque deu início a uma explosão de violência que, poucas horas depois, se espalhou pela capital e por todo o país, e só começou a diminuir três meses depois. A morte do presidente, no entanto, não foi a única causa do genocídio.

Histórico de violência
Tensões étnicas em Ruanda não são novidade. Sempre houve conflitos entre a maioria hutu e a minoria tutsi, mas as hostilidades entre os dois grupos aumentaram consideravelmente desde o período colonial.

Os dois grupos étnicos são na verdade muito similares - falam a mesma língua, vivem nas mesmas áreas e seguem as mesmas tradições. Entretanto, tutsis tendem a ser mais altos, mais magros e de pele um pouco mais clara do que a dos hutus. Alguns acham que a etnia teria sua origem na Etiópia.

Durante o genocídio, os corpos dos tutsis foram atirados em rios. Seus assassinos diziam que os mortos estavam sendo enviados de volta para a Etiópia.

Quando os colonizadores belgas chegaram à região em 1916, produziram carteiras de identidade classificando as pessoas de acordo com sua etnia. Os belgas consideravam os tutsis superiores aos hutus. Naturalmente, os tutsis gostaram da idéia e durante cerca de 20 anos desfrutaram de empregos e oportunidades de educação melhores do que os dos vizinhos hutus.

O ressentimento entre os hutus foi crescendo gradualmente e culminou em uma série de revoltas em 1959. Mais de 20 mil tutsis foram mortos e muitos fugiram para países vizinhos como Burundi, Tanzânia e Uganda.
Quando a Bélgica deixou o poder e deu independência a Ruanda, em 1962, os hutus assumiram o governo. Nas décadas seguintes, os tutsis tornaram-se os bodes expiatórios em todas as crises.

Rumo ao genocídio
No período que antecedeu o genocídio, a situação econômica piorou e o presidente Juvenal Habyarimana começou a perder popularidade. Ao mesmo tempo, refugiados tutsis em Uganda - com o apoio de hutus moderados - começaram a formar o movimento Rwandan Patriotic Front (Frente Patriótica Ruandense), ou RPF, liderado por Kagame.

O objetivo do grupo era derrubar Habyarimana e garantir seu direito de retorno à terra natal. Habyarimana decidiu explorar essa ameaça como uma forma de trazer dissidentes hutus de volta para o seu lado. Tutsis dentro de Ruanda foram acusados de ser colaboradores do RPF.

Em agosto de 1993, após vários ataques e meses de negociações, um acordo de paz foi assinado entre Habyarimana e o RPF, mas isso não foi suficiente para diminuir as tensões. O ataque contra o avião de Habyarimana, no início de abril de 1994, foi a última gota.

Ainda não foi estabelecido quem matou o presidente - e, com ele, o presidente de Burundi e outros altos funcionários do governo. O efeito do ataque, no entanto, foi instantâneo e catastrófico.

Assassinatos em massa
Em Kigali, a guarda presidencial iniciou imediatamente uma campanha de vingança. Líderes da oposição política foram mortos e, quase imediatamente, começou o assassinato em massa de tutsis e hutus moderados.

Dentro de horas, recrutas foram enviados a todo o país para executar a onda de crimes. Alguns tutsis conseguiram escapar para campos de refugiados. Entre os primeiros organizadores do massacre estavam militares, políticos e homens de negócios, mas em breve vários outros aderiram à campanha.

Encorajada pela guarda presidencial e por propaganda massiva em estações de rádio, formou-se uma milícia não-oficial chamada Interahamwe (o nome significa "aqueles que atacam juntos"). No auge da violência, o grupo reuniu 30 mil pessoas.

Soldados e policiais encorajaram cidadãos comuns a participar. Em alguns casos, os militares obrigaram civis hutus a assassinar tutsis vizinhos. Os participantes com freqüência recebiam incentivos, como dinheiro ou comida. Em alguns casos, os mandantes dos crimes disseram aos hutus que poderiam se apropriar das terras dos tutsis que assassinassem.

De maneira geral, não houve interferência da comunidade internacional durante o genocídio. As tropas da ONU se retiraram do país após a morte de dez soldados. No dia posterior à morte de Habyarimana, o RPF retomou seu ataque contra as forças do governo e várias tentativas da ONU de negociar um cessar-fogo fracassaram.

Depois do genocídio
Finalmente, em julho, o RPF capturou Kigali. O governo se desintegrou e o RPF declarou um cessar-fogo.
Tão logo ficou aparente que o RPF tinha sido vitorioso, cerca de 2 milhões de hutus fugiram para o Zaire (hoje República Democrática do Congo).

Entre os refugiados estão muitas pessoas que, mais tarde, foram acusadas de envolvimento nos massacres. Inicialmente, um governo multi-étnico foi formado, com um hutu, Pasteur Bizimungu, como presidente, e Kagame como seu vice.

Mas a dupla mais tarde entrou em desacordo e Bizimungu foi preso sob acusação de incitar violência étnica. Kagame assumiu a Presidência. Embora o massacre em Ruanda tenha terminado, a presença de milícias hutus no Congo levou a anos de conflitos no país vizinho.

O atual governo de Ruanda, liderado por tutsis, já invadiu o Congo duas vezes, dizendo querer eliminar as forças hutus da região. Nesse meio-tempo, um grupo rebelde tutsi no Congo continua ativo, argumentando que não vai depor armas porque, se o fizesse, sua comunidade estaria sob risco de genocídio.

A maior força de paz do mundo, hoje posicionada no Congo, não conseguiu resolver o conflito.

O futuro da Líbia após a queda de Kaddafi



Depois de mais de quatro décadas, o regime de Muammar Kadafi está próximo do fim na Líbia. Com apoio militar da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em menos de uma semana os rebeldes chegaram à capital, Trípoli, e tomaram o quartel-general do ditador. Agora, discute-se quem assumirá o poder no país árabe.

Os confrontos entre rebeldes e governo começaram há seis meses, quando manifestações pró-democracia se espalharam pela África do Norte e o Oriente Médio. O movimento, chamado de “primavera árabe”, derrubou dois presidentes, na Tunísia e no Egito. Em outros países, como Síria, Iêmen e Bahrein, os levantes foram reprimidos pelos regimes.

A queda de governantes é algo inédito na região, onde predominam monarquias e ditaduras. Muammar Kadafi está há 41 anos no poder – é o mais longevo entre os líderes árabes. Ele resistiu às revoltas usando as Forças Armadas contra a população e impedindo o avanço das tropas rebeldes que controlavam Benghazi, segunda maior cidade líbia.

Em 17 de março, o Estado líbio estava próximo de derrotar os opositores quando o Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 1973, que decretou zona de exclusão aérea e autorizou o emprego de “todas as medidas necessárias” para proteger a população civil.

