Geografia da Amizade

Geografia da Amizade

Amizade...Amor:
Uma gota suave que tomba
No cálice da vida
Para diminuir seu amargor...
Amizade é um rasto de Deus
Nas praias dos homens;
Um lampejo do eterno
Riscando as trevas do tempo.
Sem o calor humano do amigo
A vida seria um deserto.
Amigo é alguém sempre perto,
Alguém presente,
Mesmo, quando longe, geograficamente.
Amigo é uma Segunda eucaristia,
Um Deus-conosco, bem gente,
Não em fragmentos de pão,
Mas no mistério de dois corações
Permutando sintonia
Num dueto de gratidão.
Na geografia
da amizade,
Do amor,
Até hoje não descobri
Se o amigo é luz, estrela,
Ou perfume de flor.
Sei apenas, com precisão,
Que ele torna mais rica e mais bela
A vida se faz canção!

"Roque Schneider"



Quem sou eu

Salvador, Bahia, Brazil
Especialista em Turismo e Hospitalidade, Geógrafa, soteropolitana, professora.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A Geografia das Indústrias



A indústria é um dos três setores da economia. Os outros dois são os serviços e a agropecuária. A atividade industrial é muito importante nas economias dos países desenvolvidos e de muitos países em desenvolvimento, especialmente os emergentes. Entretanto, não é simples captar a importância do setor industrial na economia de um país. Nos países industrializados mais avançados a maior contribuição para o PIB vem do setor de serviços, não do industrial. Os serviços contribuem em média com 70% do PIB, a indústria com mais ou menos 30% e o setor agrícola com 1% ou 2%.

Setor de serviços - o setor que mais gera empregos e renda  na economia

 Por outro lado, há países muito pobres em que a participação da indústria é muito reduzida, como é o caso de muitos países africanos, que dependem basicamente da agropecuária e as indústrias existentes são, em sua grande maioria, de beneficiamento de alimentos, e outros que, mesmo sendo pobres, a participação do setor industrial é elevado, como muitos países do Oriente Médio, devido à exploração de petróleo. Muitos países africanos dependem exclusivamente da produção agrícola

 A participação da indústria no PIB, não é suficiente para mostrar a importância quantitativa e qualitativa da atividade industrial de um país. Por isso, a Organização de Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas (Unido) trabalha com o índice de competitividade industrial, um indicador que mede várias dimensões desse setor de atividade em 122 países. Com base nele é possível avaliar de forma mais abrangente a importância da indústria e seu grau de desenvolvimento tecnológico.
Produção de petróleo - fator que eleva o índice de competitividade industrial de muitos países
 
O índice de competitividade industrial é composto de quatro dimensões:
a) Capacidade industrial - medida pelo valor industrial agregado per capita;
b) Capacidade de exportação de produtos industrializados - medida pela exploração de maquinofaturados per capita;
c) Intensidade de industrialização - medida pela participação do setor industrial no PIB e de produtos de alta e média tecnologia no valor industrial agregado;
d) Qualidade da exportação - medida pela participação dos produtos industrializados e dos bens de alta e média tecnologia no total das exportações.
   Entretanto, as atividades agrícolas, o comércio e os serviços não funcionariam caso não existisse a indústria. A agricultura moderna utiliza ferramentas, sementes selecionadas, adubos, inseticidas, máquinas e diversos outros insumos produzidos industrialmente; as diversas lojas existentes nas cidades - de roupas, sapatos, eletrodomésticos, automóveis, móveis etc. -, além de supermercados e farmácias, não teriam mercadorias para vender caso não existisse a indústria de bens de consumo.
Agricultura moderna - exemplo de utilização dos produtos industriais
 
O mesmo se dá com a maioria das atividades de prestação de serviços. Não existiria manutenção de diversos aparelhos, fornecimento de energia elétrica, de água, as telecomunicações, os transportes, entre outros, se não fossem a indústria de bens de capital para produzir os equipamentos necessários para esses serviços essenciais funcionarem.
  Sem contar que para uma indústria funcionar são necessários serviços de administração, limpeza, transporte, manutenção, alimentação, segurança etc., gerando muitos empregos no setor de serviços.
  A crescente automatização, especialmente nos países desenvolvidos e em alguns emergentes, tem reduzido relativamente o número de pessoas empregadas na indústria. Hoje, nos países industriais mais avançados a maioria dos trabalhadores está empregada no setor de serviços. Quanto mais avançada uma economia, menos trabalhadores são empregados na indústria e mais nos serviços.
Robotização - principal responsável pelo desemprego na indústria

CLASSIFICAÇÃO DAS INDÚSTRIAS

  Segundo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) do IBGE, todas as atividades desenvolvidas na economia brasileira estão classificadas em 21 grandes categorias: A - Agricultura, pecuária, produção florestal e silvicultura; B - Pesca; C - Indústrias extrativas; D - Indústria de transformação; E - Produção e distribuição de eletricidade, gás e água; F -Construção; G - Comércio, reparação de veículos automotores, objetos pessoais e domésticos; e assim vai, até chegar a letra U. Cada uma dessas atividades é dividida em setores e subsetores. A classificação da CNAE segue padrões internacionais utilizados em levantamentos estatísticos para permitir comparações entre o Brasil e outros países.
Educação - classificação M

  A CNAE classifica toda a produção industrial brasileira em duas grandes categorias: indústrias extrativas, dividida em 5 setores - extração de petróleo e gás natural, extração de minerais metálicos etc. - e indústrias de transformação, distribuídas em 24 setores - fabricação de produtos alimentícios, de máquinas e equipamentos, metalurgia etc. Indústria alimentícia - tipo de indústria de transformação

  O que comumente é chamado de indústria da construção civil, o IBGE chamou de construção (item F da lista da CNAE), categoria que abriga os setores de construção de edifícios e de obras de infraestrutura. Indústria da construção civil

  Há outra classificação, com base na qual o órgão do IBGE coleta dados e divulga os Indicadores da produção industrial por categorias de uso. Nessa classificação, o órgão agrupa todos os setores e subsetores das indústrias de transformação da CNAE em três categorias, que são:

Segundo a função
a) Indústrias germinativas - são as que geram o aparecimento de outras indústrias. Exemplo: petroquímica petroquímica  exemplo de indústria germinativa

b) Indústrias de ponta - são as indústrias dinâmicas, que comandam a produção industrial. Exemplo: indústrias químicas e automobilística. Indústria automobilística - também chamada de indústria de ponta

