Geografia da Amizade

Geografia da Amizade

Amizade...Amor:
Uma gota suave que tomba
No cálice da vida
Para diminuir seu amargor...
Amizade é um rasto de Deus
Nas praias dos homens;
Um lampejo do eterno
Riscando as trevas do tempo.
Sem o calor humano do amigo
A vida seria um deserto.
Amigo é alguém sempre perto,
Alguém presente,
Mesmo, quando longe, geograficamente.
Amigo é uma Segunda eucaristia,
Um Deus-conosco, bem gente,
Não em fragmentos de pão,
Mas no mistério de dois corações
Permutando sintonia
Num dueto de gratidão.
Na geografia
da amizade,
Do amor,
Até hoje não descobri
Se o amigo é luz, estrela,
Ou perfume de flor.
Sei apenas, com precisão,
Que ele torna mais rica e mais bela
A vida se faz canção!

"Roque Schneider"



Quem sou eu

Salvador, Bahia, Brazil
Especialista em Turismo e Hospitalidade, Geógrafa, soteropolitana, professora.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Países de industrialização Planificada



Os países do bloco socialista tiveram uma industrialização inserida numa economia planificada. Na economia de mercado, a indústria é uma propriedade privada que produz visando o lucro.
Na economia planificada, as indústrias são de propriedade do Estado, visa produzir para satisfazer necessidades sociais. As necessidades sociais eram definidas pela burocracia dos governos socialistas.
A maioria dos países da Europa oriental, quando eram de economia planificada, tinha como prioridade o desenvolvimento da indústria de base (siderúrgica, petroquímica, maquinaria e veículos pesados), o que deixou as indústrias de bens de consumo e, segundo plano, indústrias de automóveis, vestuários e eletrodomésticos tinham baixa prioridade nos parques industriais das nações socialistas.
O cenário, até a queda da URSS, era de um bloco de países sem sociedade de consumo, fato que começou a mudar quando estes países iniciaram processo de transição econômica nos anos 90. Dentre os países que se industrializaram através da economia planificada, destacam-se a Rússia, a República Tcheca, Alemanha Oriental, Polônia, Hungria, Eslovênia, Croácia e Bulgária.
A industrialização planificada se esgotou com a queda do socialismo soviético. A transição industrial nestes países foi traumática na década de 90, a passagem para a produção de mercado aberto gerou desempregos, inflação, privatização e fechamento de fábricas obsoletas.
- União Soviética/ Rússia: ( Origem e crise da economia planificada, o fim da URSS e o ressurgimento da Rússia, a indústria Russa)
A industrialização soviética
No final do século XIX, a Rússia era um império sob a liderança do czar Nicolau lI, que governava com poderes absolutistas. Apesar de a economia ser essencialmente agrária, o país possuía uma indústria desenvolvida nas cidades de São Petersburgo (então capital do Império Russo), Kiev e Moscou. Os trabalhadores urbanos eram submetidos a longas jornadas de trabalho e viviam em moradias em péssimas condições, o que promovia um sentimento geral de insatisfação popular. Isso ajudou na formação de uma classe operária organizada.
Os camponeses também estavam descontentes com as condições de vida nas áreas rurais. O descontentamento popular e o desastre militar na Guerra Russo-Japonesa (1904- I 905) e na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), associados à crise econômica, fizeram eclodir levantes de operários e camponeses contra o czarismo. As manifestações, inspiradas nas ideias de Karl Marx e Friedrich Engels, precipitaram o processo revolucionário, iniciado em fevereiro de 1917 e que culminou com o fim do regime monárquico. Em novembro de 1917, o Partido Bolchevique, com o apoio dos sovietes (conselhos de trabalhadores), tomou o poder, iniciando assim o período da Rússia socialista.
Até a Segunda Guerra Mundial ( 1939-1945), podemos identificar três importantes períodos para a construção da União Soviética.
Os planos quinquenais (1928-1938)
Foi nesse momento que o governo da URSS, então comandado por Josef Stalin (secretário-geral do Partido Comunista), começou a planificar a economia. Extinta a NEP, foram adotados os planos quinquenais (de cinco em cinco anos), que contribuíram para o aumento da produtividade na indústria e agricultura. Entre as características do período estão o incentivo à indústria pesada e de material bélico, a intensa urbanização e a coletivização forçada da agricultura, processo com grande uso de violência e de repressão, com os estabelecimentos rurais kolkhozes e sovkhozes, extinguindo assim a propriedade privada.

A Guerra Fria
Os planos quinquenais foram interrompidos com a eclosão da Segunda Guerra Mundial e a invasão da URSS em 1941 pelas tropas alemãs, que seriam derrotadas pelo Exército Vermelho e a resistência popular.
O fim da guerra em 1945 marcou o início da Guerra Fria, período de grande conflito político e ideológico entre os EUA e a URSS, as duas superpotências antagonistas da época. O período teve entre suas características a corrida armamentista e espacial, além da divisão do mundo em duas áreas de influência, sobre controle das superpotências. Essa polarização levou a uma série de conflitos, como a Guerra da Coréia e a Guerra do Vietnã.
Cortina de Ferro foi uma expressão usada para designar a divisão da Europa em duas partes, a Europa Oriental e a Europa Ocidental como áreas de influência político-econômica distintas, no pós- Segunda Guerra Mundial conhecido como Guerra Fria. Durante este período, a Europa Oriental esteve sob o controle político e/ou influência da União Soviética, enquanto a Europa Ocidental esteve sob o controle político e/ou influência dos Estados Unidos.
A expressão foi celebrizada pelo então primeiro-ministro britânico Sir Winston Churchill, que a usou num discurso em Fulton, em 1946, para designar a política de isolamento adotada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e seus estados-satélites após a Segunda Guerra Mundial.
O fim da URSS
Na década de 1980 ocorreram profundas mudanças políticas nos países socialistas. O grande símbolo da Guerra Fria, o Muro de Berlim, foi derrubado em 1989. Esse fato constituiu um marco do processo que levaria ao fim dos regimes socialistas e da própria União Soviética. Vários eventos contribuíram para esse processo, alguns dos quais destacamos a seguir.
No campo externo, a política militarista fomentada pelo governo dos EUA, obrigando os soviéticos a aumentar os gastos com armamentos para manter o equilíbrio com seus antagonistas, ao mesmo tempo em que eram derrotados após terem invadido o Afeganistão, causou uma crise intensa na URSS.
Internamente, o descontentamento era imenso com a falta de liberdade e de bens de consumo de primeira necessidade. Isso estimulou a população a reivindicar mudanças. A abertura da economia (Perestróica) e a transparência política (glasnost), comandadas por Mikhail Gorbatchev, proporcionaram o fim do sistema soviético em dezembro de 1991.
A maioria das repúblicas que compunham a URSS tornou-se independente no início dos anos 1990. O período subsequente caracterizou-se por crises internas relacionadas a processos de transição política e econômica. Em 1991, sob o governo de Boris Yeltsin, foi criada a Comunidade de Estados Independentes (CEI), formada pela maioria das antigas repúblicas soviéticas. A CEI oficializou a extinção da URSS.
A partir de 1998, após atravessar uma das mais graves crises de sua história, a Rússia, país mais industrializado da CEI, passou a adotar uma política nacionalista, reforçando a economia interna. Auxiliada pelo crescente aumento do preço do petróleo, abundante no país, conseguiu reconstruir sua economia e reinserir-se na política internacional.