A zona de exclusão aérea proibiu os aviões líbios de decolarem e bombardearem as forças rebeldes. Na prática, a medida abriu caminho para a intervenção militar da Otan. Dois dias depois da resolução, uma coalizão liderada por EUA, Grã-Bretanha e França iniciou os ataques contra alvos do governo.

A Otan também enviou armas aos rebeldes, o que possibilitou a tomada de cidades e o avanço até Trípoli. Em 23 de agosto eles entraram na capital, onde ainda há combates contra aliados do ditador. A maior vitória foi a conquista do complexo de Bab al-Aziziya, moradia de Kadafi. O coronel conseguiu escapar, mas dificilmente encontrará uma nação que o aceite como exilado político.

A Líbia é o quarto maior produtor de petróleo da África, depois de Nigéria, Argélia e Angola, com reservas estimadas em 42 bilhões de barris (para efeito de comparação, as reservas brasileiras são de 14 bilhões de barris). A maior parte da produção é exportada para a Europa.

O país possui 6,4 milhões de habitantes (equivalente à população do Rio de Janeiro) e o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da África. A riqueza, porém, não é bem distribuída entre a população. Um terço vive na pobreza e a taxa de desemprego é de cerca de 30%.


Democracia
Kadafi assumiu o poder em 1º. de setembro de 1969, após um golpe de Estado que depôs a monarquia. Nas décadas seguintes, foi acusado de atentados terroristas e se tornou inimigo das potências ocidentais. Nos últimos anos, manobras políticas o reaproximaram do Ocidente.

A comunidade internacional já considera o governo líbio deposto, apesar do paradeiro de Kadafi ser desconhecido. O desafio, agora, é constituir um governo de transição em um país sem partidos políticos, Constituição e tradição democrática.

Teme-se algo parecido com o que aconteceu no Iraque. Passados oito anos da queda do ditador Saddam Hussein, o país ainda busca estabilidade política. A diferença é que a sociedade iraquiana divide-se entre muçulmanos xiitas e sunitas, que há séculos lutam entre si, enquanto na Líbia são quase todos sunitas.

Entretanto, isso não afasta o risco de uma guerra civil ou de vinganças contra simpatizantes de Gaddafi (o que comprometeria a legitimidade do novo governo). Para controlar os rebeldes é necessário uma liderança política, que pode sair do Conselho de Transição Nacional (CTN), formado pelos revoltosos em Benghazi.

Entre os candidatos mais cotados está Mustafa Abdul Jalil, ex-ministro da Justiça de Kadafi e presidente do CTN. Ele prometeu eleições livres no prazo de oito meses. Mas no próprio conselho há facções divergentes, tanto religiosas quanto seculares, o que aumenta as incertezas quanto ao futuro do país.


Síria
Após a queda de Kadafi, as atenções devem se voltar à Síria, onde continuam os protestos contra Bashar al-Assad. Estima-se que 2.200 pessoas tenham sido mortas pelo governo desde o início dos levantes em março.

Diferente da Líbia, não houve divisões internas no governo sírio, e os opositores do regime são incapazes de lutar contra o Exército sem apoio militar da Otan. A despeito disso, a ONU ainda não votou sanções ou intervenção militar para impedir o massacre da população. A primavera árabe, parece, deve perdurar por mais estações.

Plebiscito: 11 de dezembro. Se aprovada, divisão do Pará criará mais dois Estados


O plebiscito foi aprovado pelo Congresso em maio e será realizado em 11 de dezembro. O Brasil possui hoje 27 unidades federativas, sendo 26 Estados e o Distrito Federal. Se a divisão for aceita pelos paraenses, será a primeira vez que um Estado brasileiro surgirá das urnas, de uma decisão popular.

A campanha pelo plebiscito começou em 13 de setembro. Para os defensores da medida, ela levará progresso para o interior do Estado, onde a ausência do governo dificulta o desenvolvimento econômico.

O Pará é o segundo maior Estado do país, atrás somente do Amazonas. Santarém, por exemplo, fica a quase 1.500 km de Belém. Com a estrutura política que acompanha a formação de um Estado, será mais fácil, segundo os separatistas, direcionar recursos federais para as regiões mais distantes da capital.

Já os opositores acreditam que a separação, ao contrário, vai piorar os indicadores sociais das cidades paraenses, que estão entre as mais violentas e pobres do país. Além disso, eles apontam interesses políticos e econômicos na repartição.

De acordo com o projeto, o Pará ficaria com 78 cidades (17% do território), 4,6 milhões de habitantes e 56% do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 32,5 bilhões. Tapajós, na região oeste, teria como capital Santarém, incluindo 27 cidades (58% do território), 1,2 milhões de habitantes e 11% do PIB (R$ 6,4 bilhões). Carajás, ao sul, cuja capital seria Marabá, contaria com 39 cidades (25% do território), 1,6 milhões de habitantes e 33% do PIB (R$ 19,6 bilhões).

Desde o século 19 há movimentos em defesa da criação do Tapajós, que quase chegou a ser oficializado na Assembleia Constituinte de 1988, junto com Tocantins. A separação de Carajás tem à frente pecuaristas e empresários do setor de mineração. Mas o fator decisivo para aprovação será o convencimento dos moradores de Belém. A capital concentra o maior foco de resistência à divisão do Estado.

O resultado do plebiscito será encaminhado ao Congresso. De acordo com a Constituição, a criação de Estados e territórios depende da aprovação de uma lei complementar.


Como nascem os Estados
Tramitam hoje no Congresso projetos de lei para a instituição de mais 16 Estados federativos. Os projetos podem ganhar novo fôlego, caso a população paraense aprove a divisão no Norte.

Entre os projetos está a criação do Estado do Triângulo, que separa o Triângulo Mineiro do restante de Minas Gerias, com 37 municípios; Gurguéia, no sul do Piauí, com 87 cidades (60% do território); o Araguaia, com 32 municípios, e o Mato Grosso do Norte, com 47, desmembrados do Mato Grosso; o Rio São Francisco, com 34 municípios, localizado a oeste da Bahia; o Maranhão do Sul, com 49 municípios, dividindo o Maranhão; o Oiapoque, no Amapá; e os territórios do Rio Negro, Solimões e Juruá, no Amazonas.

A primeira divisão territorial brasileira aconteceu após o descobrimento, com a fundação de 15 capitanias hereditárias. No período colonial, as capitanias foram uma maneira encontrada pela Coroa Portuguesa para compensar a falta de recursos para colonizar o país, transferindo terras para particulares.

A hereditariedade foi extinta em 1759 pelo Marquês de Pombal, mas as capitanias foram mantidas até 1821. Nessa época, a maior parte delas se tornou províncias, que deram origem a quase todos os Estados brasileiros.