Segundo a tecnologia
a) Indústrias tradicionais - são as que ainda estão ligadas às vantagens oriundas da Primeira Revolução Industrial. Podem ser empresas familiares (empresas "clânicas") e denunciam sua presença pelos seus aspectos internos e externos e por sua localização. Indústria de calçados - exemplo de indústria tradicional
b) Indústrias dinâmicas - são aquelas ligadas ao desenvolvimento recente da química, eletrônica e petroquímica. Utilizam muito capital e tecnologia e relativamente pouca mão de obra. Possuem uma flexibilização maior de localização. Indústria aeroespacial - exemplo de indústria dinâmica

Segundo a aplicação dos recursos ou fatores
a) Indústrias capital-intensivas - as que aplicam os maiores recursos nos fatores capital-tecnologia. Agroindústria - exemplo de indústria capital-intensiva

b) Indústrias trabalho-intensivas - as que empregam os maiores recursos em força de trabalho. Produção de telhas - um exemplo de indústria trabalho-intensiva
   Considerando os bens produzidos, o IBGE classifica as indústrias de transformação em três categorias: indústrias de bens intermediários, de bens de capital e de bens de consumo.
a) Indústrias de bens intermediários - fabricam produtos semiacabados utilizados como matérias-primas por outros setores industriais. São também chamadas de indústrias pesadas por transformarem grandes quantidades de matérias-primas. Tendem a se localizar perto dos recursos naturais ou de portos e ferrovias, o que facilita a recepção de matérias-primas e o escoamento da produção. São exemplos dessa indústria a siderúrgica, a petroquímica, a de celulose e papel, a de cimento etc. 
Produção de aço em uma indústria siderúrgica

b) Indústrias de bens de capital - são responsáveis por equipar as indústrias em geral, assim como a agricultura, os serviços e toda a infraestrutura. Tendem a se localizar em lugares onde há boa infraestrutura industrial, nas proximidades de empresas consumidoras de seus produtos, ou seja, em grandes regiões urbano-industriais. São exemplos desse tipo de indústria as máquinas e equipamentos para: indústrias em geral, agricultura, transportes, geração de energia etc.
Máquinas agrícolas - exemplo de indústria de bens de capitais
c) Indústrias de bens de consumo - também chamadas de indústrias leves, são as mais dispersas espacialmente: estão localizadas em grandes, médios e pequenos centros urbanos, ou mesmo na zona rural de diversos países. Porém, concentram-se preferencialmente em regiões urbano-industriais onde há maior disponibilidade de mão de obra e mais facilidade de acesso ao mercado consumidor. Divide-se em: 

1. Indústrias de bens de consumo não duráveis - são as indústrias que atuam na produção de mercadorias perecíveis, ou seja, em produtos que devem ser consumidos em um curto período de tempo, como a indústria alimentícia, de bebidas, de remédios etc. Exemplo de produto da indústria de bens de consumo não duráveis

2. Indústrias de bens de consumo semiduráveis -  são aquelas que produzem itens cujo tempo de duração não é muito curto nem muito longo, como por exemplo as indústrias de vestuário, acessórios, calçados etc. Indústria têxtil - exemplo de indústria de bens de consumo semiduráveis

3. Indústrias de bens de consumo duráveis - atuam na produção de mercadorias de grande vida útil, como as indústrias de móveis, eletrodomésticos, automóveis etc. Automóveis - exemplo de produto da indústria de bens de consumo duráveis.

ESTRUTURA E DISTRIBUIÇÃO DA INDÚSTRIA BRASILEIRA
  Em 2009, a atividade industrial era responsável por 29% do PIB brasileiro. Segundo o IBGE, as atividades  mais importantes em 2007 foram: refino do petróleo e produção de álcool (15,3%), alimentos (12,2%), produtos químicos (10,3%), fabricação e montagem de veículos automotores (8,5%), metalurgia básica (7,9%) e máquinas e equipamentos (6,0%), responsáveis por aproximadamente 60% do total do valor da transformação industrial do país. Porém vem crescendo bastante o investimento em indústrias ligadas às novas tecnologias, como robótica, aeronáutica, eletrônica, telecomunicação, mecânica de precisão e biotecnologia. 
Vem crescendo no Brasil o uso de tecnologia de ponta. 
  Essa modernização do parque industrial ganhou impulso com a instalação de diversos parques tecnológicos (ou tecnopolos) espalhados pelo país e que estimulam a parceria entre universidades, instituições de pesquisa e as empresas privadas. Buscam maior competitividade e desenvolvimento de produtos e localizam-se próximos aos maiores centros universitários, em locais onde há disponibilidade em mão de obra especializada, rede de transportes, energia e comunicações que permitam conexão com outros centros de pesquisa localizados no país ou no exterior.
  No Brasil, os parques tecnológicos aparecem em todas as regiões. Os principais estão localizados em:

  • São Paulo, Campinas e São José dos Campos (SP), Santa Rita do Sapucaí e Viçosa (MG) e Rio de Janeiro (RJ), no Sudeste;
  • Fortaleza (CE), Recife (PE), Campina Grande (PB) e Aracaju (SE), no Nordeste;
  • Cascavel (PR), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), no Sul;
  • Brasília (DF), no Centro-Oeste;
  • Manaus (AM) e Belém (PA), no Norte.
  Entre os aspectos positivos da dinâmica atual da indústria brasileira, podemos destacar:

  • grande potencial de expansão do mercado interno com desconcentração de produção e consumo (que vem se fortalecendo pelas políticas de transferência de renda promovidas pelos governos federal, estaduais e municipais);
  • os aumentos nas exportações de produtos industrializados, mesmo que em ritmo inferior ao dos produtos primários devido às crescentes importações chinesas;
  • o aumento na produtividade; e
  • a melhora da qualidade dos produtos.
  A indústria ainda enfrenta, porém, vários problemas que aumentam os custos e dificultam a maior participação no mercado externo, tais como:

  • problemas de logística: deficiências e altos preços nos transportes;
  • baixo investimento público e privado em desenvolvimento tecnológico;
  • baixa qualificação da força de trabalho;
  • elevada carga tributária;
  • barreiras tarifárias e não tarifárias impostas por outros países à importação de produtos brasileiros.
  A abertura da economia brasileira na década de 1990 facilitou a entrada de muitos produtos importados, forçando as empresas nacionais a se modernizar e incorporar novas tecnologias ao processo produtivo para concorrerem com as empresas estrangeiras. Apesar da modernização continua havendo aumento no contingente de trabalhadores na indústria de todos os gêneros, porém, esse aumento não acompanhou o ritmo de ingresso de mão de obra no mercado de trabalho.

DESCONCENTRAÇÃO DA ATIVIDADE INDUSTRIAL
  Em função de fatores históricos e de novos investimentos em infraestrutura de energia e transportes, entre outros, o parque industrial brasileiro vem se desconcentrando e apresenta uma maior dispersão espacial dos estabelecimentos industriais em regiões historicamente marginalizadas.