Formação e Desintegração da URSS
A história da humanidade sempre foi marcada pela ascensão, hegemonia e queda de grandes impérios, nas mais diversas regiões do globo, como exemplos destes podemos citar o Império Egípcio, Babilônico, Romano, SIRG ( Sagrado Império Romano Germânico), Inca , Asteca, Árabe, Otomano, Alemão e mais recentemente o Império Russo que atinge seu colapso com o fim da URSS em 1991.
As conquistas destes impérios sempre foram marcadas por inúmeras guerras deflagradas por disputas territoriais, diminuição, incorporação e extermínio de etnias, ou seja, por imposição forçada de um determinado grupo ( mais forte belicamente ) contra outros mais vulneráveis.
Com o grande Império Russo não foi diferente, na presente pesquisa vamos verificar todas as etapas que vão desde a formação do Estado Russo no século IX, todo seu processo de expansão territorial ( para a Sibéria, Cáucaso e Báltico), passando por fatos importantes de sua história como a Revolução Bolchevique de 1917 que implantou o socialismo real, sua participação na 1ª Guerra Mundial , formação da URSS em 1922, participação na 2ª Guerra Mundial, guerra fria, fatores que levaram a crises econômicas e políticas, perestroika, glasnost, CEI e atualidades como a explosão de graves conflitos étnicos envolvendo chechenos e outras minorias que fazem parte da Federação Russa e que lutam por independência.
Não há dúvida em que a desintegração da URSS foi o principal fato geopolítico do final do século XX, fato este que gerou profundas modificações em todo leste europeu e mudou a ordem mundial que agora possui apenas os EUA como grande superpotência.
Devido a todos estes fatores é imprescindível que compreendamos toda a dinâmica que levou a ascensão e queda do “Império Vermelho” e seus reflexos no mundo.
Formação e Expansão territorial da Rússia
Não se pode falar da Rússia atual sem antes entender o processo de territorialização e todos os caminhos que levaram a formação da URSS, sua ascensão e posterior extinção. Pois a Rússia de hoje é reflexo deste processo já que sempre esteve na liderança do bloco socialista e é a maior herdeira da antiga URSS.
Para tanto, vamos fazer um pequeno retrocesso histórico que vai desde a expansão territorial até atual situação político-econômica da Rússia.
Formação Territorial
O longo processo de expansão territorial russo se estende desde o século IX até o inicio do século XX. Partindo de uma pequena faixa de terra localizada, de forma bem genérica, entre os mares Báltico e Negro, grupos russos se expandiram para todas as direções. A expansão trouxe como consequência a conquista e a submissão de muitos povos pelos russos e a constituição de um estado com nítidas características de heterogeneidade étnica.
A Industrialização sob uma economia planificada
A União Soviética, em sua maior expansão territorial, no pós-guerra passou a ser composta por quinze repúblicas, ocupando um território de 22,4 milhões de quilômetros quadrados; englobando mais de uma centena de povos.
Enquanto o mundo se guiava pelos padrões tecnológicos, da 2º Revolução Industrial, a economia soviética funcionou bem. A URSS cresceu em termos tecnológicos se fortaleceu militarmente. Até então seu modelo de economia estatizada e planejada funcionou bem. A industrialização foi beneficiada pelos recursos do subsolo, principalmente o carvão e a linhita. Isso favoreceu a instalação de poderosas usinas termelétricas localizadas em áreas carboníferas, nas Ucrânia e em Moscou e diversas usinas hidrelétricas. Também há imensos recursos em minerais ferrosos e não ferrosos.
A partir do ingresso da URSS na 2º Guerra Mundial, foi priorizada a indústria bélica. Isso aconteceu no 3º plano quinquenal.
O quarto plano quinquenal (1946-1950) foi direcionado para a recuperação da economia reconstrução das fábricas e das obras de infraestrutura destruídas pela guerra. Investiu-se na construção de barragens, ferrovias, redes de transporte etc.
Os planos que vieram a seguir continuaram a priorizar o setor industrial pesada e bélica. Principalmente indústrias como a siderúrgica, a petrolífera a de maquina e equipamentos. O setor bélico destacava-se na produção de: aviões, navios, submarinos, helicópteros, carros de combate, bombas, mísseis, metralhadoras, fuzis, canhões, obuses etc.
A União Soviética por um grande período ditava juntamente os Estados Unidos, ritmo das pesquisas cientificas ciência e tecnológica.
Destacou-se nas indústrias aeroespacial, nuclear, de informática, na tecnológica bioindustrial, engenharia genética e outros ramos da pesquisa avançada.
Do pós-guerra até os anos 70 a União Soviética conseguiu acompanhar e por diversas vezes liderar os níveis tecnológicos e produtivos, mantendo-se como potência não só militar, mas econômica.
Uma das características mais marcantes nos países socialistas foi a estatização da propriedade privada dos meios de produção. Entendia-se que essa seria a maneira de o Estado assegurar um gerenciamento mais eficaz da economia, garantindo o emprego e a produção. Foi atribuída, de modo geral, maior ênfase à indústria de base, pois era o meio de alavancar o restante da produção, que depende dos seus insumos.
Com o planejamento era possível estabelecer maior distribuição industrial no território, evitando-se as grandes concentrações industriais que as economias de mercado acabam gerando. Assim, as indústrias eram instaladas de acordo com um planejamento estratégico que levava em conta vários aspectos sociais, políticos e de organização territorial, e não apenas o lucro, como nos países capitalistas.
Foram poucos os países que se industrializaram por meio do planejamento centralizado do Estado. O primeiro foi a URSS, na primeira metade do século XX; depois vieram os países do Leste Europeu que ficaram sob influência soviética após a Segunda Guerra Mundial, como a Polônia, a Hungria, a Romênia, a antiga Iugoslávia e a Bulgária. Com a descolonização da África e da Ásia, alguns países desses continentes também adotaram medidas de planificação; foi o caso de Moçambique, Angola, Vietnã e China.
Alguns problemas oriundos da planificação, como o excesso de burocratização, contribuíram para a falta de mobilidade na industrialização, prejudicando o dinamismo tecnológico desses países.
O declínio da URSS.
Os movimentos separatistas que tiveram início nas republicas Bálticas (Lituânia, Estônia e Letônia) foram decisivos para desencadear uma desintegração em série das republicas soviéticas.
A grande diversidade étnica existente no leste europeu também tiveram uma grande parcela de contribuição para que essa desintegração acontecesse, mas a principal causa desses movimentos separatistas e movimentos nacionalistas era o descontentamento da população em relação ao sistema de governo existente. A população começou a perceber que à distância que os separava dos ocidentais estava ficando cada vez maior e atribuíram esses retardos tecnológicos ao modelo econômico utilizado pelos governantes ultraconservadores que não apostaram na economia de mercado, não abriram mão do unipartidarismo, preferiram sempre estar com o poder centralizado nas mãos do estado, enfim não contribuíram em quase nada para que um país de tão grandes dimensões não tivesse mergulhado em tão profunda crise tecnológica e econômica.
O descontentamento da população gerando movimentos nacionalistas também desencadeou uma série de conflitos no leste europeu, a maioria das repúblicas soviética partiu em busca de sua independência. Poucas republicas conseguiram sua independência sem derramamento de sangue.
Foi nesse contexto que em 1985 MIKHAIL GORBACHEV assume o governo e tenta reverter à situação, tentando fortalecer as republicas soviéticas e evitar a desintegração.
GORBACHEV inicia a dura transição da economia planificada para a economia de mercado. Inicia um período de reformas na URSS implantando a Glasnost e a Perestroika, que nada mais eram senão a abertura ou transparência política e a abertura da economia. A intenção era regularizar a situação econômica e política do país. Com essa abertura econômica, a URSS estava aceitando investimentos estrangeiros no país, coisa que até então não era possível. Outra tentativa para que não ocorresse esta desintegração foi à autorização à criação de outros partidos político além do PCUS. Apesar das tentativas de GORBACHOV em manter as republicas unidas, isso não foi possível, uma a uma as repúblicas soviéticas foram conquistando a sua independência. A URSS organizou até 30 de Dezembro de 91 quando se formou a CEI e a Rússia deixando o país então de ter um poder central único exercido pelo estado para construir sociedades democráticas. Os planos de Gorbatchov exigiam a perestroika (“reestruturação”) da economia nacional e uma glasnost (“abertura”) na vida política e cultural.

O que é a CEI?
A CEI não é um país, como era a URSS, nem foi criada para substituir essa grande potência. É uma organização de cooperação entre antigas repúblicas que passaram muitos anos ligados pelo governo central de Moscou, porém dessa vez cada qual tem assegurado a sua soberania.