No período imperial havia 19 províncias, duas delas oriundas do desmembramento do Pará (Amazonas) e de São Paulo (Paraná). Em 1828, a província de Cisplatina, no sul, se tornou independente e originou o Uruguai. Com a Proclamação da República, em 1889, as províncias se transformaram em Estados.

Em 1903, o governo comprou da Bolívia três territórios que, em 1920, seriam unificados para formar o Acre. Durante a Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas desmembrou seis territórios estratégicos do país: Amapá, Fernando de Noronha, Guaporé, Iguaçu, Ponta Porã e Rio Branco.

Com o fim da guerra, Ponta Porã e Iguaçu foram reincorporados aos Estados de Mato Grosso (hoje, Mato Grosso do Sul), Santa Catarina e Paraná. Os demais viraram Estados: Rio Branco virou Roraima e Guaporé, Rondônia. Fernando de Noronha voltou a pertencer a Pernambuco.

Em 1960 o território de Goiás passou a abrigar o Distrito Federal, enquanto a antiga capital do país, a cidade do Rio de Janeiro, se tornou o Estado da Guanabara, de 1960 a 1975. Em 1977 parte de Mato Grosso virou o Mato Grosso do Sul e, na Constituinte de 1988, foi criado o Tocantins, ao norte de Goiás.

Autoridade Nacional propõe reconhecimento na ONU



A Autoridade Nacional Palestina pediu no dia 23 de setembro, na 66ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), o reconhecimento do Estado palestino nas fronteiras pré-1967, situando a capital na parte oriental de Jerusalém.

A proposta deve antes passar pelo Conselho de Segurança, onde precisa ser aprovada por nove dos 15 países membros, sem sofrer nenhum veto. O governo dos Estados Unidos, aliado de Israel, já avisou que vetará a medida.

Na prática, a inclusão da Palestina como membro da ONU dará mais poder político aos árabes nas negociações com Israel, paralisadas há um ano. Se aprovada, a resolução isolará ainda mais os israelenses no cenário internacional.

Há décadas palestinos e israelenses disputam as mesmas terras no Oriente Médio. Em 1947, a ONU propôs a divisão da Palestina entre árabes e judeus, formando dois Estados. Israel se tornou independente e, após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, anexou territórios árabes, expulsando a população local. Desde então, os palestinos reivindicam a devolução dessas áreas, incluindo Jerusalém Oriental. Os israelenses não aceitam a desocupação.

Mesmo que seja aprovada, uma resolução em favor da Palestina não garantirá o fim dos conflitos com os israelenses. As negociações de paz estão paralisadas há um ano devido à resistência de Israel em desocupar territórios árabes.

Mas ser aceito como o 194º. Estado da ONU teria um efeito político importante para os palestinos. Eles teriam acesso, por exemplo, a tribunais internacionais, onde poderiam abrir processos contra o governo israelense por conta das áreas invadidas.

Há décadas árabes e judeus disputam as mesmas terras no Oriente Médio. No século 19, colonos judeus foram incentivados a migrarem da Europa para a Palestina. O objetivo era constituir o Estado de Israel. Os árabes, contudo, já habitavam a região há séculos.

Durante a perseguição nazista, na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o fluxo migratório de judeus se intensificou. Em 1947, a ONU propôs a divisão da Palestina, formando dois Estados independentes. Jerusalém, cidade considerada sagrada por cristãos, judeus e muçulmanos, foi colocada sob controle internacional, para evitar conflitos. Os árabes não aceitaram o acordo e, no ano seguinte, Israel se tornou um Estado independente.

A tensão entre Israel e países árabes culminou na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Ao fim dos combates, os israelenses assumiram o controle da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, então pertencentes à Jordânia; da Faixa de Gaza e da Península do Sinai, domínios do Egito; e das Colinas de Golã, território da Síria.

Os árabes que viviam nessas terras foram expulsos ou se retiraram para campos de refugiados. Os judeus, estimulados pelo governo, começaram a criar assentamentos em Gaza e na Cisjordânia. Nos anos seguintes, ocorreram guerras, massacres e atentados terroristas. A Península do Sinai foi finalmente devolvida ao Egito em 1982, e a Faixa de Gaza, entregue aos árabes em 2005.

Em 23 de setembro, o presidente da autoridade palestina, Mahmoud Abbas, entregou ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, uma carta com o  pedido de inclusão da Palestina como membro pleno da organização,  nas fronteiras definidas antes das ocupações. Países como o Brasil já reconheceram o Estado Palestino.

A reivindicação tem respaldo na Resolução 242 da ONU, de 1967, que determina a desocupação das áreas palestinas. O documento, contudo, nunca foi seguido por Israel.

Votação
Israel não aceita a proposta, pois ela significaria a dissolução dos assentamentos da Cisjordânia, onde vivem cerca de 300 mil judeus (e 2,5 milhões de palestinos), além de abrir mão de Jerusalém Oriental, dividindo novamente a capital. Haveria riscos, de acordo com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de expor o país à ação de radicais islâmicos.

Em maio, quando o presidente americano, Barack Obama, pediu para que as negociações de paz se pautassem pelas fronteiras traçadas em 1967, Netanyahu considerou o pedido "irreal" e "indefensável".

Agora, o governo americano, principal aliado de Israel, deve ser o maior obstáculo para a admissão do Estado Palestino na ONU. Isso porque a proposta deve ser antes aprovada por nove dos 15 países membros do Conselho de Segurança, sem sofrer nenhum veto. Cinco membros permanentes têm poder de veto: Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China. Washington sinalizou que, se preciso, vetará a medida para pressionar os palestinos a retomarem as negociações com Israel.
Por outro lado, se a candidatura palestina receber aprovação do Conselho, deverá ser votada na Assembleia Geral, onde precisará do voto de dois terços dos 193 países membros.Uma decisão da ONU como esta poderá isolar ainda mais Israel no cenário internacional. Hoje, revoltas em curso em países como Síria e Egito, junto com o apoio de países ocidentais à causa palestina, fortalecem os árabes na geopolítica do Oriente Médio.

Detritos em órbita oferecem risco à exploração do espaço



O lixo resultante da ação humana não polui somente terra, ar e oceanos. Desde que o primeiro satélite artificial entrou em órbita, há mais de meio século, os detritos espaciais acumulados em órbita do planeta se tornaram um problema para a vida na Terra.

Estima-se que mais de 19 mil objetos maiores de dez centímetros, além de outros 500 mil menores, compõem uma nuvem de lixo espacial ao redor da Terra. Eles provêm de foguetes e satélites desativados, fragmentos de naves e até ferramentas usadas por astronautas.