 Embora desde o início do século XX o eixo São Paulo-Rio de Janeiro seja responsável por mais da metade do valor da produção industrial brasileira, até a organização espacial das atividades econômicas era dispersa. As atividades econômicas regionais progrediam de forma quase autônoma. A região Sudeste, onde se desenvolvia o ciclo do café, quase não interferia nem sofria interferência das atividades econômicas que se desenvolviam no Nordeste (cana, tabaco, cacau e algodão) ou no Sul (carne, indústria têxtil e pequenas agroindústrias de origem familiar). As indústrias de bens de consumo, a maioria ligada aos setores alimentício e têxtil, escoavam a maior parte de sua produção apenas em escala regional. Somente um pequeno volume era destinado a outras regiões, não havendo significativa competição entre as empresas instaladas nas diferentes regiões do país, consideradas até então arquipélagos econômicos regionais.
Mapa das principais atividades econômicas desenvolvidas no Brasil no século XIX

  Com a crise do café e o impulso à industrialização, comandada pelo Sudeste, esse quadro se alterou. A oligarquia agrária do setor cafeeiro deslocou investimentos para o setor industrial, implantando, principalmente em São Paulo, fábricas modernas para os padrões da época. O governo federal, presidido por Getúlio Vargas, promoveu a instalação de um sistema de transportes integrando os arquipélagos econômicos regionais. Houve uma invasão de produtos industriais no Sudeste e nas demais regiões do país, o que levou muitas indústrias, principalmente nordestinas, à falência. Assim, com a crise do café, iniciou-se o processo de integração dos mercados regionais, comandado pelo centro econômico mais dinâmico do país, o eixo São Paulo-Rio de Janeiro.
Eixo Rio de Janeiro - São Paulo - Belo Horizonte
- principal área industrial e comercial do Brasil

  Além de terem se iniciado com mais força no Sudeste, as atividades industriais tenderam a concentrar-se nessa região por causa de dois fatores básicos:

  • a complementaridade industrial: as indústrias de autopeças tendem a se localizar próximo às automobilísticas; as petroquímicas, próximo às refinarias etc.; e
  • a concentração de investimentos públicos no setor de infraestrutura industrial: pressionados pelos detentores do poder econômico, os governantes costumam atender às suas reivindicações. O governo gastaria menos concentrando investimentos em determinada região em vez de distribuí-lo pelo território nacional, sobretudo no início do processo de industrialização, quando os recursos eram mais escassos.
  A primeira grande ação governamental para dispersar o parque industrial aconteceu em 1968, quando foi criada a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e instalado um polo industrial naquela cidade, o que promoveu grande crescimento econômico. A seguir, como resultado dos Planos Nacionais de Desenvolvimento dos governos Médici e Geisel, no final de década de 1970 e início da seguinte começaram a ser inauguradas as primeiras usinas hidrelétricas nas regiões Norte e Nordeste: Tucuruí, no rio Tocantins; Sobradinho, no São Francisco, e Boa Esperança, no Parnaíba. Quando o governo passou a atender ao menos parte das necessidades de infraestrutura das regiões historicamente marginalizadas, começou a haver  um processo de dispersão do parque industrial pelo território, não apenas em escala nacional, mas regional. Usina de Sobradinho - contribuiu para impulsionar a indústria no Nordeste

  Além da alocação de infraestrutura, ao longo da década de 1990, as indústrias passaram a se dispersar em busca de mão de obra mais barata, provocando a intensificação da guerra fiscal entre estados e municípios que reduzem impostos e oferecem outras vantagens, como doação de terrenos, para atrair as empresas.
  Mesmo no estado de São Paulo, o mais equipado do país quanto a infraestrutura de transportes e energia, historicamente houve maior concentração de indústrias na Região Metropolitana de São Paulo.
  Atualmente, seguindo uma tendência já verificada em países desenvolvidos, onde ocorre o processo de deslocamento de indústrias em direção às cidades médias do interior, que, por isso, apresentam índices de crescimento econômico superiores aos da Grande São Paulo. Isso é possível graças ao grande desenvolvimento da informática e à modernização da infraestrutura de produção de energia, transporte e comunicação, criando condições de especialização produtiva por intermédio da integração regional. As regiões tendem, atualmente, a se especializar em poucos setores da atividade econômica e a buscar em outros mercados (do Brasil ou do exterior) as mercadorias que satisfaçam as necessidades diárias de consumo da população.


FONTE: Sene, Eustáquio de. Geografia geral e do Brasil, volume 3: espaço geográfico e globalização: ensino médio / Eustáquio de Sene, João Carlos Moreira. - São Paulo: Scipione, 2011.


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Rochas


As rochas são agregados de minerais, de um ou vários tipos. Os minerais são compostos químicos, geralmente inorgânicos, com uma determinada composição química. Exemplos:
* Quartzo - SiO2
* Hematita - Fe2O3
* Calcita - CaCO3
* Calcopirita - CuFeS2
* Magnetita - Fe3O4
* Galena - PbS

Caso os minerais apresentem valor econômico e possam ser extraídos (encontrados em jazidas comercialmente viáveis) serão chamados de minérios. Na Serra dos Carajás registram-se várias jazidas de minérios com elevada concentração: ferro, manganês, cobre.

Tipos de Rochas:
Desde que começou a se formar, há cerca de 3,8 milhões de ano, a crosta terrestre permitiu o surgimento das primeiras rochas na Terra. Hoje o estudo dos tipos de rochas permite que conheçamos melhor o processo de formação do nosso planeta. Embora não enxerguemos, boa parte do processo de formação de rochas acontece no interior da crosta terrestre e esse tipo de dinâmica é constante, ou seja, da mesma forma que acontecia há milhões de anos continua acontecendo.


As primeiras rochas que se formaram na Terra eram chamadas magmáticas ou ígneas. Elas eram constituídas de magma, a massa fluida que se encontra no interior do planeta em altas temperaturas. Existe mais de um tipo de rocha ígnea dependendo de sua constituição e consolidação.
Quando a consolidação ocorre lentamente no interior da crosta terrestre, são chamadas rochas intrusivas, plutônicas ou abissais. Nesse tipo de rocha há a produção de cristais que são visíveis a olho nu. São rochas intrusivas a maioria dos granitos.
Quando a consolidação acontece na rapidamente na superfície terrestre, como no caso do resfriamento de lava vulcânica, as rochas são chamadas extrusivas, vulcânicas ou efusivas. Neste caso não podemos distinguir os componentes, como é o caso do basalto.