A Rússia hoje
Mesmo com a dissolução da União Soviética, a Rússia ainda hoje é o país com o maior território do mundo (17 milhões de km²) e a 8ª maior população (aproximadamente 142.905.200 hab. Censo 2010 ). Parte do seu território se localiza na Europa, e outra porção na Ásia, favorecendo as relações comerciais com países de ambos os continentes.
O seu imenso território é dotado de muitas riquezas minerais, o que possibilita a produção em larga escala de prata (7° maior produtor do mundo), carvão (5° maior), diamante (2° maior), ferro (3° maior) e urânio (4° maior), além de bauxita, ouro, cobre, níquel e estanho. Também possui uma das maiores reservas mundiais de petróleo e gás natural, o que tem sido fundamental para sua economia nos últimos anos, tanto para consumo interno como para exportação.
A Rússia dispõe de uma indústria diversificada e possui bom desenvolvimento nos setores de bens de consumo e de produção. Destacam-se as indústrias siderúrgica, naval, automobilística, bélica, petroquímica, de eletrodomésticos e têxtil, entre outras. As indústrias localizam-se principalmente na parte ocidental do país, onde a proximidade com a Europa permite melhores condições para o comércio.
Apesar de ter vivido períodos em que os investimentos agrícolas entraram em declínio, como consequência da grande crise gerada pela passagem da economia planificada estatal para a de mercado, a Rússia ainda possui uma agricultura importante. No sudoeste do país, onde o clima é mais ameno, destaca-se a produção de aveia, trigo, cevada e beterraba açucareira. Já a pecuária do país caracteriza-se pela diversidade, destacando-se os rebanhos ovino, caprino, suíno e bovino.
Os principais parceiros comerciais da Rússia são a União Europeia, a China, a Ucrânia, o Japão e os Estados Unidos. A maior parte de suas exportações (cerca de 72% em 2007) é constituída de combustíveis e produtos do extrativismo mineral e vegetal, e de produtos industrializados (aproximadamente 19% em 2007). Por outro lado, os produtos industrializados compõem a principal parcela de sua pauta de importações: 83,1 % do total.
A economia russa é altamente dependente do petróleo, o que proporciona períodos de crescimento, quando a cotação desse recurso está em alta no mercado mundial, e crises com a queda do preço, que foi notável em 2008. Essa situação também afeta as antigas repúblicas soviéticas, que ainda mantêm importante ligação econômica com a Rússia. Assim, nos momentos de crise, outros países da região também sofrem com a diminuição do comércio e com a intensificação do desemprego, que afeta, sobretudo os trabalhadores imigrantes.
A Rússia é uma Democracia Federal, baseada num sistema de Estado de Direito sob a forma de República. Os três poderes do Estado, Legislativo, Executivo e Judiciário são independentes uns dos outros. As decisões políticas são tomadas na Assembleia Federal Russa que é constituída por duas câmaras - a Duma e o Conselho Federal.

- China: ( A formação da China comunista, o processo de industrialização, a economia que mais cresce no mundo e suas contradições)
A China
A sociedade chinesa começou a desenvolver-se muitos séculos antes de Cristo. Estabelecidos às margens dos rios, os chineses cultivavam cereais, como o trigo e o arroz. A cultura do arroz teve enorme importância, pois era fonte de alimento para a população, além de estimular o trabalho coletivo de irrigação.
Outro fator essencial na formação da sociedade chinesa foi o nascimento de filosofias como o confucionismo (século VI a.C.) e o taoísmo (cerca de VI d.C.). Elas contribuíram para o desenvolvimento de um Estado centralizado.
Do processo de formação da civilização chinesa, destacam-se a criação de uma rede de canais de irrigação e represas e o pioneirismo tecnológico. Os chineses já conheciam a fundição do ferro desde o século VI a.C., produziam aço desde o século II a.C. e conheceram a pólvora muito antes dos europeus (a utilizavam para a fabricação de fogos de artifício).
As primeiras tentativas de penetração econômica ocidental na China se deram apenas nos séculos XV e XVI. Elas visavam obter um intercâmbio para constituir laços comerciais entre a China e as nações europeias, o que ganhou força apenas nos séculos seguintes.
No século XIX, com a expansão do imperialismo europeu, a China foi obrigada a abrir os seus portos ao comércio com a Europa e, depois, teve boa parte do seu território ocupado por nações estrangeiras. Tais ocupações foram de grande importância para a união dos chineses contra a dominação externa. Foi o que aconteceu em relação à dinastia Manchu, que governou a China do século XVII ao século XX.

A Revolução Chinesa e o Grande Salto para a Frente
A reação contra a ocupação estrangeira redundou na derrubada da monarquia e proclamação da República em 1911, liderada pelo Partido Popular Nacional (Kuomintang). Em 1921, foi fundado o Partido Comunista Chinês (PCCh). Na década de 1920, membros do Kuomintang e do PCCh uniram-se contra a invasão japonesa e, depois, durante a Segunda Guerra Mundial. As forças comunistas, agora lutando contra os nacionalistas do Kuomintang, tomaram o poder definitivamente em 1949, sob a liderança de Mao Tse-tung. Instaurou-se, assim, a República Popular da China, sob regime comunista.
O novo governo reorganizou a economia do país, tomando como modelo o socialismo e a economia planificada da União Soviética. Os chineses implantaram uma reforma agrária, nacionalizaram as propriedades estrangeiras e estatizaram as indústrias.
Houve grande esforço na estruturação econômica da China, mas, mesmo assim, na década de 1950 o país ainda encontrava dificuldades para alimentar milhões de pessoas.
Em 1958, o presidente Mao lançou um plano cujo objetivo era acelerar a coletivização do campo e a industrialização. Esse plano ficou conhecido como o Grande Salto para a Frente. Seus resultados, porém, foram desastrosos, com uma profunda crise econômica, que causou escassez e fome.
A crise originou sérios conflitos políticos, que desembocaram, em 1966, na Revolução Cultural. Os opositores da linha defendida por Mao foram reprimidos e perseguidos. Em 1978, dois anos depois de sua morte, teve início o processo de abertura econômica do país.

As quatro modernizações na China
As mudanças econômicas adotadas a partir de 1978 no governo de Deng Xiaoping foram responsáveis pelo intenso crescimento econômico chinês, que chegou à média de 9% ao ano nas três últimas décadas.
Esse crescimento foi acompanhado por uma mudança no padrão de consumo. Em 1978, os três principais bens de consumo eram o relógio, a máquina de costura e a bicicleta. A partir do início dos anos 1990 já se percebia um aumento considerável no consumo de produtos considerados até então menos essenciais e com elevado valor agregado, como geladeiras, gravadores, televisores, máquinas de lavar, etc.
Apesar da ampliação do mercado interno e dos seus efeitos favoráveis à indústria chinesa, foram as exportações as maiores responsáveis pelo crescimento econômico da China. A participação do comércio exterior no PIE (Produto Interno Bruto, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) passou de 10%, em 1978, para 44%, em 1995, atingindo 71 % em 2007.
Houve três momentos com características diferenciadas nas estratégias de industrialização chinesa após 1978. O primeiro (1980-1983) caracterizou-se pela expansão do setor primário, criando-se as bases para uma nova onda de industrialização. No segundo período (1983-1988), a indústria leve (de bens de consumo) alavancou o desenvolvimento industrial, o que possibilitou a criação de um mercado para a indústria de bens de capital, que no terceiro período, a partir de 1988, foi a responsável pelo dinamismo da industrialização.
A política econômica posta em prática pelo governo de Deng Xiaoping estava baseada nas quatro grandes modernizações, priorizando-se os investimentos em agricultura, indústria, defesa e ciência e tecnologia. Para isso se aplicou uma estratégia de adoção de diversas políticas fundamentadas em sua própria história.
Houve ampla reforma na utilização da terra, que permitiu aos camponeses comercializar o excedente agrícola. Isso possibilitou grande aumento da produtividade na agricultura.
Também foi criado um programa de incentivo às exportações e de proteção ao mercado interno. Assim, foram concebidas as Zonas Econômicas Especiais (ZEEs) próximas às zonas costeiras. Seu objetivo era uma aproximação com Hong Kong, Taiwan e Macau, que serviriam de base para a atração de capitais de empresas exportadoras. As ZEEs ofereciam condições para os investidores estrangeiros, como facilidades fiscais, liberdade cambial e isenção de impostos. Observe o mapa abaixo.
As empresas estatais também passaram por reformulações, combinando alguns mecanismos de mercado com as metas estipuladas pelo planejamento centralizado. Assim, conseguiu-se aumentar a produção e a produtividade do trabalho por meio de premiação dos dirigentes das empresas que conseguissem melhorar o desempenho econômico.
Outra importante medida foi a promoção das Empresas Coletivas de Vilas e Municípios (TVEs). São indústrias localizadas em áreas rurais que normalmente aproveitam o tempo em que o camponês não está se dedicando à atividade agrícola. Essas empresas de grande dinamismo são responsáveis por significativa melhoria da renda das populações rurais.