Os riscos de um destes objetos cair na Terra e atingir uma pessoa são remotos. Porém, os detritos podem colidir com satélites em operação e missões tripuladas, prejudicando a exploração do espaço.

Segundo a Nasa (agência espacial dos Estados Unidos), cerca de 200 entram na atmosfera terrestre todos os anos e se desintegram após entrar em combustão. Alguns, no entanto, podem atingir o planeta. Foi o que aconteceu no dia 24 de setembro, quando restos de um satélite desativado caíram no Oceano Pacífico.

O UARS (Satélite de Pesquisa de Alta Atmosfera, na sigla em inglês) foi lançado em 1991, pelo ônibus espacial Discovery, com a missão de estudar a camada de ozônio. Ele foi “aposentado” em 2005, após ficar sem combustível. O satélite tinha o tamanho de um ônibus e pesava seis toneladas, sendo o maior a retornar à Terra em três décadas.

Na reentrada da atmosfera, o UARS se esfacelou. Mesmo assim, cerca de 500 kg de peças chegaram até o oceano.

Os cientistas haviam avisado que as chances de fragmentos atingirem áreas povoadas eram remotas. A razão disso é que 70% do planeta é coberto de água, sem contar as regiões desérticas.

De acordo com a Nasa, não há registros de ferimentos causados pela queda de detritos vindos do espaço. O único caso conhecido de uma pessoa atingida por entulho espacial aconteceu em 1997. A americana Lottie Williams foi alvejada no ombro por um pedaço de foguete, sem sofrer ferimentos.

O lixo espacial é produto do avanço tecnológico. Satélites de telecomunicações, mapeamento por GPS e previsão meteorológica possuem um tempo de vida útil que pode ser de até uma década. Após serem desligados, são deixados em órbita, devido ao alto custo de resgatá-los para governos e empresas. Tornam-se “ferro-velho” no espaço.

No começo do mês, um relatório do Conselho Nacional de Pesquisa alertou para os perigos do aumento de detritos, o que poderia danificar espaçonaves e satélites em funcionamento.


Acidentes
Apesar de nenhuma tragédia ter acontecido, incidentes ocorrem com certa regularidade. Em 1996, o satélite militar francês Cerise foi praticamente destruído por um pedaço de metal proveniente de um foguete lançado dez anos antes. Ônibus espaciais e até o telescópio Hubble já sofreram reparos por conta do problema.

Em 2009, o satélite russo Cosmos-2251, lançado em 1993 e, na época, desativado, colidiu com o satélite de comunicações americano Iridium 33. Foi a primeira maior colisão de satélites artificiais na órbita terrestre. Vários detritos foram gerados pelo choque, que destruiu o satélite russo.

No caso mais recente, em junho deste ano, seis astronautas foram obrigados a abandonar a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) em razão de um alerta de colisão com entulhos.

O pior cenário é a chamada Síndrome de Kessler. Segundo o consultor da Nasa, Donald J. Kessler, a colisão de detritos poderia causar uma reação em cadeia – uma peça fragmentando a outra em pedaços menores –, formando um cinturão de lixo que inviabilizaria a exploração espacial.

Hoje não existe nenhuma tecnologia que permita a “limpeza” do espaço. Os custos de uma operação de remoção dos materiais são muito altos. Além disso, há questões políticas, envolvendo propriedade e a responsabilidade de governos e empresas que colocam os aparelhos em órbita.

Em 2007, os chineses desenvolveram um satélite que destruiria outros, desativados, mas a experiência foi um fracasso: um deles se desintegrou em dois mil pedaços, agravando o problema.

Recentemente, cientistas propuseram o lançamento de um satélite que acoplaria motores propulsores aos resíduos para que eles fossem levados até a atmosfera, onde se desintegrariam. Outras propostas incluem redes metálicas gigantes, canhões lasers e fios condutores de cobre inseridos em satélites para que pudessem ser atraídos pelo campo magnético da Terra.

Mas talvez a maneira mais simples seja a programação para que os dispositivos, uma vez obsoletos, sigam as chamadas “órbitas-cemitérios”, permanecendo à deriva num espaço seguro, longe do planeta.

O Brasil, que possui satélites de comunicações e científicos em órbita, também tem sua parcela de responsabilidade pelo lixo espacial.

Traços de radiação liberada por usina do Japão achados em água da chuva nos EUA


Baixos níveis de radioatividade foram detectados na água da chuva no norte da Califórnia, duas semanas depois do acidente nuclear no Japão, em março, mas estes índices logo voltaram ao normal, revelou um estudo divulgado esta quarta-feira.

Os níveis detectados de isótopos radioativos césio, iodo e telúrio foram muito pequenos e não representaram risco à população, segundo as descobertas de uma pesquisa financiada pelos Departamentos de Energia e Segurança Interna dos Estados Unidos.

A água da chuva foi coletada nas cidades de Berkeley, Oakland, and Albany, na área da Baía de San Francisco, de 16 a 26 de março, segundo o relatório, publicado na edição online do jornal PloS (Public Library of Science) ONE.

"A primeira amostra que demonstrou radioatividade aumentada foi coletada em 18 de março e os níveis subiram em 24 de março, antes de voltarem ao normal", explicou o chefe das pesquisas, professor Eric Norman, do departamento de engenharia nuclear da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

O estudo também destacou que "medições similares de contagem de raios gama foram feitas em amostras de vegetação coletada em Oakland e em hortaliças e leite comercializados na região de San Francisco".

Alguns dos mesmos produtos físseis detectados na água da chuva foram encontrados no leite e em amostras dos vegetais, também em um nível que não representou riscos para o público, acrescentou.

Em 11 de março, um terremoto violento de 9 graus, seguido de um tsunami devastador, matou 20 mil pessoas ao longo da costa do Japão, atingindo os reatores da usina de Fukushima-Daichi.

Os reatores da central se fundiram depois que seus sistemas de resfriamento foram varridos pelas ondas gigantes, liberando radiação no ar, no mar e na cadeia alimentar no pior desastre atômico desde Chernobyl, em 1986.

China lança o primeiro módulo de sua estação espacial


A China lançou na quinta-feira, dia 29 de setembro de 2011, seu primeiro módulo experimental como parte de um programa que pretende dar ao país uma estação espacial permanente até 2020.

O foguete Longa Marcha 2F, que transporta a nave Tiangong-1 (Palácio Celeste), decolou no horário previsto, às 21H15 (10H15 de Brasília), da base de Jiuquan (noroeste), no deserto de Gobi.

O lançamento aconteceu a dois dias da festa nacional chinesa, celebrada em 1º de outubro.

O presidente Hu Jintao estava no Centro de Controle de Voos Espaciais de Pequim. Também acompanharam o lançamento o primeiro-ministro Wen Jiabao e o vice-presidente Xi Jinping.