Magmáticas : são aquelas que resultam do processo de solidificação do magma. Podem ser classificadas em Plutônicas ou Vulcânicas.  *Plutônicas ou Intrusivas : a solidificação do magma ocorre no interior do planeta em um processo lento de resfriamento o que permite a formação de cristais. Exemplos: granito, sienito e gabro.
*Vulcânicas ou Extrusivas : a solidificação do magma ocorre na superfície, após o extravasamento do magma. O processo de resfriamento é lento e não forma cristais. Exemplos: basalto, diabásio e andesito.

Existe um outro tipo de rocha que se forma no interior da crosta terrestre onde há pressão e altas temperaturas. Os atritos e as combinações químicas acabam provocando alterações estruturais em algumas rochas. Essas alterações dão origem as chamadas rochas metamórficas.
Metamórficas : através da ação e das modificações nas condições de pressão e temperatura, pode ocorrer uma reestruturação dos minerais que compõem as rochas dando origem ao que chamamos de rochas metamórficas, podendo ou não alterar sua composição mineralógica. Exemplos: quartzito, mármore e gnaisse.
Um exemplo de rocha metamórfica é a gnaisse que tem origem a partir da transformação do granito. Já o mármore é resultado da metamorfose do calcário.


Assim que a atmosfera se formou um outro tipo de formação rochosa surgiu: as sedimentares. A decomposição das rochas que já existiam por conta de chuvas e ações do vento ajudou na formação dos solos que eram erodidos. As partículas que resultavam dessa erosão eram transportadas pelo vento até formarem depósitos. Todos esse sedimentos foram compactados por ações químicas e físicas e deram origem as rochas sedimentares. Esse tipo de rocha se encontra geralmente em depressões e grandes paredões, os chamados depósitos. Quando estão organizadas em camadas que possuem composições diferentes elas são conhecidas como estratificadas.
Sedimentares : são resultantes da consolidação de sedimentos que se depositam em áreas rebaixadas. Esses sedimentos podem ser oriundos da destruição erosiva de qualquer tipo de rocha ou material originário de atividades biológicas. Podem apresentar camadas que denunciam as várias fases de sedimentação. Exemplos: arenito, argilito e calcário.

As eras geológicas


Pré-Cambriana, Paleozóica, Mesozóica e Cenozóica.


• Era Pré-Cambriana
É a era mais antiga que se conhece onde não se pode afirmar com precisão o seu início, mas acredita-se que esta se prolongou por 4 bilhões de anos. Esta data se fez conhecida através de estudos baseados na radioatividade que consegue detectar a perda de partículas em átomos instáveis. Os continentes desta era eram formados por rochas metamórficas e ígneas. Acredita-se que nelas estavam localizadas as maiores reservas de minérios e pedras preciosas. Também marca o início da vida no planeta que são mostrados em fósseis de 2 bilhões de anos originados de algas, medusas, bactérias e etc.
• Era Paleozóica
É a era posterior à pré-cambriana e antecessora da era mesozóica. Neste período que durou entre 325 e 280 milhões de anos, surgiram os primeiros animais invertebrados. Por ser dividida em seis períodos, cambriano, ordoviciano, siluriano, devoniano, carbonífero e permiano, o aparecimento desta classe de animais se fez presente no período mais antigo, o cambriano. Neste período rodeado de transformações está registrada a existência da grande extinção de espécies que chegou a 90%. Também se pode destacar a formação da Pangeia a partir de vários blocos de rochas menores que se colidiram. 600 milhões de anos formação de rochas sedimentares – formação de jazidas de carvão com o soterramento de grandes florestas – bacias sedimentares mais antigas –vida marítima, anfíbia e terrestre – fragmentação de continentes.

• Era Mesozóica
É a era posterior à paleozóica e a antecessora da cenozóica. É bastante conhecida como a Idade dos Répteis por causa do aparecimento dos dinossauros neste período, além de moluscos e outros. O clima do planeta neste período era quente, uniforme e tendia para o resfriamento dos pólos. Já se podia observar a formação dos continentes do sul. Seu período de duração foi entre 140 e 160 milhões de anos que se dividem em períodos denominados Triássico, Jurássico e Cretáceo. Durante estes períodos ocorrem grandes transformações no cenário do planeta como a extinção dos dinossauros, a proliferação de amonites, que também foram extintos, o surgimento das aves, peixes, mamíferos e plantas angiospermas. 220 milhões de anos intenso vulcanismo – formação de rochas vulcânicas – grandes répteis e aves – bacias sedimentares – migração dos continentes.

• Era Cenozóica
É a era posterior à mesozóica que se iniciou a 60 milhões de anos. Marca o surgimento da vida humana sobre a Terra e o aperfeiçoamento das espécies já existentes. Observa-se a formação de Alpes, Andes e do Himalaia a partir da grande movimentação vulcânica e o grande número de mamíferos que passam a dominar a Terra após a extinção dos dinossauros. Os mamíferos se espalham com facilidade em todo o território. CENOZÓICA 60 milhões de anos.

Teoria de Formação e Evolução da Terra:


Como surgiu o planeta em que vivemos??? Essa é uma das perguntas mais intrigantes da história da humanidade que muitos cientistas tentam responder. Para isso são criadas teorias que a se alteram a cada nova descoberta e muitas vezes vão contra crenças e religiões. Independente do fato de acreditar ou não em Big Bang, Evolução das Espécies… é cobrado de todos nós um conhecimento mínimo dessas teorias e não há como ignorar isso.
O nosso planeta pode ser comparado a um organismo que passa por constantes transformações. Desde a formação sua configuração mudou muito e até hoje continua sendo alterada por conta da grande quantidade de energia existente em seu interior. Mas como teria se dado essa evolução toda??? Confira as etapas:

O nosso planeta, situado na galáxia Via Láctea, é um dos inúmeros produtos da formação do Universo, iniciada pela grande explosão inicial (o “Big Bang”), cujas partículas ou “faíscas” resultantes originaram a matéria cósmica e os sistemas estelares, dentre eles, o Sistema Solar.
O Sistema Solar Quando de seu nascimento, a Terra era ua bola incandescente que, ao resfriar-se ficou dura por fora e é aí que nós habitamos: na crosta terrestre. As etapas da formação do nosso planeta foram:
fase 1 – há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, uma espessa nuvem de poeira e gás formou o Sol. Partes dessa nuvem criaram partículas de rocha e gelo que, depois, unidas deram origem aos planetas;
fase 2 – as rochas que compunham a Terra, no seu início, apresentavam altos índices de radioatividade, o que provocou seu derretimento. Nesse período, os elementos químicos níquel e ferro se fundiram, criando o núcleo do planeta, cuja temperatura média é de 4.000º C. Os materiais que formam o interior da Terra apresentam-se em estados que variam do gasoso e líquido ao pastoso e sólido, sendo chamados de magma ou magma pastoso;
fase 3 – cerca de 4 bilhões de anos atrás, teve início a formação da crosta terrestre que, originalmente, era composta de pequenas plaquetas sólidas flutuando na rocha fundida. Nesse período, formava -se o manto, camada situada a 2.900 km abaixo da superfície e constituída de rochas deformáveis, pois menos rígidas. No manto, predominam ferro e magnésio, materiais de constituição pesada, e aí as temperaturas podem variar entre 200 a 3.000º C;
fase 4 – com o tempo, a crosta terrestre se tornou, crescentemente, mais espessa e os vulcões entraram em erupção, emitindo gases que geraram a atmosfera. Simultaneamente, o vapor de água se condensou, formando os oceanos;
fase 5 – há cerca de 3,5 bilhões de anos, a crosta terrestre estava basicamente formada, porém a configuração dos continentes era bem diferente da atual;
fase 6 – atualmente, a Terra continua se transformando, pois a crosta apresenta enormes placas cujas bordas estão em constante mutação. Também os continentes ainda se movimentam, em função da pressão das forças que agem no núcleo da Terra.
O planeta Terra, quanto ao aspecto de sua formação física, tem uma história, conhecida como Eras Geológicas.
As eras geológicas são divisões da escala de tempo geológico que podem ser subdivididos em períodos a fim de se conhecer a longa vida do planeta. As eras são caracterizadas pelas formas em que os continentes e os oceanos se distribuíam e os seres viventes que neles se encontravam

sábado, 30 de junho de 2012

Vulcões e o caos aéreo



As cinzas vulcânicas são compostas de gases tóxicos e de partículas que podem estragar a estrutura do avião, entupir a turbina e causar pane no motor.
As provas dos vestibulares e do ENEM costumam cobrar questões contextualizadas, que exigem que o aluno esteja atualizado com as notícias e acontecimentos mundiais.
Pensando nisso, vale a pena abordar um assunto bastante comentado no ano de 2011, principalmente nos meses de maio e junho, que foi o caos aéreo causado por erupções vulcânicas. Quanto a isso, muitos pensam que os voos foram cancelados apenas em virtude da falta de visibilidade. No entanto, um fato que poucos sabem é que as cinzas resultantes da erupção vulcânica podem estragar as janelas dos aviões e suas demais estruturas. Além disso, até mesmo as turbinas podem parar em pleno voo.
*Por dentro do assunto:
O vulcão Eyjafjallajokul, na Islândia, causou um caos no sistema aéreo europeu. Em menos de um mês, a Espanha fechou 19 aeroportos por causa da nuvem de cinzas lançada pelo mesmo vulcão. Ele chegou a expelir cinzas de até 9,1 mil metros de altura.
Até mesmo na Argentina e no Uruguai houve um caos aéreo, com aeroportos paralisados em razão da nuvem de cinzas do vulcão chileno Puyehue, que ofereceu risco ao tráfego aéreo. A Austrália, que também sofreu os efeitos da nuvem vulcânica, teve atrasos em suas operações.
* Aspectos em destaque:
Esse tema é importante, pois tais problemas afetaram várias áreas da sociedade mundial, sendo que a mais importante foi a economia; uma vez que milhões de passageiros não puderam viajar e estima-se que a indústria de aviação tenha sofrido prejuízos de quase US$ 6 bilhões.
Porém, outro aspecto relevante e que pode ser cobrado nos vestibulares tanto na matéria de Química, como também em Geografia e Biologia, é a constituição química das fumaças vulcânicas e quais riscos elas oferecem para o ecossistema ao redor dessas áreas e para a saúde da população.
* Entendendo o conteúdo:
Os vulcões são aberturas no solo, que ficam normalmente entre placas tectônicas, pelas quais sai o magma, que está em seu interior, para a superfície da Terra. Esse magma é constituído de rochas quentes em fusão, isto é, que estão passando do estado sólido para o líquido. Pelos vulcões saem também gases, que serão abordados melhor mais para frente.
O magma pode ser de três formas: como poeira fina e quente, como lava ou como grandes pedras vulcânicas. Isso acontece porque, dependendo da temperatura e da composição química, a erupção pode se dar de três modos básicos: efusiva, explosiva e mista.
Essa composição química – se é ácida ou básica – é que determinará as características do magma, como a viscosidade e as condições de expulsão dos gases existentes nele.
* Composição Química das Cinzas Vulcânicas:
A porção gasosa do magma contém compostos voláteis tais como o dióxido de carbono (CO2) e o gás sulfídrico (H2S). Este é altamente tóxico, forma misturas explosivas com o ar e ataca o aço e selos de borracha rapidamente.
Porém, os principais constituintes dessa fumaça são:
• Vapor de água (H2O(V));
• Poeira, e;
• O principal vilão, o enxofre (S).
Esse último elemento é agressivo à saúde tanto das pessoas, quanto dos animais e vegetais. Seus compostos são muito ácidos, como o dióxido de enxofre (SO2), que compõe uma rocha magmática típica com um teor que varia de 35% a 75 %.
Esse gás pode gerar ácido sulfúrico (H2SO4). Isso ocorre quando ele é oxidado, formando o trióxido de enxofre (SO3). Esse, por sua vez, sofre uma reação com a água, formando então uma solução aquosa de ácido sulfúrico, conforme mostrado pelas reações abaixo:
Por conter enxofre, a fumaça pode causar irritação nos olhos, intoxicação respiratória e até inflamação nos brônquios.
* Consequências de se voar durante esses fenômenos:
Entendendo a composição química das cinzas vulcânicas, fica mais fácil de ver o que ocorreria se um avião tivesse que atravessar uma dessas nuvens:
• As partículas das cinzas vulcânicas entrariam em uma turbina, acumulando-se, e seu material derretido entupiria o motor, travando a turbina;
• Haveria riscos de explosão em razão da presença de faíscas e dos gases citados anteriormente;
• O avião seria atingido pela poeira;
• O enxofre adentraria o avião, inclusive a cabine de comando, forçando os tripulantes a usar máscaras de oxigênio;
• As vidraças seriam quebradas;
• Causaria grande prejuízo econômico para a empresa aérea, pois a turbina ficaria inutilizada. Mesmo se ela voltasse a funcionar, passaria a gastar muito mais combustível;
• Os motores danificados seriam jogados fora, mesmo representando um terço do custo total do avião.
 Turbina do avião 747 da British Airways, que ficou totalmente danificada após passar por cinzas vulcânica

RIO + 20: qual o legado, afinal?