A China hoje
Socialismo de mercado é um conceito utilizado pela China para definir seu sistema econômico em processo de transição de uma economia planificada para uma economia de mercado. Embora esta transição econômica tenha sido iniciada ainda no governo de Mao Tsé-Tung, o conceito de "socialismo de mercado" passou a ser utilizado apenas em meados dos anos 1980 e amplamente difundido apenas nos anos 1990. Atualmente Cuba declara adotar este modelo, enquanto a China defende ter uma típica economia de mercado, embora regulada pelo Estado. Teoricamente o chamado socialismo de mercado consiste em uma economia de mercado onde a regulação, orientação e iniciativa do Estado se sobrepõe à iniciativa privada.
Com um vasto território e a maior população do planeta (cerca de 1,3 bilhão de habitantes), a China possui grandes riquezas minerais e energéticas, o que possibilita enorme dinamismo na sua economia, chamada por
alguns estudiosos de economia socialista de mercado. No entanto, seu crescimento tem sido tão intenso que ela se tornou dependente de vários outros recursos vindos de todos os continentes.
Tem grande destaque na China a produção camponesa na agricultura. O país é o maior produtor mundial de arroz, trigo, batata, algodão, tabaco, maçã e cebola. Também possui os maiores rebanhos caprino, equino, suíno, ovino e de aves, além de ser o terceiro maior em bovinos. Na produção mineral destaca-se como maior produtor mundial de ferro, zinco, alumínio, estanho, cimento e carvão.
Seu parque industrial é altamente diversificado, atuando em vários setores, como petroquímica, química, eletrônicos, metalurgia, siderurgia (maior produtor mundial de aço), indústria naval (3a maior do mundo), automóveis e pesca (maior do mundo).
A China é um dos maiores exportadores do mundo e alcançou entre 2000 e 2007 um crescimento médio do PIE de 10% ao ano. No mesmo período, seu volume de exportações obteve um crescimento de 23% ao ano.
Os investimentos externos são de grande importância para esse crescimento econômico, e um vasto número de empresas estrangeiras tem se instalado na China para aproveitar os benefícios da mão de obra barata e qualificada, além do potencial exportador do país. Hoje a importância da economia chinesa é tão grande que uma diminuição do seu crescimento atingiria toda a economia mundial, pois é uma das maiores compradoras de commodities vindas dos países em desenvolvimento (emergentes) e uma das principais compradoras dos títulos públicos da dívida dos EUA.
O setor financeiro chinês é altamente desenvolvido, e seus bancos são majoritariamente estatais, o que permitiu que a crise financeira mundial iniciada em 2008 não os atingisse tão violentamente. O pacote de medidas adotado pela China para enfrentar a crise praticamente não direcionou nenhum centavo para os bancos, ao contrário do que ocorreu na Europa e nos EUA. A força do capital financeiro chinês pode ainda ser constatada pelo fato de que, no início dos anos 1980, nenhum banco chinês figurava entre os mais importantes do mundo; já em 2009, os três maiores bancos do mundo eram chineses. Outra demonstração da força da nova China, como potência mundial, foi a realização da Olimpíada de Pequim de 2008, evento altamente grandioso e bem planejado.
Apesar da prosperidade econômica, o desenvolvimento chinês gera muitos problemas ambientais. Os mais graves decorrem da atividade industrial, que causam impactos como a degradação da qualidade da água, a contaminação do solo e a poluição atmosférica. Nas grandes cidades, a poluição do ar é tão intensa que traz prejuízos ao próprio dinamismo industrial, já que atinge diretamente a saúde dos trabalhadores, diminuindo sua produtividade.
Os problemas ambientais, no entanto, começam a ser tratados com grande preocupação pelo Governo chinês. A substituição das usinas termoelétricas baseadas em carvão por usinas mais modernas e menos poluentes tem sido uma diretriz das autoridades. Um dos exemplos da atual política energética chinesa é a construção da usina hidrelétrica de Três Gargantas, a maior do mundo. No entanto, apesar de não emitir poluentes atmosféricos, a usina provocou outros impactos ambientais relacionados ao alagamento de uma área imensa.

domingo, 16 de setembro de 2012

Entenda como é calculado o PIB


PIB: Indicador é a soma de tudo o que é produzido no país durante um período. Conta é feita pelas óticas da oferta e da demanda.
O Produto Interno Bruto (PIB) representa a soma do valor de tudo o que é produzido no país durante um determinado período. Na conta, entram todos os tipos de bens e serviços, do cafezinho ao avião. Mas não entram no cálculo os bens já existentes antes do período (uma casa já construída, por exemplo) – assim, o valor do PIB representa o quanto à economia do país produziu não o quanto ela “vale”.
O cálculo do PIB é feito por dois “lados”: a oferta e a demanda – que, ao final, devem chegar ao mesmo valor.
De um lado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), soma tudo o que é produzido na agropecuária, na indústria e no setor de serviços. Um mesmo produto, no entanto, não conta duas vezes: assim, o pão entra na conta, mas a farinha usada para produzi-lo, não.
Na outra ponta, é somado o que é gasto: pelas famílias, pelo governo e em investimentos, como a compra de máquinas pelas empresas. Exportações e importações também entram nessa conta – mas as importações, como representam dinheiro “saindo” do país, contam negativamente.
Os números do PIB são divulgados pelo IBGE até 90 dias depois do fechamento do ano (ou de um trimestre). Mas o dado definitivo só sai dois anos depois, quando são incorporados dados mais completos sobre renda.
Segundo os economistas, o PIB cresce quando há um equilíbrio entre os “ingredientes”: se há mais investimentos, são gerados mais empregos, mais empresas são abertas, e aumentam a renda e o consumo das famílias.