Dez minutos depois do lançamento, Tiangong-1 se separou sem problema, a 200 quilômetros da Terra, anunciou a agência oficial Xinhua. Em seguida, o módulo abriu os dois painéis solares.

Menos de 30 minutos após o lançamento, Chang Wanquan, diretor dos programas espaciais tripulados chineses, anunciou que a operação foi um "sucesso".

O canal de notícias estatal CCTV dedicou uma programação especial à entrada em órbita do módulo, com reportagens nacionalistas.

Ano passado, a China aproveitou a data de seu feriado nacional para lançar uma sonda lunar, Chang'e-2, como parte do programa de voos espaciais tripulados iniciado há 20 anos. Em 2003, o país se tornou a terceira nação a enviar homens ao espaço, depois da antiga União Soviética e dos Estados Unidos.

Ao módulo, um protótipo que terá vida útil de dois anos no espaço, será acoplado dentro de um mês a nave não tripulada Shenzhou VIII. Em seguida virão duas com pelo menos um astronauta a bordo, a Shenzhou IX e a Shenzhou X.

A Tiangong-1 girará em uma órbita a 350 km de altura, superior à da Estação Espacial Internacional (ISS), e depois descerá até 343 km para o acoplamento com a nave Shenzhou VIII.

A tecnologia de acoplamento espacial é complexa porque as duas naves, situadas em uma mesma órbita e que se movimentam a 28.000 km/h ao redor da Terra, devem se aproximar progressivamente antes da união para evitar a destruição.

Como para o primeiro voo espacial tripulado de 2003, a China está em uma fase na qual tenta recuperar na área de tecnologia o tempo perdido.

"Os chineses utilizam sistemas de acoplamento idênticos aos sistemas russos porque o programa Shenzhou se assemelha muito à tecnologia do tipo Soyuz", declarou à AFP Isabelle Sourbès-Verger, especialista no programa espacial chinês no Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) francês.

Antes de construir até 2020 uma estação orbital como a russa Mir ou a ISS, na qual uma tripulação pode viver de forma autônoma durante vários meses, a China deve fazer outros testes, antes da saída de órbita da Tiangong-1 em 2013.

"Se os chineses demonstrarem que têm uma capacidade de acoplamento que funciona bem, isto os colocará na potencial posição de poder um dia aspirar a ter acesso à Estação Espacial Internacional", afirmou a cientista francesa.

Mas para Morris Jones, analista australiano de questões espaciais, "os maiores problemas dos chineses para participar na ISS são de ordem político. O governo dos Estados Unidos é contrário"

Canadá enfrenta enormes custos do aquecimento global



O impacto econômico das mudanças climáticas no Canadá pode chegar à casa dos bilhões de dólares ao ano, segundo estudo publicado esta quinta-feira por um grupo que assessora o governo canadense.

O relatório intitulado "Pagando o preço: o impacto econômico das mudanças climáticas no Canadá", realizado pelo grupo Mesa Redonda Nacional sobre o Meio Ambiente e a Economia, calcula que os custos relacionados com o aquecimento podem subir anualmente a 5 bilhões de dólares em 2020, situando-se entre US$ 21 e US$43 bilhões de dólares em 2050.

O estudo aponta uma redução da oferta de madeira, o aumento das ondulações por tempestades, danos causados por inundações devido ao aumento do nível do mar em áreas costeiras e baixa qualidade do ar nas principais cidades, o que aumentará o número de consultas hospitalares.

Por isso, pede a Ottawa para investir mais na geração e difusão de pesquisas e análises detalhadas para ajudar as comunidades a se adaptarem às mudanças climáticas e assim tentar evitar alguns custos adicionais.

O Canadá contribui com menos de 1,5% das emissões globais de carbono.

No entanto, o estudo indicou que "o aumento das emissões de gases de efeito estufa em todo o mundo exercerá um crescente impacto econômico" no país, devido a que os efeitos das mudanças climáticas ocorrem em seu território.

"As mudanças climáticas serão custosas para o Canadá e os canadenses", destacou.

Por exemplo, o aumento da temperatura e os maiores níveis de dióxido de carbono na atmosfera podem acelerar o crescimento dos bosques em algumas áreas.

Mas isto não compensará as perdas de árvores pelo aumento dos incêndios florestais, assim como a ocorrência de pragas e de fenômenos meteorológicos extremos, como tempestades de vento e neve.

O Canadá tem quase 3,5 milhões de quilômetros quadrados de florestas, que representam 10% de toda a superfície florestal mundial. A indústria madeireira impulsiona 1,7% do Produto Interno Bruto do Canadá.


O estudo aponta uma redução da oferta de madeira, o aumento das ondulações por tempestades, danos causados por inundações devido ao aumento do nível do mar em áreas costeiras e baixa qualidade do ar nas principais cidades, o que aumentará o número de consultas hospitalares.

As perdas no setor com as mudanças no clima podem chegar a 17 bilhões de dólares ao ano, concluiu o estudo, que destacou que a economia da província da Columbia Britânica (oeste) seja provavelmente das mais afetadas por sua dependência florestal.

As áreas baixas e densamente povoadas da costa do Pacífico, como Vancouver, e as regiões árticas, como Nunavut (que está experimentando o aumento de temperatura mais significativo) também enfrentarão os custos mais elevados per capita por danos de moradias devido às inundações, informou.

No entanto, as áreas costeiras da Ilha do Príncipe Edward, no Oceano Atlântico, são as que correm o maior risco, destacou o relatório.

As inundações em todo o país poderiam levar os custos das mudanças climáticas ao nível nacional a US$ 8 bilhões anuais em 2050, concluiu.

Por último, grandes cidades como Toronto e Vancouver experimentarão provavelmente mais ondas de calor no verão e pior qualidade do ar nos próximos anos, o que causará mais problemas cardiovasculares e respiratórios.

Em nível nacional, o fato de haver menos dias de frio extremo pode reduzir a incidência de doenças em geral e as mortes no inverno, destacou o informe. No entanto, algumas populações enfrentarão um risco maior de exposição a doenças infecciosas e transmitidas pela água e pelos alimentos.

A proporção dos custos, destacou o estudo, dependerá do aumento das emissões globais e do crescimento econômico e demográfico do Canadá.

Tuvalu decreta estado de emergência por falta de água potável



A Nova Zelândia enviou nesta segunda-feira, 03/10/2011,  um avião militar com um carregamento de água potável e aparelhos de dessalinização a Tuvalu, um pequeno Estado do Pacífico vítima da seca e que está em situação de emergência.