Mais uma vez o Rio de Janeiro teve a honra – e o ônus – de receber uma conferência das Nações Unidas voltada à discussão das questões ambientais, a Rio + 20.
Duas décadas após a Rio-92, que pretendeu lançar as bases e apontar caminhos para uma mudança efetiva nas relações do ser humano com a Natureza – no sentido mais amplo do termo -, encontraram-se no Rio representantes de 193 nações para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.
Em paralelo aos encontros oficiais, como há 20 anos, repetiu-se a manifestação veemente da sociedade civil, representada pelos mais diversificados segmentos e setores de atividade.

Qual o balanço destas duas semanas de debates, apresentações, tentativas de consenso em torno da questão sustentabilidade?
Oficialmente, foi redigido um documento final que, apesar do título promissor - “O futuro que queremos" - foi duramente criticado por ambientalistas e por formadores de opinião ligados às causas ambientais e que esperavam medidas de ordem prática para garantir um desenvolvimento sustentável efetivo.

Principal motivo das críticas: a inconsistência das propostas apresentadas no texto definitivo.
Vale a pena resaltar as principais barreiras que separaram a Rio+20 de seu propósito fundamental:

• A ausência de definições claras sobre responsabilidades específicas, repasses financeiros e discriminação de prazos para a adoção de medidas promotoras de desenvolvimento sustentável pelas autoridades competentes em cada país;

•  Os negociadores dos países desenvolvidos e em desenvolvimento entraram várias vezes em rota de colisão, especialmente quando a discussão envolvia a liberação de recursos: o fundo de 30 bilhões de dólares para a preservação ambiental em países em desenvolvimento não foi aprovado. Continua o impasse: quem paga a conta para a implementação de estratégias voltadas ao desenvolvimento sustentável nesses países?

• O PNUMA (Programa das Nações Unidas para meio ambiente) não virou agência como se esperava  e, em consequência, o programa continua com poderes restritos e  sem estrutura para levar adiante a efetivação de medidas práticas para preservação ambiental.

Certamente estes temas farão parte, novamente, da agenda da próxima conferência.
Para os otimistas, no entanto, os resultados e desdobramentos da Rio+20 não podem ser restringidos ao que se lê no documento oficial do evento.
Os 10 dias de discussão em torno da questão ambiental ratificaram a força da mobilização da sociedade civil quanto ao assunto, concretizada através de inúmeros compromissos voluntários entre empresas e parcerias que somaram mais de US$ 500 bilhões para ações sustentáveis.
Fazendo um paralelo entre o foco da Rio-92 e o que se viu na Rio+20, é inquestionável a ocorrência de um grande avanço: o conceito de desenvolvimento sustentável foi ampliado, deixando de abarcar apenas questões relacionadas ao meio ambiente.
Sustentabilidade, a partir da Rio+20, passa a incluir de forma incisiva e essencial os aspectos sociais, ressaltando a urgência do esforço conjunto para  a melhoria da qualidade de vida e a erradicação da pobreza, colocando o ser humano no centro das preocupações.

Talvez, seja este o maior legado deixado pela conferência do Rio, em 2012.
Apesar das críticas aos resultados efetivos da Rio+20, a relevância do encontro, provavelmente, fará do tema assunto recorrente nos vestibulares deste ano.
As temáticas relacionadas ao meio ambiente já são amplamente exploradas pelas principais provas do país, incluindo o Enem. Este ano, especialmente, essa tendência pode se manifestar com maior intensidade.
Assim, se você pretende se preparar de forma eficiente para responder questões as questões relacionadas ao tema, fique atento aos conteúdos:

1. Ecossistemas
É provável a ocorrência de questões que exijam conhecimento sobre a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas: ciclagem da matéria, fluxo de energia, estruturação das cadeias e teias alimentares. Dê uma atenção especial aos ciclos biogeoquímicos (ciclo do carbono e o do nitrogênio, especialmente) e às interações ecológicas entre os seres vivos (competição, parasitismo, mutualismo, etc.).

2. Energia
Este é um tema muito forte nos vestibulares, assim como foi na Rio+20.  É fundamental que você domine conceitos como “energia limpa” e “economia verde”, por exemplo.
Conhecimento acerca dos combustíveis fósseis e de biocombustíveis (etanol, biodiesel) são essenciais. Reveja com atenção os tópicos relacionados à poluição ambiental e desequilíbrios causados pela ação antrópica (humana) sobre os ecossistemas.
Além disso, é importante você demonstrar compreensão dos processos bioquímicos fundamentais à manutenção da vida no planeta: (fotossíntese, fermentação e respiração celular).

3. Biomas
Este assunto é gerador de muitas questões interdisciplinares com a Geografia. Procure, além de conhecer as características fitogeográficas e a biodiversidade de cada um dos principais biomas brasileiros (ênfase em mata atlântica, caatinga e cerrado), compreender os fatores de risco que ameaçam a manutenção destes ecossistemas (extrativismo predatório, queimadas, desmatamento, etc.). É importante que você apresente, também, conhecimento em relação às medidas de preservação dos ecossistemas, incluindo em suas respostas o viés da questão social como fator inerente à ação de preservação ambiental.

4. Inclusão social/ combate à pobreza/ responsabilidade sócio-ambiental
Esta é uma abordagem bastante possível, pois abrange a competência do “ser cidadão”, trabalhada especialmente pelo ENEM.
Você sabe que a Rio+20 não  tratou apenas de questões técnicas diretamente relacionadas ao meio ambiente: o conceito de sustentabilidade foi definitivamente vinculado ao econômico e ao social.
Assim, o combate à fome, a desigualdade da distribuição de recursos e de oportunidades podem gerar questões importantes nas provas. Prepare-se para responder questões testando o seu nível de educação ambiental na vida cotidiana: reciclagem, reaproveitamento de materiais, economia de energia, consumismo- causas e consequências, enfim, qual opção é social e ecologicamente mais responsável dentro de situações de natureza prática.