Entenda o "Mensalão"

Cumprindo o que estava previsto, o ministro Joaquim Barbosa concluiu no dia 02/08/2012 a leitura de seu relatório da Ação pena 470, que incrimina 38 réus acusados de participar do Mensalão, considerado o maior escândalo da história política do país.
A leitura de um resumo do documento, que no total tem 122 páginas, foi o último capítulo de um dia muito tenso e que gerou grande expectativa pra toda a nação brasileira.
O ministro iniciou a leitura pontualmente às 18h35 (horário de Brasília) e apresentou um resumo das acusações. De forma didática, ele apontou o modus operandi da quadrilha organizada por José Dirceu e petistas e outros petistas ilustres e também pelo empresário e publicitário Marcos Valério.
Barbosa explicou também que o petista Sílvio Pereira não será julgado. O secretário-geral do PT fez acordo com o Ministério Público Federal e prestou serviços comunitários em troca do fim do processo contra ele. Exemplificou a decisão lembrando que a mesma corte também decidiu por não julgar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O relator ainda fez menção à compra de apoio político do PP, PL, que mudou para PR em 2006, para membros do PTB e um parlamentar do PTB.
Importante destacar que Barbosa não leu seu voto sobre a inocência ou culpa dos réus. Isso ele só vai fazer depois que todos os advogados apresentarem as defesas. Foi feita apenas a leitura de um resumo da ação penal, que introduz o julgamento, antes que defesa e acusação tratem dos temas da denúncia.
O Mensalão ficou caracterizado pela compra, por parte do PT, de apoio político partidos da base aliada no primeiro ano do governo Lula. A denúncia apresentada dia 03/08/2012, pelo procurador geral da república indicou que recursos públicos foram utilizados para irrigar as contas de empresários e agentes públicos para fazer caixa dois voltado para campanhas eleitorais.
A história do mensalão e os 38 acusados




Em maio de 2005, o chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, foi filmado embolsando 3 mil reais de um empresário. O que parecia ser apenas um flagrante de propina transformou-se na origem do pai de todos os escândalos quando Marinho revelou que o dinheiro iria para o PTB, dirigido pelo deputado Roberto Jefferson. Ao perceber que o governo não se esforçaria para impedir a instauração de uma CPI para investigar o assunto, Jefferson afundou atirando. A memória curta dos eleitores não consegue guardar todas as cenas de um dos maiores shows de horrores que tiveram como palco o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto. Veja alguns dos melhores momentos do caso que monopolizou a atenção do Brasil durante três meses.
Acusados nominalmente por Roberto Jefferson, os integrantes da cúpula do PT, com o endosso do presidente Lula, dispararam negativas. “Nunca ouvi, nunca conversei, nunca tratei com nenhum parlamentar de troca de apoio por dinheiro”, rebateu José Genoíno, então presidente do Partido dos Trabalhadores. “Nunca tinha ouvido falar”, emendou o ex-secretário-geral do partido Silvio Pereira.
O dinheiro utilizado para pagar os parlamentares vinha de “recursos não contabilizados” doados por empresas para o financiamento de campanhas políticas e de verbas desviadas de estatais. No dia 12 de agosto, o publicitário Duda Mendonça, que organizou a campanha vitoriosa de Lula, contou que recebeu milhões de dólares em contas no exterior, orientado pelo empresário Marcos Valério.
O deputado Valdemar Costa Neto, acusado de receber dinheiro do PT em nome da sigla que presidia o Partido Liberal (atual PR), ensaiou o mesmo discurso. Mas o depoimento de sua ex-mulher Maria Christina Mendes Caldeira esmagou a argumentação do deputado. Em menos de duas semanas, Valdemar renunciou ao mandato para não ser cassado.
As repercussões do mensalão atrapalharam por algum tempo os projetos políticos dos envolvidos no escândalo, mas não encerraram a carreira dos réus. José Genoíno, que não conseguiu se eleger deputado federal em 2010, hoje despacha numa sala no Ministério da Defesa, contratado como assessor especial. Valdemar Costa Neto aproveitou-se da sobra de votos do palhaço Tiririca para ganhar uma cadeira na Câmara dos Deputados, de onde continuou comandando o PR. Aos indignados, resta aguardar o destino dos 38 acusados no Superior Tribunal Federal (STF), que aceitou a denúncia em 2007, no processo relatado pelo ministro Joaquim Barbosa.
Os 38 acusados
Os réus foram divididos em três grupos: núcleo principal (ou político); núcleo operacional e financeiro, a cargo do esquema publicitário; e o núcleo operacional e financeiro. Além desses grupos, há ainda um grupo formado por políticos, assessores e outros profissionais ligados a instituições financeiras ou envolvidos na campanha.
Os núcleos eram:
Principal (ou político): formado pelos políticos José Dirceu, Delúbio Soares, Sílvio Pereira e José Genoíno. Eles são apontados como os líderes do esquema e tinham o objetivo de pagar dívidas do PT, negociar apoio político, custear gastos de campanha e outras despesas do partido e de seus aliados.
JOSÉ DIRCEU
Ex-ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, em 2003, onde permaneceu até 2005. Foi acusado pelo ex-deputado petebista Roberto Jefferson de ser o mentor do mensalão. Deixou a Casa Civil em 2005 e voltou à Câmara dos Deputados, onde teve mandato cassado em dezembro do mesmo ano e tornou-se inelegível por oito anos. Foi indiciado por corrupção ativa, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e peculato.

JOSÉ GENOÍNO
Ex-deputado federal e presidente do PT na época do escândalo do mensalão. Teria feito empréstimos no Banco Rural tendo como fiador o empresário Marcos Valério. Renunciou à presidência do PT em 2005 e deixou o cargo de deputado federal. Foi reeleito deputado no ano seguinte.


DELÚBIO SOARES
Ex-tesoureiro do PT. Foi acusado de criar e executar o esquema do mensalão. Quando o escândalo veio à tona, assumiu a responsabilidade e disse que o fez por conta própria, eximindo de culpa o partido e outros líderes da legenda. Foi expulso do PT em 2005.

SILVINHO PEREIRA
Ex-secretário-geral do PT. Organizou e distribuiu cargos no governo após a eleição de Lula em 2002. É acusado de receber propina de uma empresa ligada ao esquema. Pediu demissão após o escândalo vir à tona. Em 2008, fez um acordo com a Procuradoria Geral da União e deixou de ser réu no processo. Ele cumpriu pena de 750 horas de serviços comunitários. Não trabalhou mais em cargos públicos.

Núcleo operacional e financeiro, a cargo do esquema publicitário: encabeçado por Marcos Valério, era composto ainda por Ramon Hollerbach, Cristiano Paz, Rogério Tolentino, Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Segundo a denúncia, em conjunto com os dirigentes do Banco Rural, Marcos Valério desenvolveu um esquema de utilização de suas empresas para transferência de recursos financeiros a campanhas políticas. A origem das verbas era simulada como empréstimo do Banco Rural e não eram declaradas à Receita Federal.

MARCOS VALÉRIO
Publicitário e dono da SMP&B Publicidade. Apontado pelo Ministério Público Federal como um dos responsáveis pelo esquema. Segundo o MPF, tinha a função de operacionalizar o esquema com Delúbio Soares e seria avalista de diversos empréstimos feitos por outras pessoas ligadas ao esquema, alguns em nome do PT, nos bancos rural e BMG. É acusado de manter esquema semelhante com o PSDB em 1998, em Minas Gerais.

RAMON CARDOSO
Sócio da empresa de Marcos Valério na SMP&B. Acusado de envolvimento em empréstimos fraudulentos realizados pelo banco BMG ao PT e ao grupo de empresas pertencentes a Marcos Valério.

CRISTIANO DE MELO
Era sócio presidente e foi acusado de participar de empréstimos e distribuição de recursos a políticos para conseguir firmar contratos de publicidade com o governo. Em depoimento, negou participação no escândalo e disse que desconhecia parte das atividades de Marcos Valério.

ROGÉRIO LANZA TOLENTINO
Advogado da SMP&B e apontado como braço direito do empresário Marcos Valério.

SIMONE REIS
Diretora financeira da SMP&B. Teria feito saques diretamente na Agência do Banco Rural em Brasília e entregue a parlamentares.

GEIZA DIAS
Ex-funcionária da agência SMP&B, de Marcos Valério. Seria uma das responsáveis pelo repasse de verbas a pessoas ligadas ao esquema. Sua defesa alega que Simone nunca soube de pagamentos feitos a parlamentares, partidos políticos e outras pessoas, com a finalidade descrita na denúncia. Ela sustenta que, na qualidade de mera funcionária, nunca questionou seus superiores sobre o destino das quantias descritas na denúncia, além de não ter obtido qualquer vantagem com os fatos descritos na acusação do Ministério Público.


Núcleo operacional e financeiro: composto por José Roberto Salgado, Ayanna Tenório, Vinícius Samarane e Kátia Rabello. De acordo com a denúncia, este grupo estabelecia “mecanismos de operacionalização dos vultosos pagamentos em espécie às pessoas indicadas pelo núcleo de Marcos Valério de forma a possibilitar a não identificação dos efetivos beneficiários, bem como burlar a legislação e normas infra legais que estabelecem a necessidade de identificação e comunicação às autoridades competentes de operações com indicativos de lavagem de dinheiro. Além disso, o grupo é acusado de “injetar cifras milionárias nas contas da quadrilha para viabilizar o cometimento dos crimes” denunciados.