"Tuvalu declarou estado de emergência em consequência da escasez de água para consumo corrente na capital, Funafuti, e em outras ilhas vizinhas", declarou o ministro neozelandês das Relações Exteriores, Murray McCully.

Segundo um relatório recente da Cruz Vermelha, as ilhas Tuvalu - uma antiga colônia britânica e uma das menores nações independentes do mundo, com apenas 10.500 habitantes - sofrem uma grave seca este ano em consequência do fenômeno climático La Niña.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A mulher brasileira, exemplo para o mundo



O declínio da população brasileira ao longo dos últimos 50 anos é estudado pelos demógrafos em busca de seu segredo.
Como foi que, sem nenhum programa ou campanha oficial, o Brasil, um país de cultura católica, reduziu a taxa de natalidade de 6,3 para 1,9 - menor que a dos Estados Unidos? A reportagem de capa deste mês traz a resposta. A autora Cynthia Gorney, americana, professora na Universidade da Califórnia em Berkeley, fez diversas viagens para cá. Entrevistou especialistas, mulheres e famílias. Fatores diversos provocaram a queda de natalidade.
Mas o principal deles é a brasileira, escreve Cynthia. Foi ela quem decidiu ter menos filhos. Foi ela quem mudou o futuro do país. Por vontade própria. Com esse mesmo viés na cabeça, nosso editor sênior Ronaldo Ribeiro foi à cidade de maior proporção de mulheres no país: 54,25% dos 419,4 mil habitantes são do sexo feminino em Santos. Trouxe um retrato inovador e engraçado. Os assinantes recebem esta edição em uma sacola biodegradável. Com ela, a Editora Abril quer combater a poluição das águas. O melhor lugar para começar é em National Geographic Brasil.
A nova taxa de fecundidade no Brasil está abaixo do nível que permite a uma população substituir a si mesma. É inferior à taxa dos Estados Unidos, dois filhos por mulher. No Brasil de 191 milhões de habitantes, o maior país da América Latina, a Igreja Católica Romana predomina, o aborto é ilegal (com raras exceções) e nenhuma política oficial jamais visou ao controle da natalidade, mas ainda assim o tamanho das famílias sofreu uma queda tão drástica e insistente nas últimas cinco décadas que o gráfico da taxa de fecundidade agora mais parece um escorregador de playground.

Não são apenas as brasileiras mais ricas e com profissões especializadas que deixaram de ter prole numerosa. Muitos ainda pensam que no campo e nas favelas as mulheres continuam parindo um filho atrás do outro, o que não é verdade. Em Belo Horizonte, a quatro horas de viagem da cidadezinha sul-mineira, os pesquisadores do centro demográfico que Carvalho ajudou a fundar identificaram o mesmo declínio em todas as classes e regiões do Brasil. Durante as semanas em que conversei com mulheres brasileiras, conheci professoras, separadoras de lixo, arquitetas, jornalistas, balconistas, faxineiras, atletas profissionais, estudantes do ensino médio e mulheres que viveram como sem-teto na adolescência. Quase todas disseram que uma família brasileira moderna deve ter dois filhos, idealmente um casal. Três ainda vai, às vezes. O filho único pode já ser de bom tamanho. Certa noite, em um bairro operário na periferia de Belo Horizonte, uma garota solteira de 18 anos olha carinhosamente para seu garotinho que vem rolando um caminhão de brinquedo na nossa direção. Adora seu menino, diz ela, mas remata com uma expressão contundente que já ouvi de outras brasileiras: "A fábrica está fechada".

A marcante queda no número de filhos nas últimas décadas não é um fenômeno exclusivo do Brasil. Apesar da preocupação com o crescimento da população mundial, quase metade da humanidade vive em países nos quais as taxas de fecundidade caíram abaixo da de substituição demográfica, o nível em que um casal tem apenas o número suficiente de filhos para substituir o pai e a mãe, ou seja, dois. No resto do mundo essas taxas também vêm declinando, com a notável exceção da África subsaariana.

Para os demógrafos que investigam as causas e as implicações dessa surpreendente tendência, o Brasil, desde os anos 1960, é um dos laboratórios mais profícuos do planeta. Mesmo com seu vasto território e suas enormes diferenças regionais em geografia, raças, cultura e nível socioeconômico, o Brasil possui dados populacionais que são, por tradição, particularmente minuciosos e confiáveis. Semelhanças com o caso brasileiro têm sido encontradas em vários países, inclusive naqueles em que a maioria da população também é católica romana, mas a experiência local não é igualada em nenhuma outra.
As brasileiras com menos de 35 anos que já se submeteram à laqueadura tubária são numerosas e falam abertamente sobre sua opção. "Eu tinha 18 anos quando nasceu meu primeiro filho. Queria parar por ali, mas o segundo veio por acidente. Então tomei a decisão: agora chega!", diz uma artesã de 28 anos em Recife enquanto me mostra como se dança o forró. Tinha 26 anos por ocasião da laqueadura e, quando lhe pergunto por que escolheu um método contraceptivo irreversível ainda tão nova - e se ela e o marido um dia mudarem de ideia? -, a artesã torna a falar que já teve o filho número 2, o "acidente". Diz que a pílula anticoncepcional lhe dá náuseas e a faz engordar. E, para o caso de eu não ter registrado sua explicação, frisa: "Agora chega".

Afinal, por que dois? Por que não quatro? Por que não oito, como sua avó? Sempre ouço a mesma resposta: "Impossível! Caro demais! Muito trabalho!" E com a mesma expressão no rosto, os olhos arregalados e o esgar de espanto que agora já conheço bem: "Estamos no século 21, minha senhora. Está louca?"

Um acirrado debate sobre os múltiplos fatores da queda na taxa de fecundidade no Brasil está em curso entre os estudiosos da população, como José Alberto Carvalho. ("Não deixe que ninguém lhe diga que sabe com certeza o que causou o declínio", me avisa um demógrafo do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional em Belo Horizonte, o Cedeplar. "Nunca chegaremos a uma explicação vencedora, a mais correta.") Mas, se alguém tentasse elaborar uma fórmula para reduzir a taxa de fecundidade em um país em desenvolvimento sem intervenção do governo - sem política de filho único como na China, sem tentativas de esterilização forçada como na Índia -, eis um plano informal de seis metas inspirado nas peculiaridades do Brasil moderno:

1. Industrializar com atraso, de forma febril, causando no período de 25 anos uma realocação relâmpago da população das áreas rurais para as urbanas que os economistas antes julgavam ser possível apenas em um século. O regime militar implantado no Brasil com o golpe de março de 1964 e mantido por duas décadas de autoritarismo muitas vezes brutal forçou o país a engajar-se em um novo tipo de economia que concentrou o trabalho nas cidades, onde as habitações são apertadas, as ruas das favelas representam perigo, os bebês são vistos mais como fardos dispendiosos do que como futuros braços para a lavoura, e os empregos que as mulheres precisam ter para sustentar a família requerem sua ausência de casa por até dez horas diárias.