O movimento “Yosoy132”: a chamada “Primavera Mexicana”


A mobilização popular contra regimes ditatoriais e governos considerados antidemocráticos ganhou destaque em 2011, com manifestações em países como Líbia, Turquia e Egito.
A “Primavera Árabe”, nome pelo qual tais mobilizações ficaram conhecidas, se propagou com muita rapidez e eficiência, graças às redes sociais. Em síntese, podemos dizer que os objetivos dos manifestantes eram: o direito ao voto, o respeito aos direitos femininos, o direito à educação e à liberdade de imprensa e expressão.
Desde o dia 11 de maio, manifestações contrárias ao monopólio do poder pelos membros do Partido Revolucionário Institucional (PRI) no México estão sendo chamadas de Primavera Mexicana. As graves denúncias de corrupção contra o governo, seguidas da repressão aos meios de comunicação, tem ampliado o movimento que começou com o protesto dos estudantes da Universidade Iberoamericana, localizada na Cidade do México, durante a visita de Peña Nieto, candidato do PRI à presidência.
Nieto tem contra si toda a impopularidade de seu partido e também a acusação de ter sido o responsável pelo massacre de Atenco, ocorrido há seis anos. Na época, forças policiais reprimiram brutalmente manifestantes da  “Frente de Povos em Defesa da Terra”,  que protestavam contra a construção de um aeroporto em Texcoco. De acordo com a CNDH (Comissão Nacional de Direitos Humanos), a repressão resultou na morte de dois jovens, na prisão de mais de duzentos manifestantes e no estupro de  quarenta e sete mulheres por membros das forças repressoras.
O candidato do PRI à presidência acusa os líderes dos protestos de estarem ligados ao partido de Andrés Manuel López Obrador, candidato à presidência pelo PRD (Partido da Revolução Democrática), seu principal adversário eleitoral. Peña afirmou ainda que os manifestantes não seriam estudantes e que foram pagos pelos seus opositores esquerdistas. Diante dessas acusações, os universitários gravaram um vídeo no qual 131 jovens mostram a carteira de identificação da universidade. A partir de então, teve início o movimento #yosoy132 (“eu sou o 132”). Ganhando força nas redes sociais e se espalhando rapidamente pelo país, o movimento opositor possui até um site: yosoy132.mx.
Além dos estudantes da Universidade Iberoamericana, universitários de outras instituições se juntaram ao movimento e se organizam por meio do Twitter, Facebook e Youtube. Entre as manifestantes já há jovens  da UNAM, do Instituto Politécnico Nacional, da Universidade Autônoma Metropolitana, da Universidade Autônoma da Cidade do México, do Claustro de Sor Juana, da TEC de Monterrey, do ITAM e da ANÁHUAC.
Desde o início das manifestações, Peña Nieto já caiu quatro pontos percentuais nas pesquisas de intenção de voto, diminuindo sua diferença com relação ao segundo colocado Andrés Manuel López Obrador.
Os próprios dirigentes estudantis definem o movimento, "Primavera Mexicana", como uma luta "em que os jovens florescem e espalham suas ideias como pólen, no qual os corações se incendeiam, as mentes se abrem e se fazem tangíveis as ilusões".

Ditaduras Latino-americanas


O processo de independência das nações latino-americanas, ao longo do século XIX, deu origem a uma série de Estados independentes em sua maioria influenciados pelo ideário iluminista. No entanto, a obtenção dessa soberania política não foi capaz de dar fim à dependência econômica que submetia tais países aos interesses das grandes potências econômicas da época. Ao mesmo tempo, a consolidação da democracia ainda era prejudicada pela ação de governos tomados por uma elite conservadora e entreguista.
No século XX, a desigualdade social e a exclusão econômica ainda eram questões que permaneciam pendentes nas várias nações latino-americanas. Contudo, a ascensão de forças reformistas e nacionalistas passou a se contrapor à arcaica hegemonia caudilhista das elites. A insistência em manter as classes populares excluídas do jogo político e, ao mesmo tempo, preservar a economia nacional atrelada aos interesses dos grandes centros capitalistas começou a sofrer seus primeiros abalos.
Após a Segunda Guerra Mundial, a instalação da ordem bipolar e o sucesso do processo revolucionário cubano inspiraram diversos movimentos de transformação política no continente americano. Em contrapartida, os Estados Unidos – nação que tomava a dianteira do bloco capitalista – preocupava-se com a deflagração de novas agitações políticas que viessem a abalar a hegemonia política, econômica e ideológica historicamente reforçada nos combalidos Estados latino-americanos.
Nesse contexto, ao longo das décadas de 1960 e 1970, os diversos movimentos de transformação que surgiram em nações americanas foram atacados pelo interesse das elites nacionais. Para tanto, buscavam o respaldo norte-americano para que pudessem dar fim aos movimentos revolucionários que ameaçavam os interesses da burguesia industrial responsável por liderar essas ações golpistas. Com isso, a ingerência política dos EUA se tornou agente fundamental nesse terrível capítulo da história americana.
A perseguição política, a tortura e a censura às liberdades individuais foram integralmente incorporadas a esses governos autoritários que se estabeleceram pelo uso da força. Dessa forma, os clamores por justiça social que ganhavam espaço no continente foram brutalmente abafados nessa nova conjuntura. Ainda hoje, as desigualdades sociais, o atraso econômico e a corrupção política integram a realidade de muitos desses países que sofreram com a ditadura.

Os índios e a Usina de Belo Monte


Fevereiro de 1989, Altamira (Pará): cerca de 3 mil pessoas (entre eles, 650 índios) participaram do I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu. Os participantes reclamavam da política da construção de barragens na região do Xingu (sudeste do Pará) e das decisões tomadas na Amazônia sem a participação dos índios (o que contradiz a Constituição).
O evento foi marcado por uma imagem: a índia kaiapó Tuíra encosta seu facão no rosto do então presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes, em advertência contra o projeto de construção de um complexo de cinco hidrelétricas no Xingu. A primeira delas seria a usina de Belo Monte.
Registro do I Encontro de 1989: Mobilização

Maio de 2008, Altamira (Pará): Durante um evento organizado pela Arquidiocese de Altamira e o Instituto Socioambiental (ISA), o engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando Rezende, coordenador dos estudos de Belo Monte, convidado para falar sobre o aproveitamento hidrelétrico do projeto, foi agredido por (supostamente) um grupo de índios kaiapós.
O engenheiro foi ferido com facões e teve atendimento médico. O procurador federal Felício Pontes Júnior, que participou do evento, disse que o que aconteceu ao engenheiro mostra que os índios irão resistir fisicamente à instalação de Belo Monte, se for preciso. Felício alegou inclusive que os índios da região do Xingu (que serão fortemente afetados com a barragem) ainda não foram ouvidos e o projeto, ainda assim, continua caminhando.

Belo Monte

O projeto da Usina Belo Monte gera polêmicas desde sua criação, na década de 80. Os dois fatos relatados acima mostram como os anos passam e as questões continuam as mesmas. Os índios não são ouvidos, os estudos de impacto ambiental são controversos e o governo parece fazer o que lhe convém.
Belo Monte foi colocada em pauta durante o governo FHC (com o programa “Acelera Brasil”), criticada por Lula em sua campanha presidencial (dizia que projetos como esse prejudicavam o meio ambiente e populações indígenas e ribeirinhas) e retomada por um Lula presidente, em seu segundo mandato. Atualmente, o projeto da usina que terá capacidade média de 11 mil megawatts (MW) é uma das obras prioritárias do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o carro-chefe do governo Lula.
Tudo isso gira em torno de questões que já são intrínsecas da cultura brasileira: A enorme necessidade de se fazer justiça e “redimir” o passado com os índios de maneira errônea (vide casos como esse de Belo Monte e outros, como a demarcação absurda de terras da Reserva Raposa Serra do Sol) e a dependência brasileira de energia (que os governantes sempre tentam sanar por meio de hidrelétricas, um dos meios mais degradantes de se produzir energia elétrica).