KÁTIA RABELLO
Presidente do Conselho de Administração do Banco Rural. Acusada de ter negociado empréstimos para o PT e alimentar o valerioduto – esquema liderado por Marcos Valério. A atuação de Kátia seria para conseguir vantagens na liquidação do Banco Mercantil do Pernambuco. É apontada também como sócia de uma empresa nas Ilhas Cayman.

JOSÉ ROBERTO SALGADO
Vice-presidente do Banco Rural. É acusado de ter facilitado empréstimos para o PT e para as empresas de Marcos Valério.

VINÍCIUS SAMARANE
Ex-diretor do Banco Rural na época do escândalo. Atualmente, é o vice-presidente da mesma instituição. É acusado de facilitar empréstimos para o PT.


AYANNA TENÓRIO
Ex-vice-presidente do Banco Rural. Acusada de autorizar empréstimos a membros do esquema.


Outros acusados: Os demais acusados eram, em sua maioria, os “mensaleiros” – políticos que recebiam dinheiro em troca de votos em favor do governo. Além disso, fazem parte deste grupo alguns empresários acusados de lavagem de dinheiro, assessores e o publicitário Duda Mendonça e sua sócia Zilmar Fernandes Silveira. O ex-deputado Jose Janene também fazia parte da lista dos mensaleiros. Ele morreu em setembro de 2010.

JOÃO PAULO CUNHA
Deputado federal pelo PT e presidente da Câmara dos Deputados na época do escândalo do mensalão. Documentos do Banco Rural apontam que a mulher do deputado teria feito um saque de R$ 50 mil. O dinheiro teria sido dado pela empresa de publicidade SM&PB, do empresário Marcos Valério. Cunha foi julgado e absolvido pelo Plenário da Câmara e reeleito em 2006 e 2010. Está em seu quinto mandato como deputado estadual. Atualmente é candidato à prefeitura de Osasco.

GUSHIKEN
Ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Quando o escândalo veio à tona ele deixou de ser ministro e passou a ocupar o cargo de chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos. Segundo a promotoria, teria desviado verbas do Fundo de Investimento VISANET, constituído com recursos do Banco do Brasil S/A para o PT e para o grupo de Marcos Valério. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu, entretanto, que ele fosse absolvido do processo por falta de provas.

HENRIQUE PIZZOLATO
Ex-diretor de marketing do Banco do Brasil. Junto com Gushiken, é acusado de desviar verbas do Fundo de Investimento VISANET, constituído com recursos do Banco do Brasil S/A para o PT e para o grupo de Marcos Valério.

PEDRO SILVA CORREIA NETO
Era diretor do PP na época do escândalo e estava em seu sexto mandato. Foi cassado em 2006. É acusado de receber, junto com outros parlamentares, cerca de R$ 4,1 milhões como propina entre os anos de 2003 e 2004.
PEDRO HENRY
Deputado do PP na época do escândalo e reeleito em 2010, mesmo após ser considerado fica-suja. Também foi acusado de receber cerca de R$ 4,1 milhões como propina, junto com outros parlamentares.

JOÃO CLÁUDIO GENU
Filiado ao PP e ex-assessor de Janene. Foi agente administrativo do Ministério da Cultura e demitido por improbidade administrativa. Acusado de recebimento de vernas de forma ilegal.



ENIVALDO QUADRADO
Sócio das empresas Bônus Banval Participações Ltda. e Bônus Banval Commodities Corretora de Mercadoria Ltda. No esquema do Mensalão, teria recebido verbas do grupo de Marcos Valério. Confirmou a realização de vários saques a pedido de Simone Vasconcelos e Marcos Valério em, no mínimo, quatro oportunidades, totalizando R$ 605 mil. Em 2008, foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, com 361,445 euros escondidos na cueca, meias e bagagens.

BRENO FISCHBERG
Ex-diretor da corretora Bônus Banval. Teria praticado crimes de lavagem de dinheiro do valerioduto por meio da corretora Natimar, beneficiando líderes do PP.

CARLOS ALBERTO QUAGLIA
Ex-sócio da corretora Natimar. Teria facilitado um esquema de lavagem de dinheiro para líderes do PP por meio de sua empresa.

VALDEMAR COSTA NETO
Deputado e ex-presidente do PL na época do escândalo. Acusado de montar uma estrutura criminosa voltada para a prática dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Admitiu ter recebido dinheiro do PT em troca de apoio ao governo. Renunciou em 2005 para evitar a cassação. Articulou a fusão do PL com o PRONA para criação do PR e atualmente é um dos líderes do partido. Foi eleito deputado em 2006 e reeleito em 2010.

JACINTO DE SOUZA
Apontado como homem de confiança de Valdemar da Costa Neto. Teria feito saques de contas ligadas ao valerioduto.

ANTÔNIO DE PÁDUA
Irmão de Jacinto Lamas. Também acusado de realizar saques de contas do valerioduto.

BISPO RODRIGUES
Conhecido como o Bispo Rodrigues, o ex-deputado federal é fundador da Igreja Universal. Foi acusado de receber vantagens indevidas do núcleo de Marcos Valério em troca de votos em favor do governo no Plenário da Câmara. Teria mandado um motorista buscar R$ 150 mil do Banco Rural. Renunciou ao mandato em 2005 para evitar a cassação. Não ocupou mais cargos públicos, mas ainda teve o nome envolvido em outros escândalos, como a Operação Sanguessuga da Polícia Federal.

ROBERTO JEFFERSON
Ex-deputado federal e presidente do PTB na época são um dos principais nomes do escândalo. Foi ele quem denunciou o esquema, inicialmente à imprensa e depois à Justiça. Divulgou nomes dos parlamentares que estariam ligados ao caso, acusando-os de receber periodicamente recursos do Partido dos Trabalhadores em razão do seu apoio ao Governo Federal. Foi cassado em 2005 e perdeu seus direitos políticos por oito anos. Aposentado como deputado recebe cerca de R$ 8,8 mil de proventos da Câmara.

EMERSON ELOY PALMIERI
Tesoureiro informal do PTB. Confirmou ter recebido verbas do empresário Marcos Valério.

ROMEU FERREIRA
Ex-deputado pelo PTB. Acusado de receber verbas de forma ilegal do valerioduto. Foi reeleito deputado federal por MG em 2010 pelo PSD.

JOSÉ RODRIGUES BORBA
Ex-deputado federal. Teria recebido verbas do valerioduto para votar a favor do governo. Renunciou em 2005. Atualmente, é prefeito de Jandaia do Sul, no Paraná.

PAULO ROBERTO ROCHA FALCÃO
Ex-deputado federal (PT-PA). Acusado de receber verbas do valerioduto para votar a favor do governo. Entre 2002 e 2006 seu patrimônio aumentou em mais de 1000%. Renunciou em 2005 e foi reeleito deputado em 2006 e 2010.

ANITA LEOCÁDIA PEREIRA DA COSTA
Assessora de Paulo Rocha (PT-PA). Teria recebido R$ 620 mil em nome do deputado. Pediu demissão após o escândalo vir à tona.

PROFESSOR LUIZINHO
Ex-deputado pelo PT e líder do governo na Câmara na época do escândalo. Teria recebido R$ 20 mil do valerioduto. O dinheiro foi sacado na agência do Banco Rural em Brasília por José Nilson dos Santos, seu assessor parlamentar. Escapou da cassação, mas não conseguiu se reeleger para nenhum cargo que disputou depois do escândalo.

JOÃO MAGNO DE MOURA
Ex-deputado federal pelo PT-MG. Teria recebido cerca de R$ 350 mil das empresas de Marcos Valério. Após ter sido denunciado, admitiu ter recebido recursos por orientação de Delúbio Soares. Foi absolvido do processo de cassação em 2006. Atualmente, não ocupa nenhum cargo público.