2. Manter sem controle a maioria dos medicamentos e a venda sem receita nas farmácias, de modo que, ao surgir a pílula anticoncepcional nos anos 1960, as mulheres de todas as classes sociais possam, com dinheiro, ter acesso a ela mesmo sem a prescrição de um médico. E fomentar nessas mulheres uma excepcional insensibilidade para com a posição da Igreja Católica sobre a contracepção artificial. (Ver item 4.)
3. Melhorar as estatísticas de mortalidade neonatal e infantil até que as famílias não se sintam mais compelidas a ter filhos adicionais por segurança, na suposição de que alguns morrerão jovens. Além disso, manter um programa nacional de previdência social de qualidade, livrando os pais da classe trabalhadora da convicção de que uma família numerosa será sua única possibilidade de sustento na velhice.

4. Distorcer os incentivos financeiros de seu sistema de saúde por uma ou duas gerações para que os médicos aprendam que podem contar com remuneração maior e horários de trabalho mais previsíveis se fizerem cesarianas em vez de esperar o momento do parto natural. Depois espalhar a notícia, de mulher para mulher, de que um médico de hospital público que já tenha iniciado uma cirurgia de cesariana talvez possa ser persuadido a adicionar discretamente uma laqueadura nas trompas, e assim assegurar um próspero mercado paralelo aprovado há décadas para esse método de contracepção permanente. O sistema brasileiro de saúde só reconheceu formalmente a esterilização feminina voluntária em 1997. Mas a primeira vez em que ouço a frase "A fábrica está fechada" ela vem de uma professora aposentada de 69 anos que se submeteu à laqueadura tubária em 1972, depois de ter seu terceiro filho. A professora tem três irmãs. E todas fizeram a mesma cirurgia. Sim, as três são católicas. Sim, a hierarquia da Igreja desaprova. Não, nenhuma delas se importa muito; são devotas, mas em certos assuntos o clero masculino talvez não tenha condições de discernir a verdadeira vontade de Deus. Enquanto a professora serve chá em xícaras de porcelana durante a nossa conversa à mesa na sala de jantar, comenta sem se preocupar: "Todo mundo fazia isso".

5. Introduzir ao mesmo tempo eletricidade e televisão em boa parte do interior do país para revolucionar duplamente o modo de vida familiar tradicional, depois inundar as transmissões com uma imagem singular, vívida e invejável da família brasileira moderna: abastada, de pele clara e pequena. Os estudiosos procuram descobrir se o encolhimento da família pode ter sido influenciado pelas novelas brasileiras, levadas ao ar durante meses a fio como uma série interminável de folhetins eróticos. Um estudo concluiu que a disseminação da televisão ocorreu mais rápido que o acesso à educação - que melhorou muito no Brasil, porém a um ritmo mais lento. Nos anos 1980 e 90 todo o Brasil era dominado pela Rede Globo, cujas novelas no horário nobre - antes às 8 da noite, agora às 9 - tornaram-se assunto frequente nas conversas; mesmo hoje, na era das transmissões por satélite de um sem-número de canais, vemos os televisores das lanchonetes sintonizados na novela global do momento.

Quando estive no Brasil, o sucesso da vez era Passione, a turbulenta história dos Gouveia, uma família de industriais atormentados por segredos - uma gente bonita e rica cercada de objetos de desejo: motos, candelabros, bicicletas de corrida, passagens de avião, sapatos franceses. A viúva Gouveia, mulher decidida e admirável, teve três filhos. Bem, na verdade quatro, mas um ficou incógnito, pois foi concebido em um caso extraconjugal e mandado para a Itália ainda bebê porque… Ah, não interessa. O importante é que não havia muitos Gouveia nem famílias numerosas em todo o resto do enredo mirabolante.

"Uma ocasião, perguntamos se a Rede Globo estava deliberadamente tentando introduzir o planejamento familiar", conta Elza Berquó, veterana demógrafa brasileira que contribuiu para o estudo dos efeitos das novelas. "Sabe qual foi a resposta? 'Não. O fato é que é muito mais fácil escrever novelas sobre famílias pequenas'."

E finalmente o item 6. Garanta que todas as mulheres do país sejam brasileiras.

Brasil e mulheres, eis um território volátil. O termo "machismo" tem no português brasileiro o mesmo significado que no resto do continente, falante do espanhol, e está associado a altos níveis de violência doméstica e outras agressões físicas a mulheres no país. Mas o Brasil foi profundamente alterado pelo movimento feminista nos anos 1970 e 80, e hoje nenhum cidadão do continente americano pode chamar o Brasil de retrógrado em matéria de igualdade de gêneros. Quando Dilma Rousseff concorreu à Presidência em 2010, os debates nacionais mais acalorados foram sobre suas ideias e filiações políticas, e não sobre se o país estava preparado para ter a primeira mulher na Presidência. Aliás, entre os mais fortes concorrentes de Dilma estava uma senadora, Marina Silva, que já desponta como provável candidata em futuras eleições.
O Brasil tem mulheres na alta oficialidade das Forças Armadas, delegacias especiais para mulheres chefiadas por mulheres e a mais famosa jogadora de futebol no mundo (a incomparável artilheira Marta). Uma noite, na cidade de Campinas, converso com o chileno Anibal Faúndes, um professor de obstetrícia que emigrou há décadas para o Brasil e ajudou a coordenar estudos nacionais sobre a saúde reprodutiva. Faúndes volta sempre ao tema daquela que é, em sua opinião, a principal causa da mudança na taxa de fecundidade em seu país adotivo. E simplifica as coisas. "A taxa caiu porque as mulheres decidiram que não queriam mais filhos", afirma o professor. "As mulheres brasileiras são muito fortes. Foi só uma questão de decidir e ter os meios para realizar."

O caso do Cytotec traz dados graves mas esclarecedores. Cytotec é o nome fantasia de um medicamento chamado misoprostol, desenvolvido para tratamento de úlceras, que em fins dos anos 1980 se tornou internacionalmente conhecido como a pílula do dia seguinte - parte de uma combinação de duas drogas que incluía o medicamento chamado de RU-486. Mas, antes mesmo que o resto do mundo recebesse a notícia sobre a indução de aborto por esse comprimido - que entrou nos mercados francês e chinês em 1988 em meio a grande polêmica e foi depois aprovado nos Estados Unidos para interrupção da gravidez -, as brasileiras já haviam descoberto o fato por conta própria. Nenhuma campanha publicitária explicou os usos do misoprostol; estávamos na era pré-internet, lembremos, e a lei brasileira proibia o aborto exceto em casos de estupro ou risco de vida da mulher.