Localização de Belo Monte no Rio Xingu

Ora, por que não pensar em fontes alternativas de energia? Esse é um debate a muito tempo levantado no Brasil e que, infelizmente parece não haver espaço nas câmaras e mesas políticas. Além disso, é preciso criar novas políticas de relacionamento com os povos indígenas. A FUNAI passa por graves problemas faz algum tempo e muitas comunidades indígenas já não a veem com bons olhos como antigamente.
Especialistas da área de energia indicam que com tamanha energia gerada por Belo Monte, o Brasil estaria livre de um novo apagão (previsto para breve), como houve em 2001. Mas será que esse é o melhor jeito de se evitar um apagão? Não seria mais simples, barato e menos prejudicial educar a população e conscientizá-la da importância de se economizar energia?
E você, o que acha desses problemas que afetam nosso país? Os direitos dos índios estão sendo violados ou eles estão agindo na contramão do desenvolvimento do país? O que você acha da atual situação dos índios no Brasil? E as políticas de geração de energia do Brasil, estão corretas? Será que Belo Monte é a única saída para o risco iminente de um novo apagão?

Um assunto que certamente continuará sendo cobrado nos vestibulares é a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que será a terceira maior usina hidrelétrica do mundo, atrás de Três Gargantas, na China, e de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai. Sua localização é o Rio Xingu, próximo ao município de Altamira, no norte do Pará. Quando ficar pronta, em 2015, a Usina de Belo Monte deve gerar 41,6 milhões de megawatts por ano, o suficiente para atender ao consumo de 20 milhões de pessoas durante um ano.
As cidades de Altamira e Vitória do Xingu terão grandes áreas inundadas, o que pode prejudicar os agricultores locais e a população ribeirinha. Por outro lado, a construção da usina pode ajudar no desenvolvimento econômico da região, com a criação de empregos. As terras indígenas de Paquiçamba e Arara da Volta Grande do Xingu serão afetadas pela diminuição da vazão do rio, causando prejuízos para uma população que depende do rio para pesca, plantação e transporte. A questão das terras indígenas e o impacto ambiental são as principais polêmicas que envolvem a construção da usina.

Os vestibulares podem cobrar questões que envolvem a geografia física da região, os benefícios econômicos vinculados à construção da usina, assuntos relacionados aos grandes projetos de integração do território nacional – já que a energia que será produzida no Norte do Brasil pode beneficiar outras regiões – e perguntas relacionadas às questões socioambientais. “Os vestibulandos precisam saber, por exemplo, quais seriam os prejuízos ambientais gerados pela construção da usina, e como as populações amazônicas tradicionais (ribeirinhos e indígenas) seriam atingidas por essa construção”.
o tema pode ser cobrado de forma interdisciplinar e até mesmo de forma específica em questões de outras disciplinas que não geografia. Na biologia, por exemplo, a construção da usina pode ser relacionada à preocupação com a flora e a fauna local, à mudança do comportamento da vida aquática devido ao represamento e a questões ligadas à reprodução de peixes. Nas provas de física podem aparecer questões de energia potencial, pressão, transformação de energia mecânica em energia elétrica. “Até mesmo a matemática pode ter relação com a construção da usina, trazendo problemas de área, volume e vazão”.
O tema também pode ser cobrado nas provas de redação, o que exige do candidato bastante informação sobre o contexto da construção da usina. Dificilmente a proposta de redação pedirá para o vestibulando defender diferentes posicionamentos. Certamente se exigirá a exposição de uma posição fortemente sustentada por argumentos consistentes.



A Comissão da Verdade


No ano de 2012, tivemos um intenso debate sobre a formação da Comissão da Verdade, uma comissão formada por membros designados pelo governo federal para investigar os crimes cometidos pelo Estado durante o século XX. Contudo, quais seriam esses crimes que eles investigarão? Que verdade é essa a ser exposta? Enfim, de que modo essa comissão tem a possibilidade de aparecer nos vestibulares de 2012?

A primeira questão óbvia é que a Comissão da Verdade terá como grande meta investigar os crimes de tortura, prisão arbitrária e assassinato acontecidos na Ditadura Militar (1964 - 1985). Desse modo, o vestibulando precisa ficar atento aos métodos de coerção e repressão que aconteceram durante o regime militar. Nesse aspecto, sugerimos aquela “revisada especial” no Ato Institucional nº 5, nas propagandas oficiais que pretendiam acobertar a repressão daquele tempo e o processo de formação das guerrilhas daquele período.

Por outro lado, não podemos cair na bobeira de só estudar o Regime Militar por conta da formação da Comissão da Verdade. Bancas de prova mais atentas podem também relacionar o fato com o Estado Novo, o governo ditatorial de Getúlio Vargas que também será investigado pela comissão. Sendo assim, sugerimos que o vestibulando observe atentamente o processo de formação do Estado Novo, dando atenção especial ao Plano Cohen (que justificou o golpe dado por Vargas) e a atuação contra os opositores do regime.

Além dessas questões, podemos ver que a atuação da Comissão da Verdade também abre precedente para a formulação de questões mais complexas, típicas de uma segunda fase de vestibular. Sendo assim, fique atento para questões relativas às justificativas que legitimam o papel a ser desempenhado por esta comissão. Isso implica em fazer associações entre história, memória e cidadania. Mas, de que forma essas coisas poderiam aparecer?

A Comissão da Verdade não vai punir ninguém, logo a sua função será investigar documentos e recolher relatos que permitam um olhar mais amplo sobre nossas ditaduras. A Comissão será uma forma de tornar nossas imagens sobre o passado um tanto quanto mais nítidas. Afinal, organizamos uma nova democracia na década de 1980 sem reconhecer quais foram as personagens que atuaram contra um tipo de regime que consideramos fundamental para a conquista e garantia dos direitos do cidadão.

Finalizando nossas dicas sobre o tema, ressaltamos que a Comissão tem que ser vista em um espectro mais amplo de ações que visam reparar alguns resquícios presentes do passado ditatorial. Em algumas cidades, já tramitam projetos de lei, por exemplo, que visam retirar o nome de vias, prédios, escolas e monumentos públicos que façam qualquer tipo de homenagem aos dirigentes do regime militar. Sendo assim, a Comissão pode aparecer nas provas ao lado desse tipo de ação revisora de nosso passado recente.