ANDERSON ADAUTO
Ex-ministro dos Transportes. Teria recebido, junto com seu chefe de gabinete, José Luiz Alves, R$ 1 milhão do valerioduto. O dinheiro teria sido recebido por meio do seu Chefe de Gabinete pela sistemática de lavagem disponibilizada e operacionalizada pelos dirigentes do Banco Rural.

JOSÉ LUIZ ALVES
Chefe de gabinete do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto. Teria recebido, junto com o ex-ministro, R$ 1 milhão do valerioduto. O dinheiro foi recebido por meio de um esquema de lavagem de dinheiro encabeçado por membros Banco Rural.

DUDA MENDONÇA
Publicitário e responsável pela campanha vitoriosa e pela mudança na imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Confessou ter recebido cerca de R$ 10 milhões e uma conta nas Bahamas.  A conta teria sido aberta por instrução do também publicitário Marcos Valério.

ZILMAR FERNANDES
Sócia de Duda Mendonça. Teria dividido o dinheiro recebido do valerioduto com Mendonça. Também é acusada de ter feitos saques de cerca de R$ 250 mil do Banco Rural.

JOSÉ JANENE
Ex-líder do PP na época do escândalo. Também acusado de receber cerca de R$ 4,1 milhões como propina, junto com outros parlamentares. Morreu em 14 de setembro de 2010.

CRISE NA UNIÃO EUROPEIA


AGÊNCIA DE RISCO MOODY'S DIZ QUE NENHUMA NAÇÃO ESTÁ IMUNE À QUEDA NO RATING
A agência de classificação de risco Moody's adverte em comunicado que o contínuo e rápido aumento da crise da dívida na zona do euro ameaça a avaliação econômica de todos os países da União Europeia (UE).
Diante da ausência de políticas que permitam estabilizar as condições de mercado em curto prazo, o risco do crédito continua em aumento, acrescenta a Moody's.
Segundo a agência, as autoridades do euro enfrentam cada vez mais limitações ante a crescente pressão para agir rapidamente com o objetivo de restabelecer a confiança creditícia.
"Apesar de a zona do euro em seu conjunto contar com uma grande força econômica e financeira, as debilidades institucionais dificultam a resolução da crise", destaca o comunicado.
Quanto ao âmbito político, a Moody's percebe que a zona do euro se aproxima de uma encruzilhada, que pode levar tanto a uma maior integração do bloco quanto à sua fragmentação.
A agência alerta que um ímpeto político a um plano que resolva o problema só pode surgir após uma série de choques, que podem fazer com que mais países percam acesso a financiamento por um período sustentado de tempo.
Isso pode levar as avaliações desses países a entrarem numa área especulativa à luz dos testes de solvência que devem ser requeridos, indica a nota.
Nas últimas semanas, a possibilidade de mais cenários negativos aumentou, segundo a Moody's, devido às incertezas políticas na Grécia e Itália e de perspectivas econômicas piores que as estimadas pelos analistas.
"A possibilidade de mais suspensões de pagamentos por parte de países da zona do euro não é mais ignorada. Segundo a Moody's, quanto mais se estender a crise de liquidez, a possibilidade de default (moratória) aumentará com maior rapidez", diz a agência. O comunicado assinala que uma série de calotes pode aumentar a possibilidade de um ou mais países abandonarem a zona do euro.
A Moody's lembra ainda que a situação é fluente e os políticos podem reagir aos riscos com novas medidas.
CRISE DO EURO - 10 ANOS DA MOEDA

Há dez anos, em 1o de janeiro de 2002, entrou oficialmente em circulação o euro, a moeda única corrente em países que compõem a União Europeia (UE). O lastro monetário simbolizava a integração do continente que, no século 20, enfrentou duas guerras mundiais e uma divisão ideológica que quase provocou uma terceira.
A Eurozona é composta por 17 dos 27 Estados-membros da UE: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e Portugal. A moeda é usada diariamente por 332 milhões de europeus. O euro também é a segunda maior reserva monetária internacional e a segunda maior comercial, atrás somente do dólar americano.
A moeda que passou a ser usada pelos europeus, há uma década já era corrente entre os mercados financeiros desde 1999. Nesse ano, os governos aboliram moedas locais nas transações comerciais entre países. O objetivo era unir mais as nações e gerar mais desenvolvimento econômico.
Apesar disso, a Europa enfrenta desde 2009 uma crise de débito que ameaça a estabilidade do bloco, obrigando os governos a fazerem reformas impopulares que já derrubaram nove líderes político nos últimos três anos. Em países como Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda, a dívida pública e o déficit no orçamento ultrapassam em muito os limites estabelecidos para a Eurozona.


Sudão do Sul - Após Independência Permanece os Conflitos


Quase 900 sul-sudaneses morreram durante uma onda de violência envolvendo tribos pecuaristas rival entre dezembro de 2011 e fevereiro de 2012, afirmou a Organização das Nações Unidas nesta segunda-feira, criticando o Exército do recém-criado país por sua incapacidade de proteger civis.
O Sudão do Sul, que se separou do Sudão há um ano, vem tentando impor a sua autoridade num país subdesenvolvido do tamanho da França e inundado por armas de fogo.
Num dos episódios mais sangrentos desde a independência, cerca de 7.000 jovens fortemente armados da tribo Lou Nuer atacaram aldeias pertencentes à tribo rival Murle, no Estado de Jonglei (leste), roubando dezenas de milhares de cabeças de gado e sequestrando mulheres e crianças.
Dezenas de milhares de pessoas fugiram das suas casas devido ao incidente, que matou 612 pessoas e desencadeou uma onda de retaliações que provocou outras 276 mortes, segundo relatório da divisão de direitos humanos da Missão da ONU no Sudão do Sul.
A cifra de mortos estimada pela ONU é inferior à apresentada inicialmente por autoridades locais, que falaram em 2.000 a 3.000 mortos. O relatório disse que a missão da própria ONU também não conseguiu controlar a violência por estar carente de soldados e equipamentos.
Em nota, a alta comissária de Direitos Humanos da entidade internacional, Navi Pillay, disse ser vital que "os perpetradores e instigadores de todos os lados sejam responsabilizados".
Nos últimos tempos, a região sul do Sudão (país africano) era referida como Sudão do Sul, uma região autônoma que lutava pela independência política. Também conhecido como Sudão Meridional, o processo de independência foi iniciado em 2005, quando o governo sudanês concordou em conceder à autonomia à região a partir do Tratado de Naivasha.
O tratado foi assinado em 9 de janeiro de 2005, na cidade de Nairóbi, capital do Quênia, como forma de acabar com a Segunda Guerra Civil do Sudão. A decisão seria finalizada por meio de um referendo com os eleitores da região.
A maior cidade e capital da região é Juba. O referendo ocorreu no início de 2011, no dia 7 de fevereiro, foi publicado o resultado no qual confirmou a vontade de mais de 98 % dos votos favoráveis à independência. O resultado foi recebido com grande alegria pela população.
No Sudão do Norte a população é, predominante, mulçumana de origem árabe, enquanto que no sul, a população é de origem negra, cristã e animista.  O novo país é rico em petróleo, mas grande parte da infraestrutura está na região norte.
Para afastar qualquer ameaça de novos conflitos armadas, o presidente do Sudão, Omar Hassan al Bashir, havia dito pela televisão que aceitaria e apoiaria o resultado da votação. Com esse resultado, o EUA já planejou retirar o Sudão da lista de países mantenedores do terrorismo no mundo.
O Sudão do sul nasce como uma nação pobre, carente de infraestrutura e energia elétrica, apesar de ser uma região rica em petróleo. Hoje, o novo país herda mais de 2 milhões de mortes causadas por mais de 40 anos de guerra civil travada entre o exército sudanês e o Exército de Libertação do Povo Sudanês.
O novo país tem o tamanho do estado de Minas Gerais, com cerca 8,5 milhões de habitantes. O Sudão, maior país da África, com a separação, perderá 25 % de seu território.
Apesar dos conflitos terem terminado, a situação social não melhorou, considerando a população feminina, 92 % das mulheres são analfabetas. A água potável é distribuída por uma empresa privada que disponibiliza caminhões tanque, mais da metade da população não tem água potável. O país não possui estradas e ruas pavimentas, o que prejudica o trabalho de auxílio social de ong´s e da ONU.
Os pais do menino na foto morreram durante os bombardeios e violência em Abyei, em maio. Essa região é disputada entre o Sudão do Norte e o Sudão do Sul, que se separam oficialmente em 9 de julho. A mulher ao lado do menino é Abouk, que perdeu toda sua família nos confrontos.