Acontece que essa lei é desconsiderada em todos os níveis da sociedade. "As mulheres informavam umas às outras a dosagem", conta a demógrafa brasileira Sarah Costa, diretora da Comissão para as Mulheres Refugiadas, uma ONG com sede em Nova York. Ela escreveu sobre o fenômeno brasileiro do Cytotec para a revista médica Lancet. "Ambulantes vendiam o remédio em estações de trem. A maioria dos postos de saúde na época não tinha serviço de planejamento familiar; e, quando uma mulher tem motivos para regular sua fecundidade mas a assistência médica e as informações são precárias, ela sai perguntado a todo mundo: o que posso fazer? E assim o conhecimento se transmite."

O acesso fácil ao Cytotec não durou muito. Em 1991 o governo brasileiro impôs restrições à venda do remédio, e hoje ele só está disponível em hospitais - embora mulheres tenham me dito que ainda é possível obtê-lo pela internet. O sistema público de saúde paga pelas esterilizações e por outros métodos de controle da natalidade. Mas os abortos ilegais prosperam, em circunstâncias médicas que variam de confiáveis a assustadoras. Pode não ser 100% fácil ou seguro para as brasileiras manter sua família pequena, mas não faltam meios para fazê-lo. E em todos os aspectos, dizem mulheres de todas as idades, é isso o que elas agora esperam de si mesmas - e que o Brasil atual, por sua vez, parece esperar delas.

"Observe os apartamentos", diz Andiara Petterle, executiva de marketing de 31 anos. "Eles são projetados para quatro pessoas. Dois dormitórios. Nos supermercados, as porções de comida congelada são sempre para quatro pessoas."

Andiara fundou uma empresa especializada em pesquisas sobre o consumo das mulheres brasileiras, cujos hábitos de compra e prioridades de vida parecem ter sofrido uma guinada logo depois que ela nasceu. Só em 1977 o divórcio foi legalizado no país, comenta Andiara. "Mudamos muito depressa. Constatamos que, para muitas jovens, a prioridade agora é a educação. Em segundo lugar vem a carreira. E, em terceiro, filhos e uma relação estável."

Portanto, criar filhos não desapareceu das prioridades modernas, ressalta Andiara, apenas foi mais para o fim da lista e se tornou um interesse mais difícil de conciliar com os demais. A executiva não é mãe, mas espera ser um dia. Ouço dela o que está se tornando um refrão bem conhecido: a vida no Brasil de hoje está cara demais para se criar mais de dois filhos. O ensino público em geral é ruim, dizem as pessoas, e as famílias despendem uma parcela enorme de sua renda para dar aos filhos boa educação privada. O sistema público de saúde também é ruim, e as famílias têm despesas colossais com assistência médica particular. Roupas, livros, mochilas, celulares: as coisas são caras mas devem ser compradas a qualquer custo. E tudo aquilo de que uma jovem família precisa, gritam as vitrines aos passantes ávidos de consumo, pode ser obtido com financiamento a curto ou longo prazo.
Quer dar a seu filho aquele ursão de pelúcia, aquela boneca em uma linda caixa de presente, aquele minijipe movido a bateria? Compre em prestações, pagando juros, naturalmente. O crédito ao consumidor explodiu em todo o Brasil, chegando às famílias das classes C e D, que, duas décadas atrás, não tinham acesso a esses luxos adquiridos em parcelas. Durante a minha estada no Brasil, a revista Exame publicou uma reportagem de capa sobre a disseminação do consumismo pelas várias classes da sociedade. A jornalista paulistana que escreveu o texto, Fabiane Stefano, descreve o movimento que viu em uma agência de turismo inaugurada recentemente em um bairro da periferia. "A cada cinco minutos entrava alguém", conta ela no texto. "E 80% daquelas pessoas iam para o Nordeste visitar a família. De ônibus demora três dias, mas de avião se vai em três horas." Era a primeira vez que aqueles clientes viajariam de avião. "O funcionário tinha de explicar que eles não veriam sua bagagem durante o voo."

Seria um erro crasso supor que os brasileiros estão tendo menos filhos apenas porque desejam gastar mais com cada um. Mas é verdade que as questões aquisitivas - quanto as coisas custam hoje em dia, quanto as pessoas agora desejam - interessam e preocupam quase todas as mulheres brasileiras. Acredita-se que o menor tamanho das famílias ajuda a impulsionar a economia nos países em rápido desenvolvimento, sobretudo os cinco grandes hoje conhecidos como Brics: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Porém, crescimento econômico nacional não é garantia de bem-estar das famílias, a menos que a prosperidade seja bem administrada e investida nas gerações futuras. "Uma coisa em que tenho pensado muito é que estamos reduzindo a taxa de fecundidade no Brasil e em outros países dos Brics, mas não se vê nenhum empenho real no campo da ética", diz a executiva Andiara. "Poderia haver apenas 1 bilhão de pessoas no mundo, mas, com a mentalidade atual, consumiriam a mesma quantidade colossal de recursos."

Em meus últimos dias no Brasil, vou tomar o café da manhã com um grupo de mulheres jovens, profissionais liberais paulistanas, a uma mesa na calçada defronte a uma banca de jornais na qual se veem oito luxuosas revistas sobre criação de filhos, todas transbordando de anúncios: bebê-conforto e carrinho conversível; "analisador eletrônico" para identificar o motivo do choro do bebê; DVD player com suporte de parede que projeta imagens móveis sobre o berço. Olhamos as fotografias de moda mostrando lindas criancinhas com roupas de tricô, óculos de aviador e peles sintéticas. "Olhe só estes bebês", diz Milene Chaves, uma jornalista de 33 anos, em um tom de voz que oscila entre admiração e desespero. Ela vira a página. "E parece que também é imprescindível ter um quarto decorado. Eu não preciso de um quarto decorado como este."

Milene não tem filhos, por enquanto. "Quando eu tiver, quero simplificar as coisas", revela. As amigas à mesa concordam ainda olhando as revistas abertas: objetos atraentes, comentam, mas todos envolvidos por um tremendo excesso, uma superfluidade perturbadora. São todas habitantes da cidade mais rica do Brasil na casa dos 20 ou 30 anos e têm dois filhos, um ou nenhum. Refletem exatamente os padrões sociais que me foram descritos pelos demógrafos do país. Quando pergunto se elas gostariam de levar uma vida menos materialista, a exemplo dos mais velhos, duas gerações antes - oito, dez filhos, ninguém contratando decoradores para embonecar o quarto -, consigo identificar, no alarido que se segue, a palavra "prisioneira". Mas as respostas vêm abafadas pela gargalhada geral.