MERCOSUL suspende Paraguai até 2013 e adere Venezuela


O MERCOSUL decidiu suspender temporariamente o Paraguai até as novas eleições presidenciais do país e afirmou que a Venezuela será incorporada ao bloco como “membro de pleno direito”.
O anúncio foi feito pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ao fechar o encontro de cúpula semestral do bloco. “O MERCOSUL suspendeu temporariamente o Paraguai até que se leva a cabo o processo democrático que novamente instale a soberania popular no país”, disse a presidente argentina, ao lado da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e do presidente uruguaio, José Mujica.
As medidas contra o Paraguai ocorrem em resposta ao processo de impeachment do presidente Fernando Lugo, ocorrido em 22/06/2012, que foi repudiado pelos países sul-americanos.

Venezuela
A Venezuela foi incorporada ao bloco em cerimônia que será realizada no Rio de Janeiro, em 31 de julho.
Segundo Dilma, o Mercosul inicia uma nova etapa com o ingresso da Venezuela, passando a contar com uma população de 270 milhões de habitantes e um PIB em torno de US$ 3 trilhões, o que representa cerca de 83% do PIB sul-americano e 70% da população da América do Sul. A presidenta disse ainda que Mercosul torna-se um dos principais produtores mundiais de alimentos e de minérios.

Dilma também comentou a situação do Paraguai, suspenso provisoriamente do MERCOSUL por causa do processo político que levou, em junho deste ano, ao processo de impeachment do então presidente paraguaio Fernando Lugo. A suspensão vigora até abril de 2013, quando ocorrem as eleições presidenciais naquele país. Dilma disse esperar que o Paraguai normalizasse sua situação.

“O governo brasileiro, assim como os demais países que integram o MERCOSUL, apresentamos com toda a clareza nossa visão no que se refere à situação no Paraguai. O que moveu a totalidade da América do Sul foi compromisso inequívoco com a democracia. Os países do MERCOSUL, assim como os da Unasul, têm agido de forma coordenada nessa questão com o sentido único de preservar e fortalecer a democracia em nossa região (…). Nossa perspectiva é que o Paraguai normalize sua situação institucional interna para que possa reaver seus direitos plenos no MERCOSUL”.
Ela argumentou que a decisão de incorporar o país vai permitir que o bloco regional se fortalecesse perante os embates da crise internacional.
O processo de ingresso da Venezuela havia se iniciado em 2006, após ser solicitado um ano antes, mas estava parado por conta da negativa do Congresso do Paraguai a ratificar o processo.

Crise no Paraguai
Federico Franco assumiu o governo do Paraguai no dia 22/06/2012, após o impeachment de Fernando Lugo. O processo contra Lugo foi iniciado por conta do conflito agrário que terminou com 17 mortos no interior do país.

Crise na Síria - Entenda


Os conflitos na Síria agravaram-se com a chegada de forças rebeldes à capital Damasco e a morte de autoridades do primeiro escalão do governo. Quase um ano e meio após o início das manifestações pró-democracia, mais de 10 mil pessoas já morreram em confrontos que a Cruz Vermelha classifica agora como guerra civil.
A ONU tenta negociar uma saída diplomática para a crise. Porém, todas as propostas de sanções para forçar a renúncia do presidente Bashar Al Assad foram emperradas pela Rússia, que tem poder de veto no Conselho de Segurança.
Os protestos na Síria começaram em 15 de março de 2011, na sequência de revoltas conhecidas como Primavera Árabe, que derrubaram ditadores na Tunísia e no Egito. Na época, os sírios manifestaram-se contra a prisão e tortura de estudantes que grafitaram um muro com críticas ao regime de Al Assad.
A repressão do Exército só aumentou a revolta da população. O governo fez algumas concessões, como o fim do estado de emergência, que vigorava há 48 anos, e a aprovação de uma nova constituição. Mas os manifestantes, que no começo pediam democracia, passaram a exigir a renúncia do presidente, há 11 anos no poder.
A oposição ao regime organizou-se em duas frentes principais: o Conselho Nacional Sírio (CNS), ligado ao fundamentalismo islâmico, e o Exército Livre da Síria (ELS), braço armado composto por militares desertores.
O Exército passou a usar artilharia pesada contra o povo, promovendo massacres. Em maio, mais de 100 pessoas foram mortas na cidade de Houla, a maioria mulheres e crianças. Na semana passada, outras 200 morreram em um ataque militar à aldeia de Tremseh.
A ONU estima em mais de 10 mil o número de mortos, enquanto ativistas de direitos humanos calculam 17 mil.
No dia 15 de julho, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha declarou que o país se encontra em guerra civil. Com isso, passa a valer a Convenção de Genebra, tratado que garante a proteção dos civis e possibilita a abertura de processos por crimes contra a humanidade.
No dia 18, um atentado em Damasco matou o ministro da Defesa e outros dois generais que compunham a cúpula de segurança do ditador (um deles cunhado de Al Assad). O ataque, reivindicado pelo ELS, causou as primeiras mortes de autoridades do regime.
Diferenças étnicas
O que torna a crise na Síria mais difícil, em relação aos outros países afetados pela Primavera Árabe, são as diferenças étnicas e religiosas. A população de 23 milhões de habitantes divide-se em uma maioria sunita (74%) e minorias alauítas (12%), cristãos ortodoxos (10%) e drusos (3%).
Durante séculos, os sunitas formaram a elite política, econômica e militar do país. Em 1960, contudo, golpes de Estado colocaram os alauítas no poder. Em 1971, o alauíta Hafez Assad, pai do atual líder sírio, assumiu a Presidência e permaneceu no cargo por 30 anos.
Nesse período, Assad concedeu privilégios às demais minorias étnicas do país – cristãos e drusos –, gerando descontentamento entre os sunitas. No começo dos anos 1980, a ditadura reprimiu de forma violenta protestos organizados pela Irmandade Muçulmana. Temendo novas revoltas, o governo aparelhou as Forças Armadas e o serviço secreto, que hoje reprimem os rebeldes.
O medo de um massacre étnico também explica o porquê do presidente Al Assad se recusar a deixar a Presidência.
Rússia
A situação geopolítica da Síria é outro fator que dificulta uma solução para o caos nas ruas de Damasco. Por que não há uma ofensiva militar como ocorreu, por exemplo, na Líbia, que depôs o líder Muammar Gaddafi em agosto do ano passado?
A Síria, aliada do Irã, é uma das poucas nações árabes que se opõem aos interesses dos Estados Unidos e de Israel no Oriente Médio. Uma intervenção direta de Washington traria mais instabilidade política à região, já conturbada por guerras entre israelenses e palestinos.
Pelo mesmo motivo, o Conselho de Segurança da ONU não consegue aprovar resoluções mais duras contra Al Assad.
A Rússia tem recusado qualquer plano de afastamento do ditador sírio. Não somente por interesses comerciais (contratos bilionários de venda de armamentos à Síria), mas também políticos.
De um lado, países como Estados Unidos, França e Reino Unido querem forçar o governo sírio a aceitar uma proposta de cessar-fogo e a renúncia de Al Assad, que teria como consequência o isolamento do Irã. Do outro, China e Rússia querem manter o presidente, alegando que as razões humanitárias são um pretexto para a hegemonia ocidental no mundo muçulmano.